Baião (Portugal)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados da palavra, veja Baião.
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde Fevereiro de 2008).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Baião
Brasão de Baião Bandeira de Baião
Localização de Baião
Gentílico Baionense ou Baionês
Área 174,53 km²
População 20 522 hab. (2011)
Densidade populacional 117,6  hab./km²
N.º de freguesias 14
Presidente da
câmara municipal
Paulo Pereira (PS)
Fundação do município
(ou foral)
1 de setembro de 1513
Região (NUTS II) Norte
Sub-região (NUTS III) Tâmega e Sousa
Distrito Porto
Antiga província Douro Litoral
Orago São Bartolomeu
Feriado municipal 24 de agosto (São Bartolomeu)
Código postal 4640 Baião
Sítio oficial www.cm-baião.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Baião é uma vila portuguesa no Distrito do Porto, região Norte e sub-região do Tâmega e Sousa, com cerca de 3 200 habitantes.

É sede de um município com 174,53 km² de área[1] e 20 522 habitantes (2011),[2][3] subdividido em 14 freguesias.[4] O município é limitado a norte pelo concelho de Amarante, a leste por Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, a sul por Resende e Cinfães e a oeste pelo Marco de Canaveses.

História[editar | editar código-fonte]

Na passagem da Alta para a Baixa Idade Média, dá-se a formação da Terra de Baião, que era dominada por um castelo: o Castelo de Matos (de fundação Sueva), antigo Castelo de Penalva. A Terra de Baião é a origem da família nobre dos Baiões, descendentes de D. Arnaldo (trisavô de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques), um guerreiro que veio combater os Mouros na península Ibérica, por volta de 985. As terras de Baião foram-lhe concedidas como prémio pela sua bravura, pelo rei de Castela. Alguns historiadores pensam que D. Arnaldo seria um guerreiro alemão que perdeu o seu ducado numa guerra; outros, que seria um cavaleiro de Bayonne, filho de um rei de Itália e neto de um rei de França, e que seria essa a origem do nome de Baião. O seu filho D. Gozende Arnaldo (ou Arnaldes) de Bayão deu o seu nome à povoação de Gozende, Gove, Baião. As armas do concelho são as mesmas da família Cabral, que aqui possuiu a Torre de Campelo, um solar-torre brasonado, fundado por Jorge Dias Cabral, irmão de Pedro Álvares Cabral. A Torre de Campelo foi expropriada e demolida em 1927 pela Câmara Municipal de Baião.

D. João I deu as terras de Baião a um parente do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira. Tendo voltado à Coroa no tempo de D. João II, Baião recebeu foral de D. Manuel I, em 1 de setembro de 1513. Já no século XX, no planalto supeior da serra da Aboboreira foi erigida a Capela de Nossa Senhora da Guia, ermida aonde acorrem muitos peregrinos ou simples forasteiros, atraídos pela paz e paisagem sobre o vale do rio Ovil que aqui encontram.

Pré-História[editar | editar código-fonte]

Embora na Serra da Aboboreira tenha sido achado «um uniface talhado num calhau rolado de xisto» do Paleolítico Inferior (cerca de 30000 a.C.), terá sido no V ou IV milénio a.C. (de 5000 a 4500 a.C, no Neolítico) que surgiram os primeiros povoados, em plataformas próximas de linhas de água. Os estudos arqueológicos que têm vindo a ser realizados nas serras da Aboboreira e da Castelo, desde 1978, revelaram, já, a existência de uma vasta necrópole megalítica, das maiores que actualmente se conhecem em território português, com cerca de 4 dezenas de mamoas identificadas. As origens culturais deste concelho devem-se à passagem e fixação de vagas migratórias, vindas do sul da Alemanha (da região de Hallstat). Os Celtas foram o primeiro povo que, de forma consistente, aqui se fixou. Castros, meníres e outros achados arqueológicos mostram que esta foi uma região de domínio Celta. A cultura Celta permaneceu sempre neste enclave do Marão e ainda hoje se faz sentir a sua presença.

Património[editar | editar código-fonte]

  • Anta da Aboboreira (também conhecida por Anta de Chã de Parada, Dólmen da Fonte do Mel, Casa da Moura de S. João de Ovil, Casa dos Mouros e Cova do Ladrão), localizada na serra da Aboboreira na freguesia de Ovil: classificado como Monumento Nacional[5] e construído durante a primeira metade do III milénio a. C., este monumento funerário pré-histórico faz parte de um conjunto de quatro outros exemplares pertencentes à denominada Necrópole megalítica da Serra da Aboboreira. A mamoa, revestida por material pétreo, encontra-se inserta num tumulus de terra com cerca de 25 m de diâmetro. A câmara, de planta poligonal, é constituída por oito esteios laterais e um de cobertura, este último de consideráveis dimensões. O corredor, de planta sub-rectangular, é relativamente curto (cerca de 3,70 m de comprimento). Uma das particularidades desta mamoa reside na presença de um conjunto de pinturas nos seus esteios, executadas a vermelho, compreendendo motivos esteliformes e circulares, além de um sub-rectangular de base trapezoidal e apêndice lateral encurvado[6] [7].
  • Conjunto constituído pelo Mosteiro de Santo André de Ancede, Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho e terreiro fronteiro, em vias de classificação pelo IGESPAR[8]: as origens do Mosteiro de Santo André de Ancede remontam ao século XII e a mais antiga referência conhecida, de 1120, é respeitante à sua ligação aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Durante vários séculos este mosteiro deteve um considerável património fundiário ligado à produção vinícola, que lhe permitiu beneficiar de grande poder económico. Todavia, em meados do século XVI, pouco restava já dessa época áurea e o mosteiro entrou num período de decadência, com as dependências degradadas e um número muito reduzido de religiosos. Em 1560 passou a depender do mosteiro de de São Domingos de Lisboa e, a partir de então, foram executadas várias campanhas de obras com o objectivo de recuperar o conjunto arquitectónico. A igreja foi reedificada, desenvolvendo-se, então, em três naves separadas por arcaria de volta perfeita, com tecto de madeira. Um amplo arco triunfal, com dois altares colaterais, articula este espaço com o da capela-mor, onde ganha especial importância o retábulo-mor, em talha dourada com tribuna de grandes dimensões. Contemporâneos deste retábulo, de estilo nacional, são certamente as sanefas que se encontram sobre as janelas e o arco triunfal. A fachada principal, em cantaria, que corresponde à lateral da nave, apresenta portal de verga recta encimado por nicho de frontão triangular. Com a extinção das Ordens Religiosas o mosteiro foi vendido em hasta pública, sendo adquirido pelo Visconde de Vilarinho de São Romão. A capela e a igreja passaram, em 1932, para a paróquia de Ancede. Actualmente, e desde 1985, o mosteiro é pertença da Câmara Municipal de Baião. A capela de Nossa Senhora do Bom Despacho, ao lado, foi erguida em 1731 e exibe, no portal datado de 1735, o brasão dos dominicanos. De linguagem rococó, apresenta, no seu interior, um altar-mor e seis laterais, com representações de cenas da vida de Cristo.
  • Tesouro de Baião, depositado no Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa: composto por um colar articulado com 52,5 cms, datado da Idade do Ferro (sécs. VI-IV a.C.), dois pares de arrecadas, datadas da Idade do Ferro Antigo (séculos VII-VI a.C.), uma gargantilha e doze botões, todos em ouro.
  • Há alguns anos, em Frende, foi encontrado um importante altar, composto por várias aras, decoradas com cenas cerimoniais, parecendo testemunhar cenas xamânicas ou druidícas. Outro ainda do mesmo género foi achado na Quinta de Mosteirô, em Ancede.

População[editar | editar código-fonte]

Número de habitantes [9]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
19 376 21 667 22 755 23 139 25 103 25 224 26 886 29 201 29 866 28 864 25 790 24 438 22 456 22 355 20 522

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário [10]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 8 403 9 469 9 295 9 583 10 322 9 722 9 411 8 205 7 019 5 241 4 228 3 112
15-24 Anos 4 184 4 292 4 767 5 082 4 856 5 298 4 715 4 260 4 452 4 027 3 439 2 655
25-64 Anos 9 044 9 871 9 730 10 589 11 662 12 145 12 316 10 550 9 690 9 899 10 930 10 921
= ou > 65 Anos 1 426 1 352 1 390 1 600 1 868 2 200 2 422 2 775 3 277 3 289 3 758 3 834
> Id. desconh 84 40 43 31 64

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho de Baião.

O concelho de Baião está dividido em 14 freguesias:

Considerações Gerais[editar | editar código-fonte]

Baião é o concelho com maior percentagem de área verde e floresta em todo o distrito do Porto (63,5 por cento do território) e possui no seu território recursos naturais de rara beleza, tais como a Serra da Aboboreira, a Serra do Marão, a Serra do Castelo de Matos ou os rios Douro, Teixeira e Ovil.

Para além do conjunto megalítico composto pelas Serras da Aboboreira e do Castelo de Matos, onde possui o Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira (CASA) com mais de cinco mil anos de povoamento ininterrupto, possui algumas espécies faunísticas únicas em toda a Península Ibérica e ainda preserva entre 30 a 40 por cento de algumas espécies animais e vegetais existentes em todo o território português. Neste âmbito, merece ainda destaque o Convento de Santo André de Ancede (1113 d.C.), anterior à fundação da nacionalidade portuguesa, cuja influência social e económica durante o período medieval se fazia sentir numa extensão que ia do Porto à Régua.

No âmbito literário, há que referir que Soeiro Pereira Gomes é natural da freguesia de (Gestaçô), concelho de Baião, e que o escritor Eça de Queirós se inspirou nas suas gentes, nas suas paisagens, nos usos e costumes locais, numa das suas obras mais conhecidas: A Cidade e as Serras. A Quinta de Vila Nova, em Santa Cruz do Douro, Baião, é hoje conhecida por «Casa de Tormes» e a estação de comboio de Aregos foi rebaptizada com o nome de «Tormes».

António Mota, escritor cimeiro a nível nacional no âmbito da literaruta infanto-juvenil, reconhecido e diversas vezes premiado, nasceu em (16 de Julho de 1957) em Vilarelho, na Freguesia de Ovil. O seu livro Outros Tempos (2006), escrito para adultos, com ilustrações da arquitecta baionense Marta Lemos, é uma obra incontornável para quem queira conhecer o modo como vivia o povo das zonas interiores nos meados do século XX.

Na gastronomia, O concelho de Baião é famoso pela qualidade das suas carnes, designadamente, o fumeiro e o anho assado e pelos seus vinhos. Com vista a preservar os métodos de produção tradicionais destas carnes e a valorizar a qualidade dos vinhos de Baião, a Câmara Municipal promove anualmente duas iniciativas gastronómicas. Visitadas por milhares de pessoas, provenientes de vários pontos do País, a primeira, designada «Feira do Fumeiro e do Cozido à Portuguesa», realiza-se em Março ou inícios de Abril e a segunda, conhecida por «Festival do Anho Assado e do Arroz do Forno», em finais de Julho. Paralelamente a estas iniciativas, ocorre uma mostra de vinhos e artesanato, com especial ênfase para a cestaria e para as famosas bengalas de Gestaçô, para a doçaria tradicional, com destaque para o Biscoito da Teixeira, e para a música tradicional da região.

Organizações e Instituições[editar | editar código-fonte]

Personalidades Ilustres nascidas em Baião[editar | editar código-fonte]

Música[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013» (XLS-ZIP). Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28/11/2013. 
  2. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Norte (Lisboa: Instituto Nacional de Estatística). p. 114. ISBN 978-989-25-0186-4. ISSN 0872-6493. Consultado em 27/07/2013. 
  3. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLS-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_NORTE". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27/07/2013. 
  4. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  5. Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo nº 136, de 23 de junho de 1910
  6. http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/69838/
  7. JORGE, Vítor de Oliveira, Novas escavações na mamoa 1 de Chã de Parada - Baião, Serra da Aboboreira, 1990, in Trabalhos de Antropologia e Etnologia
  8. http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/70329/
  9. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  10. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Baião (Portugal)