Museu Nacional Grão Vasco

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Museu Nacional Grão Vasco
Tipo Galeria de arte
Local histórico
Visitantes 80.241 (2014)[2]
Administração
Diretor(a) Paula Cardoso
Geografia
Coordenadas 40° 39' 36.55" N 7° 54' 39.70" O
Localidade Palácio dos bispos
Cidade Viseu
País Portugal Portugal

O Museu Nacional Grão Vasco está localizado no centro histórico de Viseu, no antigo palácio dos bispos, do século XVI, ao lado da catedral.

Em nada surpreende que o pintor Vasco Fernandes, celebrizado no decurso dos séculos com o epíteto Grão Vasco, seja a referência maior, na designação e nos conteúdos, do museu de Viseu. Fundado a 16 de Março de 1916, justamente com a finalidade de preservar e valorizar “os valiosos quadros existentes na Sé de Viseu (...) o tesouro do cabido da Sé, além doutros objetos de valor artístico ou histórico”, o Museu Nacional Grão Vasco (MNGV) teve nas dependências da Catedral, sensivelmente até 1938, o seu primeiro espaço.

A Francisco de Almeida Moreira, seu fundador e diretor, deve-se a ampliação das coleções, bem como a conquista progressiva das galerias do edifício contíguo à Catedral, o Paço dos Três Escalões, que à data da fundação do museu acolhia ainda diversos serviços públicos.

A coleção principal do Museu é constituída por um conjunto notável de pinturas de retábulo, provenientes da Catedral, de igrejas da região e de depósitos de outros museus, da autoria de Vasco Fernandes (c. 1475-1542), o Grão Vasco, de colaboradores e contemporâneos. O acervo inclui ainda objetos e suportes figurativos originalmente destinados a práticas litúrgicas (pintura, escultura, ourivesaria e marfins, do Românico ao Barroco), maioritariamente provenientes da Catedral e de igrejas da região, a que acrescem peças de arqueologia, uma coleção importante de pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, exemplares de faiança portuguesa, ourivesaria, porcelana oriental, numismática e mobiliário.

Coleções[editar | editar código-fonte]

Pintura[editar | editar código-fonte]

Uma das virtualidades da coleção de pintura deste museu é a de permitir enunciar os principais momentos, movimentos e protagonistas da história da pintura portuguesa.

Com o objetivo de mostrar a obra do pintor Vasco Fernandes, o Grão Vasco, que se encontravam na sacristia da Sé de Viseu, que após reforma do altar-mor da catedral e das capelas laterais para ali foram deslocadas, é fundado o Museu Grão Vasco através da perseverança de Almeida Moreira, seu primeiro diretor.

Depois deste núcleo outras obras de artistas da região vieram juntar-se às obras maiores do período dos “Primitivos portugueses”, com o recurso a pontuais aquisições e pedidos de depósito, designadamente ao Museu Nacional de Arte Antiga.

A forma esclarecida com que o primeiro diretor deste Museu organiza esta coleção a partir do inestimável valor do conjunto da pintura renascentista, que teve redobrados cuidados sendo mobilizado por elevados critérios de escolha das obras dos séculos XVII a XX, pretendendo assim criar um acervo museográfico abrangente, que permitisse a possibilidade de incorporar peças de valor relevante de pintura de épocas posteriores, para as colocar cerca das de Vasco Fernandes. Tendo mesmo, em 1917, recebido o primeiro conjunto de obras provenientes do Museu Nacional de Arte Contemporânea, ampliado através de aquisições em salões, leilões e diretamente aos artistas, constituiu assim uma interessante e significativa coleção de pintura do século XIX-XX.

Escultura[editar | editar código-fonte]

Da expressiva coleção de escultura, e de cronologia mais recuada, designadamente dos séculos XIII, XVI e XV, o coleção permite, com alguma exemplaridade, evocar o vasto reportório iconográfico cristão da Idade Média.

A escultura em pedra dominara a produção a partir das oficinas de Coimbra, o Cristo Ressuscitado, do século XV, saída destas oficinas, de surpreendente beleza física, e a dimensão humanista desta figuração é sem dúvida representativa da interpretação da espiritualidade dos últimos séculos da Idade Média.

A coleção inclui um vasto conjunto de imagens sacras dos séculos XVII e XVIII, que permitem colocar em destaque as características essenciais da produção artísticas destas centúrias.

A renovação da escultura de vulto em Portugal dá-se por via da atividade de escultores italianos e franceses na primeira metade do século XVIII. A um dos principais escultores estrangeiros que se fixou em Portugal no período pedrino-joanino, o francês Claude Laprade, o cabido da sé de Viseu encomendou três esculturas para os retábulos laterais – duas ainda in situ – e a escultura de Santa Ana e a Virgem, executada em 1723, apeada anos depois, Ainda deste período, assinala-se a presença de inúmeras imagens de vulto pleno, de santos bispos e de santas franciscanas e mártires, da produção de oficinas lisboetas, provenientes, na sua maioria, das extintas congregações religiosas da capital.

Cerâmica[editar | editar código-fonte]

A coleção de cerâmica, uma das mais numerosas e diversificadas do acervo do museu, constitui a expressão visível do colecionismo português de finais do século XIX e primeiras décadas do século XX, quando a moda e o gosto vigentes conduziram à formação das principais coleções privadas deste tipo de objetos, especialmente fomentada quando os museus, num plano institucional, lhe dão acolhimento e expressão.

As coleções de cerâmica do MNGV são essencialmente de três tipos: porcelanas orientais, faiança portuguesa e cerâmica europeia.

As faianças da coleção do séc. XVII, produzidas em oficinas portuguesas, evocam a Expansão Portuguesa no Oriente, recorrendo, muitas vezes, à imitação de modelos decorativos chineses, ou recorrendo à típica pintura de azul e branco, tão conhecida através das porcelanas Ming.

Nela ressaltam algumas faianças brasonadas, recipientes de farmácia e um raro busto-relicário.

Os exemplares de porcelana oriental, de diversa tipologia, são peças emblemáticas do muito

Desenho[editar | editar código-fonte]

Valiosa coleção de desenhos de inquestionável qualidade artística, inscritos no universo temporal que vai do séc. XVIII à 2.ª metade do séc. XX

Sobre a temática abrangente do “Corpo”, constam estudos de pormenor de figura até ao desenho acabado, desvelando as linguagens e coreografias do corpo, nu ou habitado.

Sobre o “Sagrado e o Profano”, os desenhos do MNGV ilustram ambas as tendências, com a continuidade de temas seculares até às composições mundanas, no decurso do séc. XIX e XX.

Para o século XVIII, o discurso iconográfico encena-se em torno das imagens humanizadas de Maria, de santos, apóstolo e anjos. Os desenhos preparatórios de fundamento religioso para obras de vulto são da mão de Vieira Lusitano e têm um caracter essencialmente descritivo. Os desenhos acabados de composição ou autónomos encontram em Domingos Sequeira o derradeiro fôlego de significado teológico.

A “Paisagem e narrativa”, nesta coleção vislumbram-se os contornos e a forma de um novo sentimento estético pela mão de Tomás da Anunciação, que transcreve num expressivo desenho elementos que habitam a natureza: animais e homens.

O “Retrato”, o destaque vai para os desenhos de Columbano – que obteve fama de exímio retratista, tendo recebido e executado numerosas encomendas de clientes e personalidades ilustres do seu tempo – ainda que sejam estudos acabados para uma obra de vulto, e que tenham sido feitos na ausência do modelo vivo, conseguem reproduzir com fidelidade e vigor as personagens, captando na ficção do retrato a presença do modelo.

Com António Carneiro rompe-se definitivamente com o retrato de género de compleição convencional. Trata-se do registo íntimo do retratado em que o artista pretende comunicar a plausibilidade psicológica e a carga emocional do sujeito penetrando na sua essência, são testemunhos de uma relação de cumplicidade entre o artista e o modelo.

Ourivesaria[editar | editar código-fonte]

A coleção de pratas compõe-se de peças de uso e de aparato (século XVII ao século XX). Nesta destacam-se as lavandas, peças gravadas com os brasões de família e outras insígnias de posse, sendo especialmente importante o conjunto peças de uso cerimonial, provenientes de Itália, outrora pertencentes ao Bispo de Viseu D. Júlio Francisco de Oliveira (1740-1765), compostas por dois cálices litúrgicos, uma caixa de hóstias, três salvas e um aguamanil.

Mobiliário[editar | editar código-fonte]

A coleção de mobiliário é constituída por um significativo número de peças que integra exemplares de diversas tipologias, num universo cronológico que vai desde o século XVII até à segunda metade do século XX. Revelam o gosto requintado de fidalgos de província e a sumptuosidade dos paços eclesiásticos.

O mobiliário civil português está amplamente representado com os três grandes estilos que marcaram o século XVIII em Portugal, designadamente “D. João V”, “D. José” e “D. Maria I”, que permitem identificar algumas soluções técnicas, morfológicas e estéticas, numa época particularmente criativa e recetiva de grandes influências estrangeiras.

Metais[editar | editar código-fonte]

Esta coleção tem particular importância pela presença de um significativo conjunto de alfaias de culto, com destaque para as cruzes processionais do séc. XIV ao séc. XVI, uma caldeirinha em cobre do séc. XVI e pratos de oferendas do séc. XV, de latão, obras das oficinas de Nuremberga.

Numismática[editar | editar código-fonte]

A integração desta importante coleção de numismática ocorre com a incorporação do Legado de José Nogueira Lobo, em 1932, recentemente ampliada com o Legado de Pereira da Gama.

O mais antigo espécime, de bolhão, desta coleção foi cunhado no reinado de D. Sancho I, rei de Portugal de 1185 a 1211 e percorre todos os períodos da monarquia portuguesa atá à implantação da república.

Têxteis[editar | editar código-fonte]

Pela sua natureza, aliada a razões de conservação e condições peculiares de exposição, este conjunto tem permanecido em reserva. Objetos tão diversos como tapetes, indumentária religiosa, alfaias litúrgicas, colchas, fragmentos de tecidos, etc.

A maioria da coleção de têxteis do museu está ligada à indumentária de aparato litúrgico. A importância atribuída a determinadas peças de paramentaria, não apenas enquanto meio de distinção ou identificação, mas sobretudo na sua condição de suporte figurativo, através do bordado, encontra-se em algumas peças de grande significado artístico.

Com a presença de um pano de armar bordado a seda, proveniente da China e datável do séc. XVII, alarga-se o âmbito artístico e geográfico desta coleção.

Vidro[editar | editar código-fonte]

A constituição desta coleção é na sua maioria de objetos de uso doméstico de meados do século XX, produzidos nas fábricas da Marinha Grande, que conjugam formas inovadoras e de inúmeras tonalidades.

Destaque para as peças de Jorge Barradas (1897-1971), datadas de 1930, produzidas na Marinha Grande, que acompanham uma tendência de reprodução e recriação de motivos portugueses, que já vinha sendo desenvolvida desde o início da década de 1920. Entre muitos outros artistas, a decoração do vidro pintado a esmalte, produzido na Marinha Grande, durante as décadas de 1940 e 1950, refletiu precisamente essas temáticas, evocando tradições regionais e nacionais através de aspetos do artesanato e do folclore de Portugal.

Gravura[editar | editar código-fonte]

A coleção de gravura do museu é constituída por c. de 50 obras. Destaque para as obras de Angélica Kauffman, produzidas pelo notável gravador Francesco Bartolozzi (Florença, 1727 – Lisboa, 1815).

Uma referência especial para a obra “Patrulha de reconhecimento na terra de ninguém” de Adriano de Sousa Lopes enquanto oficial-artista do Corpo Expedicionário Português e o único pintor oficial do Exército em França nos anos de 1917 e 1918, com a missão de documentar a participação portuguesa na frente ocidental, que produziu no rescaldo do conflito. Fazem parte ainda desta coleção obras de José Contente, que se notabilizou no campo do desenho e da gravura, e uma interessante série de gravuras sobre Alfama de Attila Mendly De Vetyemy.

Espólio documental[editar | editar código-fonte]

Reúnem-se neste arquivo cerca de 1.300 documentos, 17 livros manuscritos e 4 selos avulsos, abarcando uma cronologia que se estende dos séculos XIII ao XX, na sua maioria provenientes do cartório do cabido da Sé de Viseu.

Parte deste valioso património documental, que, contrariamente ao previsto, não transitou para o recém-criado Arquivo Distrital de Viseu (janeiro de 1932), foi dado a conhecer em 1955, quando o tenente e musicólogo Manuel Joaquim trouxe a público a notícia de um conjunto de cartas-missivas quinhentistas, de dois Antifonários e de um livro setecentista de cópia dos antigos privilégios do cabido, avançando desde logo com uma meritória tentativa de inventário de um conjunto de pergaminhos.

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

Embora a coleção de arqueologia do MNGV não seja uma coleção de valor excecional, possui no entanto algumas peças bem importantes. É o caso de um fragmento de uma ara votiva, cuja proveniência se desconhece, que é o resultado da expressão da devoção popular a uma divindade indígena pré-romana da região de Viseu, COSEI, até agora desconhecida, vindo a estender mais a sul o culto a esta divindade, até então conhecida em castros do norte do país e da Galiza. Outra obra da coleção que prova uma vez mais o sincretismo entre as religiões romana e indígenas é uma ara votiva com inscrição romana datável séc. II, de Cavernães, com a seguinte tradução: Lúcio Valerio Caturo levantou (esta ara) ao deus Lurúnio (em cumprimento do voto) do pai, Sateilo, muito agradecido. A primeira notícia sobre as inscrições de Cavernães é-nos fornecida por Manuel Botelho Ribeiro Pereira na sua obra “Diálogos Morais e Políticos” (escritos entre 1630 e 1636), depois dele outros autores se interessaram nomeadamente Frei Agostinho de Santa Maria, esta ara não vem descrita e não se sabe quando deu entrada no Museu.

Localização[editar | editar código-fonte]

Configurando uma das alas da Praça do Adro, o emblema maior do valor patrimonial da cidade de Viseu, o Paço dos Três Escalões é um extenso e imponente maciço granítico que não tem, na forma e na escala, qualquer paralelo na cidade. Singular na relação entre sobriedade e monumentalidade, sobretudo pela fachada Norte, bem mais extensa e elevada sobre enormes rochas graníticas, desenvolve-se interiormente em longas galerias, onde pontuam ainda, apesar dos diversos tipos de utilização e das profundas alterações de que foi objeto no decurso do tempo, diversos elementos originais, incluindo os fogões-de-sala classicistas.

O edifício, construído no local da antiga residência episcopal, o Paço dos Três Escalões destinou-se, na origem, a seminário ou colégio para a formação do clero. Uma lápide comemorativa certifica que as obras tiveram início a 6 de Junho de 1593, prolongando-se pela primeira metade do séc. XVII. Embora se desconheça a autoria do projeto original, é provável que se deva a um arquiteto de origem castelhana, à semelhança do que sucedeu com o da atual fachada da Catedral, encomendado ao salamantino João Moreno.

O projeto do Arquiteto Eduardo Souto Moura, que entre 2001 e 2003 libertou o interior dos muitos elementos apostos e desvirtuantes, e adaptou-o às exigências de um programa museológico novo.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Referências

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