Rio Tibiri

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Rio Tibiri
Comprimento 9 (aprox.) km
Posição: Sudoeste—Nordeste
Nascente Região de Corvoada, Santa Rita, Paraíba
Foz Açude Tibiri (lagoa Barriga Cheia)
Afluentes
principais
Lagoas Tibiri e do Patori
País(es)  Brasil
Seixos recobrem boa parte do leito do rio
O paturi, outrora abundante, deu nome a uma lagoa da região

O rio Tibiri[nota 1] é um rio brasileiro que banha o município de Santa Rita no estado da Paraíba. Perene da nascente à sua foz, é responsável pelo abastecimento da maior parte da água potável da cidade de Santa Rita, a qual é captada no Açude Tibiri.

Próximo às suas cabeceiras há importantes resquícios desprotegidos de Mata Atlântica (mata de tabuleiro e mata ciliar), nas terras que pertencem à Usina São João, uma área de evidente potencial ecoturístico ainda inexplorado.

Recentemente, tem tido sua perenidade ameaçada pelo desmatamento de suas margens e cabeceiras, assim como pelo assoreamento. A construção desordenada de balneários e a utilização de agrotóxicos pelas lavouras de cana-de-açúcar promovem ainda problemas abastecimento e poluição hídrica.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antes da conquista da Paraíba, em 1585, havia às margens do rio Tibiri duas grandes aldeias de índios tabajaras, que se aldearam lá vindos de Pernambuco com a permissão de seus então aliados, os potiguaras, originais ocupantes da região.[2] A primeira aldeia, chefiada pelo cacique Pirajibe, localizava-se no baixo rio Tibiri e contava com mais de três mil índios.[2] [nota 2] A segunda, mais acima, era chefiada pelo cacique Guirajibe.[2] [nota 3] Ambas seriam destruídas pelos conquistadores portugueses, após tentativa frustrada de firmar um acordo de paz com tais caciques.

Em 1585, após finalmente firmar-se acordo de paz com os tabajaras e posteriormente iniciar a fundação de João Pessoa, a região do rio Tibiri começou a ser povoada por europeus, índios e escravos.[2] Começou-se a implantar engenhos de cana-de-açúcar, já que o solo era muito propício a essa cultura.

No mapa Provincia di Paraiba ( 1698), do italiano Andreas Antonius Horatius, já consta o rio com o nome Tibery. Segundo Frei Vicente do Salvador, em seu livro História do Brasil, de 1626, o topônimo Tibiri é uma palavra do tupi Tibir-y ou Tibi-r-y, que em português significa "rio do sepultado" (ou "da sepultura").[3]

Curso[editar | editar código-fonte]

O rio nasce em uma lagoa represada artificialmente com a construção da rodovia PB-016 (região de Corvoada, município de Santa Rita), uma estrada de terra que sai da BR-230 e vai para o distrito de Odilândia. Logo em sua nascente, numa importante região de afloramentos aqüíferos, o rio recebe as águas de algumas lagoas, entre elas a lagoa do Paturi, em sua margem esquerda (levando-se em conta o curso do rio, a jusante), e a lagoa Tibiri, à direita, que é seu principal afluente até a foz. Mais adiante é cortado pelas tubulações do gasoduto da Transpetro, subsidiária da Petrobrás.

Após percorrer uma extensa zona rural do município de Santa Rita e passar pela comunidade de Tibirizinho, o rio deságua na lagoa Barriga Cheia e, desta, no Açude Tibiri (ambas separadas pela BR-230). A partir daí, recebe a denominação de Rio Preto.

Problemas de abastecimento[editar | editar código-fonte]

Uma operação da Polícia Florestal da Paraíba, em março de 2008, detectou a existência de quatro barramentos construídos ilegalmente ao longo do rio. As estruturas, erguidas em balneários e para a irrigação, foram responsáveis pela falta de água no município em várias ocasiões. Após inspeção, todos os proprietários de sítios com barreamentos anunciaram que não mais represarão as águas do rio, para evitar transtornos no abastecimento de água da cidade de Santa Rita.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, autorizou em ato solene no dia 3 de dezembro de 2012 o início da construção de uma barragem de nível no rio, para que haja captação regular de água no município de Santa Rita. A obra foi orçada em R$ 2.900.00,00, e os recursos são provenientes do governo federal e estadual dentro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2).[4]

Notas

  1. Por vezes é citado como "riacho Tibiri", em textos mais antigos, ou "rio Tibirizinho", pelo fato de haver uma comunidade rural homônima às suas margens. O rio deu nome às comunidades santa-ritenses de Tibiri, Tibiri I e Tibiri II.
  2. Braço de Peixe, em tupi-guarani
  3. Assento de Pássaro, em tupi-guarani

Referências

  1. Redatores do relatório (2008). Atividades de sustentação: bacia do rio Paraíba. Relatório de Pesquisa – St. Hidro/UFSM-UFCG/FINEP/CT-Hidro. Página visitada em 29/05/2013.
  2. a b c d Carla Mary S. Oliveira. Novos olhares sobre as Capitanias do Norte do Estado do Brasil. [S.l.]: Edição própria, 2007. 185 p. ISBN: 8577450686
  3. Pereira da Costa et Alii (1904). As etimologias indígenas de Elias Herckmans. Revista do Instituto Geológico e Geográfica Pernambucano. Página visitada em 15/05/2013.
  4. Adm. do portal (03/12/2012). Governador autoriza obras de nova barragem em Santa Rita. Portal Cagepa. Página visitada em 15/05/2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]