Daminhão Experiença

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Daminhão Experiença
Informação geral
Nome completo Damião Ferreira da Cruz
Nascimento 27 de setembro de 1935
Origem Lauro de Freitas, BA
País Brasil Brasil
Data de morte 10 de dezembro de 2016 (81 anos)
Local de morte Rio de Janeiro, RJ
Gênero(s) alternativo, experimental, vanguarda, MPB, grindcore, proto-punk, reggae, rock psicodélico, lo-fi
Instrumento(s) Violão, guitarra, chocalho, bongô, marimba, tampas de garrafa, baixo, bateria
Período em atividade 1974 a 2007
Gravadora(s) Planeta Lamma
Afiliação(ões) Luiz Melodia, Rogério Skylab, Zumbi do Mato, Supersimetria
Página oficial Daminhão Experiença

Damião Ferreira da Cruz, mais conhecido como Damião, Damminhão, Daminhão ou Daimeão Experiênça, Experyença ou Experyênça (Lauro de Freitas, 27 de setembro de 1935 - Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2016), foi um cantor, músico e compositor brasileiro. É considerado uma figura proeminente na cena musical alternativa brasileira, sendo reconhecido por músicos como Tony Bellotto e George Israel[1] e contando com admiradores e colecionadores de seus discos no exterior.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em 27 de setembro de 1935,[carece de fontes?] Damião foi operador de radar da Marinha do Brasil até se aposentar por invalidez após uma queda de um mastro de navio. Tal fato teria provocado seu estado mental conturbado.[1] Outra abordagem para o fato foi que, segundo sua biografia (encartada em alguns discos no formato livro), ele teria ficado preso em uma solitária, por deserção. Diz-se também que foi morar com uma prostituta numa casa de palafita, tornando-se cafetão e subsequentemente produzindo seus discos com dinheiro de cafetinagem.[3] Em 1974, lançou, de modo independente, seu primeiro álbum, Planeta Lamma,[4] continuando a produzir e lançar vários discos ao longo das décadas de 70 a 90.

Desde o início de sua carreira musical, costumava evitar entrevistas e atenção midiática em geral, inclusive se recusando a assinar documentos.[1] Viveu um hiato de quinze anos sem gravar de 1992 a 2007, apenas aparecendo em shows-relâmpago e esporádicos como no Ronca Ronca.[5]

Em 2007, lançou dois novos álbuns acústicos, Sarafina 1937 e Amorzinho 1914, respectivamente os nomes de sua mãe e pai.[2] Em 2009, retornou aos palcos, após longa ausência, num show no SESC Santo André, São Paulo junto a Walter Franco e a banda Supersimetria. Questionado acerca de documentários e relançamento de suas obras, ele nega com afinco que o fará.

Morreu em 10 de dezembro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, aos 81 anos.[6][7]

Musicalidade e estética[editar | editar código-fonte]

A obra musical de Damião é de difícil categorização, sendo que diferentes gêneros musicais foram explorados ao longo de seus álbuns, como freak folk, rock psicodélico, reggae e música experimental. Geralmente, ele executa vários instrumentos ao mesmo tempo em que canta. Exemplos são a gaita, o chocalho, e seus violões de várias cordas (o álbum Planeta Lamma foi tocado com um violão de uma corda). As letras de suas canções não têm um sentido lógico à primeira vista, sendo que muitas músicas são cantadas em um dialeto próprio, com letras improvisadas.[3]

A discografia de Damião é vasta, possuindo, segundo alguns,[quem?] 36 álbuns,[2] todos gravados em vinil. A ideologia e os personagens que frequentam os discos são insondáveis, existindo citações ao marinheiro João Cândido da Revolta da Chibata, passando por Isabelita Perón, Bob Marley, Adolf Hitler, Fidel Castro, Getúlio Vargas misturados a comunismo, aborto, ditadura, drogas, música, semiótica, rastafári, e nomes dos planetas criados por ele em geral. As capas dos álbuns são geralmente colagens centradas em sua figura com visual ímpar, a saber, elementos colecionados das ruas e afixados nas roupas como banners, embalagens, luzes, pedaços de jornal, alfinetes e papéis. Também é comum a existência de discos cujo rótulo identifica várias músicas em uma só faixa.

Em seus primeiros álbuns, Damião usa violões de diferentes números de cordas, harmônicas e ocasionalmente marimbas, misturando o português com seu dialeto próprio. Esse estilo é predominante em seu álbum de estreia, Planeta Lamma (1974), e em seus prosseguintes 69 (1974) e Damião Experiença no Planeta Lavoura (1978).

Os anos 80 e 90 apresentam álbuns mais elaborados, contando com a presença de uma banda completa e aproximação com o rock psicodélico. Nos vocais, Damião abandona o dialeto do "planeta Lamma" para cantar em um português rasgado de letras com forte conotação sexual ou política, quase sempre mesclando ideologias incompatíveis. Destes discos destacam-se frases notáveis, que soam a adágios, como "quem tirou o selo que leia a carta", ou ainda "eu gosto é de mulher lésbica". Estas características são predominantes em álbuns como Planeta Guerrilha e Ezabelitaperonsim.

Discografia parcial[editar | editar código-fonte]

Álbuns datados[editar | editar código-fonte]

  • 1974: Planeta Lamma
  • 1974: 69
  • 1978: Damião Experiença no Planeta Lavoura
  • 1992: Comando Planeta Lamma
  • 2007: Amorzinho 1914
  • 2007: Sarafina 1937

Álbuns com data desconhecida[editar | editar código-fonte]

  • 4c/1308
  • Damião Experiença Planeta Roça
  • Damião Experiença Chupando Cana Verde no Planeta Lamma / Damião Experiença Cheirando Alho no Planeta Lamma
  • Damião Experiença no Planeta Mendigo
  • Planeta Quentão
  • Planeta Cachaça
  • Planeta Cabelo
  • Daimião
  • Daimião Experiença Quinteto Planeta Lamma / Alta Fidelidade
  • Planeta Galinha / Bocagi
  • Planeta Guerrilha
  • Planeta Guerra 1914
  • Guerrilheiro do Planeta Lamma
  • AdeusAdolfHitler1945fim
  • Ezabelitaperonsim
  • A Morte é a Dor, a Dor é a Morte, Eu Amo a Morte
  • Boca Fechada Não Entra Mosquito, Só Felicidade
  • Cemitério Nazismo
  • Praça Vermelha
  • M19 Bomba Atômica
  • Fim do Mundo

Referências

  1. a b c André Miranda (19 de novembro de 2015). «Da lenda ao ostracismo, a história de Daminhão Experiença». O Globo. Consultado em 9 de dezembro de 2016 
  2. a b c Carlos Messina (4 de abril de 2014). «DAMIÃO, A EXPERIENÇA». SerHurbano. Consultado em 9 de dezembro de 2016 
  3. a b Millos Kaiser (16 de junho de 2009). «LOUCA EXPERIÊNCIA». Trip. Consultado em 9 de dezembro de 2016 
  4. «Galeria - 13 "heróis" desconhecidos do rock nacional - 13 - Damião Experiença». Rolling Stone. Consultado em 9 de dezembro de 2016 
  5. Silvia D (20 de novembro de 2000). «Daminhão Experiênça está vivo». Cliquemusic. Consultado em 9 de dezembro de 2016 
  6. Gabriel Albuquerque (13 de dezembro de 2016). «Morre Daminhão Experiença, ícone cult e "maldito" da música brasileira». Jornal do Commercio. Consultado em 13 de dezembro de 2016 
  7. «Morre Daminhão Experiença, figura folclórica da música brasileira». O Globo. Globo.com. 13 de dezembro de 2016. Consultado em 14 de dezembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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