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Historiografia do Reino medieval da Galiza

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Mapa incluído na "Historia General de España" de Modesto Lafuente, ano 1850.

O autor traduz o termo árabe Jalikiah (Galicia/Galiza) como Reino de Leão.

A primeira referência historiográfica explícita à existência do reino da Galiza data do século VI, quando o bispo Gregório de Tours chamou de Galliciensim regnum[1] o estado criado pelo povo germânico dos suevos na província romana da Galécia.

Este reino altomedieval perdurou, com dimensões e significados mutáveis, até o século XIX, quando, por meio de uma reforma administrativa, a organização tradicional da monarquia espanhola em reinos foi substituída por uma estrutura provincial centralizada.[2][3]

No entanto, historiadores espanhóis contemporâneaos alteraram referências ao reino da Galiza para reino das Astúrias e reino de Leão, apresentando a Galiza como um espaço subsidiário sem importância.[4] Esta interpretação foi contestada por alguns estudiosos galegos e reconhecida por outros historiadores.

O reino da Galiza na documentação histórica medieval

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A denominação "reino da Galiza", inicialmente usada para designar o reino Suevo, passou na islamização da Hispânia visigótica a representar todo o território peninsular cristão, excetuando a Marca Hispânica franca. Com o surgimento de novas entidades políticas no século XII (Portugal, Castela, Leão), o território foi diminuindo, e no século XV, após a separação do Bierzo, tinha aproximadamente o tamanho da atual Comunidade Autónoma Galega.

Período germânico. Referências documentais (c. V-VII)

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Bispados do Reino da Galiza.
século VI : Braga, Porto, Lamego, Coimbra, Dumio, Lugo, Ourense, Astorga, Iria, Britónia, Tui, Idaña, Viseu.[5]

No ano 411, Roma chegou a um acordo (foedus) com os suevos, pelo qual a província da Galécia lhe foi cedida para se assentarem. Este referente foi assumido pelos novos governantes, como se deduz da inscrição "MVNITA GALLICA",[6] presente em moedas da época.[7] No século VI, o clérigo francês Gregorio de Tours († 594), em sua obra Historia Francorum, já nomeava os domínios suábios como " Galliciensim regnum".[1][a]

Nos seus territórios, historiadores como Orósio (†420) e Idácio (†469) incluíam as Astúrias, Astorga e a planície leonesa Terra de Campos"Campos Gallaeciae".[9][10][11] Isidoro de Sevilha († 636) no século VII volta a indicar que as Astúrias estão dentro da Galiza.[12][13] As dimensões do reino galego são confirmadas pelos bispos do concílio de Braga[14] e concílio de Lugo, e da lista das sedes incluídas no parrochiale suevum (ca. 569), onde os bispados estão incluídos na "regione" galega.[15]

Em 585, a monarquia visigótica incorporou aos seus domínios o reino da Galiza, como é recolhido na crónica de Afonso III.[16] Este facto não significou o desaparecimento do reino galego (como o chama o poeta Fortunato [† ca. 600]):[17] O Liber Iudiciorum visigótico divide o território gótico em três áreas: Espanha, Gália e Galícia.[18]

Essa distinção também aparece em concílios visigodos (em 589 são estabelecidas orações para as igrejas da Espanha, Gália e Galícia,[19] e em 683 um decreto fiscal diferença entre os mesmo espaços territoriais para a sua aplicação),[20] e na crónica de João de Biclaro († 621), que diferencia a "província da Galécia" da "província dos godos"[21] e concorda em apontar os bispos da Espanha, Gália e da Galiza.[22]

O reino dos cristãos. Referências documentais (c. VIII-XI)

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V

e século XIII|XIII]], uma explicação que envolve questionar a utilização de fontes históricas feitas pelos historiadores espanhóis desde o século XIX para "esconder a existência do antigo reino da Galiza e impulsionar naqueles séculos a suposta importância do reino de Leão".[23]

  • 2021. O historiador José Manuel Barbosa publica em dois volumes a sua obra A evolução histórica dos limites da Galiza, texto em que se analisam as modificações das fronteiras galegas ao longo da história desde um ponto de vista centrado na Galiza que confronta as posições da historiografia tradicional.[24]
  • 2022. O ensaísta e estudioso Francisco Rodríguez Sánchez publica A relevancia do reino galego medieval, tomo I da sua obra Umha etapa estelar e conflitiva da Galiza (a segunda metade do século XIV). Nele expõe a eliminação e deturpação do Reino da Galiza pela historiografia espanhola, isto é, por exemplo, como a sua existência como entidade política independente é ocultada ou mesmo chamada de Reino das Astúrias. Explica também que o reino galego foi o primeiro da Península e os seus reis eram galegos.[25][26]
  • 2022. De 19 a 22 de setembro, realizou-se no Museu do Povo Galego o primeiro Congresso Internacional do Reino da Galiza,[27] com o objetivo expresso de acabar com a sua ocultação.[28]

Ver também

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Notas

  1. Existe uma referencia anterior ao Galliciae Regno numa epístola do papa León I datada no ano 447.[8] Se bem a súa autenticidade é duvidosa pois procedem de uma recesão do autor Pascasio Quesnello no século XVII. Uma edição literal da mesma carta de J.P. Migne em nenhum momento fala de "reino".

Referências

  1. 1 2 de Tours, Gregorio. Historia Francorum. VI. [S.l.: s.n.] p. 43. Galliciensim regnum
  2. Na realidade, não existe nenhum documento que suprima o Reino da Galiza; portanto, permanece dentro da Coroa espanhola.
  3. «"A forma en que se construíu o paradigma da historia de España foi un camiño no que Galicia ficaba á marxe"». Praza Pública (em galego). 27 de setembro de 2022. Consultado em 21 de dezembro de 2024
  4. Murado, Miguel-Anxo (2013). Outra idea de Galicia. [S.l.: s.n.] p. 50
  5. López Ferreiro, Antonio (1882). Monumentos antiguos de la iglesia compostelana. [S.l.: s.n.] p. 49. in tota Galliciae regione (Braga, Lugo, Dumio, Britonia (Mondoñedo), Iria (Compostela), Coimbra, Lamego, Ourense, Porto, Astorga, Tui, Idaña, Viseu)
  6. «MVNITA GALLICA PAX - Moedas galegas». 22 de fevereiro de 2020. Consultado em 17 de outubro de 2020. Arquivado do original em 17 de outubro de 2020
  7. López Carreira, Anselmo (2008). O reino medieval de Galicia. [S.l.: s.n.] p. 27
  8. León I (447). De haeresi et historia Priscillianistarum (em latim). [S.l.: s.n.] Consultado em 26 de novembro de 2020. Arquivado do original em 4 de janeiro de 2021. (..) et Bracarensibus synodis in Galliciae regnis apostolicae sedis decreto habitis" "(..)ad alia concilia in Galliciae regno
  9. Romero Masiá, Ana María; Pose Mesura (1988). Galicia nos textos clásicos. [S.l.: s.n.] p. 145. Cantabri et Astures Gallaecie provinciae portio sunt
  10. Florez (ed.). España Sagrada. 16. [S.l.: s.n.] in Asturicense urbe Gallaeciae
  11. Torres Rodríguez, Casimiro (1982). La Galicia romana. [S.l.: s.n.] pp. 108–110
  12. De Sevilla, Isidoro. Etymologiae (em latim). [S.l.: s.n.] regiones partes sunt provinciarum […] sicut in Gallicia Cantabria, Asturia
  13. Florez, ed. (1759). España Sagrada. 24. [S.l.: s.n.] p. 6. regiones partes sunt provinciarum […] sicut in Gallicia Cantabria, Asturia
  14. «Concilium Bracarense I». Consultado em 14 de outubro de 2019. Cum Galliciae provinciae episcopi
  15. Florez (ed.). España Sagrada. 4. [S.l.: s.n.] in tota Gallaeciae regione
  16. Crónica Albeldense. [S.l.: s.n.]
  17. Andrade Cernadas; López Carreira (2020). O reino medieval de Galicia. Crónica de uma desmemoria. [S.l.: s.n.] p. 45
  18. Scott (ed.). Forum judicum (PDF) (em inglês). [S.l.: s.n.] Where any scandal arises within the limits of Spain, Gaul, Galicia, or in any other province of our kingdom […]
  19. Tejada y Ramiro, Juan (1861). Colección de cánones y de todos los concilios de la iglesia de la iglesia de España y de America. 2. [S.l.: s.n.] p. 230. Per omnes ecclesia Spaniae, Galliae vel Galliciae
  20. Tejada y Ramiro, Juan (1850). Coleccion de canones y de todos los concilios de la iglesia española. [S.l.: s.n.] p. 516. In provinciam Galliae vel Galliciae atque in omnes provincias Hispaniae
  21. Bronisch, Alexander Pierre (2006). «El concepto de España en la historiografía visigoda y asturiana» (PDF). Norba: Revista de historia (em espanhol) (19): 9-42, en 11. ISSN 0213-375X
  22. Biclarensis, Iohannes (590). Chronicon. [S.l.: s.n.] Sancta synodus episcoporum totius Hispaniae, Galliae et Gallaetiae in urbe Toletana
  23. Andrade Cernadas, Xosé Miguel; López Carreira (2020). O Reino medieval de Galicia. Crónica dunha desmemoria. [S.l.: s.n.] p. 10
  24. Barbosa, Jose Manuel (8 de fevereiro de 2021). «José Manuel Barbosa: "Aceitamos a narrativa imposta pela inércia historiográfica oficial"». Consultado em 20 de março de 2021
  25. Conde, Sergio (15 de março de 2022). «Francisco Rodríguez: "Os historiadores españois ocultan a importancia do Reino de Galiza"»
  26. «Presentación en Ferrol de Unha etapa estelar e conflitiva de Galiza». 14 de fevereiro de 2022
  27. «Relatorios» (em galego). Consultado em 27 de setembro de 2022
  28. «Comeza o Congreso Internacional do Reino da Galiza» (em galego). 19 de setembro de 2022. Consultado em 27 de setembro de 2022

Bibliografia

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Ligações externas

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