Eleições estaduais em Mato Grosso em 1982

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Eleições estaduais em  Mato Grosso em 1982
15 de novembro de 1982
(Turno único)
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Candidato Júlio Campos Raimundo Pombo
Partido PDS PMDB
Natural de Várzea Grande, MT Corumbá, MS
Vice Vilmar Peres de Faria Louremberg Nunes Rocha
Votos 203.605 188.878
Porcentagem 51,64% 47,91%


Brasão de Mato Grosso.png

Governador de Mato Grosso

As eleições estaduais em Mato Grosso em 1982 aconteceram no dia 15 de novembro como parte das eleições gerais em 23 estados brasileiros[1] e nos territórios federais do Amapá e Roraima.[2] Num pleito marcado pela adoção do voto vinculado, da sublegenda e da proibição de coligações, o PDS foi vitorioso na pessoa do governador Júlio Campos, do vice-governador Vilmar Peres de Faria, do senador Roberto Campos e da maioria dos oito deputados federais e vinte e quatro estaduais que foram eleitos. Na época não vigiam os dois turnos em eleições para cargos executivos e foi também a última vez onde eleitores baseados no Distrito Federal tiveram seus votos remetidos ao Mato Grosso através de urnas especiais[3] e a primeira eleição direta para o Palácio Paiaguás desde 1965 quando aconteceu o triunfo de Pedro Pedrossian.

Diplomado em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista em 1969, o governador Júlio Campos foi Secretário Municipal de Viação e Obras Públicas em Várzea Grande, professor na Universidade Federal de Mato Grosso e é empresário.[4] Sua primeira filiação partidária foi ao PSD, contudo sua primeira vitória eleitoral aconteceu na ARENA ao conquistar a prefeitura de Várzea Grande em 1972 e pela mesma legenda foi eleito deputado federal em 1978 e encerrado o bipartidarismo ingressou no PDS. Diferente do ocorrido na era dos governadores biônicos, a vitória do partido governista foi conquistada por estreita margem graças ao crescimento do PMDB que uniu oposicionistas de origem e dissidentes do poder enquanto os aspirantes de esquerda sequer chegaram a meio por cento dos votos. Ressalte-se que inexiste qualquer parentesco entre Júlio Campos e Frederico Campos, antecessor do primeiro na chefia do executivo estadual.

Candidato a reeleição, o senador Vicente Vuolo renunciou pouco antes do pleito por discórdias com o PDS e assim a legenda empenhou-se na eleição de Roberto Campos.[5] Nascido em Cuiabá e formado em Filosofia e Teologia na época que morava em Minas Gerais, ingressou no Itamaraty por concurso público em 1939 sendo transferido para os Estados Unidos onde se diplomou em Economia pela Universidade George Washington com pós-graduação na Universidade de Columbia.[6] Presente à Conferência de Bretton Woods que criou o Fundo Monetário Internacional, foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), embaixador em Washington no governo João Goulart, Ministro do Planejamento no governo Castelo Branco e embaixador em Londres no Governo Ernesto Geisel.[6]

Na disputa proporcional houve equilíbrio entre PDS e PMDB no número de parlamentares eleitos e dentre os quais estava Dante de Oliveira, deputado federal autor de uma emenda constitucional que restaurava a eleição direta à presidência da República e deu peso à campanha das Diretas Já, mas apesar do impacto a mesma foi rejeitada.

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 394.269 votos nominais (91,62%), 21.432 votos em branco (4,98%) e 14.609 votos nulos (3,40%), totalizando o comparecimento de 430.310 eleitores.[7]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Júlio Campos
PDS
Vilmar Peres de Faria
PDS
1
PDS (sem coligação)
203.605
51,64%
Raimundo Pombo
PMDB
Louremberg Nunes Rocha
PMDB
5
PMDB (sem coligação)
188.878
47,91%
Anacleto Ciocari
PDT
Olímpio Arruda
PDT
2
PDT (sem coligação)
899
0,23%
João Antônio Cabral de Monlevade
PT
Dafne Andrade da Silva
PT
3
PT (sem coligação)
887
0,22%
  Eleito

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 378.892 votos nominais (88,05%), 32.887 votos em branco (7,64%) e 18.531 votos nulos (4,31%), totalizando o comparecimento de 430.310 eleitores.[7][8]

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Roberto Campos
PDS
em sublegenda
PDS
10
PDS (em sublegenda)
147.203
38,85%
José Garcia Neto
PMDB
em sublegenda
PMDB
50
PMDB (em sublegenda)
106.734
28,17%
Vicente Bezerra Neto
PMDB
em sublegenda
PMDB
52
PMDB (em sublegenda)
71.850
18,96%
Gabriel Novis Neves
PDS
em sublegenda
PDS
11
PDS (em sublegenda)
51.428
13,57%
Astério Franco
PT
Milton Dantas Militão
PT
30
PT (sem coligação)
847
0,23%
Edvaldo Campos Filho
PDT
Laudêncio Bispo
PDT
20
PDT (sem coligação)
830
0,22%
  Eleito

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[9][10]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Bento Porto PDS 57.958 Poxoréu  Mato Grosso
Gilson de Barros PMDB 41.931 Cuiabá  Mato Grosso
Jonas Pinheiro PDS 35.069 Santo Antônio do Leverger  Mato Grosso
Maçao Tadano PDS 24.595 Cornélio Procópio  Paraná
Cristino Cortes PDS 24.074 Barra do Garças  Mato Grosso
Dante de Oliveira[11] PMDB 22.474 Cuiabá  Mato Grosso
José Márcio Lacerda PMDB 20.883 Corumbá  Mato Grosso do Sul
Milton Figueiredo PMDB 17.663 Barão de Melgaço  Mato Grosso

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso o PDS superou o PMDB pela contagem de 13 a 11.[7]

Eleições municipais[editar | editar código-fonte]

Não houve eleições para prefeito em Cuiabá por força do Ato Institucional Número Três e em Aripuanã, Cáceres, Mirassol d'Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade os prefeitos também eram nomeados. Nas demais cidades o pleito municipal ocorreu em todos os níveis.

Referências

  1. Por força de um casuísmo político a eleição direta em Rondônia excluiu o cargo de governador.
  2. Estes elegeram apenas quatro deputados federais cada e em Fernando de Noronha não havia eleições.
  3. «Presidência da República: Lei nº 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 24 de junho de 2014. 
  4. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Júlio Campos». Consultado em 24 de junho de 2014. 
  5. Candidato renuncia. E o tribunal não aceita (online). O Estado de S. Paulo, 13/11/1982. Página visitada em 24 de junho de 2014.
  6. a b «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Roberto Campos». Consultado em 24 de junho de 2014. 
  7. a b c «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 24 de junho de 2014. 
  8. Pelo critério de soma das sublegendas o PDS obteve 198.631 votos (52,42%) e o PMDB 178.584 votos (47,13%).
  9. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 30 de novembro de 2017. 
  10. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 30 de novembro de 2017. 
  11. Eleito prefeito de Cuiabá em 1985 sendo efetivado Paulo Nogueira.