Neofascismo

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Esta página lida especificamente com o fascismo pós-II Guerra Mundial. Para movimentos nazistas pós-II Guerra Mundial, ver neonazismo.
Manifestação do grupo neofascista grego "Aurora Dourada" (dezembro de 2010).

Neofascismo é uma ideologia pós-II Guerra Mundial a qual inclui elementos significativos do fascismo. O termo neofascista pode ser aplicado a grupos que expressem uma admiração específica por Benito Mussolini e pela Itália fascista. O neofascismo geralmente inclui nacionalismo, nativismo, anticomunismo e oposição ao sistema parlamentarista e à democracia liberal. A alegação de que um grupo seja neofascista pode ser calorosamente contestada, particularmente se o termo for usado como um epíteto político. Alguns regimes pós-II Guerra Mundial têm sido descritos como neofascistas devido a sua natureza autoritária, e, às vezes, por sua fascinação pela ideologia e rituais fascistas.

A tradição de regimes populistas e autoritários da América Latina que deram origem aos caudilhos do século XIX e início do século XX, e várias juntas militares que tomaram o poder durante a Guerra Fria criaram condições favoráveis para o surgimento de grupos e mesmo de governos alinhados com alguns ou vários pontos do ideário fascista. A maioria das juntas constituíram-se como ditaduras militares tradicionais, e alguns destes regimes (como o argentino), deram guarida a ex-nazistas tais como Adolf Eichmann e apoiaram movimentos neofascistas (como a Alianza Anticomunista Argentina).[1]

Argentina[editar | editar código-fonte]

Argentina - Em 1976 Isabel Perón, foi deposta por uma junta militar. A junta militar de Videla, que tomou parte da Operação Condor, apoiou vários movimentos neofascistas e de extrema direita e ao grupo terrorista neofascista Aliança Anticomunista Argentina (la Triple A). A SIDE apoiou o Golpe da Cocaína de Meza Tejada na Bolívia e treinou os "Contras" na Nicarágua.

Bolívia[editar | editar código-fonte]

Luis García Meza Tejada tomou o poder na Bolívia durante o Golpe da Cocaína em 1980, com o apoio do neofascista italiano Stefano Delle Chiaie, do criminoso de guerra nazista Klaus Barbie e da junta militar da Argentina. O regime foi acusado de apresentar tendências neofascistas e de admirar a parafernália e rituais nazistas. Hugo Banzer Suárez, que antecedeu Tejada, também manifestava admiração pelo nazi-fascismo.

Espanha[editar | editar código-fonte]

Em Espanha, o regime político de Francisco Franco “desfascizou-se progressivamente durante cerca de trinta anos”, tendo sido formados vários "grupúsculos" neofascistas em combate ao regime nos finais do anos 50 e nos anos 60. [2] . Após a morte de Franco, em Novembro de 1975, iniciou-se um período de transição para a Monarquia Constitucional durante o qual, entre 1976 e 1981, vários grupos neofascistas passaram a desencadear acções de índole terrorista, cometendo 46 assassínios e vários ataques à propriedade. Em 1981, as autoridades espanholas prenderam 141 militantes dessas organizações neofascistas [3] .

França[editar | editar código-fonte]

Em França, no anos 80 existiam dois grupos neofascistas: a "Federação de Acção Nacional Europeia" (FANE) e o "Movimento Nacionalista Revolucionário" (MNR). A FANE foi dissolvida por ordem do governo francês, reconstituindo-se imediatamente nos "Fasces Nacionais Europeus" (FNE). Além destes grupos, foi ainda identificada a existência da "Honneur de la Police", "Delta", "Pieper", e "Odessa", responsáveis por mais de uma centena de ataques terroristas em 1980 e por pelo menos três assassínios. [4]

Grécia[editar | editar código-fonte]

O neofascismo tem estado presente na política grega desde o regime autoritário de Ioannis Metaxas, embora com escassa simpatia entre a população. Durante os anos 1950 e anos 1960, neofascistas gregos formaram frações extremistas, uma das quais foi responsável pelo assassinato do político Gregoris Lambrakis. Em 1967, a junta militar grega de George Papadopoulos, buscou inspiração na era Metaxas de 1936-1941 e impôs aos gregos uma mentalidade neofascista de poder.

Uma década após o retorno à democracia (1974), o ex-líder da junta, George Papadopoulos, fundou e presidiu a União Política Nacional, um partido que se não era neofascista, pelo menos apoiava pontos de vista autoritários e o ideal de "Ellas ton Ellinon Christianon" ("Grécia para os gregos ortodoxos"). Os neofascistas gregos despertaram pouco mais que indiferença por parte da população em geral, mas continuaram a existir em partidos inexpressivos, raramente chegando a conquistar cadeiras no parlamento.

No início dos anos 1980, Nikolaos Michaloliakos, um ex-pára-quedista do exército grego e ex-líder da juventude da União Política Nacional, criou o Movimento Popular Nacional Hrisi Avgi ("Aurora Dourada" em grego), um partido neonazista que durou até aos dias de hoje, estando actualmente no parlamento grego. O "Aurora Dourada" opõe-se à imigração e conquistou 18 dos 300 assentos no parlamento em junho de 2012.[5] [6] Nas eleições municipais de novembro de 2010, a Aurora Dourada obteve 5,3% dos votos em Atenas, adquirindo uma cadeira no Conselho da Cidade (legislativo municipal). Em alguns bairros o partido chegou a obter 20% dos votos. Ao entrar na câmara municipal após ser eleito em Atenas, Nikolaos Michaloliakos fez a chamada saudação romana (uma saudação que já existia na Roma Antiga e que foi adoptada pelos fascistas de Mussolini).[7]

Itália[editar | editar código-fonte]

A violência terrorista neofascista começou em 1965, intensificando-se em 1968-69. Enquanto os estudantes do MSI faziam agitação nas universidades, provocando tumultos e destruições, outros grupos desencadeavam acções terroristas. Em 1969, o grupo Ordine Nuovo voltou ao seio do MSI, mas logo uma cisão criou o "Movimento Politico Ordine Nuovo".

As leis raciais de 1938[editar | editar código-fonte]

Muitos neofascistas desconhecem as leis raciais de 1938 e por isso tendem a ignora-las, achando erroneamente que o fascio não tinha caráter racialista e propagando isso adiante, o que vai totalmente contra a realidade histórica do movimento antes mesmo do estouro da guerra.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fascismo e neofascismo na América Latina por Hélgio Trindade. Acessado em 16 de outubro de 2007.
  2. Stanley G. Payne, A History of Fascism, 1914-1945, Londres, UCL Press, 1995, p. 509
  3. Cambio 16 (Madrid), 30 de Agosto de 1982
  4. Michel Winock (dir.): Histoire de l’extrême droite en France, 1993
  5. Imigração
  6. Parlamento grego suspende imunidade de 6 integrantes do Aurora Dourada
  7. Multiplicação

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Clouscard, Michel. Neofascismo e ideologia do desejo: os tartufos da revolução. Lisboa: Estampa, 1974.
  • Dussel, Enrique. De Medellín a Puebla : uma década de sangue e esperança. Säo Paulo: Loyola, 1981-1983, 3 v.
  • Lee, Martin A. The Beast Reawakens. Nova York: Little, Brown and Company, 1997. ISBN 0-316-51959-6
  • Griffin, Roger. Fascism. Oxford Readers, 1995. ISBN 0-19-289249-5
  • Thurlow, Richard C. Fascism in Britain: A History, 1918-1985. Olympic Marketing Corp, 1987. ISBN 0-631-13618-5.
  • Del Boca, Angelo. Fascism Today: A World Survey. Pantheon Books, 1969.
  • Hockenos, Paul. Free to Hate: The Rise of the Right in Post-Communist Eastern Europe. Routledge, 1994. ISBN 0-415-91058-7
  • Harris, Geoff. The Dark Side of Europe: The Extreme Right Today. Edinburgh University Press, 1994. ISBN 0-7486-0466-9
  • Cheles, Luciano; Ferguson, Ronnie e Vaughan, Michalina. The Far Right in Western and Eastern Europe. Longman Publishing Group, 1995. ISBN 0-582-23881-1
  • Kitschelt, Herbert. The Radical Right in Western Europe: A Comparative Analysis. University of Michigan Press, 1997. ISBN 0-472-08441-0
  • Schain, Martin; Zolberg, Aristide e Hossay, Patrick. Shadows Over Europe: The Development and Impact of the Extreme Right in Western Europe. Palgrave Macmillan, 2002. ISBN 0-312-29593-6)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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