Hooliganismo

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Hooliganismo (para a língua portuguesa do inglês hooligan, "vândalo", pronuncia-se AFI[ˈhuː.lɪ.ɡən], "húulegan") refere-se a um comportamento destrutivo e desregrado. Tal comportamento é comumente associado a fãs de desportos, principalmente adeptos de futebol e desportos universitários. O termo também pode aplicar ao comportamento desordeiro em geral e vandalismo, muitas vezes sob a influência de álcool e/ou drogas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Existem várias teorias sobre a origem da palavra "hooliganismo". O Compact Oxford English Dictionary afirma que a palavra pode ter origem do sobrenome de uma família fictícia rowdy irlandesa em uma canção de music hall da década de 1890.[1] [2] Clarence Rooks, em seu livro de 1899, Hooligan Nights, alegou que a palavra veio de Patrick Hoolihan (ou Hooligan), uma fanfarrão e ladrão irlandês que vivia no bairro londrino de Southwark.[3] Outro escritor, Earnest Weekley, escreveu em seu livro de 1912 Romance of Words, "Os hooligans originais eram uma família de espírito irlandês com esse nome, cujo comportamento animaram a monotonia da vida em Southwark por cerca de quatorze anos". Também foram feitas referências à uma família rural irlandesa do século 19 com o sobrenome Houlihan, que eram conhecidos por seu estilo de vida selvagem, que depois evoluiu o nome para O'Holohan de acordo com as tradições de familias irlandesas do O' para começar o nome. Outra teoria é que o termo vem de uma gangue de rua em Islington chamada Hooley. Ainda há outra teoria em que o termo é baseado em uma palavra irlandesa, houlie, o que significa um selvagem, espírito festivo.

Uso inicial do termo[editar | editar código-fonte]

O termo hooligan tem sido utilizado pelo menos desde meados da década de 1890 - quando foi usado para descrever o nome de uma gangue de rua em Londres - aproximadamente ao mesmo tempo que as gangues de rua de Manchester, conhecidas como as "Scuttlers" foram ganhando notoriedade. O primeiro uso do termo é desconhecido, mas a palavra apareceu pela primeira vez impresso em relatórios da polícia de Londres de 1894, referindo-se ao nome de uma gangue de jovens na área de Lambeth de Londres - The Hooligan Boys,[4] e, mais tarde - os O'Hooligan Boys.[4] Em agosto de 1898, um assassinato em Lambeth cometido por um membro da gangue chamou mais atenção à palavra que foi imediatamente popularizada pela imprensa.[4] O jornal londrino Daily Graphic escreveu em um artigo em 22 de agosto de 1898, "A avalanche de brutalidade que, sob o nome de 'hooliganismo' ... moldou como um insulto terrível os registros sociais do sul de Londres".[2] [3]

Arthur Conan Doyle escreveu em seu romance de 1904 The Adventure of the Six Napoleons , "Parecia ser um dos atos de hooliganismo que ocorrem de tempos em tempos, e foi relatado para o policial na batida como tal ". H. G. Wells escreveu em 1909 o seu semi-autobiográfico romance Tono-Bungay , "Três homens jovens energéticos, do tipo hooligan, com cachecóis no pescoço e bonés".[3]

Mais tarde, como o significado da palavra mudou um pouco, nenhuma das alternativas possíveis, tinha precisamente a mesma indicação de uma pessoa, geralmente jovem, que é membro de um grupo informal e comete atos de vandalismo ou dano criminal, começa brigas, e que provoca perturbações, mas não é um ladrão.[3] A palavra foi internacionalizado no século 20 na antiga União Soviética como Khuligan, que se refere a desordeiros ou dissidentes políticos.[2] Mathias Rust foi acusado de hooliganismo, entre outras coisas, por sua aterrissagem com um Cessna em 1987 na Praça Vermelha.

Hooliganismo nos esportes[editar | editar código-fonte]

Os hooligans tiveram origem na Inglaterra, uma forma de violência desportiva demonstrando o fanatismo pelo clube.

As palavras hooliganismo e hooligan começaram a ser associada com a violência nos esportes, em especial a partir da década de 1960 no Reino Unido com o hooliganismo no futebol.

No entanto, um dos primeiros casos conhecidos de violência de torcida em um evento esportivo, teve lugar na antiga Constantinopla. Dois times de corrida de bigas, os Azuis e os Verdes, foram envolvidos na Revolta de Nika, que durou cerca de uma semana, em 532 DC; quase metade da cidade foi queimada ou destruída, além de dezenas de milhares de mortes.[5]

As associações hooligans fazem parte de um mundo essencialmente e culturalmente britânico e europeu e são raras fora de Inglaterra, sendo que fora dela predominam as chamadas ultras na Europa, os torcedores de hóquei no gelo do Canadá, as barra bravas na América Latina e as torcidas organizadas no Brasil.

Algumas associações hooligans, além da paixão pelo clube, defendem ideologias políticas.[carece de fontes?]

A maior demonstração de violência dos hooligans foi a tragédia do Estádio do Heysel, na Bélgica, durante a final da Taça dos Campeões Europeus de 1985, entre o Liverpool da Inglaterra e a Juventus da Itália. Esse episódio resultou em 38 mortos e um número indeterminado de feridos. Os hooligans ingleses foram responsabilizados pelo incidente, o que resultou na proibição das equipes britânicas participarem em competições europeias por um período de cinco anos.

Apesar da repressão muito forte a grupos hooligans, alguns factos ainda ocorrem, como na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, em que ingleses e alemães promoveram quebra-quebra.[carece de fontes?]

Violência das torcidas organizadas brasileiras[editar | editar código-fonte]

Confusões premeditadas e brigas entre torcidas organizadas também são características do futebol brasileiro, apesar do termo hooliganismo não ser utilizado no Brasil.

Essas mesmas torcidas praticam numerosos atos de vandalismo tendo como principal alvo a torcida rival. Apesar dos números assustadores esses casos são muito mais frequentes quando os jogos acontecem entre equipes da mesma cidade, principalmente em partidas de equipes das capitais estaduais.[carece de fontes?]

De entre as principais causas de brigas, estão, principalmente, a exacerbação das rivalidades entre as camadas menos favorecidas (formação de gangues nos bairros e aglomerados) com roupagem futebolística, e a cultura do medo entre essas mesmas camadas, que leva a uma postura intimidatória.[carece de fontes?]

Um caso recente foi no jogo entre Coritiba vs Fluminense, jogo válido pelo Campeonato brasileiro de 2009, onde houve invasão de gramado,espancamento, entre outros.Outro caso emblemático ocorreu em 2012,no jogo entre Fortaleza Esporte Clube vs Oeste Futebol Clube de Itápolis,válido pelo Campeonato Brasileiro da Série C,os torcedores do Fortaleza,revoltados com a eliminação do time em casa,promoveram uma grande onda de vandalismo dentro do Estádio Presidente Vargas,de propriedade da prefeitura,que resultou em mais de 300 cadeiras destruídas,sendo destas mais de 80 arremessadas no campo,vários torcedores feridos e prejuízo de mais de 150 mil reais. Porém, o caso mais recente de enorme divulgação na mídia, até mesmo na internacional, foi no confronto entre as torcidas Os Fanáticos do Clube Atlético Paranaense vs Força Jovem do Clube de Regatas Vasco da Gama, realizado na Arena Joinville, sem policiamento, as organizadas de ambos os clubes, promoveram um grande tumulto que resultou em 3 feridos, sendo um em estado grave, várias pessoas foram identificadas na briga, inclusive um ex-vereador, mas apenas alguns poucos foram presos e, meses depois, soltos.

Alguns exemplos de rivalidades de torcidas organizadas no Brasil são: a barra brava Geral do Grêmio e a Guarda Popular do Inter, onde, em um jogo, a torcida do Grêmio chegou a queimar os banheiros químicos do estádio Beira-Rio da equipe rival; a torcida Força Jovem Vasco com as torcidas Torcida Jovem do Flamengo e Raça rubro negra; torcedores da Gaviões da fiel do Corinthians e a Mancha Verde(torcida) do Palmeiras; a Máfia Azul do Cruzeiro e a Galoucura do Atlético-MG em Minas Gerais; a Torcida Jovem do Sport e a Torcida Organizada Inferno Coral do Santa Cruz;e a Torcida Uniformizada do Fortaleza e Torcida Organizada Cearamor no estado do Ceará, e as torcidas do estado do Paraná, Torcida Organizada Os Fanáticos do Clube Atlético Paranaense e Torcida Império Alviverde do Coritiba Foot Ball Club, que proporcionam um dos clássicos mais violentos do pais. Os clássicos sempre chamam uma atenção a mais e há vários casos de mortos em regiões mais distantes. Ultimamente, o futsal tem sido o maior alvo desses encontros, já que a polícia não dá as devidas atenções para o encontro dessas torcidas nesse esporte.[carece de fontes?]

Filmes sobre hooliganismo[editar | editar código-fonte]

Livros sobre hooliganismo[editar | editar código-fonte]

  • Armstrong, Gary. Football Hooligans: Knowing the Score (Explorations in Anthropology). [S.l.]: Berg Publishers, 1 de Jameiro de 1998. ISBN 1-85973-957-1.
  • Brimson, Dougie. Eurotrashed: The rise and rise of Europe's football hooligans. [S.l.]: Headline, 3 de Março de 2003. ISBN 0-7553-1110-8.
  • Brimson, Dougie. Kicking Off: Why hooliganism and racism are killing football. [S.l.]: Headline Book Publishing, 29 de Maio de 2006. ISBN 0-7553-1432-8.
  • Brimson, Dougie. Rebellion: The growth of football's Protest Movement. [S.l.]: John Blake Publishing Ltd, 29 de Setembro de 2006. ISBN 1-84454-288-2.
  • Brimson, Dougie. March of the Hooligans: Soccer's Bloody Fraternity. [S.l.]: Virgin Books, 16 de Outubro de 2007. ISBN 0-7535-1293-9.
  • Buford, Bill. Among the Thugs: The Experience, and the Seduction, of Crowd Violence. New York, United States: W W Norton & Co Inc, Maio 1992. ISBN 978-0-393-03381-6.
  • Dunning, Eric; Murphy, Patrick; Waddington, Ivan; Astrinakis, Antonios. Fighting Fans: Football Hooliganism as a World Phenomenon. [S.l.]: University College Dublin Press, 14 Maio de 2002. ISBN 1-900621-74-6.
  • Humphries, Stephen. Hooligans or Rebels?: Oral History of Working Class Childhood and Youth, 1889-1939. [S.l.]: WileyBlackwell, 7 de Outubro de 1995. ISBN 0-631-19984-5.
  • James, Michael. Family Game: The untold story of hooliganism in Rugby League. [S.l.]: Parrs Wood Press, 1 de Maio de 2005. ISBN 1-903158-62-1.
  • Neuberge, J. Hooliganism: Crime, Culture, and Power in St. Petersburg, 1900-1914 (Studies on the History of Society & Culture). [S.l.]: University of California Press, 9 de Setembro de 1993. ISBN 0-520-08011-4.
  • Perryman, Mark. Hooligan Wars: Causes and Effects of Football Violence. [S.l.]: Mainstream Publishing, 3 de Outubro de 2002. ISBN 1-84018-670-4.
  • Pearson, Geoffrey. Hooligan: A History of Respectable Fears. [S.l.]: Palgrave Macmillan, 9 de Junho de 1983. ISBN 0-333-23400-6.
  • BUFFOR, Bill. Entre os vândalos: a multidão e a sedução da violência. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Oxford English Dictionary
  2. a b c Etymology Dictionary
  3. a b c d Quinion, Michael (27 June 1998). "Hooligan". World Wide Words
  4. a b c Who were the original Hooligans?
  5. McComb, David. Sports in World History (Themes in World History). [S.l.]: Routledge, 2 September 2004. p. 25. ISBN 0415318122.