Porsche 912

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Porsche 912
Visão Geral
Produção 19651969
Fabricante Porsche
Ficha técnica
Motor 1.6; 2.0
Cronologia
Último
Porsche 914
Próximo

O Porsche 912 é um carro esportivo fabricado como modelo de entrada pela Porsche na Alemanha entre 1965 e 1969. Compacto de quatro lugares, o 912 entregava 90 cv (SAE) a 5800 rpm, sendo capaz de manter um consumo de até 7,8L/100km (padrão europeu) ou 12,82km/L (padrão brasileiro). Essa combinação se deve a um motor a gasolina altamente eficiente, baixo peso e baixo arrasto. Variante mais barata do 911, um dos esportivos mais bem-sucedidos de todos os tempos, o 912 vendeu mais nos primeiros anos, aumentando a produção total da Porsche até que o sucesso do 911 estivesse assegurado.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1963, preocupados com o aumento de preço do novo modelo equipado com um boxer de seis cilindros, o 911, os executivos da Porsche decidiram introduzir um novo modelo de entrada, que viria a substituir o 356. Como o 911 (codinome interno 901), o novo modelo de quatro cilindros era conhecido em Zuffenhausen como 902, denominação que nunca chegou a ser usada publicamente (mais tarde, 912 seria o código interno para o desenvolvimento de um boxer de 12 cilindros, que equiparia o Porsche 917).

O encarregado de desenvolver o novo motor de quatro cilindros foi Dan Scwartz, mais tarde Gerente-chefe do Departamento de Desenvolvimento Mecânico. O novo motor utilizaria componentes do seis-cilindros 901, que teria melhor performance que o motor 356SC mas ainda seria mais barato e mais simples que o motor Carrera 2. Outra proposta, de Claus von Rücker, era ampliar o deslocamento do motor 616 do 356 para 1,8 litros, modificando os sistemas de vávulas e refrigeração e adicionando um sistema de injeção de combustível. Diante dos custos e do tempo de desenvolvimento desses projetos, a Porsche desistiu e partiu para uma terceira opção: adaptar o motor 616 de 1,6 litros ao 902.

Antes do início da produção do 911, em 1964, a Porsche reservou os números de chassi 13328, 13329, 1330, 13352 e 13386-13397 para o desenvolvimento dos protótipos do 902. O chassi 13394 é o mais antigo 902 existente hoje. Na forma de produção, o 912 combinava o chassi e a carroceria do 911 com o motor tipo 616/36, um quatro-cilindros de 1,6-litros baseado no 616/16 usado no 356SC entre 1964 e 1965. Com uma taxa de compressão menor e novos carburadores Solex, o 616/36 produzia cinco cavalos a menos que o 616/16, mas entregava o torque máximo já em 3500 rpm, em comparação com as 4200 rpm do antecessor. Comparado ao 911, o 912 apresentava melhor distribuição de peso, melhor dirigibilidade e mais autonomia. Para aproximar o preço do 356, o 912 foi produzido com menos itens de série que o 911.

Assim que a produção do 356 foi encerrada em 1965, a Porche começou a fabricação do 912 cupê em 5 de abril daquele ano. A combinação de estilo, performance, qualidade de construção, confiabilidade e preço tornaram o 912 uma compra bastante atrativa, e nos primeiros anos as vendas do modelo superaram as do 911.  Durante os cinco anos de produção, foram feitos aproximadamente 30.000 cupês 912 e cerca de 2500 912 Targa.

Variante semi-conversível, com teto parcialmente removível, o modelo Targa foi produzido em duas fases: a primeira, oficialmente chamada Version I e introduzida em dezembro de 1966 como modelo 67, caracteriza-se pelas janelas traseiras de plástico transparente, que podiam ser abertas por meio de zíper; a segunda fase ou Version II, lançada em janeiro de 1968, tinha uma janela traseira mais convencional, fixa, de vidro.

Além do Targa, o 912 também tinha uma versão especial, feita para a polícia rodoviária alemã. De fato, o 100.000º. Porsche fabricado foi um 912 Targa encomendado pela polícia de Baden-Würtenberg, o Estado-natal da Porsche.

Em 1969, os executivos da Porsche decidiram que a produção do 912 se tornaria inviável por fatores internos e externos. Internamente, as linhas de produção do 912 haviam sido realocadas para a fabricação do 914-6, versão de seis cilindros do Porsche-Volkswagen 914. Além disso, o 911 agora contava com três versões: o básico 911T, o médio 911E, equipado com injeção de combustível e o topo-de-linha 911S. Influência externa foi a maior regulação de emissões nos EUA. Ferry Porsche teria dito que "seria problemático preparar o 912 para as novas regras de emissões e, com a chegada do 914, teríamos que lidar com três motores diferentes, o que seria demais."

Assim, a produção do 912 foi encerrada em julho de 1969. A partir do ano-modelo 1970, o carro de entrada da Porche seria o 914 de quatro cilindros, que a fábrica esperava ser de produção mais barata. No entanto, a colaboração entre a Porsche e a Volkswagen — que havia projetado o 914 — não se revelou tão bem-sucedida quanto o esperado. Com a necessidade de cortar custos, o 914 foi descontinuado no começo de 1976.

912E[editar | editar código-fonte]

Com a descontinuação do 914, a Porsche ficou sem um modelo de entrada para o mercado norte-americano. Assim, o 912 foi ressuscitado a partir de um protótipo com carroceria do 911S e motor VW-Porsche de quatro cilindros e 2 litros similar ao do último 914/4. O modelo de produção, que começou a ser fabricado em maio de 1975, apresentava a mesma configuração do protótipo, mais um sistema de injeção de combustível.

O 912E ocupou o lugar deixado pelo 914 até a conclusão do desenvolvimento do sucessor deste último, o 924, outro projeto co-desenvolvido pela VW e a Porsche. Após quase 2100 unidades produzidas para o mercado norte-americano, o 912E teve a fabricação encerrada em julho de 1976.

Competições[editar | editar código-fonte]

Embora não tenha sido desenvolvido para uso em pistas e competições de automobilismo, o 912 mostrou-se bem-sucedido nas competições em que tomou parte. Em 1967, o 912 pilotado de maneira independente pelo piloto polonês Sobiesław Zasada contribuiu para a vitória da Porsche no Grupo 1 do Campeonato Europeu de Rally. No Rally da Polônia de 1967, Zasada levou seu 912 nº. 47 ao primeiro lugar de uma prova com 50 competidores.

Mais recentemente, o 912 tem aparecido nas provas de automóveis clássicos. Em 2012, o Porsche 1968 conduzido por Hayden Burvill e Alastair Caldwell terminou em 7º. lugar geral e 1º. de sua classe no Rally Londres-Cidade do Cabo.