Kabir

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Kabir (ou Kabira) (hindi: कबीर, urdu: کبير‎) (14401518) foi um dos grandes poetas místicos ou santos-poetas da Índia medieval, tendo composto poemas que evidenciam a fusão entre o movimento de bhakti hindu e o sufismo muçulmano, movimentos religiosos que exercem profunda influência cultural em todo o mundo até os nossos dias.

Kabir nasceu numa família de brâmanes hindus e foi mais tarde adotado por muçulmanos, no norte da índia, perto de Varanasi. Ainda jovem tornou-se discípulo Ramananda, que no norte da India difundia a doutrina de bhakti como promulgada por Ramanuja no sul do sub-continente, no século XII.

Kabir foi contemporâneo de outros protagonistas famosos do movimento de bhakti da Índia medieval, tais como Mirabai, Caitanya, Tulsidas e Guru Nanak, o principal preceptor dos sikhs.

Sua Doutrina[editar | editar código-fonte]

Kabir ficou famoso por desdenhar profundamente qualquer tipo de designação ou filiação religiosa, e sua filosofia e ideais de relacionamento amoroso com Deus eram expressos de maneira metafórica, conforme tanto a corrente vedantista do hinduísmo (advaita) quanto a corrente de bhakti, empregando o hindi, na forma vernacular.

Kabir expunha seus princípios religiosos de forma bastante simples, onde a vida nada mais é do que uma interrrelação entre Deus (paramatma) e a alma individual (jivatma), visando a união e harmonia. Ele considerava útil para a conclusão desta união a observância de alguns princípios religiosos, alguns tipicamente hindus como o conceito de um Absoluto, a reencarnação e as leis do karma, outros tipicamente sufis como o ascetismo e misticismo, tendo influenciado não somente os hindus e muçulmanos da sua época, como também enormemente os sikhs, a ponto de Kabir ser considerado um dos gurus do principal preceptor dos sikhs, Guru Nanak.

Mas na verdade, em sua obra mais eminente, o Bijak (a Semeadura), ele rejeitava tanto os Vedas quanto o Corão, e advogava a simplicidade do caminho sahaja (o caminho natural; lit “da sua própria maneira”) que a alma individual acaba se unindo ao Absoluto. Sua grande obra filosófica é considerada a quintessência do ecletismo religioso e pode ser resumida com a sua expressão mais famosa: “Koi bole Ram Ram Koi Khudai..”, “quer alguém cante Rama (nome hindu de Deus) ou Khuda (nome árabe de Deus) ...” o objetivo é sempre o mesmo, pois Deus é um só.

Existe uma história popular a respeito de sua morte, que é ensinada como evento histórico em muitas escolas indianas, dizendo que tanto hindus quanto muçulmanos brigavam pelos seus restos mortais, os hindus desejando cremá-los conforme a sua tradição e os muçulmanos querendo enterrá-los, seguindo os seus costumes. Quando abriram o caixão para disputar o corpo, lá encontraram um livreto sobre sua filosofia desdenhando tanto as crenças hindus quanto as muçulmanas e um buquê de suas flores favoritas! O corpo do santo havia desaparecido e nunca jamais foi encontrado.

Obra poética[editar | editar código-fonte]

A poesia de Kabir tornou-se conhecida no Ocidente em 1915, quando Rabindranath Tagore traduziu, para o inglês, cem de seus poemas, cuja edição foi realizada com a colaboração de Evelyn Underhill[1]. Esta versão está disponível no Projeto Gutenberg[2].

Em 2003, a obra de Kabir foi traduzida com maior abrangência e rigor, por Vinay Dharwadker[3]. Canções de Kabir foi traduzida por Arvind Krishna Mehrotra[4]

A tradução brasileira dos cem poemas, foi feita por José Tadeu Arantes, a partir da versão inglesa de Tagore. Doze poemas em versão portuguesa estão disponíveis no blog do tradutor[5].


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Encyclopaedia Britannica, "Kabir", disponível online http://www.britannica.com/eb/article-9044255/Kabir

Songs of Kabir, traduzida para o ingles por Rabindranath Tagore, New York, The Macmillan Company 1915.

Kerry e Portmess (ed.), Religious Vegetarianism : From Hesiod to the Dalai Lama 1999, p. 47-49.

Referências

  1. Kabir (1915). Songs of Kabir (em inglês). Translated by Rabindranath Tagore. Introduction by Evelyn Underhilltradu. (New York: Macmillan). OCLC 1089040. 
  2. «Songs of Kabir by Kabir». Projeto Gutenberg (em inglês). 1915. Consultado em 16 mar. 2016. 
  3. Kabir (2003). The weaver's songs. Penguin classics (em inglês). Translated by Vinay Dharwadker (New Delhi; New York: Penguin Books). OCLC 55679775. 
  4. Kabir (2011). Songs of Kabir. New York Review Books classics (em inglês). Translated by Arvind Krishna Mehrotra (New York: New York Review Books). OCLC 644663900. 
  5. Arantes, José Tadeu. «12 poemas de Kabir». ISBN 9788585115456. Consultado em 16 mar. 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Kabir