Guarda de Ferro
A Guarda de Ferro (em romeno Garda de Fier) foi um movimento nacionalista, fascista e antissemita[carece de fontes] romeno, logo convertido em partido político, que existiu desde 1927 até a Segunda Guerra Mundial.
O movimento foi fundado por Corneliu Zelea Codreanu, em 24 de julho de 1927, sob o nome de Legião de São Miguel Arcanjo, e foi liderado por Codreanu até sua morte, em 1938. Os adeptos e membros do movimento eram chamados "legionários".
Em março de 1930, Codreanu formou a Guarda de Ferro, um ramo paramilitar e político da Legião, cujo nome chegou a ser aplicado à Legião inteira. Mais tarde, em junho de 1935, a Legião mudou oficialmente sua denominação, passando a chamar-se partido "Totul pentru Ţară" ("Tudo para o País").
A Guarda de Ferro teve grande penetração entre as camadas populares romenas. Seus membros usavam uniformes verdes (considerados símbolo de rejuvenecimento) e por isso receberam o apelido de "camisas verdes". Entre eles, saudavam-se como os antigos romanos. O símbolo principal utilizado pela Guarda de Ferro era uma cruz tripla, representando barras de prisão (como símbolo do martírio), às vezes chamada "cruz do arcanjo Miguel".
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Segmentos [editar]
- Fratzii de Cruce (As Irmandades da Cruz): esta era a seção que agrupava os estudantes secundários, entre quatorze e vinte anos. Estes estavam unidos por um "juramento de sangue", sob a mística guerreira dos Cruzados medievais.
- Campos de Trabalho: parte importante da doutrina legionária, pretendia a transformação material e espiritual da nação. A Romênia Legionária de Codreanu tinha que ser conquistada pelo esforço voluntário de todo o movimento. O trabalho voluntário tencionava, por meio da fadiga e do sacrifício comunitário, unificar todos os romenos em uma mesma fé, em um mesmo empenho nacional e socialista.
- Batalhão do Comércio Legionário: com um conceito revolucionário da economia, contribuiu o Movimento Legionário através de seu próprio comércio, liberando-o da sujeição aos juros e ao dinheiro. A competência comercial do Movimento era orientada a desestabilizar o sistema econômico burguês e o espírito de lucro desmedido. Lojas e refeitórios populares implementaram o espírito revolucionário da Legião.
- Esquadrões da Morte (Seção Motza e Marin): tinha o seu núcleo selecionado entre aqueles que haviam decidido viver o ideal até à morte. Esta seção tinha o nome de Motza e Marin, mortos na Espanha em 13 de janeiro de 1937, quando lutavam ao lado das forças falangistas. Esta seção, cujos membros representavam a vanguarda da Legião, percorria o país inteiro testemunhando a força de sua militância. Eventualmente reprimidos, "visitaram" todos os presídios romenos (o distintivo da Legião, com seis barras cruzadas, simboliza ao mesmo tempo a cruz de Cristo e as grades da prisão).
As distintas seções do Movimento tinham uma estrutura básica chamada "cuib", que se traduz por ninho. Mais que uma célula, era uma espécie de irmandade. Codreanu a definia como uma "escola onde entra um homem e sairá um herói". Era um grupo de homens com um comandante, devendo funcionar como uma unidade de ação, trabalho, formação ideológica e religiosa, onde eram valorizados o trabalho, o sofrimento e o amor, visando a formação de um "novo homem", cujo destino seria a transformação da pátria e do mundo através do combate interno (supratemporal) e externo (temporal).
Princípios doutrinários [editar]
Corneliu Zelea Codreanu acrescentou à estrutura formal da Legião seis leis fundamentais:
I - A LEI DA DISCIPLINA: Sê legionário disciplinado, que só deste modo sairás vitorioso. Segue ao teu chefe na boa como na má fortuna.
II - A LEI DO TRABALHO: Trabalha. Trabalha cada dia. Trabalha com amor. Que a recompensa do trabalho não seja a ganância e sim a satisfação de ter posto um tijolo para glória da Legião e florescimento da pátria.
III - A LEI DO SILÊNCIO: Fala pouco. Fala quando seja necessário, quanto seja necessário. Tua oratória é a oratória da ação. Tua obra, deixa que sejam os outros que a comentem.
IV - A LEI DA EDUCAÇÃO: Deves converter-te em outro, em herói. Faz tua escola toda no cuib. Conhece bem a Legião.
V - A LEI DA AJUDA RECÍPROCA: Ajuda ao irmão a quem tenha ocorrido uma desgraça. Não o abandones.
VI - A LEI DA HONRA: Caminha somente pela via da honra. Luta e nunca sejas vil. Deixa aos outros as vias da infâmia. Antes que vencer por meio de uma infâmia, melhor cair lutando sobre o caminho da honra.
Essa doutrina, segundo Codreanu, representa uma "alternativa atemporal frente às circunstâncias dos povos, como permanência de valores imutáveis a cujas constantes deve-se acudir continuamente, como ante uma presença viva das forças do alto, forças vivificantes e luminosas, para constituir a alternativa própria e nacionalista."
À semelhança da Guarda de Ferro, sendo um movimento cristão, tem muito em comum com o tradicionalismo espanhol (encarnado no requeté combatente da guerra civil),1 com o movimento rexista belga de Léon Degrelle (derivação da Ação Católica em direção ao nacional-socialismo nas SS européias), e com o catolicismo combatente mexicano, personificado no cristero ou "soldado de Deus", e com o sinarquista, "soldado cívico de Cristo", militante da União Nacional Sinarquista (U.N.S.), força paramilitar que combatia os movimentos de esquerda da década de 1940 no México.
Referências
- ↑ No início do século XX, a força paramilitar carlista adotou o nome de raqueté. Mais tarde foram chamadas assim as forças navarras que participaram da facção franquista durante a guerra civil espanhola (1936-1939).
Ligações externas [editar]
- 80ème anniversaire de la “Garde de Fer” en Roumanie (em francês) , 4 de julho de 2007
- Artigo detalhado sobre a Guarda de Ferro (em inglês)
- Iron Guard nowadays
- Website dedicado a Corneliu Zelea Codreanu , fundador da Guarda de Ferro.
- Website dedicado a Horia Sima (em inglês) , antigo comandante da Guarda de Ferro