Emo

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Emo (Emocore)
Concerto da banda Cap'n Jazz
Origens estilísticas Hardcore punk
Indie rock
Contexto cultural Metade da década de 1980, Washington, DC nos Estados Unidos
Instrumentos típicos VozGuitarraBaixoBateria
Popularidade Underground nos Estados Unidos durante as décadas de 1980 e 1990, e grande popularidade do Emo-pop nos anos 2000. Os subgêneros sem influências do Pop punk estão mais underground do que eram nos anos 1990.
Subgêneros
Screamo ou Emo-violence - Indie Emo (90's Emo)
Gêneros de fusão
Screamo Progressivo - Emo-pop - Metalcore melódico - Math Emo
Formas regionais
Washington DC, Seattle, Meio-oeste e Região Central dos Estados Unidos
Outros tópicos
Punk rock - Rock alternativo

Emo (para a língua portuguesa do inglês emo, pronuncia-se de forma purista AFI[ˈiːmoʊ], "íimou") ou Emocore (do inglês, pronuncia-se de forma purista AFI[iːmoʊˈkɔr], "iimoucór") é um gênero musical pertencente ao Rock tipicamente caracterizado pela musicalidade melódica e expressiva, e por vezes letras confessionais.

Originou-se entre o Hardcore punk em meados de 1980, Washington DC, onde era conhecido como "emotional hardcore" ou "emocore" e cujas bandas pioneiras foram Rites of Spring e Embrace, parte de uma primeira cena do Post-hardcore (gênero musical que surgiu das mesmas origens que o Emo) conhecida como Revolution Summer. Como o estilo contemporâneo foi ecoado por bandas de Punk rock estadunidense, seus som e significado mudaram e se transformaram com a mistura ao Indie rock e sua entrada como um subgênero do mesmo, no início de 1990, por grupos como Cap'n Jazz, Jawbreaker, Braid, Mineral e Sunny Day Real Estate. Até meados dos anos 1990 numerosos actos emo surgiram a partir do meio-oeste e da região central dos Estados Unidos, e várias gravadoras independentes começaram a se especializar no gênero.

O Emo entrou na cultura popular no início da década de 2000 com o sucesso de Jimmy Eat World e Dashboard Confessional e da emergência do subgênero "Screamo". Nos últimos anos, o "emo" tem sido aplicado por críticos e jornalistas para uma variedade de artistas, incluindo as bandas com grande popularidade e actos premiados, e grupos com diferentes estilos e sons, especialmente o Pop punk de Simple Plan, Good Charlotte, Fall Out Boy, Panic! at the Disco e vários outros, fugindo à tradicional definição de 'Hardcore punk emocional' e seus derivados diretos (como foi o caso da maioria dos grupos classificados como Emo antes do Século XXI).

My Chemical Romance, Coheed and Cambria, Thursday, Matchbook Romance e Saosin são exemplos de bandas relativamente modernas com influências – desconsideráveis a parcas, moderadas dependendo do álbum – do que era Emo nos anos 90 e do que era Post-hardcore nos anos 80, e que atingiram considerável popularidade. Ao contrário do que se pensa no senso-comum, o gênero musical Emo não está "morto", ao menos nos Estados Unidos, com várias bandas mainstream de emo-pop e seus fãs ainda sendo ativos — isso sem falar nas bandas indie emo (uma das formas mais puristas, tradicionais, do gênero) de pequena popularidade que continuam a surgir na cena underground do dito país até hoje, na década de 2010. Entretanto, a subcultura Emo dos anos 2000 bem como vestuário e estereótipos emocionais a ela associados saíram de moda no começo da década de 2010.

Usos do termo

Definições do que pode ser emo e do que seriam "emos" — se é que o uso do termo no plural poderia ser considerado adequado — são controversas. Emo pode se referir nas língua inglesa e portuguesa a:

  1. (década de 1990) de forma não-contável, um particular estilo de rock. É o mais utilizado no artigo, que fala basicamente sobre o mesmo. Pode ser subdividido em emotional hardcore, indie emo e skramz (forma moderna de se referir ao que originalmente era considerado screamo, e ao emo-violence).
  2. (década de 1990) de forma contável, um indivíduo ou grupo de pessoas que é associado com o gênero musical dito na definição (1) e sua subcultura mais associada ao hardcore punk, à cultura punk em geral e ao indie rock. Geralmente com uso não-autorrotulado, pois não havia uma identidade clara, insular, em 'ser emo', como a da definição (4).
  3. (a partir da entrada do Terceiro Milênio) de forma não-contável, formas variadas de rock alternativo e pop punk que sempre utilizam guitarras e sejam particularmente emotivas, expressionais. Chamado pelos fãs mais puristas de 'emo-pop', em diferenciação à definição (1).
  4. (a partir de meados da década de 2000) de forma contável, um indivíduo ou grupo de pessoas que é associado com: a) um particular estilo de moda intimamente relacionado com os scene kids; ou b) os estereótipos emotivos, ou mesmo melancólicos, dos fãs da definição (3). Agora frequentemente, e talvez até quase universalmente, com uso autorrotulado, como marca de orgulho.
  5. (a partir de meados da década de 2000) de forma contável, uma pessoa jovem que é considerada excessivamente emocional ou estereotipicamente emo, mesmo que não tenha relação com nenhum dos estágios e subdivisões do gênero musical emo e/ou com as subculturas relacionadas aos mesmos. Usado como uma forma de crítica ou ofensa por causa da notável reação negativa de certas seções da sociedade quanto aos indivíduos da definição (4), geralmente jovens.


A definição (4) foi questionada como sendo propriamente definida por emo por certos fãs mais puristas — ou aqueles que com seus argumentos concordarem —, já que relação a certos estereótipos de comportamento e mais especialmente moda é um fenômeno relativamente recente na história do termo, ao passo que as ditas raízes do gênero musical foram ofuscadas pelo que é considerado por certos fãs do mesmo, como igualmente ressoam argumentos conservadores de "anti-emos", uma mera mania, um modismo, e seus fãs scene kids como prováveis posers, isto é, pessoas sem autenticidade que estão numa cena apenas porque é uma forte tendência.

Somaram-se argumentos de que se rotular "um emo" e se esforçar para que fosse reconhecido como tal por outras pessoas era uma atitude pouco autêntica, de pretender fazer parte de um grupo social ausente de ideologia clara e importante (como diz Gerard Way, vocalista do My Chemical Romance[1] ), e os fãs puristas em seu tempo, como dito na definição (2), não tinham o costume de fazer tal coisa. Isto supostamente foi depois interpretado por um número de membros da subcultura emo contemporânea como "emos de verdade nunca assumem, pois isto seria atitude de posers", aparentemente supondo então que a atitude correta seria tentar ser reconhecido como emo e seguir ortodoxamente todos os estereotipados aspectos de moda e comportamento, porém sempre negar, pois enrustimento seria ele também um caráter essencial do tal "estilo". Na realidade, como já dito, definições do que seriam emo são controversas e podem variar individualmente.

Um número considerável dos tais fãs que orgulhosamente se autorrotulam "emos", a se julgar por entrevistas às imprensas brasileira e estadunidense de jovens scene kids adeptos da subcultura emo de após dos meados dos anos 2000 citando as bandas de Emo ou Emocore que os mesmos conhecem ou admiram, tem pouco conhecimento das definições (1) e (2) — e que são apresentadas como principais por este artigo —, quase nunca citando bandas de formas tradicionais da música Emo, ao passo em que põe forte ênfase em carácteres emocionais e de moda para a identificação da cultura Emo. Na realidade, apesar do sucesso internacional de bandas 'emo-pop' e da subcultura emo contemporânea, poucas bandas de emotional hardcore, indie emo e skramz saíram da cena underground, como Sunny Day Real Estate e Jimmy Eat World.

Origem

Existem várias versões que tentam explicar a origem do termo "emo", como a que um fã teria gritado "You're emo!" (Vocês são emo!) para uma banda (os mitos variam bastante quanto a banda em questão, sendo provavelmente o Embrace ou o Rites of Spring).

No entanto, a versão mais aceita como real é a de que o nome foi criado por publicações alternativas como o fanzine Maximum RocknRoll e a revista de Skate Thrasher para descrever a nova geração de bandas de "hardcore emocional" que aparecia no meio dos anos 80, encabeçada por bandas da gravadora Dischord de Washington DC, como as já citadas Embrace e Rites of Spring, além de Gray Matter, Dag Nasty e Fire Party. Aparentemente, o termo "emocore" é uma abreviação de emotional hardcore, e o termo "emo" surgiu para dar espaço aos subgêneros como Screamo e 90's Emo, que não eram -core por não serem derivados diretos e puristas do Hardcore punk.

É importante lembrar que nenhuma destas bandas jamais aceitou ou se auto-definiu através deste rótulo. A palavra "Emo" foi vista como uma piada, ou algo pejorativo e artificial, seja uma forma de tentar excluir do Hardcore punk tudo o que não tivesse temas estritamente ideológicos (o que seria limitante e conservador demais), seja uma forma de criar uma jogada de marketing sobre algo que, segundo eles, seria perfeitamente parte do já citado gênero musical Hardcore punk, respectivamente.

Nesta época, outras bandas já estabelecidas de Hardcore punk, como Nation of Ulysses e Shudder to Think, também aderiram a esta onda inicial do chamado "emocore", diminuindo o andamento, escrevendo letras mais introspectivas e acrescentando influências do Pop punk de então, que era radicalmente diferente do que seria chamado de Pop punk nos anos 2000. Hüsker Dü (banda de formação anterior a Rites of Spring), Policy of 3, One Last Wish, Fuel, Still Life, Moss Icon, Lifetime, Hot Water Music, Small Brown Bike e Fugazi também foram importantes bandas desse cenário onde as primeiras diferenças do Hardcore punk com o Post-hardcore e o Emo começavam a serem notadas.

Após a supervalorização inicial da intensidade e da sonoridade caótica, o emotional hardcore sofreu um processo de "desacelaração". Já estabelecida essa primeira cena melódica, expressiva e confessional de Hardcore punk, as bandas que começaram a surgir no interior estadunidense absorveram características do então ascendente e crescente Indie rock durante os anos 90, como já foi dito. A partir daí, houve uma explosão na quantidade de bandas que seriam possíveis de serem rotuladas como Emo, e o tabu que cercava o rótulo se desfez até a explosação mainstream do tão polêmico subgênero Emo-pop (embora a maioria dos fãs de 90's Emo, da primeira geração do Screamo e das bandas pioneiras citadas desacreditem que o mesmo faça parte da cena), que possui, se muito, alguns traços de Hardcore punk e Indie rock em meio ao Pop punk.

Os álbuns mais representativos do Emo

Concerto da banda estadunidense Funeral Diner, do subgênero Screamo, na Alemanha.

No número #179 da revista espanhola Rockdelux publicou-se uma retrospectiva sobre o Emo onde se elegeram os doze discos mais representativos do género. Estes álbuns foram os seguintes:

  • Jawbreaker - Bivouac (1992)
  • Jawbox - For Your Own Special Sweetheart (1994)
  • Sunny Day Real Estate - Sunny Day Real Estate (LP2) (1995)
  • Christie Front Drive - Christie Front Drive (1996)
  • Sense Field - Building (1996)
  • Texas Is the Reason - Do You Know Who You Are? (1996)
  • The Promise Ring - Nothing Feels Good (1997)
  • Mineral - End Serenading (1997)
  • The Get Up Kids - Four Minute Mile (1997)
  • Knapsack - This Conversation Is Ending Starting Right Now (1998)
  • The Van Pelt - Sultans of Sentiment (1999)
  • Jimmy Eat World - Clarity (1999)

Chegada ao Brasil

Estereótipo dos fãs de Emo-pop, que começou como um clichê preconceituoso, mas foi interpretado pela mídia estadunidense como tribo urbana, e os novos fãs adotaram o mesmo

No Brasil, a "tribo urbana emo" se estabeleceu sob forte influência estadunidense em meados de 2003, na cidade de São Paulo, espalhando-se para outras capitais do Sul e do Sudeste, e influenciou também uma moda de adolescentes caracterizada não somente pela música, mas também pelo comportamento geralmente emotivo e tolerante, e pelo visual, que consiste em geral em trajes pretos, listrados, Mad Rats (sapatos parecidos com All-Stars), cabelos coloridos e franjas caídas sobre os olhos.

Discriminação e ódio

Devido ao surgimento e ascensão mainstream de bandas de 'emo-pop', supostamente de qualidade musical questionável segundo certos grupos de fãs de outros gêneros de Rock, os mesmos associam os fãs de Emo a depressivos de orientação sexual questionável (o que segundo eles é um motivo para as manifestações de ódio) e os fãs de Emo, especialmente aqueles que seguem estereótipos de moda e comportamento, podem sofrer agressões verbais, em alguns casos até mesmo agressões físicas[2] .

A reação quanto à suposta subcultura emo e suas bandas cresceu no Brasil mais rapidamente que o gênero musical Emo, que até hoje nunca emergiu da cena underground, ao contrário das notavelmente famosas bandas de Pop punk rotuladas como Emo (tais como NX Zero, cujo vocalista Di Ferrero já negou sua participação no gênero musical Emo, e Fresno) e da subcultura que imagina-se como um estereótipo dos fãs de Emo. Como o Brasil é um dos países campeões mundiais em homofobia, o ódio às citadas bandas e subcultura se tornou um grande alvo de polêmica da sociedade, que em sua maioria passou a concordar com os grupos anti-Emo. Fenômenos parecidos se formaram no México[3] , nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Alemanha, na Polônia e na Rússia, nas 3 últimas os membros da "subcultura Emo" são frequentemente visados por ataques praticados por grupos neonazistas. Assédio moral juvenil e infantil, conhecido hoje pelo termo em inglês bullying contra jovens fãs de Emo ou que são tomados por pertencentes à "subcultura Emo" também são comuns.

Em Maio de 2010, na Arábia Saudita, a polícia religiosa da cidade de Dammam prendeu 10 "meninas emo" por alegadamente ofensivos vestuário e comportamento de moral questionável por preceitos islâmicos. [4]

Referências

  1. MCR diz que o estilo emo está morto
  2. Adolescente é agredido por supostos skinheads na zona leste de SP. Folha Online (25/02/2009). Página visitada em 10/12/2010.
  3. Problema do bullying anti-Emo no México. Revista Time (27/03/2008). Página visitada em 10/12/2010.
  4. "Garotas "emo" sauditas presas por polícia religiosa islâmica". Breitbart.com (2010-05-22). Página visitada em 2011-10-08.
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