Ação Popular Socialista

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Partido Socialismo e Liberdade
Psol ziraldo.png
Número eleitoral 50
Presidente Ivan Valente
Fundação 2004
Sede São Paulo
Ideologia Socialismo científico, marxismo, gramscianismo
Cores Vermelho e amarelo             
Página oficial
Página oficial do PSOL

A Ação Popular Socialista (APS) é uma tendência interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e ex-tendência do Partido dos Trabalhadores (PT)[1][2].

Precedentes (1960-2004)[editar | editar código-fonte]

As esquerdas nos anos 1960[editar | editar código-fonte]

As origens da Ação Popular Socialista (APS) remetem às principais organizações de esquerda dos anos 60: Organização Revolucionária Marxista Política Operária (ORM-Polop), a Ação Popular (AP) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB). A Polop foi fundada em 1961 e resultou de uma fusão, entre outros segmentos, de marxistas independentes e setores radicais da juventude trabalhista. A AP, por sua vez, surge como organização independente em 1962 com o desligamento da Ação Católica, um braço da Igreja atuante nos movimentos sociais fundado nos anos 1950. Por último, o PCB, surgido em 1922 e resultante da fusão de setores comunistas e anarquistas, sofreu ao longo dos anos 1960 uma série de divisões, dentre as quais a do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em 1962. Do PCdoB, em 1966, surge o Partido Comunista do Brasil - Ala Vermelha (PCdoB-AV), terceira das organizações cuja fusão constitui as bases da APS.

A resistência à ditadura pela luta armada (1964-1970)[editar | editar código-fonte]

Ao longo dos anos 1960, o conjunto das esquerdas no Brasil, com exceção principalmente do PCB, tendeu a um processo de radicalização na luta contra a ditadura civil-militar instalada no país com o golpe de março de 1964. Com a implantação do Ato Institucional no. 5 (1968), que restringiu ainda mais as liberdades democráticas e apertou o cerco repressivo contra as organizações de esquerda, intensificou-se a opção, nestas organizações, pela luta armada contra o regime. Neste processo, a Polop, atuante principalmente no meio urbano, sofreu inúmeras dissidências que acabaram praticamente dizimadas em função do assassinato e prisão de seus militantes. Tanto a AP quanto PCdoB-AV, por sua vez, procuraram implantar-se preferencialmente no meio rural, orientadas por ideologias de inspiração maoísta. Ambas, como a Polop, sofreram baixas significativas com o assassinato e a prisão de dirigentes. Apesar da determinação e da dedicação militante das organizações clandestinas, a experiência da luta armada resultou no extermínio ou exílio de amplos setores da militância de esquerda e o afastamento da parcela remanescente das lutas reivindicatórias concretas nas fábricas, escolas e bairros.

Retorno aos movimentos de massa (1970-1980)[editar | editar código-fonte]

Diversas organizações de esquerda, durante os anos 1970, num processo de abandono das ações armadas, traçaram diretrizes para implantarem-se novamente no âmbito dos movimentos reivindicatórios de massa. Nesse contexto ocorre, em 1970, uma tentativa de reconstruir a Polop, que resulta na formação da Organização de Combate Marxista Leninista Política Operária (OCML-PO), da qual surge, entre 1970 e 1971, a Fração Bolchevique (FB). O crescimento da FB resulta, em 1976, na sua conversão no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP) – uma das mais expressivas organizações da esquerda clandestina no período de fundação do PT. Paralelamente, ocorreu uma divisão da AP: em 1971, parte da organização funde-se ao PCdoB, enquanto a outra, convertida em Ação Popular Marxista-Leninista (APML), segue procurando reconstruir-se e firmar-se no movimento de massas. O mesmo ocorre com PCdoB-AV que, nessa época, encabeça a publicação de jornais alternativos que consolidaram-se como reconhecidos porta-vozes dos movimentos sociais, como o ABCD Jornal, por exemplo, dedicado à cobertura dos movimentos grevistas protagonizados pelos metalúrgicos da região do ABCD paulista.

Na clandestinidade, a opção pelo PT (1980-1987)[editar | editar código-fonte]

A opção da esquerda clandestina pelo retorno aos movimentos de massa contribuiu para a ampliação das lutas populares em fins dos anos 1970. Somado ao apoio da Igreja progressista a movimentos comunitários em bairros periféricos e à emergência do chamado sindicalismo combativo em regiões como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, esse processo despertou as energias políticas que resultaram na formação do PT em 1980. MEP e PCdoB-AV decidiram pelo ingresso no PT. APML dividiu-se, tendo parte da organização se decidido pelo ingresso no PT e outra pela filiação a outros partidos, como o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Na APML, entretanto, o processo foi menos organizado que nos demais partidos clandestinos: a organização acabou diluindo-se no PT, o que resultou na formação da Organização Comunista Democracia Proletária (OCDP), considerada fração organizada da APML e concentrada na região nordeste. Desde o início, como ocorreu com APML, as organizações de esquerda sofreram enormes pressões pela diluição no interior do PT, o que resulta na quase extinção de PCdoB-AV entre 1980 e 1981 e na ocorrência de dissidência no MEP em 1982. Procurando imprimir um perfil revolucionário ao PT e resistir às pressões pela diluição política, as três organizações decidem ampliar seu trabalho conjunto, o que resulta, em 1985, na fundação do Movimento Comunista Revolucionário (MCR).


PT, partido estratégico na revolução brasileira (1987-1998)[editar | editar código-fonte]

Em pouco tempo, o MCR avançou em suas posições: da constituição de uma organização clandestina interna ao PT para a disputa de sua orientação, o MCR, a partir de uma leitura positiva das resoluções do 5o Encontro Nacional do PT (1987) sobre o programa democrático-popular (em parte coincidentes com as suas próprias formulações), decide avançar no processo de constituir-se como tendência interna do PT. Esse processo culmina, em 1989, na formação da Força Socialista (FS), que reivindica a revolução brasileira como balizada pela combinação de ações por dentro e por fora do Estado, cujo avanço se daria pela conquista de vitórias parciais que potencializassem a luta popular no rumo da revolução, encabeçada por um partido socialista, democrático e de massas – o PT. Entre fins doa anos 1980 e início dos anos 2000, a FS ampliou significativamente suas bases sociais. Consolidou-se em diferentes Estados como Santa Catarina, Rio Grande Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pará e Amapá. Esse processo correspondeu a um crescimento junto aos movimentos sociais e também de sua representação no âmbito do Estado: entre final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a FS havia conquistado 4 mandatos de deputados estaduais (SC, ES, PA, AP), e 3 de deputados federais (SP, BA, DF), além de um mandato de prefeito reeleito (Belém, 1997-2004) e uma vice-prefeitura com chances reais de vitória na eleição seguinte (Florianópolis, 1997-2000).

Fração pública do PT: uma resposta à moderação política (1998-2003)[editar | editar código-fonte]

Apesar da identificação clara, por parte da FS, da centralidade estratégica do PT na revolução brasileira, desde meados de 1998 a tendência ressaltava também o reforço, ao longo dos anos 1990, de elementos conservadores internamente ao partido. A opção preferencial pela disputa eleitoral em detrimento do fortalecimento dos movimentos sociais ou a tendência de rebaixamento ideológico e ampliação do arco de alianças como estratégia de ampliação de suas bases constituem alguns desses elementos conservadores. Frente a essa situação, em 1998, a FS aprova uma resolução que redesenha sua estratégia de disputa do PT: antes restrita aos fóruns do partido, deveria agora ser travada abertamente na sociedade, no âmbito dos movimentos de massa e através dos mandatos executivos e legislativos da tendência. Essa opção se aprofunda com os rumos assumidos pelo PT no período imediatamente posterior ao de eleição de Lula à presidência da República em 2002, que acelerou a deterioração dos espaços de disputa interna no partido, acomodado numa postura reativa frente às concessões conservadoras aprofundadas pelo governo Lula desde então.

Formação da APS e adesão ao PSOL (2004-2005)[editar | editar código-fonte]

Nesse contexto é que surge a APS. Resulta, em 2004, de uma fusão da FS com coletivos regionais do PT, cujo objetivo seria a preparação da ruptura com o partido – processo que se consolida em 2005 com a crise política e que culmina na saída da APS do PT e seu ingresso no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), por meio de filiação democrática. Em 2006, a Ação Popular Socialista ingressa definitivamente no novo partido.

Atuação no PSOL[editar | editar código-fonte]

Em pouco tempo, a Ação Popular Socialista assume a direção do PSOL, a qual mantem até hoje. Nas eleições de 2010, a APS elege um deputado federal, Ivan Valente (SP), dois senadores, Marinor Brito (PA) e Randolfe Rodrigues (AP), e um deputado estadual, Edmilson Rodrigues (PA). Em 2012, a corrente amplia suas bancadas municipais elegendo vereadores em capitais como Macapá, Belém, Florianópolis, São Paulo e Salvador, além de eleger Clécio Luís em Macapá, o primeiro prefeito de uma capital pelo PSOL.

Internamente no partido, APS sempre fez uma forte polarização com o Movimento Esquerda Socialista, o MES, da ex-deputada federal Luciana Genro. Em 2009, a corrente estava alinhada com o Coletivo Socialismo e Liberdade e o Enlace. Porém, no último congresso do partido, em 2011 o CSOL e o Enlace se afastaram da APS, que formou chapa para disputar a direção do partido com a TLS e com o MUS, formando mais de dois terços dos delegados do congresso.

No Senado Federal houve a posse do Senador José Nery, pelo Estado do Pará. Suplente da Senadora Ana Júlia Carepa, que é eleita governadora do Pará: José Nery e setores de seu partido prestam apoio à candidatura de Carepa no segundo turno. Assume a vaga no Senado Federal em 3 de janeiro de 2007, para cumprir o restante do mandato. José Nery foi considerado um dos mais atuantes do Congresso Nacional. Concorreu a uma vaga de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Pará, porém não logrou êxito. A Senadora Marinor Brito, mandato posterior ao de José Nery, que graças à Lei da Ficha Limpa, assume o mandato de Senadora da República pelo PSOL. Integrante e militante da APS, Marinor Brito atua, de forma brilhante, durante onze meses no Senado. José Nery e Marinor Brito são integrantes históricos da APS.

Em 2013, a APS compõe o campo da Unidade Socialista, novamente com o dissidentes do antigo MTL, do coletivo Somos PSOL (Pernambuco) e com MUS, então batizado de tendência "Fortalecer o PSOL".

Divisão da APS (2012-2013)[editar | editar código-fonte]

Após diversas polêmicas envolvendo as campanhas da Ação Popular Socialista na cidade Belém e Macapá, além de divergências quanto ao caráter e papel de uma corrente comunista no atual estágio da luta de classes, o projeto político da APS passou a ser contestado dentro e fora da corrente, chegando ao ponto da corrente ser divida em três.

Duas delas ainda se reivindicam com o nome APS, sendo uma delas (APS-Corrente Comunista), defensora das campanhas em Belém e Macapá, liderada pelos deputados federais Ivan Valente e pelo Deputado Edmilson Rodrigues, e pelo presidente nacional do partido, Luiz Araújo, e agrega a ampla maioria dos militantes da APS unificada; e outra delas (APS-Nova Era), bem menor e com pouco presença institucional e que hoje sustenta posições mais estreitas e dogmáticas, afastando-se das origens gramscianas da APS. A outra tendência formada é o coletivo Rosa Zumbi, que internamente no partido está alinhada com o deputado federal Chico Alencar, outrora próximo da APS com maior inserção institucional.

Referências

  1. Breve Histórico da APS (1960-2005). In: JUVENTUDE DA AÇÃO POPULA SOCIALISTA/SP. Manual de Recrutamento. São Paulo, 2008.
  2. Ação Popular Socialista: Quadro Histórico. In: JUVENTUDE DA AÇÃO POPULA SOCIALISTA/SP. Manual de Recrutamento. São Paulo, 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Brigada Revolucionaria do Povo insurgente