Leucemia

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Leucemia
Uma de cada 2.880 crianças menores de 10 anos desenvolve leucemia, geralmente do tipo linfoide (LLA), sendo mais frequente entre os 2 e 5 anos.
Classificação e recursos externos
CID-10 C91-C95
CID-9 208.9
DiseasesDB 7431
MeSH D007938
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Leucemia é um grupo de cancros que surgem geralmente na medula óssea e causam um número elevado de glóbulos brancos.[1] Estes glóbulos brancos não estão totalmente desenvolvidos e são denominados células leucémicas.[2] Os sintomas incluem hemorragias e contusões, fadiga, febre e aumento do risco de infeções,[2] e podem ocorrer devido à ausência de célula sanguíneas normais. O diagnóstico é geralmente feito através de análises ao sangue ou biópsia da medula óssea.[2]

Desconhece-se a causa exata da leucemia. Acredita-se que os diferentes tipos de leucemia têm diferentes causas e que estão envolvidos tanto fatores hereditários como ambientais.[3] Entre os fatores de risco estão o tabagismo, radiação ionizante, alguns produtos químicos (como o benzeno), historial de quimioterapia, síndrome de Down e historial familiar de leucemia.[3] [4] Existem quatro tipos principais de leucemia: leucemia linfoblástica aguda (LLA), leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfocítica crónica (LLC) e leucemia mieloide crónica (LMC), para além de vários tipos menos comuns.[4] [5] As leucemias e os [[linfoma]s pertencem a um grupo abrangente de tumores que afetam o sangue, a medula óssea e o sistema linfático.[6] [7]

O tratamento pode consistir numa combinação de quimioterapia, radioterapia, terapia dirigida e transplante de medula óssea, para além de terapia de apoio e cuidados paliativos conforme necessário. Alguns tipos de leucemia podem ser geridos com vigilância ativa.[4] A eficácia do tratamento depende do tipo de leucemia e da idade da pessoa. Em países desenvolvidos, o diagnóstico tem melhorado.[5] Nos Estados Unidos, a taxa de sobrevivência a cinco anos é, em média, 57%.[8] Em crianças com menos de 15 anos, a taxa de sobrevivência a cinco anos é superior a 60-85%, dependendo do tipo de leucemia.[9] Em pessoas com leucemia aguda que no prazo de cinco anos não voltem a ter cancro, é improvável que a doença reapareça.[9]

Em 2012, a leucemia afetava em todo o mundo 352 000 pessoas e foi responsável por 265 000 mortes.[5] É o tipo mais comum de cancro em crianças, nas quais três quartos dos casos são leucemia linfoblástica aguda.[4] No entanto, 90% dos casos de leucemia são diagnosticados em adultos, sendo os tipos mais comuns a leucemia mieloide aguda e a leucemia linfocítica crónica[5]

Classificação[editar | editar código-fonte]

A leucemia é o câncer mais comum em crianças, respondendo por 30% dos casos. Desses casos, 85% das leucemias são da forma linfoide aguda (LLA), 10% mieloide aguda (LMA) e 5% Mieloide Crônica (LMC).[10]

Clinicamente e patologicamente a leucemia é dividida em formas aguda e crônica.

  • A leucemia aguda é caracterizada pelo crescimento rápido de células imaturas do sangue. O tratamento deve ser imediato pela rápida progressão e acumulo de células malignas que invadem a circulação periférica e outros órgãos. Geralmente acomete em crianças, adultos e jovens.
  • A leucemia crônica é caracterizada pelo aumento de células maduras mas anormais. Sua progressão pode demorar de meses a anos. Geralmente acomete pessoas mais velhas.

Além disso, as doenças são classificadas entre linfoblásticas ou leucemias linfoides, que indicam que uma mudança cancerosa ocorreu em um tipo de célula da medula óssea que geralmente toma forma de linfócitos, ou mieloides ou leucemias mieloides, que indicam que uma mudança cancerosa ocorreu em um tipo de célula da medula óssea que normalmente toma forma de hemácias, alguns tipos de leucócitos e plaquetas. Leucemia linfocítica
(ou "linfoblástica") Leucemia linfocítica aguda (LLA) Leucemia linfocítica crônica (LLC)

Leucemia mieloide
(ou "não-linfocítica") Leucemia mieloide aguda (LMA) Leucemia mieloide crônica (LMC)

Dentro destas categorias principais, existem diversas subcategorias. Um dos tipos de leucemia classificado fora destas categorias inclui a leucemia de células pilosas.

Comparação dos tipos de leucemia
Tipo Ocorrência Taxa de sobrevivência em 5-anos Tratamento
Leucemia linfocítica aguda Tipo mais comum de leucemia em crianças jovens. Este tipo também afeta adultos, especialmente com mais de 65 anos. 85% em crianças e 50% em adultos[11] Medula óssea e de controlo da doença sistêmica, a prevenção da propagação da doença, por exemplo, ao Sistema Nervoso Central
Leucemia linfocítica crônica Mais frequentemente afeta adultos acima de 55 anos. Às vezes ocorre em adultos jovens, mas quase nunca afeta crianças. ⅔ dos afetados são homens. 75%[12] Incurável
Leucemia mieloide aguda Ocorre mais comumente em adultos do que em crianças, sendo mais comuns em homens do que em mulheres. 40% [13] Medula óssea e de controlo da doença sistêmica, a prevenção da propagação da doença, por exemplo, ao Sistema Nervoso Central
Leucemia mieloide crônica Ocorre principalmente em adultos. Um número muito pequeno de crianças também desenvolve esta doença. 90% Imatinib [14] [15]
Leucemia de células pilosas Cerca de 80% dos afetados são homens adultos. Não há caso relatados em crianças jovens. 96% a 100% em dez anos[16] Incurável, mas facilmente tratável

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Sintomas comuns de leucemia

As manifestações clínicas da leucemia são secundárias à proliferação excessiva de células imaturas (blásticas) na medula óssea, que infiltram os tecidos do organismo, tais como: amígdalas, linfonodos (ínguas), pele, baço, rins, sistema nervoso central (SNC) e outros. A proliferação rápida das células leucêmicas faz com que estas vão ocupando cada vez mais a medula óssea, não deixando mais as células normais (hemácias, leucócitos e plaquetas) se reproduzirem normalmente e saírem da medula óssea, causando sintomas diferentes a cada tipo da doença, tais como:

  • Síndrome anêmica: aparecem pela redução da produção dos eritrócitos pela medula óssea.
    • Sonolência;
    • Cansaço;
    • Irritabilidade e fraqueza;
    • Pouca fome, consequentemente, emagrecimento;
    • Palpitações;
    • Dores de cabeça;
    • Tonturas;
    • Desmaios;
    • Queda de Cabelos;
    • Palidez.
  • Síndrome trombocitopênica (hemorragias): aparecem pela redução de plaquetas que são de grande importância para a coagulação do sangue, pois evitam os sangramentos.
    • Hematomas (manchas roxas) grandes que aparecem sem trauma algum;
    • Hematomas (manchas roxas) que aparecem e reaparecem, sucessivamente, após pequeno trauma;
    • Petéquias (pequenas pintinhas vermelhas de sangue que aparecem na pele);
    • Petéquias dentro da boca;
    • Epistaxe;
    • Sangramento gengival;
    • Menstruação excessiva;
    • Algumas vezes, sangue nas fezes;
  • Síndrome leucopênica (mais neutropênica):aparecem pela diminuição de leucócitos normais, principalmente os neutrófilos, que atuam na defesa do organismo contra infecções.
    • Infecções frequentes;
    • Língua dolorida, machucada;
    • Aftas, machucados frequentes que aparecem e reaparecem dentro da boca ou no lábio;
    • Febre;
    • Algumas vezes, suor excessivo durante a noite e gânglios linfáticos saltados;
    • Esplenomegalia e/ou Hepatomegalia (alargamento do baço e/ou fígado).

Ocasionalmente, também pode ocorrer:

  • Infiltração das células leucemias nos órgãos, tecidos e ossos causando:
    • Dor nos ossos;
    • Dor no esterno;
    • Dor nas articulações;
    • Problemas nos órgãos.

Esses sintomas geralmente aparecem em "tríade", ou seja, pelo menos, um sintoma de cada síndrome (anemia, plaquetopenia, leucopenia). Por exemplo, uma pessoa pode apresentar sonolência, manchas roxas e febre. Porém, existem casos raros em que a pessoa apresenta apenas uma anemia normocítica de difícil tratamento.

Causas[editar | editar código-fonte]

Não existe uma causa única para todos os tipos de leucemia. Cada tipo de leucemia possui sua própria causa. Suspeita-se de ser causada por fatores diversos, dentre eles: herança genética, desencadeamento após contaminação por certos tipos de vírus, radiação, poluição, tratamento quimioterápico entre outros.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Alargamento do baço e fígado em paciente com leucemia.
  • Hemograma: ao fazer um exame de rotina, pode-se notar um hemograma anormal sugestivo de leucemia com presença de células imaturas ou uma proliferação excessiva de células aparentemente maduras. O hemograma não serve para classificar a leucemia, mas geralmente é o primeiro exame a ser notado alguma alteração. Também se verifica se há presença de anemia e trombocitopenia.
  • Mielograma: É um exame de grande importância para o diagnóstico, através da análise da morfologia das células e com o uso de provas citoquímicas. O mielograma é usado também para a avaliação da resposta ao tratamento, indicando se, morfologicamente, essas células leucêmicas foram erradicadas da medula óssea (remissão completa medular). Esse exame é feito sob anestesia local e consiste na aspiração da medula óssea seguida da confecção de esfregaços em lâminas de vidro, para exame ao microscópio. Os locais preferidos para a aspiração são a parte posterior do osso ilíaco (bacia) e o esterno (parte superior do peito). Durante o tratamento são feitos vários mielogramas.
  • Punção lombar: A espinal medula é parte do sistema nervoso, que tem a forma de cordão, e por isso é chamada de cordão espinhal. A medula é forrada pelas meninges (três membranas). Entre as meninges circula um líquido claro denominado líquor. A punção lombar consiste na aspiração do liquor para exame citológico e também para injeção de quimioterapia com a finalidade de impedir o aparecimento (profilaxia) de células leucêmicas no SNC ou para destruí-las quando existir doença (meningite leucêmica) nesse local. É feita na maioria das vezes com anestesia local e poucas vezes com anestesia geral. Nesse último caso, é indicado em crianças que não cooperam com o exame.
  • Citometria de fluxo: Pesquisa alguns marcadores de superfície das células imaturas. No caso de uma leucemia linfóide aguda é possível saber se a proliferação é de linfócito T ou B.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Geralmente duas semanas de quimioterapia já são suficientes para eliminar todas as células doentes do sangue.[17]

Como geralmente não se conhece a causa da leucemia, o tratamento tem o objetivo de destruir as células leucêmicas, para que a medula óssea volte a produzir células normais. O grande progresso para obter cura total da leucemia foi conseguido com a associação de medicamentos (poliquimoterapia), controle das complicações infecciosas e hemorrágicas e prevenção ou combate da doença no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Para alguns casos, é indicado o transplante de medula óssea.

O tratamento é feito em várias fases.
  • A primeira tem a finalidade de atingir a remissão completa, ou seja, um estado de aparente normalidade que se obtém após a poliquimioterapia. Os quimioterápicos mais utilizados são a citarabina (100–200 mg/m² por 7 dias) e a daunorrubicina (30–60 mg/m² por 3 dias). Este esquema é conhecido como 7+3. Esse resultado é conseguido entre um e dois meses após o início do tratamento (fase de indução de remissão), quando os exames não mais evidenciam células leucêmicas. Isso ocorre quando os exames de sangue e da medula óssea (remissão morfológica) e o exame físico (remissão clínica) não demonstram mais anormalidades.

Entretanto, as pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células leucêmicas (doença residual), o que obriga a continuação do tratamento para não haver recaída da doença. Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de leucemia (linfoide ou mieloide), podendo durar mais de dois anos nas linfóides e menos de um ano nas mieloides.
São três fases:

Hoje já é possível a coleta de células-tronco hematopéticas do sangue ou da medula. Infelizmente cerca de 60% dos pacientes não encontram doador na família e precisam buscar um doador compatível voluntário cadastrado no registro brasileiro de doadores de medula óssea (REDOME).[18]
  • consolidação (tratamento intensivo com substâncias não empregadas anteriormente);
  • reindução (repetição dos medicamentos usados na fase de indução da remissão) e
  • manutenção (o tratamento é mais brando e contínuo por vários meses).

Por ser uma poliquimioterapia agressiva, pode ser necessária o internamento do paciente nos casos de infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos normais pelo próprio tratamento.

Procedimentos médicos[editar | editar código-fonte]

  • Cateter Venoso Central: Como o tratamento da leucemia aguda pode alcançar até três anos de duração e requer repetidas transfusões e internações, recomenda-se a implantação de um cateter de longa permanência em uma veia profunda, para facilitar a aplicação de medicamentos e derivados sanguíneos além das frequentes coletas de sangue para exames, evitando com isso punções venosas repetidas e dolorosas.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Em 2008 foram estimados cerca de 351 mil casos novos e 257 mil óbitos por leucemia no mundo. No Brasil são estimados 5 novos casos a cada 100 mil homens e 4 a cada 100 mil mulheres. Por causa da diferença no acesso ao tratamento sobrevida após 5 anos é de 43% na Europa Ocidental, mas apenas 24% na América do Sul. Em crianças com acesso a hospitais modernos a sobrevida relativa em 5 anos alcança 80%.[19]

Em 2012, no Brasil, o INCA estima que houve cerca de 4.500 homens e 4.000 mulheres afetados. Em 2010 a leucemia causou cerca de 6000 vítimas.[20] Ainda segundo o INCA, em 2008 ocorreram no mundo cerca de 351 mil casos novos e 257 mil óbitos por leucemia.[19]

História[editar | editar código-fonte]

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A leucemia foi observada pela primeira vez pelo patologista Rudolf Virchow em 1845. Observando um número anormalmente elevado de glóbulos brancos em uma amostra de sangue de um paciente, chamado a condição Leukämie em alemão Patlak. Targeting Leukemia: From Bench to Bedside Breakthroughs in Bioscience. Visitado em 20 May 2010.

Referências[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Leucemia
  1. Leukemia. Visitado em 11 de março de 2015.
  2. a b c What You Need To Know About™ Leukemia (23 de dezembro de 2013). Visitado em 11 de março de 2015.
  3. a b (Jun 2010) "Childhood leukemia.". Pediatrics in review / American Academy of Pediatrics 31 (6): 234–41. DOI:10.1542/pir.31-6-234. PMID 20516235.
  4. a b c d A Snapshot of Leukemia. Visitado em 18 de junho de 2014.
  5. a b c d World Cancer Report 2014.. [S.l.]: World Health Organization, 2014. Chapter 5.13 p. ISBN 9283204298
  6. (30 de julho de 2009) "The 2008 revision of the World Health Organization (WHO) classification of myeloid neoplasms and acute leukemia: rationale and important changes.". Blood 114 (5): 937–51. DOI:10.1182/blood-2009-03-209262. PMID 19357394.
  7. Cătoi, Alecsandru Ioan Baba, Cornel. In: Alecsandru Ioan Baba, Cornel. Comparative oncology. Bucharest: The Publishing House of the Romanian Academy, 2007. p. Capítulo 17. ISBN 973-27-1457-3
  8. SEER Stat Fact Sheets: Leukemia National Cancer Institute (2011).
  9. a b Survival rates for childhood leukemia (11 de março de 2015).
  10. http://www.abrale.org.br/det_cancer_infantil/leucemia/index.php
  11. Harrison's Principles of Internal Medicine, 16th Edition, Chapter 97. Malignancies of Lymphoid Cells. Clinical Features, Treatment, and Prognosis of Specific Lymphoid Malignancies.
  12. Finding Cancer Statistics » Cancer Stat Fact Sheets »Chronic Lymphocytic Leukemia National Cancer Institute
  13. Colvin GA, Elfenbein GJ. (2003). "The latest treatment advances for acute myelogenous leukemia". Med Health R I 86 (8): 243–6. PMID 14582219.
  14. Patients with Chronic Myelogenous Leukemia Continue to Do Well on Imatinib at 5-Year Follow-Up Medscape Medical News 2006
  15. Updated Results of Tyrosine Kinase Inhibitors in CML ASCO 2006 Conference Summaries
  16. Else M, Ruchlemer R, Osuji N, et al. (2005). "Long remissions in hairy cell leukemia with purine analogs: a report of 219 patients with a median follow-up of 12.5 years". Cancer 104 (11): 2442–8. DOI:10.1002/cncr.21447. PMID 16245328.
  17. http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/leucemia-2/
  18. http://www.ameo.org.br/index.php/conhecimento/44-a-compatibilidade-hla
  19. a b http://www1.inca.gov.br/estimativa/2012/index.asp?ID=5
  20. http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/leucemia/definicao