São Brás de Alportel

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São Brás de Alportel
Brasão de São Brás de Alportel Bandeira de São Brás de Alportel
Brasão Bandeira
SaoBrasDeAlportelVista.JPG
Vista panorâmica de São Brás de Alportel
Localização de São Brás de Alportel
Gentílico São-brasense; Sambrasense
Área 153,37 km2
População 10 662 hab. (2011)
Densidade populacional 69,52 hab./km2
N.º de freguesias 1
Presidente da
Câmara Municipal
Vítor Guerreiro (PS)
Fundação do município 1 de junho de 1914
Região (NUTS II) Algarve
Sub-região (NUTS III) Algarve
Distrito Faro
Antiga província Algarve
Orago São Brás
Feriado municipal 1 de junho
Código postal 8150 São Brás de Alportel
Site oficial www.cm-sbras.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg
— Freguesia —
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Brasão Bandeira
Site oficial www.jf-sbrasalportel.pt
Freguesias de Portugal Flag of Portugal.svg

São Brás de Alportel é uma vila portuguesa no Distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com cerca de 4 700 habitantes.[1]

É sede de um município com 153,37 km² de área[2] e 10 662 habitantes (2011),[3][4] sendo um dos seis municípios de Portugal com uma única freguesia,[5] correspondente à totalidade do território do concelho. É limitado a norte e leste pelo município de Tavira, a sudeste por Olhão, a sul por Faro e a oeste por Loulé.

Pertence à rede das Cidades Cittaslow.

História[editar | editar código-fonte]

São Brás tem sido identificada com o povoado muçulmano referido nas crónicas como Šanbraš (Xanbrache).

A primeira referência documental relativa a Alportel data de 1518, quando era Grão-Mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge, filho ilegítimo do rei D. João II. S. Brás era, então, uma Ermida anexa à Igreja de Santa Maria de Faro. Ainda no reinado de D. João II, S. Brás de Alportel passa para o domínio directo da Coroa, entrando no património da Casa das Rainhas, porque o rei D. Afonso III não confirmou a doação da localidade à Ordem de Santiago, que havia sido feita por D. Sancho II.

Em 1591, o Bispo D. Francisco Cano ordenara que na Igreja de S. Brás se colocasse um sacrário, elemento indispensável para que o templo pudesse ser elevado a igreja matriz. Assim nasceria a freguesia de S. Brás. Em 1601, numa Bula concedida pelo Bispo Fernão Moniz de Mascarenhas, S. Brás é referido já não como templo ou igreja, mas como lugar. Anos antes, desde 1577, os dicionários corográficos chamam-lhe ou freguesia ou lugar. No ano de 1607 dá-se a separação de alguns povoados que hoje pertencem ao concelho, das suas regiões de origem.

A história contemporânea de São Brás de Alportel tem origem em 1912, quando o deputado Machado Santos apresentou ao Congresso um projecto de Lei para a criação do concelho de Alportel, que era então a freguesia rural mais populosa do concelho de Faro (ao qual viria a ser subtraída) e mesmo de todo o País, quer em área, quer em população (na altura rondava os 12 500 habitantes). Machado Santos, que era grande amigo do sambrasense João Rosa Beatriz, empenhou nessa tarefa grandes esforços até que alcançou a concretização dos seus desejos.

Em 1 de Junho de 1914 é publicada no Diário do Governo a elevação a Município da freguesia de S. Brás com a denominação de concelho de Alportel com sede na Aldeia de São Brás, donde a designação de São Brás de Alportel. O primeiro administrador do novo concelho foi o alportense João Rosa Beatriz, que mais tarde foi Cônsul em Marrocos.

A igreja de São Brás remonta, provavelmente, ao século XV. Era um templo de uma só nave, pois era uma capela “curada” anexa a Faro. Após a elevação da localidade a freguesia, nos meados do século XVI, logo se iniciaram as obras de reconstrução do templo. A responsabilidade de edificação do novo templo era da população local, que era então de seiscentas pessoas. A igreja estava praticamente concluída em 1565. Em 1587 o bispo do Algarve, D. Jerónimo Barreto, ordenou que o retábulo da capela-mor fosse dourado e pintado.

O terramoto de 1755 danificou o templo, nomeadamente a ousia que foi derrubada, mas de imediato o prior ordenou a sua reconstrução. Relativamente à talha, somente sobreviveu um retábulo setecentista proveniente da primeira capela do lado da epístola, junto ao cruzeiro. De grande valor é o património escultórico, composto por cerca de vinte imagens dos séculos XVII a XIX, de que se destaca a imagem de S. Libório do século XVIII.

Quando se efectuou a transferência da sede do bispado algarvio de Silves (Portugal) para Faro surgiu a necessidade de construir uma nova residência de Verão para os mais altos membros do clero da diocese.A localidade escolhida foi São Brás de Alportel, sendo os bispos Simão da Gama e D. António Pereira da Silva os responsáveis por grande parte das obras. Apesar do Palácio Episcopal ser só de um andar, era um edifício nobre com capela particular, salas espaçosas, pátio interior, galeria exterior, jardins com lago, fontes e tanques, alamedas arborizadas e floridas, casa de pombal e pomar. Actualmente o edifício está muito descaracterizado.

Em São Brás de Alportel existe também um Museu Etnográfico do Trajo Algarvio, que se encontra instalado na casa António Bentes.

População[editar | editar código-fonte]

Número de habitantes [6]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
6 015 7 760 9 517 11 166 12 111 11 399 10 291 10 694 9 597 9 058 7 540 7 506 7 526 10 032 10 662

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Pela Lei nº 178 [7] , de 01/06/1914, foi separada do concelho de Faro a freguesia de São Brás de Alportel, que passou a constituir um novo concelho sob a designação de Alportel. a sede deste concelho é a na aldeia de São Brás que foi elevada à categoria de vila.

Número de habitantes por Grupo Etário [8]
1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 3 681 3 195 2 986 2 100 1 902 1 335 1 443 1 185 1 411 1 535
15-24 Anos 2 295 2 229 1 853 1 603 1 310 945 892 1 042 1 192 1 001
25-64 Anos 4 254 4 747 4 830 4 644 4 660 3 700 3 669 3 651 5 220 5 743
= ou > 65 Anos 681 740 956 1 106 1 186 1 435 1 502 1 648 2 209 2 383
> Id. desconh 50 31 20

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Economia[editar | editar código-fonte]

No século XIX, São Brás de Alportel tornou-se um importante centro económico. As plantações de sobreiros incentivaram o desenvolvimento comercial e fizeram do município o maior produtor de cortiça de Portugal e do mundo. Esta situação permitiu a independência do concelho de Faro, sendo São Brás de Alportel elevada à categoria de concelho em 1914.

Os sucessivos governos de Lisboa nunca gostaram de uma economia forte no sul do país e desde sempre estiveram interessados que este sector fosse transferido para o interior e Norte do país. Actualmente apenas existe uma empresa transformadora de cortiça e 4 empresas de preparação de cortiça. Na década de '80 existiu uma fábrica de cogumelos, mas esta sem sucesso acabou por fechar as portas.

Os únicos rendimentos provêm da apanha de alfarroba, figo, amêndoa, azeitona e medronho. Relativamente à alfarroba existem 3 intermediários que compram e vendem depois para Espanha juntamente com a amêndoa. Os figos e medronhos vendem-se apenas em duas pequenas indústrias do concelho que apenas funcionam parte do ano. A azeitona apenas pode ser enviada para o único lagar de azeite no concelho ou então para Santa Catarina da Fonte do Bispo, em Tavira.

A economia em São Brás de Alportel é semelhante aos restantes concelhos do interior do país. O maior empregador é o múnicipio e são as pequenas lojas que ainda criam alguns postos de trabalho. No Verão o concelho beneficia de alguma actividade túristica, mas sem praias é apenas um parente-pobre. A falta de indústrias e empresas no concelho leva a que os quadros superiores residentes em São Brás de Alportel têm de ir trabalhar para os concelhos vizinhos, essencialmente Loulé, Faro, Olhão e Tavira ou então vão para Lisboa ou ainda alguns emigram.

Procissão Aleluia[editar | editar código-fonte]

No primeiro quartel do século XVII, a população de São Brás de Alportel começou a realizar a Procissão de Aleluia com todo o esplendor, tornando-se rapidamente numa das mais imponentes procissões do Algarve e a maior festa do concelho. Esta procissão, da Ressurreição, realiza-se na manhã do Domingo de Páscoa, depois da oração de Laudes. A procissão é um mar de tochas floridas e de canto ensurdecedor ao Cristo Ressuscitado.Apesar desta ter sido uma procissão muito popular em todo o Algarve, só continua a ser realizada no concelho de São Brás de Alportel.

As principais ruas da vila são embelezadas por milhares de rosas e flores campestres, dando forma a uma extensa passadeira florida que no Domingo de Páscoa descreve o percurso da Procissão da Aleluia, em São Brás de Alportel. Está já é considerada uma das mais genuínas manifestações culturais de cariz religioso do país.

Este trabalho é feito por muitos dos habitantes da vila, que se dedicam durante as semanas anteriores e toda a noite e madrugada de domingo, para que, na manhã de Páscoa, tudo esteja perfeito.

Os homens levam nas mãos tochas floridas e formam duas alas a abrir a procissão.

A explicação religiosa para o facto de serem só homens a erguer as tochas na frente da procissão, assenta na ideia de que as confrarias, o grupo que vai à frente do pálio, serem compostas apenas por homens. As irmandades, onde estavam as mulheres, seguiam atrás.

Ao longo da procissão os homens reúnem-se em pequenos grupos para se levantar o grito do «Aleluia». Pelas ruas, ouve-se uma voz forte a dizer «ressuscitou como disse» e em seguida os homens erguem bem alto as tochas e respondem «aleluia, aleluia, aleluia».

As tochas são ornamentadas com flores naturais da região ao critério de cada participante na procissão. As varandas que estão no percurso da procissão são também embelezadas com colchas coloridas e flores campestres.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Vista de São Brás de Alportel

Terra de bons ares, a freguesia é rica em qualidades ambientais, testemunhadas pela implantação do Sanatório Carlos Vasconcelos Porto, em inícios do século passado.

A nível geográfico, a freguesia é caracterizada pela transição entre as zonas do barrocal e da serra, divididas pela gola mediterrânica, de solos vermelhos. A norte, a serra ocupa cerca de 65% da área da freguesia, apresentando solos magros, pobres para a agricultura, com xistos e relevo muitas vezes declivoso.

Grande parte da sua flora é constituída por mato, com vegetação densa, mas em algumas áreas podemos encontrar espécies arbóreas de tradição mediterrânica, como sobreiros, medronheiros e azinheiros. No montado de sobro da antiga Serra de Mú, extrai-se cortiça, cuja exploração industrial, em inícios do século XX, foi responsável pelo grande crescimento da freguesia e pela sua autonomia do concelho de Faro. A História da comercialização e indústria da cortiça em Portugal está indiscutivelmente ligada à História de São Brás de Alportel.

A sul, o barrocal, onde os solos são calcários, do jurássico, e de melhor proveito agrícola. As terras aqui são mais férteis, acolhendo pequenas áreas hortícolas, como o pomar misto de sequeiro – as amendoeiras, as figueiras, as alfarrobeiras e as oliveiras – base da saborosa doçaria típica; que coexistem com algumas superfícies de mato, onde predomina o carrasco. O barrocal possui relevos mais suaves, com áreas mais abertas e cotas pouco elevadas. É maior a abundância de água, a justificar a existência de um valioso património etnográfico: fontes, poços e noras, que testemunham a História destes Lugares.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os equipamentos culturais existentes neste concelho são:

  • Cine – Teatro São Brás;
  • Galeria e a Biblioteca Municipal;
  • Centro Museológico do Alportel;
  • Quinta do Peral;
  • Moinho do Bengado;
  • Jardim da Verbena;
  • Centro Explicativo e de Acolhimento da Calçadinha;
  • Centro de Artes e Ofícios;
  • Casa das Artes

Património[editar | editar código-fonte]

  • Conjunto de arquitectura tradicional

Outras informações[editar | editar código-fonte]

Já no século XVI, existia um convento na pequena localidade. Por causa do seu clima ameno, a localidade foi escolhida para a implantação da residência de verão do bispo do Algarve, cuja construção decorreu entre os séculos XVII e XVIII. No decorrer dos séculos seguintes, o palácio episcopal, construído para proteger do calor nos meses de Verão, foi modificado várias vezes. Actualmente encontram-se preservados apenas uma parte do complexo principal e o poço barroco.

A Igreja Matriz foi edificada após o terramoto de 1755 sobre os alicerces de uma antiga igreja do século XV. Uma visita à Capela de Senhor dos Passos vale igualmente a pena. O interior da igreja está decorado com entalhes em madeira, pinturas e estátuas, e do seu jardim desfruta-se de uma vista fantástica para o mar e da paisagem à volta.

O Centro Cultural António Bentes foi outrora a residência de um criador de caprinos que enriqueceu com o comércio da cortiça. O museu expõe os trajes típicos usados no Algarve nos séculos XIX e XX e é também um bom exemplo da arquitectura daqueles tempos.

Sambrasenses com História[editar | editar código-fonte]

O famoso poeta árabe, cortesão e político Ibn Ammar nasceu em Xanbras (actualmente a vila de São Brás de Alportel), mas foi registado na capital regional, Xilb (actualmente a cidade de Silves (Portugal)) e viveu de 1031-1086.

Carlos Viegas Gago Coutinho nasceu em São Brás de Alportel, mas foi registado em Lisboa a 17 de Fevereiro de 1869. Acabou por falecer em Lisboa, a 18 de Fevereiro de 1959. Foi um geógrafo cartógrafo, oficial da Marinha Portuguesa, navegador e historiador. Juntamente com o aviador Sacadura Cabral, tornou-se um pioneiro da aviação ao efectuar a Primeira travessia aérea do Atlântico Sul, no hidroavião Lusitânia.

Manuel Viegas Carrascalão senior, também nasceu em São Brás de Alportel, em 1905, sendo pai dos politicos timoreses Manuel Carrascalão, Mário Viegas Carrascalão e João Viegas Carrascalão; foi deportado para Timor em 1927 para cumpir 6 anos de degredo sentenciado em Tribunal Militar, após ser preso várias vezes, por pertencer e ser secretário-geral das Juventudes Sindicalistas; esteve em Portugal por ocasião da invasão japonesa a Timor e voltou em 1974, falecendo cá poucos anos depois.

José d'Encarnação, nascido em 1944, é um professor universitário, arqueólogo, historiador e jornalista português que se tem dedicado especialmente às temáticas da presença romana em Portugal e à epigrafia latina. Foi nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e é membro da Comissão Internacional que preside à organização dos colóquios sobre Línguas e Culturas Paleo-Hispânicas.

Panorâmica de São Brás de Alportel

Referências[editar | editar código-fonte]

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Concelhos do Distrito de Faro (Algarve) Mapa da Grande Área Metropolitana do Algarve
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  1. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Algarve 2012 (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 26. ISBN 978-989-25-0215-1. ISSN 0873-0008. Consultado em 11 de janeiro de 2015 
  2. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013» (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2013 
  3. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Algarve (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 96. ISBN 978-989-25-0183-3. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  4. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_ALGARVE". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  5. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  6. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  7. Diário da República - http://dre.tretas.org/pdfs/1914/06/01/dre-291818.pdf
  8. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros