Religião na Argentina

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Basílica de Nuestra Señora de Luján em um dia nublado.

Na Argentina, a Liberdade religiosa está garantida pelo artigo 14 da Constituição Nacional, apesar do Estado reconhecer o caráter predominante da Igreja Católica que conta com um status jurídico diferenciado em comparação com as demais religiões. Segundo a Constituição Argentina, artigo 2º, o Estado Nacional deve sustentar e assegurar-la e de acordo com a Código Civil argentino, é legalmente equiparada a uma Entidade Não-estatal de Direito Público. Este regime diferenciado, no entanto, não implica elevar o status do catolicismo romano a religião oficial da República

.[nota 1]

Religião na Constituição Nacional Argentina[editar | editar código-fonte]

A Constituição Nacional Argentina atualmente vigente reconhece desde sua primeira redação em 1954 a liberdade de culto e o reconhecimento da religião como um direito descrito em seu preâmbulo e artigos dogmáticos.

Os artigos que referem-se aos assuntos religiosos são os seguintes:

  • Artigo 2º. O Governo Federal apoia a religião Católica Apostólica Romana.

É uma das principais afirmações da Constituição, estabelece que o Estado apoia financeiramente a Religião Católica Apostólica Romana. No entanto, não obriga ninguém a ser católico.[nota 2]

  • Artigo 14. Lista os direitos dos habitantes argentinos, incluindo o de praticar livremente sua religião, o que significa que cada cidadão argentino tem o direito de expressar e seguir suas crenças. Não obstante, o artigo esclarece que sob as leis que regulam o seu exercício, ou seja, declarando que direitos devem ser regulado por leis, não devendo, nesse ponto, contrariar os outros direitos e da Constituição.
  • Artigo 20. Garante o direito de estrangeiros de exercer livremente o exercício da religião, respeitando as leis que a regulam e a Constituição.

Religiões[editar | editar código-fonte]

Catedral Metropolitana de Buenos Aires.

Segundo estudos realizados pela Conferencia Episcopal Argentina, cerca de 88% dos argentinos foram batizados como católicos romanos[1][2], contudo, a porcentagem de habitantes que se consideram católicos romanos está entre 69% e 78% [3][4]. Ainda, somente 23% dos autoproclamados católicos romanos assistem com frequência o culto católico[5].

Como em outras partes da América Latina, a Igreja Católica na Argentina desenvolveu fortes crenças e procissões em massa a respeito das aparações marianas como o caso da Virgem de Luján[6] na Província de Buenos Aires; do Senhor e Virgem do Milagre na Província de Salta; da Virgem de Itatí[7], na Província de Corrientes e a Vigem del Valle[8], na Província de Catamarca.

A Igreja Evangélica e o Protestantismo conta com um grande crescimento no início do Século XXI, contando com 15 mil templos e 4,5 milhões de seguidores, em média 12% da população nacional, onde a maioria dos fiéis assiste as congregações[9]

O número de fiéis do Islamismo na Argentina é estimado entre 500 e 700 mil adeptos, o que representa cerca de 1,5% da população do país. Deste total, cerca de 160 mil vivem na capital Buenos Aires e arredores, existindo concentrações destacadas nas cidades de Córdoba, Mendoza, Tucumán, Rosario e Santiago del Estero.[10]

Ainda, a Argentina conta com uma população judaica estimada entre 300 e 400 mil adeptos, aproximadamente 1% da população nacional, sendo que a maioria está concentrada na cidade de Buenos Aires e na Província de Entre Rios. Também existindo pequenas comunidades nas cidades de Mendoza, Rosario, Córdoba e Tucumán. Sendo que a Argentina conta com uma das maiores comunidades judaicas da América, sendo atualmente a quarta maior fora de Israel[11][12].

Existem ainda outras minorias religiosas, sobre todas as diversas variantes do cristianismo, entre as que se pode mencionar os Testemunhas de Jeová[13], Mórmons[14] e várias igrejas ortodoxas. Fora do Cristianismo destacam-se o Espiritismo[15] e o Budismo[16]. Do mesmo modo, existem membros da Sociedade Internacional para a Conciência de Krishna, mais conhecida como Hare Krishna, que segundo reportagem do jornal Clarín de 2001 conta com 3 mil seguidores no país[17]; e, na última década, têm crescido o Neopaganismo europeu, em pequenas minorias, com vários grupos em capitais do país, devido a grande quantidade de descendentes europeus e europeus legítimos vivendo na Argentina.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Culto na Cidade de Salta, uma das manifestações mais populares da Argentina; reunindo anualmente mais de 700.000 pessoas.

Em 2008 o CONICET, Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas, realizou pesquisas em diversas regiões da Argentina, ouvindo 2.403 pessoas[18], sendo a média de respostas utilizada como referência para determinar as principais religiões do país, tendo como resultado:Catolicismo: com 76,5%Protestantismo (Pentecostais, Batistas, Luteranos, Metodistas, Presbiterianos, Assembléia de Deus e Igreja Cristã Maranata): com 9%Ateus, agnósticos Testemunhas de jeová: com 1,2% Mórmons: com 0,9% Outras religiões: coml 1,2%

O mesmo estudo determinou que 91,1% dos argentinos acreditam de alguma forma de Deus

Notas

  1. Assim foi o entendimento da Corte Suprema de Justiça Argentina, estabelecendo que o culto Católico Romano não tem a natureza de Religião Oficial do Estado; Villacampa, Ignacio c/ Almos de Villacampa, María Angélica. (folhas 312:122)
  2. Em 1994, com a então reforma constitucional, foi abolido o requisito de ser católico para o Presidente da República Argentina.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]