Conjuntivite

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Conjuntivite
Um olho com conjuntivite
Classificação e recursos externos
CID-10 H10
CID-9 372.0-372.3
DiseasesDB 3067
MedlinePlus 001010
eMedicine emerg/110
Star of life caution.svg Aviso médico

A conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva ocular, membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular (o branco dos olhos) e o interior das pálpebras. Pode atacar os dois olhos, durando de uma semana a quinze dias e não costuma deixar sequelas.[1]

A conjuntiva produz muco para cobrir e lubrificar o olho. Possui pequenos vasos sanguíneos em seu interior, que podem ser vistos através de uma observação mais detalhada. Quando a conjuntiva se irrita ou inflama, os vasos sanguíneos que a abastecem alargam-se e tornam-se muito mais proeminentes, causando então a vermelhidão do olho.[2]

Podem ser ocasionadas por fatores alérgicos, irritativos ou infecciosos e cada um deles necessita de tratamento específico. O olho torna-se vermelho, edematoso, com ardência, lacrimejante, com sensação de corpo estranho, às vezes com secreção.[3] [4] A doença é relacionada aos hábitos de higiene dos indivíduos. Pode ocorrer também em animais.[5]

Em 2011 ocorreu um grande surto de conjuntivite no Estado de São Paulo. Somente a cidade de São Paulo registrou mais de 119 mil casos no primeiro trimestre.[6] [7]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Olho com conjuntivite
Um olho, com conjuntivite aguda
Um olho com conjuntivite bacteriana
Conjuntivite gonocócica
Conjuntivite alérgica

Infecciosa[editar | editar código-fonte]

A conjuntivite infecciosa é transmitida, mais frequentemente, por vírus, fungos ou bactérias e pode ser contagiosa. O contágio se dá, nesse caso, pelo contato. Assim, uso de objetos contaminados (toalhas), contato direto com pessoas contaminadas ou até mesmo pela água da piscina são formas de se contrair a conjuntivite infecciosa. Quando ocorre uma epidemia de conjuntivite, pode-se dizer que é do tipo infecciosa.

A conjuntivite viral geralmente é causada por um adenovírus, mas também pode ser transmitida por enterovirus tipo 70[8] (conjuntivite hemorrágica)[9] e coxsackie A4 (conjuntivite hemorrágica).[10] É muito comum em escolas, local de trabalho, consultórios médicos, ou seja, todo local fechado, com contato íntimo entre pessoas. O diagnóstico é realizado pelas características clínica. O tratamento consiste na utilização de compressas frias, vasoconstritor tópico e lágimas artificiais. A propagação do vírus dura até 14 dias após o início dos sintomas.[4]

A conjuntivite bacteriana caracteriza-se por ser purulenta. Geralmente são causadas por Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae. Estes tipos são tratados com antibióticos tópicos de espectro ampliado (cloranfenicol, neomicina, etc).[4]

Um tipo, chamada de conjuntivite gonocócica, é causada por Neisseria gonorrhoeae que é sexualmente transmissível. Pode ser transmitida na hora do parto, mas é rara pois costuma-se aplicar uma gota de nitrato de prata 1% no saco conjuntival. É tratada com antibióticos sistêmicos e oculares.[4] Não tratada, a infecção gonocócica pode penetrar o olho íntegro e destruí-lo.[11]

A conjuntivite de inclusão é causada por Chlamydia trachomatis sorotipo D-K, pertencente ao trato genital do adulto. Possui uma duração maior e acomete geralmente jovens sexualmente ativos. Trata-se com azitromicina ou doxiciclina.[4] É uma doença conhecida como tracoma.[11]

A conjuntivite fúngica é mais rara de ocorrer. Geralmente acontece quando uma pessoa é acidentada com madeira nos olhos ou utiliza lente de contato.[12]

Alérgica[editar | editar código-fonte]

A conjuntivite alérgica é aquela que ocorre em pessoas predispostas a alergias (como quem tem rinite ou bronquite, por exemplo) e geralmente ocorre nos dois olhos. Esse tipo de conjuntivite não é contagiosa, apesar de que pode começar em um olho e depois se apresentar no outro.[12] Pode ter períodos de melhoras e reincidências, sendo importante a descoberta da causa da conjuntivite alérgica.

É benigna por não envolver a córnea. Ocorre geralmente em regiões de clima mais frio. O alérgeno mais comum é o pólen. São tratadas com anti-histamínicos e estabilizadores de mastócitos.[4]

A conjuntivite papilar gigante é causada, sobretudo, por uso de lentes de contato.[4]

Tóxica[editar | editar código-fonte]

A conjuntivite tóxica é causada por contato direto com algum agente tóxico, que pode ser algum colírio medicamentoso ou alguns produtos de limpeza, fumaça de cigarro e poluentes industriais. Alguns outros irritantes capazes de causar conjuntivite tóxica são poluição do ar, sabão, sabonetes, spray, maquiagens, cloro e tintas para cabelo. A pessoa com conjuntivite tóxica deve se afastar do agente causador e lavar os olhos com água abundante. Se a causa for medicamentosa é necessário a suspensão do uso, sempre seguindo uma orientação médica.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Em geral, apresenta:

  • Olhos vermelhos e lacrimejantes;
  • Pálpebras inchadas;
  • Sensação de areia ou de ciscos nos olhos;
  • Secreções;
  • Coceira constante nos olhos.

Medidas de prevenção e controle[10] [editar | editar código-fonte]

  • Lavar as mãos frequentemente;
  • As mãos não devem entrar em contato com locais sujos e depois em contato com os olhos;
  • Evitar aglomerações ou frequentar piscinas de academias ou clubes e praias;
  • Lavar com frequência o rosto e as mãos, uma vez que estas são veículos importantes para a transmissão de microrganismos patogénicos;
  • Não coçar os olhos;
  • Aumentar a frequência com que troca as toalhas do banheiro e sabonete ou use toalhas de papel para enxugar o rosto e as mãos;
  • Trocar as fronhas dos travesseiros diariamente enquanto perdurar a crise;
  • Não compartilhar o uso de esponjas, rímel, delineadores ou de qualquer outro produto de beleza;
  • Evitar contato direto com outras pessoas;
  • Não ficar em ambientes onde há bebês;
  • Não usar lentes de contato durante esse período;
  • Evitar banhos de Sol;
  • Evitar luz, pois essa pode fazer com que o olho contaminado venha a doer mais.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

  • Para melhor diagnosticar a causa da conjuntivite, é de todo aconselhável a ida a um serviço de urgência oftalmológico, onde o médico poderá retirar uma amostra (através de zaragatoa) das secreções purulentas produzidas pelos olhos, que será analisada em nível bacteriológico, fungal e viral na tentativa de descobrir qual o agente causador da conjuntivite. A prescrição de antibióticos para conjuntivites virais não tem qualquer eficácia e é incorreta, visto que vírus não podem ser mortos pela ação destes tipos de medicamentos.[13]
  • É utilizado gaze e água filtrada ou mineral, ou ainda soro fisiológico, para limpar as casquinhas que se formam em volta do olho. Água boricada não é mais indicada pelos médicos para esse tipo de tratamento.[13]
  • Não deve ser tocado com a superfície das embalagens no olho ou pálpebra quando da aplicação, para evitar a contaminação das soluções (colírios e pomadas);
  • No caso do agente causador, o médico poderá prescrever um tratamento com antibiótico (em caso de bactérias), antifungo (em caso de fungo) ou antiviral (em caso de vírus), que será diferente consoante o tipo e o grau de resistência do agente que causa a doença;

Referências

  1. Boa Saúde UOL. Conjuntivite. Acesso em 24 de março de 2011
  2. Conjuntivite - Causas, Sintomas e Tratamento in Índice de Saúde, 08 de Julho de 2013
  3. GONSALVES, Paulo Eiró. Tudo sobre a crianças: perguntas e respostas. São Paulo: IBRASA, 2003
  4. a b c d e f g LOPES, Antônio Carlos. Diagnóstico e tratamento. vol. 1. Barueri: Manole, 2006
  5. R7. Conjuntivite também afeta animais e pode até cegá-los. Acesso em 8 de abril de 2011
  6. Estadão. Casos de conjuntivite chegam a mais de 70 mil em SP. Acesso em 25 de fevereiro de 2011
  7. Folha da Região. São Paulo tem mais de 119 mil casos de conjuntivite. Acesso em 2 de abril de 2011
  8. Flint, S. J.; Enquist, L. W.; Racaniello, V. R.; Skalka, A. M. Principles of Virology: Molecular Biology, Pathogenesis, and Control of Animal Viruses (em inglês). 2ª ed. Washington, D.C.: ASM Press. 918 p. p. 502. ISBN 1-55581-259-7
  9. Domingo, Esteban (editor); Webster, Robert (editor); Holand, John (editor). Origin and Evolution of Viruses (em inglês). San Diego: Academic Press, 1999. 499 p. p. 289. ISBN 0-12-220360-7
  10. a b Portal da Saúde. Surto de conjuntivite, recomendações para os Serviços de Saúde Estaduais e Municipais. Acesso em 25 de março de 2010
  11. a b Bennett, J. Claude; Plum, Fred. Cecil Tratado de Medicina Interna. 20ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997. 2646 p. p. 2405. 2 vol. vol. 2. ISBN 85-277-0416-1
  12. a b Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. Surto de conjuntivite. Acesso em 25 de março de 2010
  13. a b Drauzio Varella. Higiene ocular. Acesso em 25 de março de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Conjuntivite