Três Corações Alimentos S.A.

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3corações
Razão social Três Corações Alimentos S.A.
Tipo Empresa de capital fechado
Indústria Alimentícia
Fundação 1959 (58 anos) em  São Miguel,  Rio Grande do Norte como Café Nossa Senhora de Fátima
Fundador(es) João Alves de Lima
Sede Eusébio, Ceará, Brasil
Área(s) servida(s) Em todo o Brasil
Locais Rio Grande do Norte
Presidente Pedro Lima
Produtos Cafés
Máquinas multibebidas
Achocolatados
Refrescos
Derivados de milho e temperos
Acionistas São Miguel Holding (50%)
Strauss Group (50%)
Faturamento Aumento R$ 3 bilhões (2016)[1]
Antecessora(s) Santa Clara
Café Três Corações
Website oficial 3coracoes.com.br

A 3corações[nota 1] é uma indústria alimentícia que surgiu de um empreendimento conjunto entre a brasileira São Miguel Holding, dona da empresa Santa Clara, e a israelita Strauss, proprietária da empresa Café Três Corações. A empresa atua em vários seguimentos, entre os principais são o café, máquinas multi-bebidas, produtos derivados do milho, temperos, achocolatados e refrescos.[2]

Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Café (ABIC), atualmente é a maior empresa brasileira no setor de café.[3] Seu faturamento em 2016 foi da ordem de três bilhões de reais.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Santa Clara (1959–2005)[editar | editar código-fonte]

Em 1959, João Alves de Lima, conhecido como João Rufino, deu início às atividades da empresa em São Miguel, Rio Grande do Norte, com a comercialização de café verde. Em 1961, ele comprou um moinho e passou a torrar e moer os grãos de café, surgindo assim o café Nossa Senhora de Fátima.[4]

Em 1970, a aceitação do produto aumentou e João Rufino passou a comprar o café verde diretamente nas regiões cafeeiras do país. Pouco depois, em 1973, João Rufino tornou-se um dos sócios-fundadores da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC).[5]

Em 1984, João Rufino passou o comando da empresa para seus filhos, Pedro, Paulo e Vincente Lima, que criam a JAL — João Alves de Lima Ltda., para comercializar o café Nossa Senhora de Fátima. No ano seguinte, em 1985, o café Nossa Senhora de Fátima foi renomeado para café Santa Clara.[6] No ano de 1988, a empresa implantou uma filial em Mossoró para venda e distribuição do produto, iniciando a expansão e consolidação da empresa no Rio Grande do Norte. Em 1989, foi inaugurada a fábrica em Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza, Ceará, e foi constituída a empresa Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda.[6] Na época, o cantor Fagner tornou-se o primeiro garoto-propaganda da Santa Clara.[7] Em 1993, o Moinho Santa Clara foi instalado em Mossoró, um empreendimento voltado à fabricação de produtos derivados do milho, surgindo a marca Dona Clara. Em 1995, adotou-se Grupo Santa Clara como marca institucional.[5][nota 2] Em 1996, a Santa Clara assumiu o controle da marca de café Kimimo.[8]

Em 1999, foi criada a São Miguel Holding e Investimentos S.A., uma holding para gerenciar os negócios da família Lima. A marca de café Pimpinela, do Rio de Janeiro, foi incorporada pela empresa no ano de 2003, marcando, assim, a expansão dos negócios para a região sudeste. Em 2005, a Santa Clara ganhou o prêmio "Melhores do Agronegócio" da Editora Globo.[9]

Café Três Corações (1970–2005)[editar | editar código-fonte]

Em 1970, os irmãos Mauro Alves, Jan Sérgio de Oliveira e Pedro Basílio fundaram a empresa Café Três Corações S.A., no município de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Era uma pequena e modesta torrefadora e distribuidora que comercializava o café 3 Corações.[10][nota 3]

No início da década de 1980, a Café Três Corações era uma empresa regional que se encontrava em dificuldades financeiras, sem infraestrutura para competir no mercado com grandes marcas. Tal situação acarretou em sua venda o cafeicultor Aprígio Tavares, onde passou por reestruturação. Em 2000, o grupo israelita Strauss-Elite adquiriu a empresa dona do café 3 Corações.[11]

Fusão (2005)[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2005, a São Miguel e a então Strauss-Elite anunciaram a joint venture Santa Clara Participações e Empreendimentos Ltda., incorporando a marca de café e cappuccino 3 Corações ao grupo Santa Clara.[12] Tanto a São Miguel quanto a Strauss[nota 4] possuem 50% do negócio.

Tentativas de fusão da Santa Clara com outras empresas aconteceram anteriormente. A primeira foi em 1998, quando se tentou fusão com a Café Damasco, porém o acordo não foi concretizado. No ano seguinte, a mesma Strauss tentou sem sucesso fusão com o grupo Santa Clara. Segundo Pedro Lima, o negócio não foi fechado na época porque o acordo dividiria a empresa meio a meio, porém a Strauss pediu o comando da operação quando foram assinar o contrato e o negócio não foi fechado.[14]

Santa Clara Participações (2005–2010)[editar | editar código-fonte]

Em 2009, a Santa Clara Participações adquiriu o Café Letícia e consolidou sua liderança no estado de Minas Gerais. [15] No mesmo ano, expandiu sua área de atuação para o ramo de sucos em pó, ao comprar da Unilever as marcas Frisco e Tornado.[16][17] Este ano também marcou a primeira vez que o grupo faturou mais de R$ 1 bilhão, quando foi aferido faturamento bruto de R$ 1,45 bilhão.[18]

3corações (2010–presente)[editar | editar código-fonte]

Em 2010, o grupo decidiu alterar sua marca institucional para 3corações, enquanto que sua razão social passou a ser denominada Três Corações Alimentos S.A.[19][nota 5]

A estratégia de expansão através de aquisições continuou nos anos seguintes. Em 2014, a 3corações anunciou a aquisição da marca de café e cappuccino Itamaraty.[20] Uma das últimas aquisições do grupo 3corações foi a Cia. Iguaçu de Café Solúvel, proprietária das marcas Iguaçu, Cruzeiro e Amigo, no ano de 2016.[21]

Em 2016, fechou um acordo para ser a fornecedora de café, com a marca 3 Corações, dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos da Rio 2016.[22]

Produtos[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2017, a 3corações tinha em seu portfólio os cafés 3 Corações, Santa Clara, Pimpinela, Kimimo, Letícia, Fort, Fino Grão, Divinópolis, Café do Doutor, Café Bangu, Gerónymo, Itamaraty, Café Cafeara, Café Americano, Ouribom, Café Londrina e Charm;[23] o achocolatado Chocolatto;[24] a máquina multibebidas TRES;[25] os refrescos Frisco e Tornado; e os produtos de milho e temperos Dona Clara, Kimimo e Claramil.[26]

Notas

  1. O nome fantasia correto é 3corações, mas a empresa também é citada como 3 Corações, Três Corações, Café 3 Corações, Café Três Corações, Grupo 3corações, Grupo 3 Corações e Grupo Três Corações.
  2. Não confundir a marca Santa Clara, que dá nome ao produto de café torrado e moído, com a razão social Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., nome jurídico da empresa sucessora da JAL — João Alves de Lima Ltda., nem com o nome fantasia Grupo Santa Clara, adotado para representar a Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, ou ainda com Clara Participações e Empreendimentos Ltda., que foi a razão social da 3corações antes de mudar para Três Corações Alimentos S.A.
  3. Não confundir a empresa Café Três Corações S.A. (a palavra café iniciada com a letra c maiúscula, a palavra três com a letra t maiúscula, e a palavra corações com a letra c maiúscula) com sua marca 3 Corações (o numeral 3, a palavra corações iniciada em maiúsculo, e sem a palavra café) para produtos de cafés e cappucinos.
  4. A Strauss-Elite mudou de nome para Strauss em 2007.[13]
  5. A repetição de nomes para designar diferentes coisas costuma causar confusão. 3corações (juntos o numeral 3 e a palavra corações com todas as letras minúsculas, e sem a palavra café) é o nome fantasia que representa a empresa como um todo. 3 Corações (o numeral 3, a palavra corações iniciada em maiúsculo, e sem a palavra café) é uma marca de café e cappuccino da empresa. Café Três Corações S.A. (a palavra café iniciada com a letra c maiúscula, a palavra três com a letra t maiúscula, e a palavra corações com a letra c maiúscula) era a razão social de uma das empresas que deram origem à 3corações. Por fim, Três Corações Alimentos S.A. (a palavra três com a letra t maiúscula, a palavra corações com a letra c maiúscula, e sem a palavra café), que raramente é usada na grande mídia, é a razão social da 3corações. Por causa disso é comum ver a empresa 3corações também ser citada pela imprensa como 3 Corações, Três Corações, Café 3 Corações e Café Três Corações, ou ainda pela variações Grupo 3corações, Grupo 3 Corações e Grupo Três Corações. No artigo, entretanto, os termos são usados conforme descrito anteriormente.

Referências

  1. a b Raphael Salomão (6 de maio de 2016). «3 Corações espera faturar mais de R$ 3 bilhões em 2016». Globo Rural. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  2. "Fábrica de suco Frisco agora é da Santa Clara". Tribuna do Norte.
  3. «ABIC». www.abic.com.br. Consultado em 21 de dezembro de 2016 
  4. Luciana Alves, Yákara Leite, Débora Facundes e Bruna Dantas (2005). «Fusão com a 3 corações: uma análise a partir da visão dos gestores da unidade fabril de Mossoró-RN» (PDF). II Congresso Virtual Brasileiro - Administração. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  5. a b «2010 Relatório de Sustentabilidade» (PDF). 3corações. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  6. a b «História». 3corações. Consultado em 22 de dezembro de 2016 
  7. Lívia Andrade (1.º de setembro de 2009). «De São Miguel para o resto do mundo». Dinheiro Rural. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  8. (1 de setembro de 2009) "De São Miguel para o resto do mundo - Dinheiro Rural" (em pt-BR). Dinheiro Rural.
  9. Globo Rural (30 de setembro de 2005). «Santo de casa». Época. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  10. «Nossa história». Café 3 Corações 
  11. "Strauss Brazil" (em en-US). Strauss Group. Visitado em 31 de dezembro de 2016.
  12. «Torrefadora Santa Clara e Café Três Corações anunciam joint venture». Revista Cafeicultura. 30 de dezembro de 2005. Consultado em 21 de maio de 2009 
  13. «Strauss: one company, one identity, all over the world» (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  14. Barbara Bigarelli (18 de outubro de 2016). «As lições de Pedro Lima, presidente do grupo 3 Corações». Época Negócios. Arquivado desde o original 29 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  15. Luiz Ribeiro (20 de maio de 2009). «Israelense Strauss-Elite compra o Café Letícia, empresa de Montes Claros que está presente em cerca de 40% do território mineiro». Estado de Minas. Arquivado desde o original 29 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  16. «Santa Clara compra Frisco e Tornado». Diário do Nordeste. 10 de junho de 2009. Arquivado desde o original 29 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  17. «Fábrica de suco Frisco agora é da Santa Clara». Tribuna do Norte. 10 de junho de 2016. Arquivado desde o original 21 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  18. «A vida depois do primeiro bilhão». IstoÉ Dinheiro. 1º de abril de 2011. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  19. Clayton Netz (10 de maio de 2010). «O Santa Clara virou 3 Corações». O Estado de S.Paulo. Consultado em 21 de dezembro de 2016 
  20. «Três Corações compra empresa de café Itamaraty | EXAME.com - Negócios, economia, tecnologia e carreira». exame.abril.com.br. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  21. «Grupo 3corações compra marcas da paranaense Café Iguaçu». Gazeta do Povo. 11 de março de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  22. «Marca oficial dos jogos vai servir 3 milhões de cafés na Olimpíada». Gazeta do Povo. 9 de agosto de 2016. Arquivado desde o original 10 de agosto de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  23. «Café». 3corações. Arquivado desde o original 28 de dezembro de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  24. «Achocolatado». 3corações. Arquivado desde o original 28 de dezembro de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  25. «Multibebidas». 3corações. Arquivado desde o original 28 de dezembro de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  26. «Milho e Cia». 3corações. Arquivado desde o original 28 de dezembro de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]