Pancreatite

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Pancreatite
Esquematização do pâncreas
Classificação e recursos externos
CID-10 K85, K86.0-K86.1
CID-9 577.0-577.1
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Pancreatite é um processo inflamatório do pâncreas, glândula mista localizada atrás do estômago que produz enzimas digestivas e hormônios como insulina e glucagon. Pode ser aguda (poucos dias e reversível) ou crônica (muitas semanas e irreversível), ambos são graves e potencialmente fatais. As causas mais comuns são a obstrução do conduto pancreático por pedras biliares, alcoolismo e efeito adverso de medicamentos. [1]

Geralmente decorrente da ação de enzimas inadequadamente ativadas, que resulta em edema, hemorragia e necrose pancreática e peripancreática.[2] Cessada a causa que desencadeou a inflamação, a enfermidade poderá evoluir para a regeneração do órgão, com recuperação clínica, anatômica e fisiológica ou, então, marchar para sequelas decorrentes da cicatrização do parênquima.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Esquematização de um pâncreas, entre o duodeno e o baço. Sua principal função é a produção de enzimas digestivas e regulação do açúcar no organismo.

Há dois tipos que diferem nas causas e nos sintomas:

  • Aguda: Começa subitamente e em poucos dias causa hospitalização. Sua evolução rápida está associada a um elevado risco de complicações e mortalidade.
  • Crônica: Dura várias semanas e altera a estrutura e função do pâncreas irreversivelmente. Na crônica a dor é causada pelo comprometimento dos nervos do sistema nervoso simpático e obstrução canícular (litiase pancreática). Pode causar diabetes insulinodependente e adenocarcinoma de pâncreas.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Sinal de Cullen, hemorragia abdominal e inchaço ao redor do umbigo em homem adulto.
  • Dor abdominal (epigástrica) irradiando para as costas;
  • Abdômen distendido e sensível;
  • Náusea e vômitos que pioram depois de comer;
  • Perda de peso;
  • Desidratação;
  • Hemorragia interna;
  • Febre;
  • Icterícia (pele amarelada).

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Nos exames pode-se identificar:

  • Ruídos abdominais reduzidos;
  • Coloração violeta da pele abdominal (signo de Turner ou de Cullen);
  • Amilase e lipase no sangue mais de 3 vezes maior que o normal[3].

Causas[editar | editar código-fonte]

Sinal de Grey Turner indicando pancreatite hemorrágica em mulher de 40 anos.

Existem várias possíveis causas, sendo as mais comuns[4]:

Outras possíveis causas são:

Mulheres grávidas são mais sensíveis a desenvolverem problemas com o excesso de triglicerídeos. O consumo excessivo de refrigerantes e cafeína também está associado a danos ao pâncreas.

Causas infecciosas[editar | editar código-fonte]

Células pancreáticas.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

  • Moderação na ingestão de álcool. Quanto maior o volume ingerido, maior a toxidade, e o álcool é especialmente prejudicial ao pâncreas; Não consumir álcool é importante para não agravar o quadro e evitar a progressão da pancreatite;
  • Procure assistência médica se sentir uma dor forte na parte superior do abdômen que se espalha para as costas. Diagnóstico e início precoce do tratamento são fundamentais para a cura ou controle da doença.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento depende das causas e dos objetivos desse tratamento:

Limitar a intensidade da inflamação pancreática

  • Inibidores da secreção pancreática
  • Inibidores das enzimas pancreáticas
  • Inibidores dos mediadores inflamatórios

Interromper a alimentação do paciente para evitar complicações:

Medidas de suporte e tratamento das complicações:

Cirurgia[editar | editar código-fonte]

Entre os motivos para optar pela cirurgia incluem: pseudocisto, fístula, ascite ou uma obstrução das vias biliares fixa. A cirurgia para tratar a pancreatite incluem procedimentos de ressecção e drenagem.[5]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A incidência por ano de pancreatite aguda está em torno de 18 a cada 100.000 habitantes nos EUA e 16 a cada 100.000 habitantes na Europa.[6] A mortalidade no primeiro caso é menor que 1%, porém caso a pancreatite persista (passando a ser crônica) a mortalidade aumenta para 17-20% em menos de 3 anos após o diagnóstico e para 41% após 5 anos, sendo pior entre diabéticos.[7]

Costuma aparecer após os 40 anos, sendo a idade média do primeiro diagnóstico aos 48 anos. É cerca de seis vezes mais comum em homens adultos. Casos mal prognósticados estão relacionados com a persistência ao uso abusivo de álcool (em cerca de 60% dos casos), ao tabagismo, mau controle glicêmico e dor resistente a analgésicos.[8]

Referências

  1. http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/pancreatitis/symptoms-causes/dxc-20252598
  2. TARCISIO TRIVIÑO, GASPAR DE JESUS LOPES FILHO e FRANZ ROBERT APODACA TORREZ. Pancreatite aguda: o que mudou? Disciplina de Gastroenterologia Cirúrgica do Departamento de Cirurgia da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo
  3. Banks P, Freeman M (2006). "Practice guidelines in acute pancreatitis". Am J Gastroenterol 101 (2379–400): 2379–400. doi:10.1111/j.1572-0241.2006.00856.x .
  4. Cause and Burden of Acute Pancreatitis. https://pancreasfoundation.org/patient-information/acute-pancreatitis/acute-pancreatitis-diagnosis-and-treatment/
  5. http://emedicine.medscape.com/article/181554-overview#a5
  6. Eland IA, Sturkenboom MJ, Wilson JH, Stricker BH (2000). "Incidence and mortality of acute pancreatitis between 1985 and 1995". Scand. J. Gastroenterol. 35 (10): 1110–6. doi:10.1080/003655200451261. PMID 11099067.
  7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16680228
  8. Seicean A, Tantău M, Grigorescu M, Mocan T, Seicean R, Pop T. Mortality risk factors in chronic pancreatitis. J Gastrointestin Liver Dis. 2006 Mar;15(1):21-6.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Aula médica sobre pancreatite aguda: [1]