Permacultura

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Mandala da permacultura.

A permacultura que significa “cultura permanente”[1][2], é um sistema de princípios agrícolas e sociais cujo planeamento do seu design é centrado em simular ou utilizar diretamente os padrões e características observados em ecossistemas naturais e e foi estudada para dar resposta à nova e crescente consciencialização da degradação ambiental global. A própria designação “permanente” foi concebida como a antítese dos modernos sistemas industriais, incluindo sistemas de produção de alimentos que, através da sua dependência dos combustíveis fósseis e produtos químicos, foram-se revelando instáveis, não-resilientes e poluentes.[3].

Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável[4].

Actualmente, é assim considerada uma ciência de âmbito social e ambiental que alia o conhecimento científico com o conhecimento tradicional e popular assegurando dessa forma a permanência do ser humano como espécie no planeta Terra[5].

A permacultura, além de ser um método para planejar sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. Serve, portanto, como meta-modelo para a prática da visão sistêmica, podendo ser aplicada em todas as situações necessárias, desde como estruturar o habitat humano até como resolver questões complexas do mundo empresarial[6]- Não está limitada a design sustentável, também inclui engenharia ecológica, arquitetura bioclimática, construção. Também inclui gerenciamento integrado de recursos hídricos que desenvolve arquitetura sustentável e sistemas de habitat e agricultura regenerativos e auto-mantidos modelados a partir de ecossistemas naturais[7][8].

No fim, é uma filosofia e uma abordagem idealista que dá ênfase ao uso do solo agrícola que interliga clima, plantas, animais, ciclos de nutrientes, solo, gestão da água e necessidades humanas[9] num ambiente produtivo e criativo com estética, ética e harmonia, de acordo com os princípios básicos da natureza[10].

História[editar | editar código-fonte]

A permacultura tem na sua relação com a atividade agrícola uma síntese das práticas tradicionais com ideias inovadoras, unindo o conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar. E, neste ponto, encontra paralelos com a Agricultura Natural que, sendo difundida intencionalmente pelas pesquisas do japonês Masanobu Fukuoka por todo o mundo, chegaram às mãos dos fundadores da permacultura e foram por eles desenvolvidas[11].

O termo permacultura conhece a sua origem com os ecologistas australianos David Holmgren, então um estudante de pós-graduação, e Bill Mollison, inicialmente seu professor, na década de 1970, baseando-se no modo de vida integrado à natureza das comunidades aborígines tradicionais da Austrália,[12] que depois o desenvolveram e tem inspirado diversos movimentos sociais na direção de vidas mais socialmente justas e ecologicamente saudáveis, como é o caso das Cidades em Transição iniciado pelo permacultor Rob Hopkins[13].

Mais tarde, nos anos 80, para ensinarem a ética, princípios e fundamentos da permacultura, os seus fundadores vêm a desenvolver e a estabelecer cursos, com 72 horas. designados por PDC (sigla para o título em inglês "Permaculture Design Certificate course" ou seja, curso Certificado de Design em Permacultura)[14][15].

A ética da Permacultura[editar | editar código-fonte]

Os princípios da Permacultura vem da posição de Mollison de que

Pode-se dizer que os três princípios éticos ou pilares da Permacultura na sua versão contemporânea são:

  • Cuidar da terra: Provisão para que todos os sistemas de vida continuem e se multipliquem. Este é o primeiro princípio, porque sem uma terra saudável, os seres humanos não podem exercer suas qualidades.
  • Cuidar das pessoas: Provisão para que as pessoas acessem os recursos necessários para sua existência.
  • Cuidar do Futuro (Dixon, 2014; Harland, 2018; WithOnePlanet, 2017) incentivando Limites ao Crescimento e ao Consumo (Mollison, 1988) e a Partilha justa (Holmgren, 2002)[17]:

Que trata do compartilhamento justo dos excedentes limitando o consumismo. Repartir os excedentes: Ecossistemas saudáveis utilizam a saída de cada elemento para nutrir os outros. Nós, os seres humanos, podemos fazer o mesmo, compartilhando os excedentes, inclusive os conhecimentos. Limite de consumo: Usar apenas o necessário e reutilizar sempre o que puder, visando sempre a sustentabilidade e a redução tanto de custos, mas como também de recursos. Esses conceitos permitem a convivência e a troca de experiências com colegas, cursos, leituras e alguns parâmetros. Com ênfase no aproveitamento e reaproveitamento máximo dos materiais, evitando a criação de lixo desnecessário. Explorar a criatividade com as condições que a natureza dispõe, fechar ciclos produtivos, diversificar recursos de fontes de recursos e cooperar ao invés de competir, agregar e não fragmentar .A permacultura não é apenas uma técnica ou muito menos um pacote. É muito mais complexo que uma simples agricultura sem agrotóxicos, mais complexo que uma agricultura ecológica, ou sustentável, ou biodinâmica ou que sistemas agroflorestais. É uma forma de viver que pode ou não envolver essas e outras técnicas. Ao mesmo tempo é muito mais simples por ser a conduta natural das coisas. Necessita apenas de uma observação sem máscaras, da natureza, sem pressa e com atenção. Sem preconceitos. Permacultura é um sistema de planejamento de ambientes humanos complexos e sustentáveis em todos seus aspectos, onde cada item desse sistema tem suas características, necessidades e funções, sendo conectados de forma consciente pelo designer.[18]

Os princípios da Permacultura[editar | editar código-fonte]

Os 12 princípios de design da Permacultura articulados por David Holmgren em seu livro Permacultura Princípios e Caminhos Além da Sustentabilidade[19][20]

  1. Observe e interaja: Alocando tempo para engajar-nos com a natureza, podemos desenhar soluções adequadas à nossa situação particular.
  2. Capte e armazene energia: Desenvolvendo sistemas que coletem recursos que estejam no pico de abundância, podemos utilizá-los quando houver necessidade.
  3. Obtenha rendimento: Assegure-se de que esteja obtendo recompensas verdadeiramente úteis como parte do trabalho que você está fazendo.
  4. Pratique auto-regulação e aceite retornos: Precisamos desencorajar atividades inapropriadas para garantir que os sistemas continuem funcionando bem.
  5. Utilize e valorize recursos e serviços renováveis: Faça o melhor uso da abundância da natureza para reduzir nosso comportamento consumista e nossa dependência de recursos não renováveis.
  6. Evite o desperdício: Valorizando e fazendo uso de todos os recursos que estão disponíveis para nós, nada será desperdiçado.
  7. Projete dos padrões aos detalhes: Dando um passo atrás, podemos observar padrões na natureza e na sociedade. Estes padrões podem formar a espinha dorsal de nossos projetos, com os detalhes sendo preenchidos conforme avançamos.
  8. Integrar ao invés de segregar: Colocando as coisas certas no local certo, fazemos com que as relações entre uma e outra se desenvolvam e elas passam a trabalhar juntas para ajudar uma à outra.
  9. Utilize soluções pequenas e lentas: Sistemas pequenos e lentos são mais fáceis de manter do que sistemas grandes, fazendo uso mais adequado de recursos locais e produzindo resultados mais sustentáveis.
  10. Utilize e valorize a diversidade: A diversidade reduz a vulnerabilidade à uma variedade de ameaças e tira vantagem da natureza única do ambiente na qual reside.
  11. Utilize bordas e valorize elementos marginais: A interface entre as coisas é onde os eventos mais interessantes ocorrem. É onde frequentemente estão os elementos mais valiosos, diversificados e produtivos de um sistema.
  12. Utilize e responda criativamente às mudanças: Podemos ter um impacto positivo nas mudanças inevitáveis se as observarmos com atenção e intervirmos no momento certo.

Práticas da Permacultura[editar | editar código-fonte]

Canteiro Redondo[editar | editar código-fonte]

Partindo da ideia de um círculo, e dos padrões derivados deste, como os lóbulos e as espirais, ou a disposição destes em mandalas, os permacultores criaram várias formas de canteiros produtivos, viabilizando uma excelente produtividade e facilitando o manuseio dia a dia. Um desses modelos redondo e inovadores é o canteiro fechadura.[21]

O canteiro fechadura é um semicírculo na volta de um ponto, e tem como vantagens desse formado:

  • O círculo oferece a maior área interna útil em relação ao menor perímetro, facilitando assim o trabalho diário do jardineiro em combate as plantas invasoras
  • O círculo com buracos de fechadura permitem com que tenham um mínimo espaço não produtivo, possibilitando que seja um trabalho em uma área circular, onde você não retorna pelo mesmo lugar, onde há um economia de gasto energético
  • São canteiro simples e de instalação barata, economicamente viável para irrigar, pois área circular permite um melhor aproveitamento da água de irrigação.

Horta mandala[editar | editar código-fonte]

É um modelo de sistema de produção sustentável, onde visa uma produção diversificada e concentrada de alimentos visando como benefícios a otimização de pequenos espaços com a maximização das bordas, onde geralmente são desprezadas nos demais modelos.[22] Além disso:

  • Vários micro-climas em um mesmo canteiro
  • Possibilitando um maior harmonia na área, devido o uso de cultivo diversificado
  • Pelo formato em circulo, possibilita uma maximização do uso da água de irrigação

Minhocário[editar | editar código-fonte]

O minhocário é uma alternativa muito importante para produtores de hortaliças, além de ser uma técnica simples de construir, não há necessidade do uso de materiais especias. O minhocário tem como finalidade a produção de húmus, e sua utilização na propriedade vai de acordo com a necessidade do produtor.[23]

Banheiro seco: (Reutilização de fezes e urina humana como fertilizante)[editar | editar código-fonte]

O banheiro seco é um alternativa de banheiro ecológico, onde visa diminuição do uso de água, e o tratamento das fezes humanas. É uma construção diferente do banheiro convencional, não tem uso de água, e as fezes são feitas em locais diferente da urina. Construção deve ser feita em um local onde haja uma declividade, pois é necessário uma diferença de altura do local que você faz até o local onde você armazena os resíduos . Os resíduos são armazenados em locais sem contato com ambiente externo, e utiliza o processo de compostagem para sanitizar os dejetos humanos. Assim possibilitando que você possa reutilizar o material tratado como fertilizante para algumas plantas, mas com exceção algumas culturas que não são recomendada o uso. Além disso, tem como vantagens:[24]

  • Economia de água
  • Fonte de fertilizante
  • Fácil construção

Tem também[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Curso de Planeamento em Permacultura, Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2019
  2. A palavra permacultura referia-se originalmente à "agricultura permanente" - «Farmers of Forty Centuries: Or Permanent Agriculture in China, Korea anda Japan» (publicado em http://www.earthlypursuits.com/FarmFC/FFC/F_%20H_%20King%20Farmers%20of%20Forty%20Centuries.htm e https://www.academia.edu/9148622/The_making_of_an_agricultural_classic_Farmers_of_Forty_Centuries_or_Permanent_Agriculture_in_China_Korea_and_Japan_1911-2011) mas foi expandida para defender também a "cultura permanente", porque se entendeu que os aspectos sociais eram parte integrante de um sistema verdadeiramente sustentável, como se inspira na filosofia da agricultura natural de Masanobu Fukuoka - «Instituto de Permacultura: "Organização, Ecovilas e Meio Ambiente» (publicado em: http://www.ipoema.org.br/ipoema/home/conceitos/permacultura/historico-da-permacultura)
  3. O que é Permacultura?, por Laura Williams, Projeto Vida Desperta
  4. O que é a Permacultura, Horta Biológica
  5. Introdução à permacultura: 12 princípios fundamentais, A Cientista Agrícola, 12 de Junho de 2018
  6. O que é a Permacultura, Horta Biológica
  7. Hemenway, Toby (19 de maio de 2009). Gaia's Garden: A Guide to Home-Scale Permaculture, 2nd Edition (em inglês). [S.l.]: Chelsea Green Publishing. ISBN 9781603582230 
  8. The Basics of Permaculture Design=. [S.l.: s.n.] 
  9. Curso de Planeamento em Permacultura, Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2019
  10. O que é a Permacultura, Horta Biológica
  11. O que é a Permacultura, Horta Biológica
  12. «Permear — Rede de Permacultores». www.permear.org.br. Consultado em 11 de julho de 2013. Arquivado do original em 21 de outubro de 2013 
  13. Curso de Planeamento em Permacultura, Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2019
  14. O que é um curso de design de permacultura? (PDC), Permaculture Institute Asia
  15. PDC SYLLABUS, UPISF
  16. O que é a Permacultura, Horta Biológica
  17. O que é permacultura?, por Leticia dos Santos e Marcelo Venturi, UFSC
  18. Santos, Leticia (2015). Os princípios éticos e de planejamento da permacultura. Santa Catarina: UFSC 
  19. Holmgren, David (2013). «Permacultura: Princípios e caminhos além da sustentabilidade» (PDF). Holmgren Design Services. Consultado em 21 de janeiro de 2018 
  20. Holmgren, David (2007). «Fundamentos da permacultura» (PDF). Holmgren design services. Consultado em 21 de janeiro de 2018 
  21. Marcos, Valeria de (1 de dezembro de 2007). «Agroecologia e campesinato: uma nova lógica para a agricultura do futuro». Agrária (São Paulo. Online). 0 (7): 182–210. ISSN 1808-1150 
  22. Almeida, Valter (2012). «A HORTA MANDALA NA AGROFLORETA SUCESSIONAL: UMA ALIADA NA RESTAURAÇÃO AMBIENTAL» (PDF). Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. ISSN 1517-1256 Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. ISSN 1517-1256. Consultado em 21 de janeiro de 2018 
  23. Schiedeck, Gustavo (dezembro 2007). «Minhocário em túnel baixo: Alternativa barata para a produção de húmus» (PDF). Embrapa. Consultado em 21 de janeiro de 2018 
  24. Alvez, Bárbara (11 de agosto de 2009). «BANHEIRO SECO: ANÁLISE DA EFICIÊNCIA DE PROTÓTIPOS EM FUNCIONAMENTO» (PDF). UFSC. Consultado em 21 de janeiro de 2018 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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