Saab JAS 39 Gripen

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JAS-39 Gripen
Caça
Saab JAS 39 Gripen da Força Aérea da República Checa
Descrição
Tipo / Missão Caça de ataque e reconhecimento com turbofan, monoplano monomotor
País de origem  Suécia
Fabricante Saab AB
Período de produção 1987 - presente
Quantidade produzida 247 unidade(s)
Custo unitário US$ 68,90 milhões (2006)
Primeiro voo em 9 de dezembro de 1988 (28 anos)
Introduzido em 1 de novembro de 1997
Tripulação 1 (2 no JAS 39D)
Carga útil 5 300 kg (11 700 lb)
Especificações (Modelo: JAS 39C Gripen)
Dimensões
Comprimento 14,1 m (46,3 ft)
Envergadura 8,4 m (27,6 ft)
Altura 4,5 m (14,8 ft)
Área das asas 30  (323 ft²)
Alongamento 2.4
Peso(s)
Peso vazio 6 800 kg (15 000 lb)
Peso carregado 8 500 kg (18 700 lb)
Peso máx. de decolagem 14 000 kg (30 900 lb)
Propulsão
Motor(es) 1 x turbofan Volvo RM12 empuxo seco 5 488 kgf (53 800 N), empuxo em pós-combustão 8 210 kgf (80 500 N)
Performance
Velocidade máxima 2 204 km/h (1 190 kn)
Velocidade máx. em Mach 2 Ma
Alcance bélico 800 km (497 mi)
Alcance (MTOW) 3 200 km (1 990 mi)
Teto máximo 15 240 m (50 000 ft)
Armamentos
Metralhadoras / Canhões Canhão Mauser BK-27 de 27 mm interno com cadência de 1000 a 1700 tiros/min; capacidade para 120 munições.
Mísseis MBDA Mica, AIM-120 Amraam, MBDA Meteor, R-Darter, Derby, A-Darter, Sidewinder, Iris-T, Python 4/5, AIM-9X Sidewinder, AIM-132 Asraam, AGM-65 Maverick, RBS-15F antinavio, Brimstone, Taurus KEPD, Eads/Bofors DWS 39, RBS-15F, Paveway II, III e IV, Lizard II e III, GBU 39/B, JDAM/JDAM ER, AGM-154 JSOW, Spice, MK 80 series

Saab JAS 39 Gripen, também designado como F-39 Gripen,[1] é um caça multiuso leve monomotor fabricado pela empresa aeroespacial Saab, da Suécia. Ele foi projetado para substituir o Saab 35 Draken e o 37 Viggen na Força Aérea Sueca (Flygvapnet). O Gripen tem uma configuração de asas em delta e canard, além de controles de voo fly-by-wire. Ele é alimentado por um Volvo RM12 e tem uma velocidade máxima de Mach 2. Tais aeronaves mais tarde foram modificadas para os padrões de interoperabilidade da OTAN e para o reabastecimento aéreo. "JAS" é a abreviatura de "Jakt, Attack, Spaning" (em português Caça, Ataque, Reconhecimento),[2] e "Gripen" (do grego Γρύπας, em latim Gryphus e em português, Grifo) é o nome da criatura mitológica da antiguidade, meio leão, meio águia, cuja imagem também está presente no logotipo da própria marca Saab.[3]

Em 1979, o governo sueco iniciou estudos de desenvolvimento para uma aeronave capaz de missões de caça, ataque e reconhecimento para substituir o Saab 35 Draken e o 37 Viggen. Um novo projeto da Saab foi selecionado e desenvolvido como o JAS 39, voando pela primeira vez em 1988. Após dois acidentes durante o desenvolvimento do voo e subsequentes alterações ao software de controle de voo da aeronave, o Gripen entrou em serviço com a Força Aérea Sueca em 1997. Variantes atualizadas, com aviônicos mais avançados e adaptações para tempos de missão mais longos, começaram a entrar em serviço em 2003.

Com o objetivo de comercializar os aviões para exportar clientes, a Saab formou várias parcerias e esforços colaborativos com várias empresas aeroespaciais no exterior. Um exemplo desses esforços foi o Gripen International, uma parceria entre a Saab e a BAE Systems, formada em 2001. A Gripen International foi responsável pelo marketing da aeronave e esteve fortemente envolvida na exportação bem-sucedida do tipo para a África do Sul; a organização foi posteriormente dissolvida em meio a alegações de suborno empregado para garantir o interesse e as vendas estrangeiras. No mercado de exportação, o Gripen alcançou um sucesso moderado em vendas para nações na Europa Central, África do Sul e Sudeste Asiático; há suspeita de suborno em alguns desses contratos, mas as autoridades concluíram a investigação em 2009.[4]

Uma outra versão, designada Gripen JAS 39E/F, está em desenvolvimento desde 2014; ele foi referido como Gripen NG ou Super-JAS.[5] As mudanças incluem a adoção de um novo grupo motopropulsor, o General Electric F414G, um radar ativo de varredura eletrônica, além de um aumento significativo da capacidade interna de combustível. A Saab propôs outros modelos derivados, incluindo um Sea Gripen versão naval para operações de transporte e uma aeronave opcionalmente tripulada. A Suécia e o Brasil encomendaram o Gripen E/F e a Suíça selecionou-o para aquisição. Em 2013, mais de 247 Gripens foram construídos.[6]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

No final da década de 1970, a Suécia procurou um avião para substituir os Saab 35 Draken e Saab 37 Viggen, que já estavam ficando antigos e ultrapassados.[7] A Força Aérea da Suécia exigiu um avião que atingisse a velocidade de Mach 2 (duas vezes a velocidade do som), com bom desempenho para um plano de base disperso e defensivo em caso de ataque imediato; O plano incluiu pistas rudimentares de 800 metros de comprimento por nove metros de largura, para que o avião conseguisse decolar e pousar com segurança.[8] Um dos objetivos era que a aeronave fosse menor do que o Viggen, ao mesmo tempo que as características da sua carga útil fossem iguais ou melhores.[9] As primeiras propostas apresentaram o Saab 38, também chamado B3LA, desenvolvido como uma aeronave de ataque e treinamento,[10] e o A-20, um avião com as principais características do Viggen, que seria um avião de combate, ataque e reconhecimento marítimo.[11] Diversos projetos de outros países também foram estudados, como o General Dynamics F-16, o McDonnell Douglas F/A-18 Hornet,[12] o Northrop F-20 Tigershark e o Dassault-Breguet Mirage 2000.[13] Em última análise, o governo sueco optou que o avião fosse desenvolvido pela indústia nacional Saab.[12]

Em 1979, o governo iniciou um estudo pedindo uma plataforma versátil para o avião chamada de "JAS", representando "Jakt" (ataque ar-a-ar), "Attack" (ataque ar-à-terra) e "Spaning" (reconhecimento), requerendo um caça multiuso, que podem desempenhar diversos papéis durante a mesma missão.[12] Vários projetos da Saab foram revisados, sendo o mais promissor o "Projeto 2105" (designado "Projeto 2108" e, mais tarde, "Projeto 2110"), que foi recomendado pelo governo através da Administração de Materiais da Defesa (Försvarets Materielverk ou FMV).[12] Em 1980, o "Industrigruppen JAS" foi estabelecido como joint-venture da Saab, Ericsson, Svenska Radioaktiebolaget, Volvo Aero e Försvarets Fabriksverk, o braço industrial das forças armadas suecas.[14]

Algumas características sugeridas para o avião era um único motor, um único assento, com a tecnologia fly-by-wire, canards e um design aerodinamicamente estável.[15] O motor selecionado foi o Volvo-Flygmotor RM12, um derivado licenciado do General Electric F404-400.[15][16] Em 30 de junho de 1982, com a aprovação do Parlamento da Suécia,[17] foram fechados contratos no valor de SEK 25,7 bilhões para a Saab, cobrindo a construção de cinco protótipos e um lote inicial de 30 aeronaves.[18][19] Em janeiro de 1983, um Viggen foi convertido em uma aeronave de teste para avaliação de componentes do novo avião, como os comandos fly-by-wire.[20] O JAS 39 recebeu o nome "Gripen" (grifo) através de uma votação pública,[21] já que o grifo é representado no logotipo da Saab.[22]

Testes, produção e melhorias[editar | editar código-fonte]

Detalhe da parte frontal do caça.

A Saab lançou o primeiro avião em 26 de abril de 1987, marcando o 50º aniversário da empresa.[23] Inicialmente planejado para 1987,[16] o primeiro voo foi adiado em 18 meses devido a problemas com o sistema de controle de voo. Em 9 de dezembro de 1988, o primeiro protótipo (número de série 39-1) voou pela primeira vez por 51 minutos, com o piloto Stig Holmström no comando.[15][24] Durante o programa de teste, a preocupação surgiu sobre a aviónica da aeronave, especificamente o sistema de controle de voo fly-by-wire e o design de estabilidade.[25] Em 2 de fevereiro de 1989, isso levou ao acidente de um dos protótipos durante uma tentativa de pouso em Linköping; o piloto de teste, Lars Rådeström, sofreu apenas ferimentos.[26] O acidente foi causado pela perda de controle da aeronave, causado por problemas com o controle do sidestick do avião.[15]

Em resposta ao acidente, a Saab e a empresa americana Calspan fizeram algumas modificações no software da aeronave. Um Lockheed NT-33A foi usado para testar essas melhorias, o que permitiu retomar o programa de testes de voo para 15 meses após o acidente.[15] Em 8 de agosto de 1993, o protótipo registrado 39102 foi destruído em um acidente durante uma exibição aérea em Estocolmo.[15] Novamente, o piloto de teste Lars Rådeström perdeu o controle da aeronave durante uma passagem em baixa altitude quando a aeronave estolou, obrigando-o a ejetar.[15] Mais tarde, o Saab descobriu que o problema era uma alta amplificação das entradas rápidas e significativas do sidestick do piloto.[15] A investigação subseqüente e a correção de falhas atrasaram os testes de voo por vários meses, sendo retomado em dezembro de 1993.[15]

O primeiro pedido foi realizado para 110 aviões em junho de 1992. Já o segundo pedido consistiu em 96 aviões JAS-39A com um assento e 14 aviões JAS-39B com dois assentos.[27][28] A variante JAS-39B é 66 centímetros (26 polegadas) maior do que o JAS-39A para acomodar um segundo assento, o que exigiu a eliminação do canhão e a capacidade de combustível interna foi reduzida.[29] Em abril de 1994, cinco protótipos e dois aviões de produção em série foram concluídos, mas um míssil de alcance visual (BVR) ainda não havia sido selecionado.[30] Um terceiro pedido foi encomendado em junho de 1997, composto por 50 aviões JAS-39C com um assento e 14 aviões JAS-39D com um assento,[29] conhecidos como "Turbo Gripen", autorizados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para exportação.[8] As aeronaves do terceiro pedido, entre 2002 e 2008, possuem aviónica melhor e mais atualizada, capacidade de reabastecimento em voo através de sondas retráteis e um sistema de pressurização a bordo para viagens mais longas.[31] O reabastecimento em voo foi testado através de um protótipo especialmente equipado, utilizado em ensaios bem sucedidos com um Vickers VC-10 da Royal Air Force em 1998.[29]

Contratos[editar | editar código-fonte]

Gripen da Força Aérea da República Checa disparando flares em 2011.

Durante o Show Aéreo de Paris de 1995, a Saab AB e a British Aerospace anunciaram a formação da joint-venture "Saab-BAe Gripen AB", com o objetivo de adaptar, fabricar, comercializar e apoiar o Gripen em todo o mundo.[29][32] O acordo envolveu a conversão dos modelos JAS-39A e JAS-39B para as versões JAS-39C e JAS-39D, o que adaptou o Gripen com os padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).[33] Esta cooperação foi ampliada em 2001, com a formação da Gripen International para promover as vendas de exportação.[34] Em dezembro de 2004, a Saab e a BAE Systems anunciaram que a BAE venderia uma grande parte da sua participação na Saab e que a mesma assumiria a total responsabilidade pela comercialização e exportação de pedidos do Gripen.[35] Em junho de 2011, a Saab anunciou que uma investigação interna revelou evidências de atos de corrupção da BAE Systems, incluindo o branqueamento de capitais na África do Sul, um dos clientes da Gripen.[36]

Em 26 de abril de 2007, a Noruega assinou um acordo de desenvolvimento conjunto no valor de NOK 150 milhões com a Saab para cooperar no programa de desenvolvimento do Gripen, incluindo a integração das indústrias norueguesas no desenvolvimento de futuras versões da aeronave.[37] Em junho do mesmo ano, a Saab também entrou em acordo com a Thales Norway A/S sobre o desenvolvimento de sistemas de comunicação para o Gripen. Este pedido foi o primeiro concedido de acordo com as disposições da carta de acordo assinada pelo Ministério da Defesa da Noruega e pela Gripen International em abril de 2007.[37] Como resultado do vazamento dos cabos diplomáticos dos Estados Unidos em 2010, revelou-se que os diplomatas dos Estados Unidos estavam preocupados com a cooperação entre a Noruega e a Suécia no desenvolvimento do Gripen e os diplomatas tentaram exercer uma pressão contra a compra da aeronave pela Noruega.[38]

Em dezembro de 2007, como parte da divulgação de marketing da Gripen International na Dinamarca, um acordo foi assinado com a fornecedora de tecnologia dinamarquesa Terma A/S, o que lhes permitiu participar de um programa de cooperação industrial nos próximos quinze anos. O valor total do programa é estimado em mais de DKK 10 bilhões e depende da aquisição do Gripen pela Força Aérea Dinamarquesa.[39]

Controvérsias, escândalos e custos[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento de um caça multi-funções avançado foi um grande avanço para a indústria aeronáutica da Suécia. O antecessor Saab 37 Viggen, apesar de ser menos avançado e mais barato, tinha sido criticado por ocupar grande parte do orçamento militar da Suécia em 1971. No Partido Social da Suécia, maior parte do Parlamento em 1973, uma moção foi aprovada para impedir futuros projetos de aviões militares na Suécia.[40] Em 1982, o projeto Gripen foi aprovado no Parlamento por 176 votos a favor e 167 votos contra, com todos os membros do Partido Social-Democrata votando contra a proposta. Um novo orçamento foi apresentado em 1983[41] e aprovado em abril de 1983, com a condição de que o projeto deveria ter um contrato de preço fixo pré determinado,[42] uma decisão que mais tarde seria criticada devido ao posterior excesso de custos.[40]

De acordo com Annika Brändström, após os acidentes ocorridos com os protótipos, o Gripen perdeu credibilidade e enfraqueceu sua imagem pública. Houveram especulações de que falhas descobertas no primeiro acidente contribuíram diretamente para o segundo acidente e, portanto, foram evitáveis.[43] Brändström observou que os elementos da mídia pediram maior responsabilidade pública e explicação do projeto.[44] O governo rapidamente endossou e apoiou o Gripen, através de seu Ministro da Defesa. Anders Björck emitiu uma garantia pública de que o projeto foi muito positivo para a Suécia.[45] Em conexão com os esforços de marketing do projeto, incluindo para países como a África do Sul, Áustria, República Tcheca e Hungria, foram apresentados relatórios de corrupção generalizada pela joint-venture entre a British Aerospace (BAE) e a Saab AB.[46][47] Em 2007, jornalistas suecos informaram que a BAE pagou subornos equivalentes a milhões de dólares.[48][49][50] Na sequência de investigações criminais em oito países, apenas uma pessoa na Áustria, Alfons Mensdorf-Pouilly , foi processada por suborno. O escândalo abalou a reputação internacional do Gripen, da British Aerospace, da Saab e da Suécia.[47]

O custo do projeto do Gripen foi melhor analisado e frequentemente surgiam especulações. Em 2008, a Saab anunciou uma redução nos lucros daquele ano, atribuindo parcialmente ao aumento dos custos de comercialização da aeronave.[51] Em 2008, a Saab contestou os cálculos de custo da Noruega para o Gripen NG como superestimados e muito acima dos seus concorrentes.[52] Em 2007, um relatório do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia afirmou que os custos totais de pesquisa e desenvolvimento da Gripen foram de 1,84 bilhão de euros.[53] De acordo com um estudo do Jane's Information Group em 2012, o custo operacional do Gripen foi o mais baixo entre vários caças modernos, estima-se em 4 700 dólares por hora de voo.[54] O Ministério da Defesa sueco estimou o custo do pedido completo, que incluiu 60 aviões Gripen E/F, em SEK 90 bilhões, distribuídos entre 2013 e 2042. As Forças Armadas da Suécia estimaram que a manutenção de cem aviões Gripen C/D até 2042 custaria SEK 60 bilhões, enquanto a compra de aeronaves de um fornecedor estrangeiro custaria SEK 110 bilhões.[55]

Gripen NG e o Sea Gripen[editar | editar código-fonte]

O demonstrador de tecnologia de dois assentos foi apresentado em 23 de abril de 2008. Tem maior capacidade de combustível, um motor mais potente, maior capacidade de carga, e melhorias aviônicas, entre outras.[carece de fontes?]

O novo Gripen NG (Nova Geração) será propulsionado pelo turbofan Volvo Aero RM12, a versão sueca do motor GE F414-400 do F/A-18E/F. O novo motor produz 20% de empuxo a mais que o turbofan anterior — 98 kN (22.000 lbf) — permitindo uma velocidade de super cruzeiro de Mach 1,2 com mísseis ar-ar e ar-terra. Comparado ao Gripen D, o peso máximo de decolagem do Gripen NG aumenta de 14.000 para 16.000 kg (30,900–35,300 lb) com aumento do peso vazio de 200 kg (440 lb).[carece de fontes?] Devido ao trem de pouso principal ter sido realocado, a capacidade interna de combustível aumentou 40%, o que aumenta o alcance para 4,070 km (2.200 milhas náuticas). A nova configuração de chassi permite a adição de dois cabides de armas na fuselagem. Seu radar AESA Ericsson PS-05/A acrescenta uma antena nova para testes de voo a partir de meados de 2009.

O caça NG Gripen, a nova versão do JAS-39.

O Gripen teve seu voo inaugural em 4 de março de 1993.[carece de fontes?] O voo de teste durou cerca de 30 minutos e atingiu uma altitude máxima de cerca de 6.400 metros (21.000 pés). Em 21 de janeiro de 2009, o Gripen Demo voou sem pós-combustão Mach 1,2 para testar sua capacidade de super cruzeiro.

A Saab fez estudos sobre a versão naval baseada em porta-aviões na década de 1990. Em 2009, lançou o projeto Sea Gripen em resposta ao pedido da Índia para obter informações sobre um avião naval.[56]

Brasil[editar | editar código-fonte]

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Editado pela última vez em 20 de junho de 2017.

O Gripen NG concorreu na licitação para a modernização da Força Aérea Brasileira, conhecida como FX-2. Em 5 de janeiro de 2010, o relatório final de avaliação da FAB colocou o JAS-39 Gripen à frente dos outros dois candidatos. O fator decisivo foi, aparentemente, o custo global dos novos caças, tanto em termos de custo unitário como de operação e manutenção.[57][58]

Em 18 de dezembro de 2013, após mais de dez anos de discussão,[59] a presidente Dilma Rousseff decidiu pela aquisição destes caças para a FAB. O pacote de 36 aviões irá custar US$ 4,5 bilhões.[60][61] A nova aeronave será montada no Brasil a partir da quinta unidade, participando outros seis países no fornecimento dos diversos componentes.[62]

Em outubro de 2014, foi assinado formalmente o contrato da Saab com o governo brasileiro. O fornecimento seria de 28 unidades do Gripen NG de apenas um assento e mais 8 de dois assentos. O valor da transação ficou em torno de US$ 5,4 bilhões de dólares (R$ 13,4 bilhões de reais), um acréscimo de um bilhão do que era previsto. O aumento foi justificado por componentes técnicos que os militares brasileiros exigiram. Cerca de 15 destas aeronaves seriam montadas no Brasil, mas brasileiros estariam envolvidos em todas as etapas da construção dos 36 caças.[63]

Em 22 de novembro de 2016, foi inaugurado o Centro de Projetos e Desenvolvimento, para a montagem e testes finais dos caças na unidade Embraer Defesa e Segurança, divisão da Embraer localizada na cidade de Gavião Peixoto. O projeto prevê a montagem e testes de 36 aeronaves, entre 2019 e 2024.[64]

Em 15 de junho de de 2017, foi realizado no aeródromo da Saab em Linköping, Suécia, o primeiro voo de teste da nova versão da aeronave, que equipará as forças aéreas brasileira e sueca. O voo teve a duração de quarenta minutos, tendo o desempenho sido satisfatório, igual às simulações que haviam sido feitas.[65]

Suíça[editar | editar código-fonte]

Em 18 de maio de 2014[66] a Suíça realizou um referendo para a aquisição dos caças JAS -39 Gripen, proposta rejeitada pela população, tornando o Brasil o único cliente externo para a nova geração dos caças. Caso a compra tivesse sido aprovada, seriam 22 unidades a serem encomendadas.[67]

Usuários[editar | editar código-fonte]

Operadores do Gripen em azul (o Brasil ainda aguarda a chegada dos caças encomendados)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Annual Report 2015 (PDF), Embraer, 2015, p. 42, consultado em 5 de setembro de 2016 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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