Facção Central

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Facção Central
Logotipo oficial
Informação geral
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Gênero(s) Rap, Gangsta Rap, Horrorcore
Período em atividade 1989 - Presente
Gravadora(s) Facção Central Produções Fonográficas
Sky Blue
Face da Morte Produções
Discoll Box
Afiliação(ões) A286
Realidade Cruel
Ferréz
Hip Hop
Influência(s) N.W.A.
Eazy-E
Tupac
Racionais Mc's
Sabotage
Integrantes Dum-Dum
Moysés
Bihel
DJ Binho
Ex-integrantes Eduardo
Erick 12 (Erick Doze)
Garga
Jurandir
MC Nego (Mag)
DJ Marquinhos
Smith

Facção Central é um grupo brasileiro de rap, formado na cidade de São Paulo no ano de 1989. Atualmente, é formado pelos cantores Dum-Dum, Moyses, Bihel e DJ Binho. O Facção Central alcançou enorme repercussão devido ao forte conteúdo de suas letras e até a prisão de seus integrantes após a veiculação do clipe "Isso aqui é uma Guerra".[1]

História[editar | editar código-fonte]

Formação[editar | editar código-fonte]

O grupo foi formado em 31 de maio de 1989, na região central de São Paulo (Glicério, Cambuci e Ipiranga), sendo inicialmente integrado por Nego (hoje conhecido como Mag), Jurandir e Nego deixaram o grupo, sendo substituídos por Dum-Dum e Garga, que se juntaram a Eduardo e iniciaram as atividades do grupo. De 1997 para 1998 Garga saiu do grupo e Erick 12 chegou para somar, mas em seguida deixou o grupo e hoje apenas produz para ele. Em março de 2013, Eduardo postou um vídeo no Youtube dizendo que estava de saída do grupo por desavenças pessoais. Questionando sobre o fim do Facção Central, Dum-Dum também postou um vídeo, neste dizendo que o grupo continuaria em pé. Nascidos e criados em cortiços, os componentes Eduardo (compositor/intérprete) e Dum-Dum (intérprete) conviveram desde a infância com violência social, tráfico de drogas, vícios, violência policial, delegacias e presídios. Um passado violento transformado em fonte de inspiração e traduzido em composições contundentes que relatam a realidade cotidiana das camadas mais baixas da sociedade, além de criticar duramente aqueles que, na visão do compositor Eduardo, seriam os causadores dos problemas discutidos nas letras das canções.

Postura[editar | editar código-fonte]

Ameaças policiais por telefone, censuras de algumas rádios, prisões pelo conteúdo de algumas letras e até mesmo a proibição de veiculação na televisão brasileira do videoclipe "Isso aqui é uma Guerra", considerado pelas autoridades como apologia ao crime, são algumas das consequências decorrentes da postura do grupo. Outros exemplos da postura do grupo são o lírico das músicas e o título das mesmas, como "A Marcha Fúnebre Prossegue", "Minha Voz Está no Ar" (com a frase de refrão "A boca só se cala quando o tiro acerta"), "Apologia ao Crime", "Pacto com o Diabo", "Eu Não Pedi Pra Nascer", "A Guerra Não Vai Acabar" "Estrada Da Dor 666" , entre outras. O grupo tem um estilo musical próprio: agressivo, violento, racional/intelectual, demonstração de grande consciência dos problemas sociais. As letras do grupo seguem um violento estilo, entretanto racional. O grupo utiliza a linguagem da periferia (gírias) e a linguagem formal. Também é comum o grupo utilizar partes de músicas clássicas para iniciarem sua músicas. Dialogam diretamente com vários interlocutores, passando uma mensagem de que o crime não compensa (como no clipe de "Isto Aqui é Uma Guerra"). A religião se faz presente como mediadora, uma metáfora para a violência da Terra, como em "Deus Anda de Blindado" (uma alusão à música de 1996 do grupo Pavilhão 9, "Se Deus Vier, que Venha Armado").

Censura[editar | editar código-fonte]

"O clipe não fala da Disneylândia, mas do Brasil, o país onde mais se mata com arma de fogo. Se tivesse sido feito na Suécia, poderia até causar espanto. O espantoso é alguém daqui se chocar com o seu conteúdo."

Eduardo[2]

Em 1999, o grupo lançou o disco Versos Sangrentos, com batidas fortes e letras de protesto, relacionadas aos temas violência, corrupção, fome, violência policial e a ineficácia do governo. Ele foi alvo de censura, tendo o disco ido à loja com 15 músicas gravadas e um videoclipe da música "Isso aqui é uma Guerra", que foi acusada e censurada por apologia ao crime.[1] [3] O clipe foi ao ar durante seis meses e chegou a passar na MTV, mas logo foi retirado pelo mesmo motivo.[4] Os integrantes afirmaram que não tinha nenhuma apologia no clipe, pois no final um dos bandidos que assaltaram o banco foi morto; com a mensagem de que o crime não compensa.

Após a censura[editar | editar código-fonte]

Após a censura do videoclipe do grupo no disco Versos Sangrentos, o Facção lançou o álbum A Marcha Fúnebre Prossegue, que inicia-se com uma introdução à notícia da censura, dada em vários telejornais com os dizeres "Rap que faz apologia ao crime: Facção Central", divulgado no Jornal Nacional por Fátima Bernardes. Essa introdução é composta por vários "recortes" de noticiários da televisão brasileira. Após a faixa "Introdução", vem em seguida a faixa "Dia Comum", que conta a história do cotidiano das periferias brasileiras, e, em seguida, a faixa "A Guerra Não Vai Acabar", uma espécie de "carta-resposta" a censura do videoclipe, que inicia-se com uma pesada letra e críticas a promotoria, dizendo "Aí promotor, o pesadelo voltou, censurou o clipe mas a guerra não acabou; ainda tem defunto a cada 13 minutos das cidades entre as quinze mais violentas do mundo". Outras críticas seguem no decorrer do álbum e nelas se destacam A Marcha Fúnebre Prossegue, Sei Que Os Porcos Querem Meu caixão e Desculpa mãe .[5] Mais dois discos foram lançados depois de A Marcha Fúnebre Prossegue: Direto do Campo de Extermínio e O Espetáculo do Circo dos Horrores.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

O intérprete e compositor Eduardo divulgou em 2008 estar no projeto de um livro. A previsão inicial de lançamento era para o fim de 2010; entretanto, devido à complexidade do projeto, sofreu atrasos foi lançado no final de Setembro de 2012 com o título A Guerra Não Declarada na Visão de um Favelado.[6] O grupo desde sua estreia já vendeu mais de 600 mil discos.[7]

No dia 18/03/2013, Eduardo postou um vídeo no YouTube informando que, devido a algumas desavenças, não fazia mais parte do grupo.

Sendo assim, deixando claro para os fãs que não irá abandonar o RAP, e ainda vai ter uma longa caminhada nessa estrada, relatando os problemas podres de nossa nação.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Álbuns ao vivo[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Ref
2003 Prêmio Hutúz Música do Ano [8]
2003 Prêmio Hutúz Álbum do Ano [9]
2006 Prêmio Hutúz Grupo ou Artista Solo [10]
2009 Prêmio Hutúz Melhores grupos ou artistas solo da década [11] [12]

Referências

  1. a b Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. www.dicionariompb.com.br. Página visitada em 2009-08-24.
  2. ISTOÉ Independente - Cultura. www.istoe.com.br. Página visitada em 7 de Abril de 2010.
  3. Brazil - BRAZZIL - The Censors Are Back - Brazilian Censorship - October 2000. www.brazil-brasil.com. Página visitada em 7 de Abril de 2010.
  4. Independentes: saiba como foram feitos os clipes. mtv.uol.com.br. Página visitada em 7 de Abril de 2010.
  5. Observatório da Censura. observatoriodacensura.blogspot.com. Página visitada em 2010-11-07.
  6. Rapper lança livro em Embu das Artes. 27 de outubro. Página visitada em 9 de janeiro de 2013.
  7. Nação Hip Hop: Entrevista com Eduardo - Facção Central. nacao-hiphop.blogspot.com. Página visitada em 7 de Abril de 2010.
  8. :: Rap Nacional ::. www.rapnacional.com.br. Página visitada em 23 de Dezembro de 2009.
  9. :: Rap Nacional ::. www.rapnacional.com.br. Página visitada em 23 de Dezembro de 2009.
  10. :: Rap Nacional ::. www.rapnacional.com.br. Página visitada em 23 de Dezembro de 2009.
  11. .:. HUTÚZ 10 ANOS .:.. 74.125.47.132. Página visitada em 23 de Dezembro de 2009.
  12. Entrevista com Facção Central - Hutúz (2006) - Facção Central Blog. faccaocentral.gangstarap.com.br. Página visitada em 15 de Maio de 2011.