Carmen Dolores

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Carmen Dolores
Nome completo Carmen Dolores Cohen Sarmento Veres
Nascimento 22 de abril de 1924 (93 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Ocupação Atriz e escritora
Cônjuge Vítor Manuel Carneiro Veres (1917 — 2011)
Outros prêmios
Medalha de Mérito Cultural (1991)

Globo de Ouro (2004)
Prémio António Quadros (2016)
Prémio Sophia de Carreira (2016)

IMDb: (inglês)

Carmen Dolores Cohen Sarmento Veres[1] GOIHDmSE (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 22 de abril de 1924)[2] é uma atriz e escritora portuguesa.

Família[editar | editar código-fonte]

Filha de José de Matos Sarmento de Beja (Coimbra, São Bartolomeu, 20 de Setembro de 1869 - Lisboa, 9 de Novembro de 1939) e de sua mulher (Madrid, 29 de Outubro de 1906) María del Pilar Manuela Cohen y Muñoz (Madrid, 31 de Dezembro de 1889 - Lisboa, 5 de Julho de 1960), de ascendência espanhola e judaica.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Frequentou o Liceu D. Filipa de Lencastre. Deu-se a conhecer através da rádio onde se iniciou aos 12 anos. Aos 19 anos estreia-se no cinema, como protagonista de Amor de Perdição (1943), adaptação de António Lopes Ribeiro do romance de Camilo Castelo Branco. Seguir-se-á Um Homem às Direitas (1945) de Jorge Brum do Canto, A Vizinha do Lado (1945) de Lopes Ribeiro e Camões (1946) de Jorge Leitão de Barros.

Aparece no teatro em 1945, integrada na Companhia Os Comediantes de Lisboa, sediada no Teatro da Trindade, depois foi somando sucessos. Casou em 1947 e em 1951 passou para o palco do Teatro Nacional de D. Maria II, sob a direcção de Amélia Rey Colaço, com diversos sucessos de que se salienta Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett. Em 1959 ganhou o Prémio de Melhor Actriz na peça Seis personagens à procura de um autor, de Pirandello. Criou, com outros actores, o Teatro Moderno de Lisboa, no palco do Império, tendo desenvolvido um projecto que levou à cena novas encenações de peças de autores consagrados como Dostoievski, Shakespeare, Strindberg ou José Cardoso Pires.

Viveu sete anos em Paris.

Na década de 80 trabalhou no cinema com José Fonseca e Costa, em A Mulher do Próximo (1988) e Balada da Praia dos Cães (1987) de Fonseca e Costa. Em 1998 foi dirigida por Diogo Infante em Jardim Zoológico de Cristal de Tennessee Williams, no Teatro Nacional.

Aparece esporadicamente em televisão, nas telenovelas Passerelle, A Banqueira do Povo e A Lenda da Garça.

As suas interpretações sempre lhe granjearam o apreço unânime da crítica. Carmen Dolores foi agraciada, em 2004, com a Ordem do Infante D. Henrique no grau de Grande-Oficial, atribuída pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.
Abandonou os palcos em 2005 com a peça Copenhaga, de Michael Frayn, encenada por João Lourenço[4].

Prémios e distinções[editar | editar código-fonte]

  • 1944 - Prémio de Melhor Actriz de Cinema no filme Um Homem às Direitas
  • 1945 - Pisou pela primeira vez o palco na Companhia de Comediantes de Lisboa (Teatro da Trindade), na peça Electra, A Mensageira dos Deuses, de Jean Giraudoux. Transitou depois para o Teatro Nacional D. Maria II (Companhia Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro) onde permaneceu durante oito anos. Passou depois pelo Teatri de Sempre de Gino Saviotti, Teatro Nacional Popular, de Ribeirinho e no princípio dos anos 60, com Rogério Paulo, Fernando Gusmão e Armando Cortez fundou o Teatro Moderno de Lisboa, que ficou como um marco importante na história do teatro independente.
  • 1959 - Prémio de melhor actriz de teatro na peça de Pirandello Seis Personagens Em Busca de Autor e a 11 de Julho feita Dama da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[5]
  • 1962 - Conquistou o Prémio de Popularidade como actriz de teatro radiofónico.
  • 1969 - Prémio Nacional de Teatro e o Prémio da Imprensa pela sua interpretação em A Dança da Morte de Strindberg.
  • 1984 - Prémio da revista Eles e Elas, pelo seu trabalho em Comédia À Moda Antiga de Arbuzov
  • 1985 - Prémio de Crítica em Virgínia (Vida de Virgínia Woolf) de Edna O'Brian.
  • 1987 - Troféus de cinema das revistas Nova Gente e Sete, pelo seu desempenho no filme de Fonseca e Costa A Balada Da Praia Dos Cães
  • 1991 - Medalha de Mérito Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura
  • 1992 - Troféu de Prestígio, revista Sete
  • 1998 - Prémio da Casa da Imprensa pelo seu trabalho em Jardim Zoológico de Cristal de Tennessee Williams.
  • 1998 - Distinguida pela Federação Iberolatina Americana de Artistas Intérpretes ou Executantes pela sua trajectória profissional e humana
  • 2003 - Edição do seu CD de poesia Poemas Da Minha Vida
  • 2003/2004 - No Teatro Aberto, tomou parte da peça Copenhaga, de Michael Frayn, tendo ganho o Globo de Ouro como Melhor Actriz de Teatro (2004)
  • 2004 - Interpreta a personagem de Luisa Todi num disco editado por ocasião do centenário da cantora e doi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural dos Municípios de Cascais e de Oeiras.
  • 2005 - Agraciada pelo Presidente da República a 13 de Maio com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.[5]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Telenovelas
Séries

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Retrato inacabado (1984);
  • No palco da memória (2013).

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou em Vila Nova de Gaia, Santa Marinha, 30 de Abril de 1947 com Vítor Manuel Carneiro Veres (Lisboa, Encarnação, 13 de Junho de 1917 - 18 de Abril de 2011), Engenheiro, filho de Manuel Henriques Veres e de sua mulher Josefina Aurora Carneiro,[6] de quem teve um filho:

  • Rui Manuel Sarmento Veres (Lisboa, 9 de Março de 1948)

Referências

  1. «Lista de associados da Audiogest» (PDF). Actividades Culturais / Ministério da Cultura. 25 de Julho de 2007. Consultado em 30 de Dezembro de 2013 
  2. «Carmen Dolores» (em inglês). rateyourmusic.com. Consultado em 19 de Janeiro de 2015 
  3. "Sarmentos e Bejas", Jorge Manuel de Albuquerque de Oliveira da Quinta e Lourenço de Figueiredo Perestrelo Correia de Matos, Jorge Manuel de Albuquerque de Oliveira da Quinta, 2009, pp. 147, 150 e 152
  4. Jornal de Letras n.º 1199 (14 a 27 de setembro de 2016), pág. 14.
  5. a b «Ordens Honoríficas Portuguesas». Presidência da República Portuguesa. Ordens.presidencia.pt 
  6. "Sarmentos e Bejas", Jorge Manuel de Albuquerque de Oliveira da Quinta e Lourenço de Figueiredo Perestrelo Correia de Matos, Jorge Manuel de Albuquerque de Oliveira da Quinta, 2009, pp. 152, 153 e 154