Voo 11 da American Airlines

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Voo 11 da American Airlines
Rota do voo de Boston para Nova Iorque
Sumário
Data 11 de setembro de 2001
Causa Ataque terrorista
Local Estados Unidos World Trade Center, Nova Iorque
Origem Aeroporto Internacional de Logan, Boston, Estados Unidos.
Destino Aeroporto Internacional de Los Angeles, Estados Unidos.
Passageiros 81
Tripulantes 11
Mortos 92 (aeronave) + nº desconhecido no edifício
Feridos 0 na aeronave, nº desconhecido no edifício
Sobreviventes 0 na aeronave, nº desconhecido no edifício
Aeronave
Modelo Boeing 767-223ER
Operador Estados Unidos American Airlines
Prefixo N334AA
Primeiro voo 07/04/1987

O Voo 11 da American Airlines foi o primeiro dos quatro voos sequestrados nos ataques de 11 de setembro de 2001. Era a identificação da rota aérea regular da American Airlines entre o Aeroporto Internacional de Logan, em Boston e o aeroporto Internacional de Los Angeles.[1]

Aeronave[editar | editar código-fonte]

A aeronave utilizada para a rota naquela manhã era um Boeing 767-223ER, número de registo N334AA, número de fabricação 22332, com 14,4 anos de uso.[2]

Tinha capacidade para 158 passageiros: 9 assentos na primeira classe, 30 na classe executiva e 119 na classe econômica. Naquele voo, haviam 81 passageiros (incluindo os 5 sequestradores), o que resultava em uma ocupação de 51% da capacidade total. Com 2 pilotos e nove comissários de bordo, o total de pessoas a bordo era 92.[3]

Sequestradores[editar | editar código-fonte]

Os cinco sequestradores que estavam a bordo do voo eram:

  • Egito Mohamed Atta - líder, membro da organização Al-Qaeda e piloto comercial licenciado, ocupava o assento 8D. Chegou para o embarque em Boston, vindo de Portland no voo 5930 da companhia Colgan Air.
  • Arábia Saudita Waleed al-Shehri - ocupava o assento 2B.
  • Arábia Saudita Wail al-Shehri - ocupava o assento 2A, ao lado de Waleed.
  • Arábia Saudita Abdulaziz al-Omari - ocupava o assento 8G. Chegou para o embarque, vindo de Portland, juntamente com Atta.
  • Arábia Saudita Satam al-Suqami - ocupava o assento 10B.
Mohamed Atta, o líder e piloto

No aeroporto de Boston, três dos sequestradores (Waleed al Shehri, Wail al Shehri e Satam al Suqami) foram selecionados aleatoriamente para o CAPPS (Computer Assisted Passenger Prescreening System), uma triagem adicional de segurança. Mohamed Atta já havia sido selecionado no aeroporto de Portland. Todas as bagagens passaram na detecção de explosivos e raio-x e foram despachadas. O CAPPS era um sistema automatizado, executado pelas companhias aéreas que marcava o perfil de cada passageiro para identificar aqueles que poderiam representar uma ameaça para a aviação civil, selecionando os passageiros ao acaso. Agentes de embarque marcavam nos bilhetes como "selecionado" o passageiro que não conseguisse se identificar de forma satisfatória. Conforme as normas de segurança do FAA vigentes na época, os passageiros não estavam obrigados à inspeção pessoal ou visual das bagagens de mão, além da inspeção de bagagem automatizada que já era realizada pelo CAPPS (detecção de explosivos e raio-x).[3]

O voo de Portland para Boston[editar | editar código-fonte]

Nas investigações, não ficou esclarecido por que razão Atta e Omari viajaram de carro de Boston a Portland na manhã do dia anterior ao sequestro para depois voltar a Boston na manhã do ataque, no voo 5930 da Colgan Air, um voo regional, operado com uma aeronave Beechcraft 1900, para 19 passageiros. O carro foi alugado em Boston e encontrado depois no estacionamento do aeroporto de Portland.

O escritório do FBI em Portland rastreou centenas de contatos relacionadas com a presença de Atta e Omari na cidade. A polícia de Portland investigou mais de 60 indícios relacionados à presença dos dois na cidade. Tanto a polícia de Portland como as autoridades da Polícia Estadual do Maine compartilharam os resultados de seus trabalhos com o FBI, mas não se conseguiu descobrir a razão da sua viagem a Portland.

A teoria mais plausível é que os sequestradores escolheram voar para Boston para evitar suspeitas que poderiam ter sido despertadas se todos os cinco sequestradores do voo 11 tivessem chegado ao aeroporto de Logan ao mesmo tempo para o check-in (além dos outros cinco sequestradores do voo 175), todos com traços físicos do Oriente Médio. Os dois voos estavam programados para decolar com 14 minutos de diferença, e ambos atrasaram aproximadamente 15 minutos, de modo que o voo 11, programado para 7h45, decolou às 7h59 e o voo 175, programado para 7h59, decolou às 8h14.

Outra hipótese possível é que eles viajaram para Portland para preservar a segurança do plano de sequestro do voo 11. Se algum dos dois grupos de sequestradores (apenas do voo 11) fosse descoberto pela inteligência dos EUA ou pelo sistema de segurança de um dos aeroportos, os terroristas seriam detidos separadamente. Deste modo haveria uma maior probabilidade de pelo menos uma parte do grupo realizar o plano. Como líder operacional, Atta pode ter se preocupado em ter sido identificado e colocado sob vigilância pelas autoridades.

Registros telefônicos mostraram que foi realizada uma chamada de telefone público na área de embarque do voo 175 para o celular de Atta às 6h52, cerca de uma hora antes da decolagem do voo 11. Durou três minutos e foi, provavelmente, uma verificação de última hora entre Atta e Marwan al-Shehhi (líder dos sequestradores do voo 175). Naquele momento, Atta já estava no aeroporto de Boston. Seu voo havia decolado de Portland às 6h e pousado em Boston às 6h45. As investigações concluíram que Al-Shehhi fez a ligação para Atta logo após ter concluído seu check-in.

Este último contato entre os dois, sugere que as duas equipes envolvidas nos sequestros tinham comunicações táticas, como relatórios da situação e possíveis determinações do tipo "vá" ou "não vá", no último momento.

O voo 5930 de Portland foi o último voo que chegou a Logan a tempo para os passageiros serem transferidos para o voo 11.

Considerou-se também a possibilidade de Atta, líder dos sequestradores, ter acreditado que ele e Omari teriam maior probabilidade de passar com êxito no check-in em um aeroporto menor como o de Portland, levando itens como armas brancas e spray de pimenta sem ter que passar por outro check-in em Boston..Todas estas hipóteses, contudo, não tiveram nenhuma confirmação durante as investigações.[3]

Sequestro[editar | editar código-fonte]

A decolagem de Boston foi às 7h59, no horário local (com um atraso de 14 minutos).

Todos os 9 assentos da primeira classe estavam ocupados, 2 deles pelos sequestradores Waleed al Shehri (2B) e Wail al Shehri (2A). Já na classe executiva, 19 dos 30 assentos estavam ocupados, 3 deles pelos sequestradores Mohamed Atta (8D), Abdulaziz al-Omari (8G) e Satam al-Suqami (10B). Na classe econômica, 53 assentos estavam ocupados.

Às 08h14, o voo havia alcançado a altitude de 26 000 pés (7 900 m). Tudo parecia normal para os controladores de tráfego aéreo.

Minutos depois, o controlador Peter Zalewski deu instruções para que o comandante direcionasse a aeronave vinte graus à direita, operação confirmada pelo comandante. Esta foi a última comunicação de rotina recebida do voo. Segundos depois, o controle solicitou que a aeronave subisse para 35 000 pés, solicitação esta que não foi respondida. Ao longo dos dez minutos seguintes, o controle tentou contato com o vôo por nove vezes e todas as tentativas foram infrutíferas.

Às 8h19, os sequestradores iniciaram a ação, ferindo pelo menos três pessoas utilizando facas, conforme relatos de comissários de bordo durante a ação. Em seguida entraram na cabine de comando e dominaram a tripulação.

Trem de pouso do avião após a colisão com o World Trade Center

Um dos sequestradores, Atta, assumiu o controle da aeronave. Os controladores de tráfego aéreo perceberam que o voo estava em perigo quando a tripulação já não estava respondendo. A confirmação de que o voo tinha sido sequestrado foi quando avisos de Mohammed Atta para os passageiros foram transmitidos ao controle de tráfego aéreo. A bordo, as comissárias de bordo Amy Sweeney e Betty Ong contataram a American Airlines, e forneceram informações sobre os sequestradores e lesões aos passageiros e tripulantes.

Às 8h21 o transponder foi desligado, tornando mais difícil para o controle de tráfego aéreo monitorar o voo.[3]

Às 8h46, a aeronave chocou-se com a Torre Norte do World Trade Center em Nova Iorque, entre os andares 93 e 99, com uma velocidade aproximada de 789 km/h, matando instantaneamente seus 92 ocupantes e um número incerto de pessoas no edifício.

Referências