Facção Central

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Facção Central
Informação geral
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Gênero(s) Rap, Gangsta Rap, Horrorcore
Período em atividade 1989 - 2014
Gravadora(s) Face da Morte Produções e Sky Blue
Afiliação(ões) A286
Detentos do Rap
Ferréz
Realidade Cruel
Racionais Mc's
Trilha Sonora do Gueto
Influência(s) Eazy-E
Tupac
Integrantes DJ Binho e Dum-Dum

Facção Central foi um grupo brasileiro de rap, formado na cidade de São Paulo no ano de 1989. O grupo de rap alcançou enorme repercussão devido ao forte conteúdo de suas letras e até a prisão de seus integrantes após a veiculação do clipe "Isso aqui é uma Guerra".[1]

História[editar | editar código-fonte]

Formação[editar | editar código-fonte]

O grupo foi formado em 31 de maio de 1989, na região central de São Paulo (Glicério, Cambuci e Ipiranga), sendo inicialmente integrado por Nego. Jurandir e Nego deixaram o grupo, sendo substituídos por Dum-Dum e Eduardo.De 1997 para 1998 Dj garga deixou o grupo e Erick 12 o substituiu,mas o mesmo também abandonou o grupo.

Nascidos e criados em cortiços, os componentes Eduardo (compositor/intérprete) e Dum-Dum (intérprete) conviveram desde a infância com violência social, tráfico de drogas, vícios, violência policial, delegacias e presídios. Um passado violento transformado em fonte de inspiração e traduzido em composições contundentes que relatam a realidade cotidiana das camadas mais baixas da sociedade, além de criticar duramente aqueles que, na visão do compositor Eduardo, seriam os causadores dos problemas discutidos nas letras das canções.

Postura[editar | editar código-fonte]

Ameaças policiais por telefone, censuras de algumas rádios, prisões pelo conteúdo de algumas letras e até mesmo a proibição de veiculação na televisão brasileira do videoclipe "Isso aqui é uma Guerra", considerado pelas autoridades como apologia ao crime, são algumas das consequências decorrentes da postura do grupo. Outros exemplos da postura do grupo são o lírico das músicas.

O grupo tem um estilo musical próprio: agressivo, violento, as letras do grupo seguem um violento estilo, entretanto racional. O grupo utiliza a linguagem da periferia (gírias) e a linguagem formal. Também é comum o grupo utilizar partes de músicas clássicas para iniciarem sua músicas. A religião se faz presente como mediadora, uma metáfora para a violência da Terra, como em "Deus Anda de Blindado" (uma alusão à música de 1996 do grupo Pavilhão 9, "Se Deus Vier, que Venha Armado").

Censura[editar | editar código-fonte]

"O clipe não fala da Disneylândia, mas do Brasil, o país onde mais se mata com arma de fogo. Se tivesse sido feito na Suécia, poderia até causar espanto. O espantoso é alguém daqui se chocar com o seu conteúdo."

Eduardo[2]

Em 1999, o grupo lançou o disco Versos Sangrentos, com batidas fortes e letras de protesto, relacionadas aos temas violência, corrupção, fome, violência policial e a ineficácia do governo. Ele foi alvo de censura, tendo o disco ido à loja com 15 músicas gravadas e um videoclipe da música "Isso aqui é uma Guerra", que foi acusada e censurada por apologia ao crime.[1] [3] O clipe foi ao ar durante seis meses e chegou a passar na MTV, mas logo foi retirado pelo mesmo motivo.[4] Os integrantes afirmaram que não tinha nenhuma apologia no clipe, pois no final um dos bandidos que assaltaram o banco foi morto; com a mensagem de que o crime não compensa.

Após a censura[editar | editar código-fonte]

Após a censura do videoclipe do grupo no disco Versos Sangrentos, o Facção lançou o álbum A Marcha Fúnebre Prossegue, que inicia-se com uma introdução à notícia da censura, dada em vários telejornais com os dizeres "Rap que faz apologia ao crime: Facção Central", divulgado no Jornal Nacional por Fátima Bernardes. Essa introdução é composta por vários "recortes" de noticiários da televisão brasileira. Após a faixa "Introdução", vem em seguida a faixa "Dia Comum", que conta a história do cotidiano das periferias brasileiras, e, em seguida, a faixa "A Guerra Não Vai Acabar", uma espécie de "carta-resposta" a censura do videoclipe, que inicia-se com uma pesada letra e críticas a promotoria, dizendo "Aí promotor, o pesadelo voltou, censurou o clipe mas a guerra não acabou; ainda tem defunto a cada 13 minutos das cidades entre as quinze mais violentas do mundo", e no refrão da mesma música eles dizem " Pode censurar, me prender, me matar, não é assim promotor que a guerra vai acabar. Outras críticas seguem no decorrer do álbum e nelas se destacam A Marcha Fúnebre Prossegue, Desculpa Mãe.[5] Mais dois discos foram lançados depois de A Marcha Fúnebre Prossegue: Direto do Campo de Extermínio e O Espetáculo do Circo dos Horrores.

Saída de Eduardo[editar | editar código-fonte]

No dia 18/03/2013, Eduardo postou um vídeo no YouTube informando que, devido a algumas desavenças, não fazia mais parte do grupo.

Sendo assim, deixando claro para os fãs que não irá abandonar o RAP, e ainda vai ter uma longa caminhada nessa estrada, relatando os problemas podres de nossa nação.

Curto período com Moysés[editar | editar código-fonte]

O intérprete e compositor Moysés ingressou ao Facção Central logo após a saída de Carlos Eduardo Taddeo, em 2013.

No grupo, ele lançou duas músicas e também a pedido dos fãs do grupo se apresentou com Dum-Dum em um show com presença dos Racionais Mc's em comemoração dos 25 anos do grupo na zona leste de São Paulo,[6] [7] [8] [9] mas no dia 4 de agosto de 2014, anunciou seu desligamento alegando: "Minha decisão por sair do grupo foi tomada após eu entender que a forma que eu enxergo a guerra é diferente da forma que o meu mano Dum-Dum a enxerga, cada um tem sua visão sobre a opressão".[10]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Álbuns ao vivo[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Ref
2003 Prêmio Hutúz Música do Ano [11]
2003 Prêmio Hutúz Álbum do Ano [12]
2006 Prêmio Hutúz Grupo ou Artista Solo [13]
2009 Prêmio Hutúz Melhores grupos ou artistas solo da década [14] [15]

Referências

  1. a b Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira www.dicionariompb.com.br. Visitado em 2009-08-24.
  2. ISTOÉ Independente - Cultura www.istoe.com.br. Visitado em 7 de Abril de 2010.
  3. Brazil - BRAZZIL - The Censors Are Back - Brazilian Censorship - October 2000 www.brazil-brasil.com. Visitado em 7 de Abril de 2010.
  4. Independentes: saiba como foram feitos os clipes mtv.uol.com.br. Visitado em 7 de Abril de 2010.
  5. Observatório da Censura observatoriodacensura.blogspot.com. Visitado em 2010-11-07.
  6. Guia da semana. Visitado em 07.09.2014.
  7. Zona Suburbana. Visitado em 19.07.2014.
  8. Obaoba. Visitado em 19.07.2014.
  9. Rap Nacional uol. Visitado em 07.09.2014.
  10. "MOYSÉS ANUNCIA SUA SAÍDA DO GRUPO FACÇÃO CENTRAL". Portal Rap Nacional. Visitado em 04/08/2014.
  11. :: Rap Nacional :: www.rapnacional.com.br. Visitado em 23 de Dezembro de 2009.
  12. :: Rap Nacional :: www.rapnacional.com.br. Visitado em 23 de Dezembro de 2009.
  13. :: Rap Nacional :: www.rapnacional.com.br. Visitado em 23 de Dezembro de 2009.
  14. .:. HUTÚZ 10 ANOS .:. 74.125.47.132. Visitado em 23 de Dezembro de 2009.
  15. Entrevista com Facção Central - Hutúz (2006) - Facção Central Blog faccaocentral.gangstarap.com.br. Visitado em 15 de Maio de 2011.