John Eccles

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura o compositor inglês, veja John Eccles (compositor).
John Eccles Medalha Nobel
Neurofisiologia
Nacionalidade Austrália Australiano
Nascimento 27 de janeiro de 1903
Local Melbourne
Morte 2 de maio de 1997 (94 anos)
Local Locarno
Atividade
Campo(s) Neurofisiologia
Prêmio(s) Medalha Real (1962), Nobel prize medal.svg Nobel de Fisiologia ou Medicina (1963)

John Carew Eccles (Melbourne, 27 de janeiro de 1903Locarno, 2 de maio de 1997) foi um neurofisiologista australiano.

Foi agraciado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1963, por realizar pesquisas sobre o mecanismo dos impulsos nervosos e seu modo de transmissão.

Formação académica[editar | editar código-fonte]

Formado em medicina pela Universidade de Melbourne, cedo se interessou pelos mistérios da interacção entre o corpo e a mente. Por isso quis especializar-se em neurociência, com que se graduou em 1925. Foi premiado com uma bolsa de Rodes para estudar com Charles Scott Sherrington no Magdalen College da Universidade de Oxford, onde se doutorou. De 1952 a 1962 ensinou na Universidade Nacional da Austrália, depois de ter passado pela Universidade de Otago, Nova Zelândia, onde ensinou.

Actividade científica[editar | editar código-fonte]

A actividade que Eccles desenvolveu juntamente com a sua equipa mereceu o Prémio Nobel em Fisiologia e Medicina, em 1963. Foi pioneiro no estudo das sinapses ao nível do sistema nervoso periférico, diferenciando as sinapses motoras das sensitivas. Distinguindo os potencias pós-sinápticos excitatórios dos potenciais pós-sinátpticos inibitórios. Ao contrário do que pensava inicialmente, os estudos efectuados no seu laboratório demonstrou que a actividade neuronal não era apenas física, mas também química. Elucidou o papel da acetilcolina como um neurotransmissor.[1] [2]

Em 1964 foi trabalhar para os Estados Unidos, em Chicago. Mas descontente com as condições que aí encontrou, deixou Chicago e foi ensinar para a Universidade de Búfalo. Em 1975 aposentou-se e foi viver para a Suíça, em Lucarno, onde faleceu em 1997 com 94 anos.

Biofísica aplicada nas pesquisas[editar | editar código-fonte]

A pesquisa de John Eccles sobre sinapses e seus mecanismos, abordando o sistema nervoso, trouxe a mecânica envolvida no sistema, que para ele explicaria os problemas e a conexão entre cérebro e mente. Sendo um dos pioneiros no estudo experimental do mecanismo de sinapses e na organização de neurônios do sistema nervoso. Em sua pesquisa, John Eccles com a ajuda Sherrington (1925), propôs que o mecanismo de sinapses se assemelharia ao sistema elétrico. Assim, Eccles junto com D Denny-Brown introduziu em sua pesquisa um estudo dos efeitos da estimulação elétrica do córtex cerebelar nos reflexos da medula espinhal. Após alguns anos de estudo, as respostas de reflexo como contrações musculares foram medidas por um miógrafo isométrico óptico, cujo desenho foi melhorado após Eccles descobrir que a fricção (atrito) nos rolamentos do aparelho distorcia os registros.

Em 1928, Eccles junto com Sherrington ingressaram em uma série de experimentos. A primeira experiência levou a descoberta de duas populações distintas, com base no diâmetro de fibras motoras dos nervos periféricos musculares. Sherrington e Eccles também analisaram a evolução no tempo do “estado excitatório central”, o qual Sherrington tinha proposto antes a excitação dos neurônios motores por descargas elétricas na medula espinhal e também do ativo “estado inibitório central” associado com os reflexos causados pelas descargas nos nervos musculares contralaterais. Contudo, as últimas observações não deram suporte para a teoria proposta em que os resultados das inibições dos reflexos resultam de interferências com o acesso dos impulsos excitatórios na coluna. Os experimentos terminaram no início de 1931. Eccles voltou a estudar a transmissão sináptica em 1935, em que aceitou que a acetilcolina (ACh) liberada pelos impulsos pré-sinápticos foi o mediador químico para a excitação lenta, o fracasso da inibição de fisostigmina esterase ACh para prolongar a componente rápido de respostas ganglionares reforçou suas dúvidas de que o processo excitatório rápido poderia ser químico. Assim, ele introduziu o conceito de uma resposta rápida ' detonador ', responsável pela ação de impulsos pré-sinápticos que excitam as células das regiões sinápticas, causando a descarga nas células ganglionares. Esta proposta foi estendida para excitação sináptica do músculo estriado, do músculo liso e na medula espinhal.

Entre 1953-1955, em colaboração com J. S. Coombs e  P. Fatt, sua pesquisa estava concentrada nas propriedades biofísicas da transmissão sináptica, a pesquisa que o levou a ganhar o Prêmio Nobel. A base conceitual dessas investigações são derivadas principalmente das hipóteses dos mecanismos iônicos da atividade da membrana que tinham sido desenvolvidos pela Hodgkin, Huxley, Katz e Keynes, na Inglaterra. Em 1955 esta fase da investigação foi descrito nas palestras Herter de Johns Hopkins University, e foi publicado em 1957 como a fisiologia das células nervosas. Posteriormente a hipótese iônica da ação sináptica inibitória desenvolvida a partir desse trabalho inicial foi não corroborada apenas em Camberra pelos muitos associados listados nas referências da palestra, mas também em vários outros laboratórios .

A pesquisa de Eccles, parte dela escrita acima, foi um importante componente de muita informação nova e detalhada do sistema nervoso, incluindo a descoberta de vários princípios regentes e mecanismos celulares. Eccles contribuiu para a compreensão do cerebelo e suas estruturas associadas.

Actividade filosófica[editar | editar código-fonte]

O seu interesse pela filosofia relacionava-se com o problema que o apoquentava desde longa data – o problema mente-corpo. Apesar de ser um fervoroso crente no Divino, e um dualista cartesiano convicto, foi um adepto da filosofia de Karl Popper, do qual se tornou amigo, e com o qual trabalhou em conjunto na teoria dos Três Mundos. Ironizava dizendo que era um “trialista”. O Mundo 1 – eram os objectos e estados físicos. O Mundo 2 – eram os estados de consciência. O Mundo 3 – era o conhecimento humano espalhado pelo mundo, literatura, música, arte, ciência, e por aí fora. [3]

Referências

  1. John Eccles – A evolução do cérebro. Instituto Piaget, 1995.
  2. John Eccles – Cérebro e consciência. Instituto Piaget, 2000.
  3. Karl Popper and John C Eccles – The self and its brain.Routledge, 1984 (em ingles).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Wilfrid Le Gros Clark e Cecil Frank Powell
Medalha Real
1962
com Subrahmanyan Chandrasekhar
Sucedido por
Herbert Harold Read e Robert Hill
Precedido por
Francis Crick, James Watson e Maurice Wilkins
Nobel de Fisiologia ou Medicina
1963
com Alan Hodgkin e Andrew Huxley
Sucedido por
Konrad Bloch e Feodor Lynen


Ícone de esboço Este artigo sobre um médico é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.