Elke Maravilha

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Elke Maravilha
Elke Maravilha
Nascimento 22 de fevereiro de 1945
Leningrado, União Soviética
Nacionalidade Alemanha alemã
Rússia russa (despatriada)
Brasil brasileira (cassada)
Morte 16 de agosto de 2016 (71 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Ocupação atriz, modelo, apresentadora, jurada

Elke Maravilha, nome artístico de Elke Georgievna Grunnupp (em russo: Элке Георгевна Груннупп; Leningrado, 22 de fevereiro de 1945Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), foi uma manequim, modelo, jurada, apresentadora e atriz nascida na Rússia com cidadania alemã radicada no Brasil.[1][2][3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha do russo George Grunupp e da alemã Liezelotte von Sonden, Elke nasceu na antiga Leningrado, hoje São Petersburgo.[4] Ela tinha seis anos quando sua família emigrou para o Brasil, fugindo de perseguições políticas do stalinismo soviético. O casal e os três filhos, privados da cidadania russa, se estabeleceram primeiramente em um sítio em Itabira, MG. Em 1955 sua família arrendou terras em Atibaia, SP, dedicando-se ao cultivo de morangos. Em seguida, a família mudou-se para Bragança Paulista, SP, onde também cultivou a terra.[2][5] De volta a Minas Gerais, foi escolhida Glamour Girl em Belo Horizonte em 1962.[6] Foi nesse período que foi naturalizada brasileira.[2] Aos 20 anos, ela saiu de casa para morar sozinha no Rio de Janeiro, RJ, onde arrumou emprego como secretária bilíngue, valendo-se de sua fluência em oito idiomas, muitos deles aprendidos no próprio ambiente familiar, além de ser a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa e de inglês na União Cultural Brasil – Estados Unidos.[2][7] Nesse meio tempo seu pai tornou-se diretor da Liquigás e foi transferido para Porto Alegre, RS. Elke então voltou a morar com a sua família em Porto Alegre entre 1966 e 1969, onde cursou cadeiras nas faculdades de Filosofia, Medicina e Letras da UFRGS e se formou tradutora e intérprete de línguas estrangeiras.[2] Começou a atuar como modelo e manequim aos 24 anos, em 1969,[2] no mesmo período em que se casou com o escritor grego Alexandros Evremidis, o primeiro de seus oito casamentos.[8][7][9]

No início da carreira Elke conheceu a estilista Zuzu Angel, de quem se tornou amiga. Durante a ditadura militar, em 1971, ela foi presa por desacato no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por rasgar cartazes com a fotografia de Stuart Angel Jones, filho da amiga Zuzu, alegando que ele já havia sido morto pelo regime.[2] Foi enquadrada na Lei de Segurança Nacional e perdeu a cidadania brasileira, o que a deixou apátrida.[2][3][10][11][12][13] Só foi solta depois de seis dias após a intervenção de amigos da classe artística. Anos depois, requisitou a cidadania alemã, a única que possuía.[14][9] A história da estilista foi contada nos cinemas em 2006 no longa Zuzu Angel. No filme, Elke foi interpretada pela atriz Luana Piovani e fez uma participação especial.[15]

Sua vida pessoal sempre foi conturbada. Morou em diversos países e teve oito casamentos, com homens de diversas nacionalidades. Fez três abortos, fruto de seus três primeiros casamentos, pois jamais quis ser mãe, e sempre achou que com seu jeito rebelde de ser, jamais poderia educar uma criança de forma digna. Contou em entrevistas que tomava pílula anticoncepcional, mas fora enganada por alguns desses maridos, que queriam ser pais, e em vez de tomar a pílula certa, Elke tomava a pílula de farinha. Após descobrir isto, começou a usar DIU. Elke também foi usuária de todos os tipos de drogas ilícitas, além de todos os tipos de bebida alcoólica. Dizia que não tinha preferência por nenhum tipo de homem, e sim, que tinha pressa de namorar.[9][16][17][18]

Morreu, aos 71 anos, na madrugada de 16 de agosto de 2016 por volta da 1h, vítima de falência múltipla dos órgãos. A atriz estava internada na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, desde o dia 20 de junho, após uma cirurgia para tratar uma úlcera.[19][20][21] O corpo foi velado no Teatro Carlos Gomes, no Rio, na manhã do dia 17 de agosto.[22] Antes de ser internada, Elke pediu a seu irmão Frederico que ela estivesse linda em seu enterro. Portanto, ela foi vestida com um vestido feito especialmente para o seu musical "Elke Canta e Conta" e maquiada por amigos do jeito que ela costumava se maquiar.[22] O corpo foi enterrado por volta das 17h do dia 17 de agosto no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio.[23]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Elke Maravilha

Começou a atuar como modelo e manequim aos 24 anos, vindo a trabalhar com estilistas famosos da época e foi considerada como inovadora nas passarelas. Inicialmente discreta, com o tempo ela abriu espaço para sua extravagância.[2] Chamando atenção por ser bastante alta (1,80m) e loira natural, não pensava em seguir carreira artística, já que dava aulas de língua estrangeira há alguns anos, e gostava do que fazia. Apesar disto, foi convencida por muitas pessoas, pois era considerada de uma beleza exótica para os padrões do Brasil. Aceitou os convites que vieram e começou a sua carreira com Guilherme Guimarães. Tornando-se famosa no mundo da moda, parou de dar aulas e conquistou sucesso.[4][10]

Elke fez cursos de cinema e teatro e trabalhou na televisão: foi batizada como Elke Maravilha pelo jornalista Daniel Más, e se tornou conhecida ao ser chamada dessa forma por Chacrinha, com quem ela trabalhou durante 14 anos, a partir de 1972.[2][10][4] Elke Maravilha tornou-se popular na TV brasileira nos anos 70 e 80, aparecendo como jurada de programas de calouros do Chacrinha e de Silvio Santos.[24] Nesses programas sempre usava perucas e roupas chamativas e buscava passar mensagens positivas para os espectadores.[25] Em 1993, estreou o 'Programa da Elke', onde recebia personalidades para bate-papo e entrevistas.[15]

Começou a trabalhar como atriz em O Barão Otelo no Barato dos Bilhões, com Grande Otelo, e atuou em filmes como Pixote, de Héctor Babenco; Quando o Carnaval Chegar e Xica da Silva, de Cacá Diegues. Por sua interpretação em Xica da Silva, Elke foi premiada com a Coruja de Ouro como melhor atriz coadjuvante.[2][4] No teatro foi expoente do Movimento de Arte Pornô.[26] Sua estreia como atriz na televisão foi em 1986 como dona de um bordel na mini-série Memórias de um Gigolô, com direção de Walter Avancini, e a atuação lhe rendeu o convite para ser madrinha da Associação das Prostitutas do Rio de Janeiro.[2][4][27]

Em 2016 a atriz estava em cartaz com Elke Canta e Conta, peça itinerante sobre sua história, em que contava da sua infância na Rússia, dos casamentos e de sua vida como modelo e apresentadora.[28] 

Televisão[editar | editar código-fonte]

Novelas, Seriados e Programas
Ano Título Papel Notas
1973 A Volta de Beto Rockfeller Sofia
1979 Milagre - O Poder da Fé Ela mesma
1986 Memórias de um Gigolô Madame Yara
1988 - 1991 Cassino do Chacrinha Jurada
Show de Calouros Jurada
1993 - 1996 Programa Elke Maravilha Apresentadora
1998 Pecado Capital Ela mesma Participação Especial
2004 Big Brother Brasil 4 Jurada
Celebridade Ela mesma Participação Especial
Da Cor do Pecado Jurada Participação Especial
2007 Luz do Sol Urânia Szakaly
2009 Caminho das Índias Ela mesma Participação Especial
2012 Morando Sozinho Dona Violeta
2013 As Canalhas Cacala
Destino: Rio de Janeiro Tia Selesniova
2015 Fantástico Ela mesma Quadro O Grande Plano

Cinema[editar | editar código-fonte]

Longas, Documentários & Curtas
Ano Título Papel
1970 Salário Mínimo Modelo
1971 O Barão Otelo no Barato dos Bilhões Secretária
1972 Os Machões
Quando o Carnaval Chegar Atriz Francesa
1973 O Rei do Baralho
1974 Gente que Transa Esmeralda
1976 Xica da Silva Hortência
1977 Tenda dos Milagres
A Força de Xangô Iaba
Pastores da Noite
1978 Elke Maravilha Contra o Homem Atômico Elke Maravilha
1979 A Noiva da Cidade Daniela[29]
O Milagre
1981 Pixote, a Lei do Mais Fraco Débora
1987 No Rio vale tudo
Romance Amiga de Antônio César
Tanga: Deu no New York Times
1988 Wiezien Rio Frank
1999 Xuxa Requebra Iara Macedo "Macedão"
2006 Zuzu Angel Lieselotte
2007 Elke Ela Mesma
Elke no país das Maravilhas Ela Mesma
2010 A Suprema Felicidade Avó de Paulo
A Maravilha de ser Elke Ela Mesma
2011 Fca Carla[30] Lúcia
2013 Mato sem Cachorro Dona Noara
Meu Passado Me Condena Mirtes
2015 A Lenda do Gato Preto Angelina
Super Oldboy Senhora
2016 Carrossel 2: O Sumiço da Maria Joaquina Dona Lelé

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • Paixão de Cristo[31][32]
  • Elke – do Sagrado ao Profano
  • Viva o Cordão Encarnado
  • O Castelo das Sete Torres
  • Rio de Cabo a Rabo
  • Eu Gosto de Mamãe
  • Carlota Joaquina
  • A Rainha Morta
  • O Homem e o Cavalo
  • Orfeu da Conceição
  • O Lobo da Madrugada
  • Carlota Joaquina

Referências

  1. «Elke Maravilha - Website Oficial». www.elkemaravilha.com.br. Consultado em 2016-08-16. 
  2. a b c d e f g h i j k l «Elke Maravilha morre aos 71 anos, no Rio de Janeiro». 2016-08-16. Consultado em 2016-08-16. 
  3. a b «ELKE MARAVILHA, UMA MULHER FORTE, CAPAZ DE UM ATO HEROICO NOS ANOS DE CHUMBO.». 2012-12-26. Consultado em 2016-08-16. 
  4. a b c d e «Elke Maravilha faz 70 anos e fala sobre sexo, preconceito e drogas: ‘Até crack eu já fumei’». Extra. Globo.com. 22 de fevereiro de 2015. Consultado em 2016-08-16. 
  5. «Ilha das Flores». www.hospedariailhadasflores.com.br. Consultado em 2016-08-16. 
  6. «Elke tinha uma forte ligação com Minas Gerais». 2016-08-16. Consultado em 2016-08-16. 
  7. a b «Apátrida e oito maridos: os bastidores da vida de Elke Maravilha». Veja. Consultado em 2016-08-16. 
  8. «Elke Maravilha morou em Porto Alegre no final dos anos 1960». Consultado em 2016-08-16. 
  9. a b c Márcia Montojos. «Elke Maravilha ‘‘Silvio Santos é a pior pessoa do mundo’’». ISTOÉ Gente. Terra Networks. Consultado em 3 de janeiro de 2015. 
  10. a b c Soares, Alessandro (17 de junho de 2005). «Elke Maravilha solta o verbo entre o sagrado e o profano». Diário do Grande ABC. Consultado em 12 de julho de 2016. 
  11. «“Eles não gostam de gente que pensa”, revela Elke Maravilha sobre ausência da TV». RD1. 19 de março de 2015. Consultado em 12 de julho de 2016. 
  12. «Elke Maravilha, filha da guerra». Farofafá. Consultado em 2016-08-16. 
  13. Silvana Arantes (30 de julho de 2006). «"Resolvi enlouquecer no Dops", lembra Elke». Folha de S. Paulo. UOL. Consultado em 3 de janeiro de 2015. 
  14. «Debaixo da peruca loira». O Povo. Consultado em 28 de dezembro de 2011. 
  15. a b «Morre Elke Maravilha aos 71 anos no Rio de Janeiro - Últimas Notícias - UOL TV e Famosos». Consultado em 2016-08-16. 
  16. Laís Rissato. «Elke Maravilha: “Estou com a validade vencida”». Quem. Globo.com. Consultado em 3 de janeiro de 2015. 
  17. «Elke Maravilha relembra os três abortos que fez: “Nunca tive arrependimento” - Entretenimento - R7 Famosos e TV». entretenimento.r7.com. Consultado em 2016-08-16. 
  18. «Morre Elke Maravilha aos 71 anos no Rio de Janeiro - Entretenimento - BOL Notícias». noticias.bol.uol.com.br. Consultado em 2016-08-16. 
  19. Felipe Abilio (16 de agosto de 2016). «Morre Elke Maravilha aos 71 anos». UOL TV e Famosos. UOL. 
  20. «Elke Maravilha morre aos 71 anos». G1. Globo.com. 16 de agosto de 2016. Consultado em 16 de agosto de 2016. 
  21. «Elke Maravilha segue sem previsão de alta: 'Consciente e sorrindo', diz irmão». EGO. Globo.com. 26 de julho de 2016. Consultado em 16 de agosto de 2016. 
  22. a b «Familiares e amigos vão a velório de Elke Maravilha no Rio de Janeiro». EGO. Globo.com. 17 de agosto de 2016. Consultado em 17 de agosto de 2016. 
  23. Satriano, Nicolas (17 de agosto de 2016). «Corpo de Elke Maravilha é enterrado no Rio». G1. Globo.com. Consultado em 17 de agosto de 2016. 
  24. «Morre a atriz Elke Maravilha, ex-jurada dos programas de Chacrinha e Silvio Santos - Jornal Opção». 2016-08-16. Consultado em 2016-08-16. 
  25. «Terceiro Milênio: confira a sinopse do tema que exalta Elke Maravilha». Sidney Rezende. Consultado em 2016-08-16. 
  26. Amanda, Fernanda; Henaro, Sol. “Overgoze,” in: Vv.Aa., Iva Baschi - Pornoarter (Madrid: Museo Reina Sofia, 2012), pp. 199-203.
  27. «Elke Maravilha». Museu da Televisão Brasileira. Consultado em 3 de janeiro de 2015. 
  28. «Morre Elke Maravilha, aos 71 anos». MdeMulher. 2016-08-16. Consultado em 2016-08-16. 
  29. Cinemateca Brasileira, A Noiva da Cidade [em linha]
  30. «Elke Maravilha no Ceará». Diário do Nordeste. 
  31. «Elke Maravilha no palco». O Dia. IG. 20 de março de 2016. 
  32. «Kayky Brito e Elke Maravilha encenam 'Paixão de Cristo' no Paraná». Caras. 23 de março de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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