Água em Marte

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Representação artística de como Marte era antigamente, baseada em evidências geológicas.
Marte durante dua última era glacial.

A água em Marte é muito menos abundante que na Terra, encontrando-se no entanto presente nos três estados da matéria. A maior parte da água encontra-se aprisionada na criosfera (Permafrost e calotas polares), não estando portanto confirmada a existência de massas líquidas capazes de criar uma hidrosfera. Apenas uma pequena quantidade de vapor de água se encontra na atmosfera.[1]

As condições atuais sobre a superfície do planeta não parecem suportar a existência, por grandes períodos, de água em estado líquido. A média da pressão e temperatura é muito baixa, levando ao imediato congelamento e consequente sublimação. Apesar disso, a pesquisa sugere que, no passado teria existido água em estado líquido suficiente para fluir sobre a superfície dando lugar ao aparecimento de grandes áreas semelhantes aos oceanos terrestres.[2] [3] No entanto, a grande questão permanece de saber como e onde a água se terá depositado.[4] [5] [6] [7] [8]

Existem provas diretas[9] da presença de água sobre ou sob a superfície, por exemplo, leitos,[10] [11] [12] calotas polares, bem como as medições de espectroscópica,[13] erosão de crateras ou minerais que apontaram para a existência de água líquida (exemplo, goethita). Conforme um artigo publicado no Journal of Geophysical Research, os cientistas estudaram o Lago Vostok na Antártica, concluindo que os mesmos fenómenos podem contribuir para demonstrar a existência de água líquida em Marte. Através de suas pesquisas, chegaram à formulação da hipótese de que se a existência do Lago Vostok antecedeu a glaciação perene, há uma elevada probabilidade de que este não possa congelar em toda a profundidade. Por tal motivo os cientistas estimam que se a água existia antes da formação das calotas polares de Marte, é provável que ainda se mantenha no estado líquido por baixo. Entretanto a NASA através da revista Science divulgou recentes descobertas de Fluxos de água em encostas quentes marcianas supostamente de alto teor salino, fator que impediria a congelação.[14] Recentemente o robô Curiosity detectou indícios de água em marte.[15]

Antigos canais e lagos[editar | editar código-fonte]

Existem dois tipos de canais (não confundir com os canais de Schiaparelli) em Marte os que são produzidos correntes e os que são originados por água que emerge debaixo da superfície. Estes canais antigos ainda são visíveis nas imagens obtidas pelas sondas que exploraram o planeta.

Os canais produzidos por correntes são pequenos com menos de 20 km de comprimento, e encontram-se nas terras altas e nas beiras das crateras. Pensa-se que terão sido formadas quando água subterrânea ocasionalmente chegava à superfície.

Os canais de correntes estão associados com cheias catastróficas numa escala maior, bem maiores que as cheias já registradas na história geológica da Terra. Estas cheias podem ter sido originadas a partir de gelo derretido.

Antigos canais de rios desaguavam em Valles Marineris, indicando que este imenso desfiladeiro esteve outrora inundado, causando a sedimentação em camadas que se encontra no interior do desfiladeiro. Nesta região e em outras regiões como na cratera Schiaparelli (de 450 km de diâmetro), a presença de canais que desaguavam dentro das crateras leva a se supor que se formavam pequenos lagos de água dentro destas.

Fotografia tirada pelo rover Spirit a partir de um pequeno rochedo no meio da cratera Gusev que mostra a planície interior da cratera e a respectiva parede ao fundo, no horizonte.

Ma'adim Vallis é um outro grande desfiladeiro e pensa-se que terá sido esculpido por água líquida no passado com pequenos canais ao longo das paredes do desfiladeiro. Nestes canais, a água subterrânea se dissolvia parcialmente e levava a que a rocha caísse em depósitos e fosse levada por outros processos de erosão. Ma'adim localiza-se numa região baixa no sul e que se pensa que, no passado, contivesse um grande número de lagos a norte da cratera Gusev perto do equador.

O Ares Vallis, um dos maiores canais de escoamento de Marte, atravessa a região em direcção a Xanthe Terra, a noroeste; onde se localizam os grandes canais Tiu, Simud e Shalbatana, regiões das quais fotos a partir do espaço revelaram "ilhas" em forma de lemniscata e planícies aluviais que sugerem as grandes inundações que tiveram lugar em Marte. Estes aspectos têm origem na parte oeste de Margaritifer Sinus, numa região acidentada e desordenada conhecida como «Terreno Caótico». A inundação que aqui teve lugar ocorreu em escala titânica, muito maior que qualquer uma verificada na Terra.

A cratera Gusev que tem cerca de 170 km de diâmetro, e foi formada há cerca de 3 a 4 mil milhões de anos, parece ter sido um antigo lago, já que se encontra coberto por sedimentos até quase um quilómetro de profundidade. Certas formações do terreno na boca de Ma'adim Vallis, na entrada da cratera Gusev, assemelham-se aos deltas de rios terrestres. Estas formações na Terra levam centenas de milhares de anos a serem formadas, sugerindo que a água corria em Marte por longos períodos de tempo. Imagens tiradas da órbita indicam que terá existido um lago de dimensões bastante significativas perto da fonte de Ma'adim Vallis que seria a origem dessa água. Não se sabe se a água corria lenta e continuamente, com grandes enchentes esporádicas, ou se seria uma combinação destes padrões.

Os mares perdidos[editar | editar código-fonte]

Entre as descobertas pelo rover Opportunity está a presença de hematita em Marte na forma de pequenas esferas em Meridiani Planum. As esferas têm apenas alguns milímetros de diâmetro e acredita-se terem sido formadas como depósitos rochosos sob água há milhares de milhões de anos. Outros minerais encontrados continham formas de enxofre, ferro e bromo tais como jarosita. Esta e outras evidências levaram a que cientistas concluíssem que "a água líquida foi outrora presente de forma intermitente na superfície marciana em Meridiani, e por vezes saturava a sub-superfície. Porque a água líquida é um pré-requisito chave para a vida, Meridiani pode ter sido habitável por algum período de tempo na História marciana". No lado oposto do planeta, o mineral goethita forma-se somente em presença de água, ao contrário da hematite. Outras evidências de água, foram encontradas pelo rover Spirit nas "Colinas Columbia".

Possível escoamento de água do solo de Marte.

A NASA avançou com uma hipotética história da água em Marte; onde demonstrou que a água poderá ter sido abundante em Marte até há cerca de 3 bilhões e 800 milhões de anos, antes de ter começado a desaparecer. Há 2 bilhões de anos já só restava um pequeno mar perto do pólo Norte até desaparecer, quase por completo, 1 bilhão de anos depois.

O planeta teria cursos abundantes de água, e uma atmosfera muito mais densa que proporcionava temperaturas mais elevadas, permitindo a existência de água líquida. Presume-se que Marte tenha perdido muita da sua atmosfera devido ao vento solar que penetra pela ionosfera e de forma muito profunda na atmosfera marciana até uma altitude de 270 km. Ao perder a maior parte dessa atmosfera para o espaço, a pressão diminuiu e as temperaturas baixaram, a água desapareceu da superfície. Alguma subsiste na atmosfera, como vapor de água, mas em pequenas proporções (0,01%), assim como nas calotas polares, formando grandes massas de gelos perpétuos.

O lago gelado[editar | editar código-fonte]

A 29 de Julho de 2005, é anunciada a existência de um lago de gelo em Marte. Fotografias ao lago foram tiradas pela Mars Express da Agência Espacial Europeia, uma sonda que tem explorado o planeta.

O disco de gelo está localizado em Vastitas Borealis, uma planície vasta que cobre as latitudes mais a norte de Marte. O gelo que é bem visível está deitado sobre uma cratera que tem 35 km de diâmetro, com uma profundidade máxima de cerca de 2 km.

Os cientistas que estudaram as imagens dizem ter a certeza que não é gelo seco (dióxido de carbono gelado), isto porque o gelo seco já tinha desaparecido da capa polar do Norte na altura em que a imagem foi tirada. O que pode ser mais um ponto a defender que terá existido vida em Marte, ou que ainda possa existir e que também é um forte incentivo a que sejam enviadas missões tripuladas por seres humanos.

O mar oculto[editar | editar código-fonte]

Os europeus também descobriram que um imenso mar gelado pode estar abaixo da superfície de Marte na região sul de Elysium, perto do equador, compreendendo uma área chapeada e coberta por sedimentos de 800 por 900 km. Estes sedimentos cobrem o gelo, preservando-o no sítio. A água que terá formado este mar em Elysium, parece ter tido origem de baixo da superfície do planeta, emergindo numa série de fracturas conhecidas como Cerberus Fossae.[16] No entanto esta afirmação continua a suscitar dúvidas.Jean-Pierre Bibring, do Instituto Espacial de Astrofísica da Universidade de Paris, concorda com a existência de água no planeta marciano.A análise dos dados da sonda Mars Express (ESA) e da Mars Reconnaissance (NASA) revela que "havia água, mas não formaria um grande oceano", diz.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Mars Global Surveyor Measures Water Clouds.
  2. [1].
  3. Science@NASA, The Case of the Missing Mars Water Título não preenchido, favor adicionar.
  4. ISBN 0-312-24551-3
  5. [2].
  6. [3].
  7. Carr, M. and J. Head. 2003. Oceans on Mars: An assessment of the observational evidence and possible fate. Journal of Geophysical Research: 108. 5042
  8. Título não preenchido, favor adicionar.
  9. Water at Martian south pole Título não preenchido, favor adicionar.
  10. [4].
  11. Harrison, K and R. Grimm. 2005. Groundwater-controlled valley networks and the decline of surface runoff on early Mars. Journal of Geophysical Research: 110. E12S16}}
  12. Howard, A. et al. 2005. An intense terminal epoch of widespread fluvial activity on early Mars: 1. Valley network incision and associated deposits. Journal of Geophysical Research: 110. E12S14}}
  13. "ISBN 0-8165-1257-4"}}
  14. A numerical model for an alternative origin of Lake Vostok and its exobiological implications for Mars (PDF).
  15. "Curiosity" deteta indícios de água em cascalho em Marte (em português). Jornal de Notícias.
  16. Parte de Marte terá sido coberta por um oceano. DN Ciência (27 de novembro de 2009). Página visitada em 05 de agosto de 2011.
  17. Marte tinha água mas não um oceano. DN Ciência (27 de junho de 2010). Página visitada em 05 de agosto de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Água em Marte