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Jair Bala

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(Redirecionado de Jair Félix da Silva)
Jair Bala
Informações pessoais
Nome completo Jair Félix da Silva
Data de nasc. 10 de maio de 1943
Local de nasc. Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, Brasil
Morto em 27 de dezembro de 2022 (79 anos)
Local da morte Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Altura 1,80 m
canhoto
Apelido Jair Bala
Informações profissionais
Posição meia e ponta-esquerda
Clubes de juventude
1953–1959 Estrela do Norte
Flamengo
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1960–1962
1963
1964–1965
1965–1966
1967
1968
1969
1970–1971
1972
Flamengo
Botafogo
América-MG
Comercial
Palmeiras
XV de Piracicaba
Santos
América-MG
Paysandu
0014 0000(2)



0021 0000(5)

0012 0000(1)
Times/clubes que treinou
1979
1980
1981
1987–1988
América-MG
Londrina
Comercial
América-MG

Jair Félix da Silva, mais conhecido como Jair Bala (Cachoeiro de Itapemirim, 10 de maio de 1943Belo Horizonte, 27 de dezembro de 2022), foi um futebolista brasileiro, que atuou como meia e ponta-esquerda.[1]

É considerado o maior ídolo do América-MG, do qual também é o 6º maior artilheiro de todos os tempos.[2][3]

O começo de carreira de Jair foi no Estrela do Norte, time de Cachoeiro do Itapemirim, onde começou ainda menino. O responsável foi "Seu" Zezinho, que até hoje é homenageado pelo clube. A mãe, D. Maria da Conceição, queria que Jair trabalhasse na Ferrovia Leopoldina como o pai e o avô. Mas ele nunca quis nada com o pesado, disse certa vez em entrevista. Do pai Zózimo Félix da Silva, conhecido como "Seu" Batata e craque do time amador da ferrovia, acabou herdando a habilidade com a bola. Jair foi levado para o Flamengo pelas mãos do treinador Manuel Fleitas Solich após um amistoso da equipe do interior capixaba com o rubro-negro carioca, ainda no início dos anos 1960. Lá atuou como juvenil mas convivia com craques como Dida e Gérson. O 10 da Gávea, que mais tarde passaria a camisa para Zico, era amigo e confidente.

O apelido de "Bala" vem dessa época. Segundo o próprio Jair, certa vez ele foi ao escritório das categorias de base atrás de um "bicho", gíria no futebol para dinheiro. Chegando lá, encontrou o funcionário Willian, a quem fez o pedido. Por brincadeira, fingindo tentar fazer o menino mudar de ideia, Willian empunhou uma arma de fogo que estava na gaveta da mesa da sala, de propriedade do dirigente Jaime de Almeida. Não imaginava que estivesse carregada e chegou a apontá-la para Jair. Ao abaixar o armamento, houve um disparo acidental. A bala ricocheteou no chão e foi entrar na coxa esquerda do jovem ponta de lança, parando na virilha. Felizmente, não atingiu nenhuma parte vital.[3][4] Os médicos acharam por bem não retirar o projetil, que Jair carregou até o fim da vida dentro do corpo, em local ignorado. Foi então que virou o Jair "da Bala" e, posteriormente, Jair Bala.

Em 1963, ele se transferiu para o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos, onde assinou o primeiro contrato como profissional, ganhando cerca de Cr$ 4 mil de ordenado. A elegância e o fino-trato com a bola lhe valeram as primeiras crônicas do jornalista Nelson Rodrigues na coluna "À sombra das chuteiras imortais" naquele mesmo ano. Em um de seus textos, Nelson deu tom poético à bala que Jair carrega no corpo e no apelido: "(...)se Jair fosse simplesmente Jair, estaria apodrecendo na obscuridade. À toda hora, em toda parte, nós esbarramos, nós tropeçamos num Jair qualquer.(...) Contra o Madureira, o nosso Jair se disparou realmente como um tiro. Desde o primeiro minuto, foi uma arma apontada para o peito do inimigo. E todos percebemos, em General Severiano, que nunca um Jair fora tão bala. É a autenticidade dos apelidos, que nunca existe nos nomes (...)" . Jair também foi personagem em vários textos de Roberto Drummond, Fernando Brant e outros cronistas importantes.

Iniciou sua trajetória pelo América-MG em 1964 e logo em seu primeiro ano de clube, foi o artilheiro do Campeonato Mineiro[2] (o último da Era-Estádio Independência).

Foi contratado pelo Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto/SP em 1965, quando os dirigentes investiram 50 milhões de cruzeiros, uma alta transação que não era vista em clubes do interior.[5][6] Jair Bala integrou elenco do Comercial que disputou título do Paulistão de 1966 e goleou o arquirrival Botafogo-SP por 5x0.[6] Em pouco tempo Jair Bala virou ídolo da torcida comercialina e foi vendido ao Palmeiras por 90 milhões de cruzeiros.[5]

Fez parte do Palmeiras nos tempos da Academia de Ademir da Guia, participando de 21 jogos em 1967[7], marcando 5 gols e sendo campeão do Torneio Roberto Gomes Pedroza daquele ano.[8]

A vida de desportista foi de cigano, mas sempre como destaque pelas equipes por onde passou. Jair Bala teve rápidas passagens pela Ponte Preta de Campinas/SP, Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes e do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba/SP.

Em 1969, defendeu o Santos.[9] Sua estreia aconteceu em vitória do Santos por 3 x 1 contra o Coritiba, com dois gols de Pelé.[9] Ele substituiu o "rei" após o milésimo gol na partida contra o Vasco da Gama, no estádio do Maracanã, em 19 de novembro de 1969.[9][10][11][12] No jogo anterior, contra o Bahia, marcou o único gol santista no empate em 1 x 1, que poderia ter antecedido a festa.[13] Na época, Pelé declarou que Jair era seu companheiro ideal para o ataque. Apesar do apoio, ele acabava entrando em campo (quando entrava) só depois de o jogo começar.

Retornou ao América, onde foi campeão mineiro em 1971[2], num plantel que é até hoje considerado o melhor formado pelo "Coelho", ao lado de Pedro Omar, Juca Show, Misael, Cândido, Zé Carlos Generoso entre outros.[14] Pelo clube, tem 78 gols marcados[2] em 144 jogos.[3][13]

Outro grande momento na carreira de Jair foi atuando pelo Santos.

Jogou também pelo Esporte Clube Bahia e encerrou a carreira como jogador no Paysandu Sport Club nos anos 1970.

Treinador

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Jair Bala também fez carreira como treinador. Esteve à frente de diversas equipes do futebol mineiro (a estreia foi no Sete de Setembro Futebol Clube) e foi Campeão Brasileiro da Segunda Divisão (conhecida na época como Taça de Prata) dirigindo o Londrina Esporte Clube em 1980[13][15].

Como treinador, comandou o América em 1979 e na temporada de 1987 e 1988, sendo até hoje o terceiro técnico que mais esteve à frente do time americano, com 232 jogos.[2][13]

Reconhecimento

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É considerado o maior ídolo do América-MG, pelo próprio clube.[2] Na década de 1990, ele foi eleito o maior jogador americano em todos os tempos por uma enquete do jornal Estado de Minas. Em abril de 2022, foi eleito para a "Seleção do Coelhão", resultado da eleição por voto popular na internet da seleção dos maiores jogadores da história do América.[14]

O contorno de seus pés está gravado em cimento no hall da fama do estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

Como jogador

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Palmeiras[8]
América Mineiro

Como treinador

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Londrina[15]

Artilharias

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Vida pessoal

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Jair Bala era casado com Sônia Albano, com quem teve três filhos. Um deles, Jair Albano Félix, é ex-árbitro de futebol[17] e, desde dezembro de 2011, era o diretor de futebol do América/MG. Jair e Dona Sônia tiveram ainda Sabrina e Sandrelle, e têm a sobrinha Veruska como filha-de-criação.

Jair Bala foi fundador e atuou na Associação dos ex-jogadores do América/MG, a primeira do país a representar atletas que pararam de jogar. Trabalhou como funcionário público na Prefeitura de BH e fazia participações eventuais no programa Alterosa Esporte, da TV Alterosa, emissora afiliada do SBT em Minas Gerais[2][3][13]. Era um dos representantes do América (cobrindo a ausência do titular Otávio Di Toledo) na Bancada Democrática do programa.[2]

Ficou marcado pelo jeito "boleiro", autor de frases engraçadas. Entre elas: "O amor é lorota: o que vale é la nota.".

Nos seus últimos anos, teve várias internações em decorrência de infecção nos pulmões. Enfrentava problemas de saúde e sofreu um AVC nas últimas semanas de vida, vindo a falecer em 27 de dezembro, em Belo Horizonte.[2][3][5][11][12][13][18][19][20]

Referências

  1. «Que fim levou? JAIR BALA... Ex-meia-atacante do Flamengo, América, Palmeiras e Santos». Terceiro Tempo. Consultado em 28 de julho de 2023 
  2. a b c d e f g h i «Comunicado Oficial - Jair Bala». www.americafc.com.br. Consultado em 26 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2022 
  3. a b c d e f Superesportes (27 de dezembro de 2022). [https://www.mg.superesportes.com.br/app/noticias/futebol/america-mg/2022/12/27/noticia_america_mg,3984715/morre-jair-bala-maior-idolo-da-historia-do-america.shtml «Morre Jair Bala, maior �dolo da hist�ria do Am�rica»]. Superesportes. Consultado em 26 de novembro de 2025  replacement character character in |titulo= at position 24 (ajuda)
  4. Miranda, Edivaldo (27 de dezembro de 2022). «Entenda a origem do apelido de Jair Bala, ídolo do América | O TEMPO». Consultado em 26 de novembro de 2025 
  5. a b c «Morre aos 79 anos Jair Bala, ídolo do Comercial na década de 60 - ACidade ON Ribeirão Preto». 27 de dezembro de 2022. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  6. a b «Jair Bala integrou elenco do Comercial que disputou título do Paulistão de 1966 e goleou rival». ge. 27 de dezembro de 2022. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  7. Marques, Wagner Luiz (28 de setembro de 2012). Sociedade Esportiva Palmeiras. [S.l.]: Clube de Autores. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  8. a b «Jair Bala - Palmeiras - Almanaque do Verdazzo». Consultado em 26 de novembro de 2025 
  9. a b c «Almanaque Dos Craques Do Santos FC | PDF | Clubes de Futebol | Futebol». Scribd. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  10. Superesportes (27 de dezembro de 2022). [https://www.mg.superesportes.com.br/app/noticias/futebol/america-mg/2022/12/27/noticia_america_mg,3984726/jair-bala-substituiu-pele-no-santos-em-jogo-do-milesimo-gol.shtml «Jair Bala substituiu Pel� no Santos em jogo do mil�simo gol»]. Superesportes. Consultado em 26 de novembro de 2025  replacement character character in |titulo= at position 25 (ajuda)
  11. a b Lance!. «Morre Jair Bala, ídolo do América-MG e substituto de Pelé após milésimo gol - Lance!». Morre Jair Bala, ídolo do América-MG e substituto de Pelé após milésimo gol - Lance!. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  12. a b «Morre Jair Bala, ídolo do América-MG, aos 79 anos». O Globo. 27 de dezembro de 2022. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  13. a b c d e f Miranda, Edivaldo (27 de dezembro de 2022). «Morre Jair Bala, um dos maiores jogadores do América | O TEMPO». Consultado em 26 de novembro de 2025 
  14. a b Sports, O Tempo (27 de dezembro de 2022). «Jair Bala está na seleção do melhor time de todos os tempos do América | O TEMPO». Consultado em 26 de novembro de 2025 
  15. a b «Jair Bala se mostrou um grande comandante». www.londrinaesporteclube.com.br. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  16. Dressler, José Manoel (8 de outubro de 2025). Almanaque dos Artilheiros. [S.l.]: Viseu. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  17. "Assistente de Cruzeiro x Atlético-MG revela que sofreu ameaças", UOL Esporte, 23/02/2010
  18. «Morre Jair Bala, ídolo do América-MG, aos 79 anos». Globo Esporte. 27 de dezembro de 2022. Consultado em 28 de julho de 2023 
  19. Povo, Correio do (27 de dezembro de 2022). «Morre aos 79 anos Jair Bala, ex-jogador e ídolo do América-MG». Correio do Povo. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  20. «Morre Jair Bala, ex-jogador do América-MG, aos 79 anos - Jogada». Diário do Nordeste. 28 de dezembro de 2022. Consultado em 26 de novembro de 2025 

Precedido por
Procópio Cardoso
Técnico do Cruzeiro
1986
Sucedido por
Carlos Alberto Silva
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