Movimento Hare Krishna

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Um templo ISKCON em Tirupathi.

A Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, ou simplesmente ISKCON (International Society for Krishna Consciousness) é uma associação religiosa, filosófica e cultural derivada do Hinduísmo vaishnava.

Fundada em 1966 na cidade de Nova Iorque pelo pensador indiano A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada (Srila Prabhupada), é conhecida popularmente como Movimento Hare Krishna e atualmente possui mais de 350 centros culturais, 60 comunidades alternativas, 50 escolas e 60 restaurantes no mundo todo.

A partir da década de 1970, sob a liderança de Hridayananda Goswami, o Movimento Hare Krishna chegou ao Brasil, onde estabeleceu diversos templos e comunidades nos anos que se seguiram.

O fundador[editar | editar código-fonte]

Abhay Charanaravinda Bhaktivedanta Swami Prabhupada (ou Srila Prabhupada) nasceu em 1896 em Calcutá, Índia. Seus pais pertenciam à classe média alta, e ele teve a oportunidade de estudar em escolas altamente conceituadas, além de ser criado com base nos princípios védicos tradicionais.

Na juventude, trabalhou como químico e teve uma proeminente indústria de produtos farmacêuticos. Casou-se e teve algum envolvimento com o movimento de Mahatma Gandhi.[carece de fontes?]

Em 1922, conheceu Bhaktisiddhanta Sarasvati, líder religioso e fundador de 64 Gaudiya Mathas (institutos védicos). Srila Prabhupada tornou-se seu admirador e, em 1933, seu discípulo formalmente iniciado.

Logo no seu primeiro encontro, Bhaktisiddhanta Sarasvati pediu a Srila Prabhupada para difundir o conhecimento védico em todos os países de língua inglesa. Nos anos que se seguiram, Srila Prabhupada escreveu um comentário sobre o Bhagavad-gita, ajudou a Gaudiya Matha e, em 1944, fundou a revista quinzenal em inglês Back to Godhead (Volta ao Supremo). Sozinho, Srila Prabhupada editava, datilografava os manuscritos, checava as provas e distribuía pessoalmente cada cópia. Seus discípulos continuam publicando a revista no Ocidente até hoje.

Em 1950, Srila Prabhupada retirou-se da vida familiar, adotando a ordem de vanaprastha (vida retirada) para devotar mais tempo a escrever e estudar. Passou muitos anos residindo no templo histórico de Radha-Damodara, em Vrindavan. Em 1959 aceitou a ordem renunciada de vida (sannyasa). No templo de Radha-Damodara ele começou a trabalhar naquilo que seria a obra-prima de sua vida: uma tradução comentada em vários volumes dos 18000 versos do Shrimad-Bhagavatam (Bhagavata Purana). Nesse mesmo período também escreveu Fácil Viagem a Outros Planetas.

Depois de publicar três volumes do Bhagavatam, Srila Prabhupada viajou para os Estados Unidos, em setembro de 1965, para cumprir a missão delegada por seu mestre espiritual. Trazia consigo nada mais do que uma muda de roupa, alguns livros e sete dólares. Durante a viagem, a bordo do navio cargueiro Jaladhuta, sofreu três ataques cardíacos.[carece de fontes?]

Nos primeiros anos em Nova York, Prabhupada viveu como hóspede de imigrantes indianos, intelectuais, místicos e hippies. Só conseguiu fundar a ISKCON após quase um ano de grandes dificuldades e privações.

Antes de sua morte em 14 de novembro de 1977, Prabhupada viu seu Movimento crescer, iniciou milhares de discípulos, escreveu obras que são usadas em universidades do mundo inteiro e já foram traduzidas para mais de 50 idiomas, deu a volta ao mundo quatorze vezes para ministrar conferências, e, sozinho, tornou "Hare Krishna" uma expressão familiar.[carece de fontes?]

Os propósitos da ISKCON[editar | editar código-fonte]

Ao fundar a ISKCON, Srila Prabhupada elaborou sete propósitos para a união no espírito de devoção, cultivando a pura consciência a serviço amoroso de Deus. São eles:

  1. Propagar sistematicamente o conhecimento espiritual entre a sociedade em geral e educar todas as pessoas nas técnicas da vida espiritual a fim de sustar o desequilíbrio de valores na vida e alcançar a verdadeira unidade e paz mundiais;
  2. Propagar a consciência de Krishna, como é revelada no Bhagavad-gita e no Srimad Bhagavatam;
  3. Unir os membros da Sociedade uns com os outros e torná-los mais próximos de Krishna, a entidade primordial, de modo a desenvolver a idéia, entre os membros e a humanidade em geral, de que cada alma é parte integrante da qualidade de Deus;
  4. Ensinar e encorajar o movimento de sankirtana, canto congregacional dos santos nomes de Deus, conforme é revelado nos ensinamentos do Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu;
  5. Erigir, para os membros e para a sociedade em geral, um lugar sagrado de passatempos transcendentais, dedicado à Personalidade de Krishna;
  6. Manter os membros unidos com o objetivo de ensinar um modo de vida mais simples e natural;
  7. Tendo em vista o cumprimento dos propósitos supramencionados, publicar e distribuir periódicos, revistas, livros e outros escritos.

Ensinamentos básicos[editar | editar código-fonte]

Krishna, Radha e uma Gopi.

A ç está inserida no sistema filosófico, cultural e religioso denominado Gaudiya Vaishnava. "Vaishnava" significa que a adoração é centralizada em Vishnu, e "Gaudiya" refere-se à área onde este ramo particular de Vaishnavismo se originou, em Gauda, região da Bengala.

O Gaudiya Vaishnavismo iniciou-se no século XV com a pregação do líder carismático Caitanya Mahaprabhu, e desde então foi transmitido em sistema de parampara, sucessão de mestres que transmitem o conhecimento a seus discípulos de forma estrita e ininterrupta. Sua base filosófica é muito vasta, e provém principalmente do Bhagavad-gita e do Bhagavata Purana, além de diversas escrituras da cultura védica como os Upanishades e Puranas. Estas obras foram traduzidas para o inglês por Prabhupada e atualmente estão disponíveis em mais de setenta línguas, servindo como o cânone da ISKCON. Muitas delas estão disponíveis online.

Os devotos da ISKCON são estritamente monoteístas: concebem a existência de um único Deus, o qual é provido de infinitos nomes e infinitas formas conforme suas infinitas qualidades. O nome principal de Deus é Krishna, que significa "O Todo-Atrativo" e que, portanto, engloba todas as demais qualidades. Krishna é descrito como a expressão original e mais alta de Deus, svayam bhagavan, e em geral a literatura do Movimento refere-se a ele como "a Suprema Personalidade de Deus", termo cunhado por Prabhupada.

Krishna, que segundo a crença vaishnava esteve pessoalmente na Terra há cerca de 5000 anos, tem características nitidamente antropomórficas e possui seis opulências principais: beleza, inteligência, força, fama, riqueza e renúncia. Tem o corpo azulado, rosto juvenil e gosta de tocar flauta e brincar em companhia de seus servos e servas em sua morada espiritual. A principal companheira de Krishna é Radha, sua consorte eterna e que, quando ele esteve na Terra, atuou como sua amiga de infância e amante. Para os devotos, Radha representa a contraparte divina do sexo feminino, a potência espiritual original, a mãe da devoção e a expressão máxima de amor divino. O foco de todas as atividades do Movimento é o culto devocional (bhakti) de Radha e Krishna, idealizando que o devoto adquira amor puro e sincero por Deus (prema)sem esperar nada em troca, nem mesmo libertação ou salvação.

"Não somos o corpo" é uma das máximas do Movimento Hare Krishna, que identifica a entidade viva como uma alma espiritual eterna, plena de conhecimento e bem-aventurança, que vem ao mundo material por ilusão (maya). Todos os seres vivos (plantas, animais e seres humanos) são almas espirituais, presas a um ciclo de nascimentos e mortes (samsara) na Terra e em outros planetas materiais. Conforme suas ações em vida, a alma recebe um corpo apropriado após a morte - isso é denominado karma. Na forma de vida humana, a alma tem a oportunidade de voltar ao mundo espiritual. Para isso, deve desenvolver "Consciência de Krishna" - reviver sua consciência espiritual original que está adormecida e, assim, servir a Deus com amor espontâneo. O cantar constante do mantra Hare Krishna é a principal atividade para o despertar dessa consciência e para a conexão íntima com Krishna.

Diferentemente do que é sugerido pelas escolas Advaita (monistas) do Hinduísmo, a ISKCON rejeita firmemente a hipótese de que a alma, ao se libertar da matéria, experimentará uma "fusão" com Deus ou se tornará uma "luz", um "vazio" ou algo sem forma nem desejos. Tanto Deus quanto a alma são definidos como eternamente pessoais, não se fundindo jamais em uma existência única.

Prabhupada, aliás, nunca declarou ser a ISKCON uma organização hindu, e considerou o termo Hinduísmo como uma generalização prosaica das crenças originárias da Índia, além de uma designação sectária e inadequada. Prabhupada mais freqüentemente oferece Sanatana-dharma e Varnashrama-dharma como nomes mais precisos para o sistema religioso que aceita a autoridade dos Vedas.

O sistema doutrinário dos seguidores de Prabhupada não está limitado à questão teológica: abrange todos os campos do comportamento humano, como alimentação, vestuário, organização familiar, etiqueta, organização social, economia, higiene, arquitetura, belas artes, música, dança, literatura, astrologia, concepções pedagógicas, técnicas agrícolas e pecuárias, etc. Enfim, é um sistema completo e com características bastante peculiares, que muitas vezes destoam daquilo que os ocidentais considerariam comum.

Maha-mantra[editar | editar código-fonte]

A característica distintiva e fundamental dos membros da ISKCON é o cantar constante do mantra Hare Krishna: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. São três nomes em sânscrito, dispostos em forma de poesia astunubh.

As origens históricas do mantra Hare Krishna, também conhecido como maha-mantra ("Grande Mantra") não são claramente estabelecidas. Supõe-se que tenha sido conhecido e recitado por vaishnavas na Índia desde o período medieval, pelo menos. Sua primeira referência escrita é o Kali-Santarana Upanishad.

O mantra foi popularizado no século XVI por Caitanya Mahaprabhu, que, viajando por toda a Índia (especialmente Bengala e Orissa) difundiu-o a pessoas de todas as castas e segmentos religiosos. No século XIX, o erudito vaishnava Bhaktivinoda Thakura predisse que este mantra seria conhecido e cantado até mesmo nas menores aldeias e vilas, em todos os continentes. E, de fato, com o trabalho de Prabhupada, a partir de 1965 a expressão "Hare Krishna" tornou-se familiar fora da Índia, em muitas partes do mundo.

Segundo Prabhupada, a palavra Hare é um vocativo de Radha, a energia de Deus; Krishna é um nome de Deus que significa "O Todo-Atrativo"; e Rama, "A fonte de todo o prazer". Hare também pode ser interpretado como vocativo de Hari (título divino que significa "Aquele que remove a ilusão"). Não se deve interpretar o nome Rama como referindo-se a Rama, encarnação de Vishnu documentada no Ramayana.

Entre os diversos significados dados ao mantra Hare Krishna, o mais sucinto e corriqueiro é o que é dado por Prabhupada: "Ó Senhor Todo-Atrativo e fonte de todo o prazer, ó energia do Senhor, por favor, ocupai-me no vosso serviço".

O mantra Hare Krishna está presente em um bom número de canções populares, sendo que as mais famosas são as gravações feitas por The Fugs em 1969; pelo Radha Krishna Temple (com selo da Apple e participação dos Beatles) em 1971; por Hüsker Dü (1984); por Boy George (1991) e Nina Hagen (1999). No musical da Broadway ''Hair'' de 1964, o mantra é usado na letra da trilha Be In. No Brasil, Ronnie Von, a banda Cheiro de Amor e Nando Reis incluíram o mantra em composições, e a expressão "Hare Krishna" aparece também em trechos de Raul Seixas (Como vovó já dizia e Todo mundo explica). A mais célebre divulgação do mantra Hare Krishna na cultura pop, no entanto, é a música My Sweet Lord (1970), de George Harrison, que alcançou o topo das paradas internacionais e faz parte da lista das "500 melhores canções de todos os tempos" da revista ''Rolling Stone''.

De acordo com a literatura vaishnava, a recitação do mantra Hare Krishna coloca a pessoa em contato direto e perfeito com Deus. O Movimento Hare Krishna ensina que, por ser absoluto, Deus não é diferente de seu nome, sua imagem, sua parafernália, etc; assim, quando o devoto diz o nome de Krishna, o próprio Krishna está presente em toda a plenitude junto a este devoto. Acredita-se que, em outras eras, usava-se outros processos para a auto-realização e o relacionamento com Krishna, como meditação, sacrifícios, penitências, etc, mas na era atual (Kali Yuga, a era da hipocrisia e das desavenças) não haveria outro meio viável de comunhão com Deus e libertação da alma.

Não há regras rígidas para recitar o mantra. Pode ser recitado mentalmente, murmurando ou em voz alta. Pode ser simplesmente declamado, ou então cantado com qualquer tipo de melodia. Pode ser cantado individualmente ou em grupo. Pode ser cantado de forma suave, com os devotos sentados em meditação (bhajan) ou com de forma mais frenética, com danças (kirtana). Pode ser cantado a qualquer hora do dia e da noite, e em qualquer lugar, inclusive enquanto se executa outras atividades.

Os membros oficiais da ISKCON, que passaram pela cerimônia de iniciação, usam um rosário denominado japa-mala, feito de 108 contas de madeira de tulasi (Ocimum tenuiflorum, planta sagrada para os devotos). Eles comprometem-se a cantar um mínimo de 16 voltas deste rosário diariamente, o que corresponde a cantar Hare Krishna 1728 vezes por dia.

A repetição do mantra, associado a todo o contexto devocional, pode levar a estados alterados de consciência. A literatura do Movimento prevê a possibilidade de êxtase manifestado através de arrepios, alterações de voz, gritos, choro, etc, no entanto o excesso de manifestações extáticas é vista com desconfiança e como demonstração de fanatismo e sentimentalismo. Quando uma jovem hippie disse a Prabhupada que "via uma grande luz" enquanto cantava Hare Krishna, ele respondeu: "Continue cantando, que isso logo passa". E quando informaram Prabhupada de um homem que caía em transe e rolava no chão durante o kirtana, Prabhupada aconselhou que lhe dessem um chute: "Se seu transe for genuíno, ele nada sentirá; se for um farsante, terá tido o que merece".

Princípios reguladores[editar | editar código-fonte]

Srila Prabhupada estabeleceu quatro regras morais indispensáveis para que se possa levar uma vida sadia, pura, civilizada e mais próxima de Deus. Essas regras são chamadas os Princípios Reguladores:

Não comer carne (nem peixe, nem ovos, nem frutos do mar, nem seus derivados). A ISKCON propõe o lacto-vegetarianismo como o regime alimentar ideal para o ser humano, e está relacionado ao princípio védico de Daya (não-violência ou misericórdia). Todos os alimentos oriundos da matança de animais são considerados impróprios para o consumo, e a proteção às vacas é especialmente estimulada, por serem elas os animais mais queridos por Krishna.

Não praticar sexo ilícito. Relações sexuais só são autorizadas entre um homem e uma mulher casados, com o objetivo de gerar filhos conscientes de Krishna. A luxúria, a busca de desfrute sexual, é apontada por Prabhupada como o maior inimigo da alma, pois faz com que a entidade viva se esqueça de Krishna e se apegue cada vez mais ao corpo. Por isso, a castidade, o pudor, o respeito para com o sexo oposto e o auto-controle são muito enfatizados dentro do Movimento, e correspondem ao princípio de Tapas (austeridade).

Não participar de jogos de azar. Segundo Prabhupada, eles indiscutivelmente aumentam a ira, a inveja, a ansiedade e a cobiça, e não condizem com um modo de vida e de sobrevivência honesto e honrado. Abster-se da jogatina desenvolve a qualidade de Satyam (veracidade).

Não usar intoxicantes. Isso inclui a abstinência absoluta de bebidas alcoólicas, tabaco, maconha, cocaína, LSD, drogas em geral, chás alucinógenos e produtos à base de cafeína. Cebola e alho também são proibidos. Assim o praticante mantém o princípio de Śaucam (limpeza) e evita obscurecer sem necessidade a mente, que já está perturbada e ofuscada por todo tipo de conceitos materiais de vida. No início da propaganda do Movimento entre os hippies nos anos 60 e 70, havia um slogan que dizia: "Mais barato que a maconha, mais doce que o ácido, e que não dá ressaca" - referindo-se ao mantra Hare Krishna.

Princípios adicionais[editar | editar código-fonte]

Além de não comer carne, não praticar sexo ilícito, não jogar e não intoxicar-se, os membros e simpatizantes da ISKCON devem:

  • oferecer o alimento a Krishna antes de consumi-lo, com mantras e orações específicos. Assim, a comida se torna prasadam, ou seja, alimento sagrado, purificado (literalmente, prasadam significa a misericórdia do Senhor).
  • recitar no mínimo 16 voltas diárias de japa mala, um rosário com 108 contas feitas de madeira de tulasi. Em cada conta, o devoto recita o mantra Hare Krishna, o que equivale a recitá-lo 1728 vezes por dia. Essa prática dura entre 1h30 e 2h, e deve preferencialmente ser feita de manhã bem cedo, antes de qualquer outra atividade ou trabalho. Na Índia, os vaishnavas ortodoxos costumam recitar 64 voltas de japa por dia, e esse era o padrão que Prabhupada seguia e que tentou estabelecer no Ocidente. Mais tarde, Prabhupada diminui para 32, em seguida 25, e finalmente 16 voltas, dada à dificuldade dos discípulos e à necessidade de tempo livre para a pregação.
  • associar-se com os devotos. Dá-se preferência à companhia de outras pessoas conscientes de Krishna e evita-se o relacionamento com pessoas que possam ser obstáculo ao avanço espiritual. Os livros do Movimento desencorajam especialmente a associação com pessoas luxuriosas e com impersonalistas (pessoas que não aceitam que Deus tenha forma e atividades).
  • ler os livros de Prabhupada. Acredita-se que isso equivale a estar pessoalmente em contato com o mestre espiritual.
  • peregrinar a lugares sagrados, tais como Vrindavan, onde Krishna passou a infância e a adolescência.
  • participar das atividades de pregação do Movimento, que incluem o canto do mantra Hare Krishna e a venda dos livros de Prabhupada em locais públicos. Essas atividades são denominadas Sankirtan.
  • participar de serviço prático nos templos e centros culturais.

Iniciação[editar | editar código-fonte]

Uma vez que esteja familiarizado com a filosofia, seguindo os Princípios Reguladores e Adicionais, e participando das atividades há pelo menos 6 meses, o neófito (denominado bhakta) pode entrar em contato com um guru do Movimento para receber a iniciação espiritual.

A primeira iniciação é uma cerimônia denominada Harer Nama. O devoto faz um juramento de cantar 16 voltas de japa todos os dias, sem falta, e abandonar o comer de carne, sexo ilícito, jogos de azar e intoxicação. O guru então lhe dá um nome espiritual, pelo qual passará a identificar-se e ser conhecido dentro do Movimento. Esse nome é sempre um dos nomes de Krishna ou de seus associados eternos, acrescido do sufixo Das (servo) para os homens, ou Devi Dasi (serva) para as mulheres. Os solteiros usam ainda o sobrenome Brahmacari, e, os casados, Adhikari.

Após aprender os detalhes do culto à Deidade, estar qualificado para pregar a doutrina do Bhagavad Gita e do Srimad Bhagavatam e enquadrar-se satisfatoriamente nos padrões de limpeza, etiqueta e moralidade, o devoto recebe a segunda iniciação, denominada "brahmínica". Ele recebe um cordão sagrado e um mantra secreto (o Gayatri) que recita três vezes por dia. Torna-se então um brâmane, com direito a conduzir cerimônias e outras prerrogativas, inclusive administrativas.

A terceira iniciação, chamada de sannyasi, é reservada a homens que fazem um voto de celibato vitalício, renúncia aos bens materiais e dedicação total e exclusiva à pregação da Consciência de Krishna. Os sannyasis usam vestes açafroadas e uma espécie de cajado chamado danda, e recebem o título de Swami ou Goswami, que quer dizer "Senhor dos próprios sentidos". Os que se destacam em suas aptidões espirituais e intelectuais passam a atuar como gurus, mestres espirituais com a responsabilidade de iniciar novos discípulos e ditar os rumos do Movimento.

Adoração à Deidade[editar | editar código-fonte]

As Deidades são estátuas de Krishna, em sua forma original com a flauta ou em uma de suas manifestações como Caitanya Mahaprabhu, Narasimha, Jagannatha, etc. Os devotos consideram que, como Krishna é absoluto, não há diferença entre ele próprio e sua representação na forma de Deidade. Assim, dão à Deidade o máximo de atenção e culto, como manifestação visível de Deus.

Todos os dias os templos executam várias cerimônias de adoração à Deidade, sendo oferecidos a ela diferentes itens como incenso, água, flores aromáticas e comida vegetariana (que depois será distribuída aos devotos, visitantes e mesmo à população em geral). As Deidades são regularmente despertadas, banhadas, vestidas, colocadas para dormir, enfim, têm toda uma rotina como se fossem hóspedes de honra.

Três vezes por dia o altar onde estão as Deidades é aberto e as pessoas podem acompanhar o pujari (brâmane responsável pela adoração da Deidade) realizar a cerimônia. Nestas ocasiões os devotos oferecem reverências prostrando-se ao solo, e cantam e dançam para as Deidades.

Existe também a devoção às shila shalagrama, pedras esféricas pretas muito raras encontradas no rio Gandaki, no Nepal. Essas pedras são consideradas muito auspiciosas, e não podem ser comercializadas. Os devotos decoram-nas colocando olhos, turbante, etc, para se parecerem com Krishna ou um de seus avatares, e instalam-nas no altar para serem adoradas.

Alimentos para a Vida[editar | editar código-fonte]

Entre as iniciativas do Movimento Hare Krishna está o programa "Food for Life" (Alimentos para a Vida), que promove a distribuição gratuita de comida lacto-vegetariana, especialmente entre as populações que vivem abaixo do limiar de pobreza.

O programa "Food for Life" foi criado por Srila Prabhupada em Mayapur no ano de 1974, depois de ter visto as crianças disputando comida com os cães, nas ruas da aldeia. Srila Prabhupada então declarou: "Ninguém deve passar fome num raio de 10 milhas de nossos templos".

"Food for Life" tem desempenhado um papel importante no combate à fome, afirmando-se como o maior serviço de auxílio alimentar vegetariano do mundo. Está atualmente ativo em mais de sessenta países e serve entre 700.000 e 1,5 milhão de refeições gratuitas todos os dias. Além da sua excelente missão de ajuda aos necessitados, este programa permite dar a conhecer a comida vegetariana a um grande número de pessoas, promovendo assim o vegetarianismo enquanto estilo de vida mais saudável, ético e ecológico.

Os voluntários do programa "Food for Life" estiveram presentes em diversas situações catastróficas recentes, tais como: nos países devastados pelas guerras da Chechênia, Bósnia e Abcásia, nos anos 90; no Tsunami que devastou o sul da Ásia no final de 2004; após a passagem do Furacão Katrina em 2005 no Mississipi e Texas; durante a seqüência de terremotos que atingiram o Paquistão no mesmo ano; no ciclone de Bangladesh em 2007 e na assistência aos sobreviventes do Furacão Gustav e do Furacão Ike no sul dos Estados Unidos.

No total, estima-se que os Hare Krishna já tenham distribuído cerca de 750 milhões de refeições lacto-vegetarianas desde o início do programa.

Festival de Domingo[editar | editar código-fonte]

Aos domingos, os templos Hare Krishna abrem as portas para um Festival do qual todos podem participar. Devotos e visitantes cantam, dançam, assistem uma palestra sobre algum tópico espiritual, e por fim saboreiam prasadam, deliciosas preparações lacto-vegetarianas oferecidas à Deidade.

Indumentária[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, os homens usam dhoti (calça de estilo védico) e kurta (camisa larga) - na cor laranja para os monges celibatários, e branca para os neófitos e os casados.

As mulheres se envolvem em saris coloridos. A cabeça é mantida coberta, especialmente na presença das Deidades e de homens.

No entanto, este vestuário não é absolutamente indispensável, principalmente fora do templo. Prabhupada autorizou seus seguidores a vestirem-se como "cavalheiros e damas americanos", desde que a roupa preencha três requisitos: deve ser simples, limpa e casta.

Quanto aos cabelos, os brahmacaris e sannyasis (monges) têm que manter a cabeça raspada, deixando somente um tufo de cabelo ("rabinho") no topo, denominado sikha. Grihastas (chefes de família) podem fazer o mesmo. Contudo, conforme a atividade profissional, raspar a cabeça e manter a sikha não é obrigatório. É recomendado que se raspe a barba e o bigode. Para as mulheres, o padrão é não cortar os cabelos, e mantê-los amarrados para trás.

Todos os devotos iniciados usam no pescoço um cordão de pequenas contas da madeira tulasi, denominado kanti mala. A kanti deve ficar em torno da base da garganta e ser claramente visível.

E devotos que não são iniciados, mas que estejam seguindo estritamente os princípios regulativos, também podem usar kanti mala, porém de apenas 1 volta, enquanto os iniciados usam de pelo menos 2 ou 3 voltas.

Após o banho matinal, os Hare Krishna aplicam tilaka, uma pasta de água e argila, em diferentes partes do corpo e do rosto, enquanto repetem mantras específicos. Uma marca vermelha na testa das mulheres indica que são casadas.

Ratha-Yatra[editar | editar código-fonte]

As principais cidades em que o Movimento está estabelecido realizam anualmente o festival denominado Ratha-Yatra ("Festa das Carruagens").

Neste evento, as deidades de Jagannatha, Baladeva e Subhadra saem às ruas em pomposas carruagens, acompanhadas por carros alegóricos, cântico, dança e distribuição de livros e alimentos.

A comemoração tem origem nos desfiles realizados em Puri, na Índia, sendo o maior festival religioso anual do mundo, reunindo cerca de 8 milhões de pessoas. O primeiro Ratha-Yatra do mundo ocidental foi realizado em 1968, na cidade de San Francisco, por iniciativa de Prabhupada e seus discípulos, e hoje é feriado municipal. Em outros locais, como Nova Iorque, o Ratha-Yatra reúne mais de 10 mil pessoas. No Brasil, ele é realizado no Rio de Janeiro (orla da praia do Leblon), Belo Horizonte (Av. Afonso Pena), Salvador (Farol da Barra), São Paulo (Av. Paulista), além de Curitiba, Porto Alegre, Franco da Rocha (SP), Campina Grande (PB), Recife, Pindamonhangaba (SP) entre outras.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]