Capitalismo de Estado
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O conceito de Capitalismo de Estado abrange dois significados distintos. O primeiro significado refere-se aos países designados de socialistas (URSS e Cuba, por exemplo), que se caracterizam por manter a exploração dos trabalhadores via extração de mais-valia, tal como no capitalismo privado, mas onde o Estado se transforma no principal proprietário. O Estado possui o monopólio dos meios de produção e extrai a mais-valia e a redistribui, além do investimento no processo de acumulação de capital, entre os burocratas, que passam a usufruir de diversos privilégios, formando uma burguesia de Estado. O segundo se refere a países capitalistas com forte intervenção do Estado na economia, onde este se esforça para desenvolver as forças produtivas, opondo-se assim ao liberalismo. É o caso da França, por exemplo.
O regime soviético foi acusado por comunistas conselhistas e anarquistas de ser um regime de capitalismo de Estado, pois, naquele regime, o Estado se tornou proprietário de todos os meios de produção, manteve os trabalhadores longe das decisões políticas e gerenciais, e continuou os submetendo à escravidão do salário.
Todos os países considerados comunistas, como a União Soviética, a China, Cuba, Vietnã, bem como os países do Leste europeu, foram acusados de serem também regimes de capitalismo de Estado.
A ideia de Capitalismo de Estado surge com o próprio processo da revolução russa. Lenin foi um dos primeiros a utilizar esta expressão, no sentido do primeiro caso em maio de 1918 em um seu panfleto "On left wing infantilism and on petty-bourgeois tendencies"1 porém em 1921 ele utilizou esta expressão no sentido do segundo caso, no panfleto "On the tax in kind", quando analisou a praticabilidade de conceder concessões a empresas estrangeiras com o objetivo de atrair investimentos e know-how.1
Na Rússia, os grupos de oposição dentro do Partido Bolchevique (a Oposição Operária, os Centralistas Democratas e os Comunistas de Esquerda), colocaram a ameaça de abandono de construção do socialismo e a tendência de construção de um capitalismo de estado, devido a política do partido bolchevique e o abandono da autonomia operária. Fora do partido, o Grupo Verdade Operária qualificaria o regime russo como sendo um capitalismo de estado.
Fora da Rússia, foram principalmente os chamados comunistas de conselhos (Anton Pannekoek, Karl Korsch, Otto Rühle, Maximilien Rubel, entre outros) que teorizariam o regime russo como sendo um capitalismo de estado. Posteriormente, a Esquerda Comunista Italiana, de Amadeo Bordiga, e vários outros grupos e indivíduos passaram a adotar esta tese.
Trotsky e a maior parte da tradição trotskysta divergiu deste conceito, ao qual contrapuseram o de Estado Operário burocratizado. Alguns intelectuais de origem trotskysta adotaram esse conceito, como Tony Cliff, e romperam com a Quarta Internacional.
Ver também [editar]
Referências
- ↑ a b McCauley, Martin. "The Longman Companion to Russia since 1914" (em inglês). Reino Unido: Longman, 1998. p. 113-114. ISBN 0-582-27639-X