Iperó

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Município de Iperó
Bandeira de Iperó
Brasão de Iperó
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 21 de março de 1964 (50 anos)
Gentílico iperoense
Prefeito(a) Marco Antonio Vieira de Campos (PSDB)
(2009–2012)
Localização
Localização de Iperó
Localização de Iperó em São Paulo
Iperó está localizado em: Brasil
Iperó
Localização de Iperó no Brasil
23° 21' 00" S 47° 41' 20" O23° 21' 00" S 47° 41' 20" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Macro Metropolitana Paulista IBGE/2008[1]
Microrregião Sorocaba IBGE/2008[1]
Região metropolitana Sorocaba
Municípios limítrofes Boituva, Sorocaba, Araçoiaba da Serra, Capela do Alto e Tatuí.
Distância até a capital 128 [carece de fontes?] km
Características geográficas
Área 170,940 km² [2]
População 28 301 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 165,56 hab./km²
Altitude 590 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,779 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 331 544,424 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 12 419,25 IBGE/2008[5]
Página oficial

Iperó é um município brasileiro do estado de São Paulo, situa-se na Região Metropolitana de Sorocaba, na Mesorregião Macro Metropolitana Paulista e na Microrregião de Sorocaba. Localiza-se a uma latitude 23º21'01" Sul e a uma longitude 47º41'19" Oeste, estando a uma altitude de 590 metros. Em 2010, sua população era de 28.301 habitantes.[3]

Iperó sedia o Centro Experimental Aramar, da Marinha do Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Um ponto turístico e marco da história é a Fundição Ipanema, berço da industrialização no Brasil.

A origem do nome Iperó é controvertida, mas é provável que advenha da etnia tupiniquim, responsável pela colonização do território antes da vinda dos colonizadores europeus (século XVI). Dessa forma, Iperó pode significar rio ("Y") dos portugueses ("Perós").

Essa versão é reforçada pela existência do Rio Iperozinho, importante afluente do Rio Sorocaba, onde foi instalada a Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, a mando do governador-geral Mem de Sá.

Na época do regime militar (1964-1985), logo após a emancipação política da cidade, um boato espalhado a partir do colégio EEPSG "Dr. Gaspar Ricardo Júnior" disseminou a versão (jamais confirmada) de que Iperó significaria "águas profundas e revoltas".

Muito embora exista uma famosa praia turística no estado do Rio de Janeiro (Cabo Frio) chamada de "Dunas do Peró", e cujo significado é incontroversamente atribuído ao nome que os índios locais denominam os portugueses ("perós"), nenhuma versão do nome Iperó foi ainda reconhecida pela historiografia brasileira.

O território atual de Iperó está situado na antiga região em que a polêmica ordem do Rei Dom João VI, em 19 de agosto de 1817, criou a paróquia de São João Batista da Fábrica de Ferro de Ipanema. Por essa ordem régia, determinou-se a construção de uma capela onde hoje se situa a Fazenda Ipanema.

A iniciativa real provocou a ira do diretor da fábrica, Frederico Luiz Guilherme Varnhagem (pai de um grande historiador brasileiro, Francisco Adolfo de Varnhagen, o iperoense mais ilustre da história), que entendeu ser inconveniente a presença de uma igreja e, por consequência, de uma comunidade nas imediações de Ipanema. Na verdade, acreditava o diretor que a paróquia provocaria uma bandalheira, decorrente do corte de lenha para o consumo das famílias que iriam construir suas moradas em volta da capela.

Naquela época, a lenha era o mais importante combustível para a fábrica (altos fornos de ferro), e o diretor não queria reparti-la com o populacho. Não seria a primeira vez que os moradores daquela localidade seriam oprimidos por líderes despóticos, como a história mostraria no futuro.

Disposto a impedir a construção da capela, Varnhagem discutiu o assunto com o bispo Dom Mateus Abreu Pereira, para quem enviou um abaixo-assinado contrário à criação da paróquia. O movimento, porém, foi em vão: em 22 de fevereiro de 1820, o bispo determinou o cumprimento da ordem do rei.

Contrariado, o diretor da fábrica passou a proibir o corte de lenha e iniciou perseguições aos moradores do local. Resultado: em pouco tempo a comunidade começou a debandar para outras cercanias, dentre elas o então "campo largo" (Araçoiaba da Serra), e os atuais bairros de Bacaetava e Bela Vista (esta última, antigo posto de parada de bandeirantes).

Muito embora Campo Largo tenha sido escolhido para a edificação da nova igreja em 30 de outubro de 1823, a inauguração da Matriz só ocorreu dois anos depois da autorização, em 11 de novembro de 1825.

Esta situação permaneceu durante 32 anos, como Campo Largo na condição de bairro de Sorocaba. A Lei de nº 23, assinada pelo presidente da Província de São Paulo, em 1857, deu autonomia ao local, que ganhou a condição de município. O nome, Araçoiaba da Serra, veio mais tarde, em 30 de novembro de 1944, em homenagem ao morro de Araçoiaba (chamado pelos iperoenses de "Morro Ipanema"). Por ironia do destino, esse marco geográfico pertenceria exclusivamente ao futuro município de Iperó, para a tristeza daqueles cidadãos de Araçoiaba. Até hoje, é comum aos moradores de Araçoiaba se referirem tanto ao morro quanto à Fazenda Ipanema, ou mesmo ao parque florestal, como "patrimônios de Araçoiaba", o que nunca foi verdade.

Em 1927, a construção da Estrada de Ferro Sorocabana trouxe dezenas de famílias de operários ferroviários para as terras mais baixas (e menos valorizadas) do atual município de Iperó, doadas por fazendeiros locais, o que alterou profundamente a geografia humana do território.

Historicamente, enquanto as regiões de Bacaetava, Fazenda Ipanema e adjacências continuavam sob a influência política de Campo Largo, o novo núcleo ferroviário crescia sob influência do pujante Município de Boituva, cujo desenvolvimento sempre esteve associado ao movimento tropeirista. Esse movimento, ao contrário do que muitos acreditam, nâo foi importante em Iperó. Com uma econômia agrária diversificada e com uma classe média formada por fazendeiros e comerciantes, não demoraria para que Boituva se desenvolvesse rapidamente.

Em 1937, o distrito de Boituva, pertencente ao município de Porto Feliz, é emancipado. Com isso, toda a área pertencente ao atual município de Iperó é anexado ao novo município de Boituva.

Em 1944, o núcleo ferroviário de Iperó (batizado à época como Vila de Santo Antonio, imortalizada na obra "Éramos Seis", de 1943, por Maria José Dupret) teve seu status alterado para Distrito de Paz, ainda vinculado ao município de Boituva.

Finalmente, no início dos anos 60, iniciou-se um movimento popular, liderado por comerciantes e membros da igreja Católica da Vila de Santo Antonio, em favor da emancipação da Vila junto à Boituva.

Esse movimento deixou de ser atendido pelo governador Ademar de Barros, em 1963, por uma razão muito simples: a Constituição Estadual da época exigia a realização de um plebiscito, o que ainda nâo tinha sido feito pelos afoitos iperoenses.

Em 1964, finalmente é realizado um plebiscito no vilarejo, com ampla vitória pela emancipação.

Em 21 de março de 1965 é promulgada a lei estadual que emancipa o Município de Iperó. Esse novo município, formado originariamente pelo novo núcleo ferroviário, traz consigo as centenárias povoações da Fazenda Ipanema, bairro de Varnhagem e Bacaetava. Porém, até meados dos anos 90, o antigo núcleo ferroviário não se preocupou em integrar-se com as regiões mais longinquas do município, até que se algumas personalidades do novo distrito de George Otterer (nas imediaçôes da antiga Fazenda Ipanema) iniciaram um novo movimento pela emancipação daquele distrito, sem sucesso.

A vinda de centenas de famílias do Movimento Sem Terra (MST) à Iperó, em 1992, acelerou esse processo de integração ao centro do município, fazendo com que o novo bairro de George Oetterer tivesse um crescimento populacional e urbano acelerado, com enormes problemas sociais.

Alguns anos antes, em meados dos anos 80, investimentos militares patrocinados pelo governo Sarney completou a construção do Centro Experimental de Aramar, situado entre os bairros de George Oetterer, Cagerê e Corumbá. Esse centro trouxe uma nova dinânimica à cidade, principalmente com a nova alteração da geografia humana do município: dezenas de famílias de fuzileiros navais cariocas passaram a morar no município, integrando-se à comunidade local no que ficou conhecido como "praça da Marinha", próximo à prefeitura.

No final dos anos 90, a decadência da ferrovia e o corte dos investimentos militares trouxe a maior crise financeira da história do município, que culminou na moratória do governo Benedito Valário ao pagamento de parte dos funcionários e algumas contas públicas. A cidade ainda se recupera, passados quase 10 anos da moratória.

Nos últimos 25 anos, Iperó foi governada quase que exclusivamente por Marcos Andrade(três mandatos) e Benedito Valário (dois mandatos), à exceção do último prefeito, Marcão da Casquinha.

Marcão da Casquinha venceu Marcos Andrade em 2004 e 2008, pondo fim a quase 25 anos de hegemonia política direta e indireta do grupo deste último.

Afundado numa série de escândalos jurídicos envolvendo peculado, formação de quadrilha, apropriação de bens públicos, fraude a licitações, assédios morais, etc., para muitos a eleição de 2008 representou o final de uma era em Iperó: a era de Marcos Andrade.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Possui uma área de 170,9 km².

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2010[3]

População total: 28.300

  • Urbana: 17.463
  • Rural: 10.837
    • Homens: 15.209
    • Mulheres: 13.091

Densidade demográfica (hab./km²): 166,42

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 13,70

Expectativa de vida (anos): 72,42

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,97

Taxa de alfabetização: 91,80%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,779

  • IDH-M Renda: 0,682
  • IDH-M Longevidade: 0,790
  • IDH-M Educação: 0,865

(Fonte: IPEADATA)

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Administração[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (fIBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. a b c Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]