São Paulo Já

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São Paulo Já
Logotipo do telejornal
Informação geral
Formato Telejornal
Gênero Local
Duração 1ª edição: 20-45 minutos
2ª edição: 10-15 minutos
Criador(es) José Bonifácio de Oliveira Sobrinho
País de origem  Brasil
Idioma original (em português)
Produção
Diretor(es) Alberico de Sousa Cruz (1990-1995)
Evandro Carlos de Andrade (1995-1996)
Paulo Roberto Leandro (local, 1990-1995)
Roberto Müller Filho (local, 1995-1996)
Apresentador(es) Carlos Nascimento, Rodolpho Gamberini, Augusto Xavier, Mariana Godoy, Carlos Tramontina, Sandra Annenberg
Tema de abertura Instrumental
Tema de encerramento Tema do filme "O Sobrevivente" (The Running Man (1987)), de Harold Faltermeyer (até 1992)
Exibição
Emissora de televisão original Brasil TV Globo São Paulo (Globo)
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 9 de julho de 199030 de março de 1996
N.º de episódios Vários
Cronologia
SPTV (1990)
SPTV (1996)

São Paulo Já[1] (também conhecido por SP Já) foi um telejornal local brasileiro exibido entre 1990 e 1996, pela TV Globo São Paulo, substituindo o SPTV. Estreou em 9 de julho de 1990, dia simbólico para o Estado de São Paulo, data de aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932.

O SP Já marcou a estreia de apresentadores como a ex-atriz Sandra Annenberg (que começou como a "moça do tempo" e atualmente apresenta e edita o Jornal Hoje) e Mariana Godoy, atualmente na RedeTV!.

História[editar | editar código-fonte]

São Paulo Já serviu como ensaio para o novo padrão de jornalismo pretendido pela Rede Globo para as suas emissoras, cuja intenção era fortalecer o noticiário local e aumentar a participação ao vivo das equipes de reportagem.

Pioneiro na Globo a ter seis boletins, que substituíram o Globo Cidade, que tratavam de notícias do momento, com cerca de três minutos cada, e que eram exibidos entre as duas edições durante toda a tarde e com um apresentador na função de âncora (Carlos Nascimento), ele foi o primeiro telejornal local a exibir notícias do Brasil e do mundo no horário do Praça TV 1ª edição, uma vez que ele ocupou a faixa do Jornal Hoje à tarde.

Com mais de 400 profissionais, entre comentaristas e técnicos na equipe, a primeira edição, com duração de 20 minutos, que aumentou em 1992 para 45 minutos, destacava as notícias locais e do interior e os acontecimentos nacionais e internacionais. A segunda apresentava um resumo dos fatos do dia e notícias curtas, somente com os assuntos do estado.

São Paulo Já procurava dar a mesma importância aos assuntos, mas buscava uma linguagem mais acessível e regional, com espaço para a descontração.

Até 9 de abril de 1994, o SP Já transmitia notícias nesse formato; a partir de 11 de abril, uma segunda-feira, o Jornal Hoje retornou a São Paulo, e o SP Já passou a gerar notícias apenas para a região metropolitana de São Paulo, tendo edições independentes em afiliadas como no Oeste Paulista, essa edição com meia hora de duração, a exemplo dos demais telejornais locais de outras emissoras globais. A justificativa para esse retorno foi o fato de o Jornal Hoje ter acertado na fórmula voltada para o público feminino do horário da tarde.[2]

Contando com uma equipe de profissionais regionais e em nível nacional — cerca de novecentos ao todo[3] —, três unidades móveis e um helicóptero, até então inédito no jornalismo global, a prioridade do SP Já era o jornalismo ao vivo, o que lhe dava agilidade e dinamismo que nem os jornais de rede possuíam para a época. A qualquer momento, um repórter de algum canto do estado poderia entrar na cobertura.

Para dinamizar a cobertura ao vivo com a participação efetiva dos repórteres, foram adquiridos para o telejornal equipamentos de última geração, que incluíam um helicóptero para a cobertura do trânsito, que pela primeira vez era utilizado sistematicamente, e com exclusividade, por um programa de televisão e aparelhos específicos para a análise da meteorologia. Três unidades móveis equipadas com mastros telescópicos permitiam links ao vivo de qualquer lugar da capital e de vários pontos do estado.

Carlos Nascimento comandava o telejornal ao estilo do âncora americano clássico, apresentando as notícias, intervindo nas entrevistas ao vivo, conversando com os repórteres, garantindo consistência e agilidade ao conjunto. Augusto Xavier dividia com Nascimento a apresentação do telejornal e Maurício Kubrusly (editor de cultura) participava como comentarista, ao lado de Joelmir Beting (economia) e Percival de Souza (polícia). Foi o primeiro jornal da emissora a investir pesado na previsão do tempo, que passou mais tarde a ser padronizada nos jornais da rede.

No início, inclusive, Silvana Teixeira, ex-apresentadora de programa infantil na TV Cultura paulista (Bambalalão), que apresentava o segmento reservado à meteorologia, dava as informações num tom considerado, à época, descontraído demais para se noticiar a meteorologia, entrando em estúdio às vezes portando walkman e agasalho.[4] Os dados, gráficos e imagens usados no quadro eram fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da cidade paulista de São José dos Campos.

Em junho de 1991, Carlos Nascimento deixou a função de editor-chefe do São Paulo Já, passando a atuar somente como apresentador ao lado de Rodolpho Gamberini, Augusto XavierSandra Annenberg. Sandra passou a integrar a equipe apresentando um segmento do noticiário e o quadro de previsão do tempo. O estilo adotado pela jornalista era mais sóbrio, em oposição radical ao tratamento anterior dado ao quadro pelo telejornal. Em julho de 1992, Rosângela Santos assumiu as funções de Sandra.

Com a volta da transmissão do Jornal Hoje em rede nacional, em abril de 1994, a primeira edição do São Paulo Já passou a ir ao ar às 12h45. O telejornal durava meia hora e privilegiava os assuntos da comunidade. Era ancorado por Carlos Tramontina. Já Carlos Nascimento manteve-se à frente do noticiário apenas na segunda edição, exibida às 19h45.

Apresentadores[editar | editar código-fonte]

Apresentadoras da Previsão do Tempo[editar | editar código-fonte]

Repórteres[editar | editar código-fonte]

Embora contasse com reportagens e repórteres da Rede, o SP Já possuía um time local, herdado do SPTV, com correspondentes em todo o estado de São Paulo. No início, eram 210 jornalistas na capital, mais 104 no interior, fora a parte técnica e comentaristas[5].

Seus principais representantes foram:

Fatos Históricos[editar | editar código-fonte]

Apresentadores[editar | editar código-fonte]

  • O SP Já foi criado para teste de um novo padrão de noticiário local da Rede Globo, o Praça Já. Carlos Nascimento foi cotado, na época, como o jornalista de maior credibilidade entre os paulistas, sendo recontratado para assumir o noticiário, uma vez que seu passe pertencia à RecordTV[6].
  • Por vezes o SP Já contava com dois e até três apresentadores. No início, Carlos Nascimento (atualmente no SBT) e Augusto Xavier (atualmente na RedeTV!) eram os titulares; mais tarde, Nascimento, Rodolpho Gamberini (Atualmente na TV Gazeta) e Sandra Annenberg fizeram a mesma divisão. A partir de 1991, com as mudanças em abertura e cenário - até então bem simples, posto que nem trazia o logotipo do jornal de fundo - a bancada era formada por três hexágonos dispostos lado a lado, um para cada apresentador. Na segunda edição, geralmente apresentada por um só jornalista, o hexágono do meio era ocupado.
  • Carlos Nascimento, por sua atuação no SP Já, recebeu o prêmio de melhor apresentador pela APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte - em 1993.
  • Na sua última aparição no SP Já, Silvana Teixeira, que estava de mudança para a RecordTV, onde integraria o elenco do programa infantil Agente G, não conseguiu concluir o quadro da previsão do tempo. Era um dia ensolarado, ela estava à beira da piscina de um clube, mas uma queda no sinal da unidade móvel interrompeu a transmissão. No estúdio estava Carlos Nascimento, desculpando-se ao telespectador pela falha. No dia seguinte, a até então "moça do tempo" já não mais apareceu no noticiário.
  • Em 1996, já perto da extinção, Sandra Annenberg passa à função de editora-adjunta da primeira edição, na função de âncora[7].

Patrocínio[editar | editar código-fonte]

  • O banco Banespa (atualmente controlado pelo Santander) foi o grande patrocinador do SP Já, a ponto de o patrocínio se fundir com a própria abertura do telejornal, que nunca era exibida isoladamente. Ficaram famosas as frases: "SP Já, oferecimento: Banespa, forte e completo" e "Banespa: a força da nossa gente"[8].

Arte visual[editar | editar código-fonte]

  • O logo do SP Já possui o formato estilizado do mapa do estado de São Paulo, tal qual encontrado em muitas calçadas da capital paulista. Ele foi alterado em 1994 com nova resolução gráfica, para ficar com as cores da bandeira do estado de São Paulo - preto, branco e vermelho.
  • Ao longo de sua breve vida, o SP Já teve três cenários: um em 1990, muito simples, com uma combinação de cores entre o vermelho, preto e branco; outro a partir de 1991, com cores lilás em degradê, e que lembrava muito o Jornal Hoje da época; e o derradeiro, a partir de 11 de abril de 1994, bem mais caprichado: o logo do jornal pintado no cenário, bancada com as cores do logotipo, e dois lugares definidos para os apresentadores, sendo que atrás deles ficavam três faixas transversais, nas cores branca, vermelha e cinza. Ao fundo, a cor azul-escuro em degradê dava o retoque no cenário da edição regionalizada do jornal.
  • No cenário, a partir de 1991 e na 1ª Edição, o logo do SP Já se movimentava para a direita, logo após a escalada de notícias, enquanto a câmera fechava no principal apresentador da bancada. Ao efetuar esse movimento, o espaço do logo exibia a data completa da edição (exemplo: 09 ABR 1994).

Transmissão[editar | editar código-fonte]

  • A primeira edição era exibida para todo o estado de São Paulo; já a segunda edição, que ia ao ar às 19h45, antes do Jornal Nacional, era exibida apenas para a região metropolitana da capital paulista, sendo que cada emissora do interior era responsável pela produção de jornalismo ainda mais regionalizado.
  • Em 10 de fevereiro de 1995, entretanto, o SP Já fez uma edição especial com uma hora de duração, exibida no lugar do programa Globo Repórter para todo o estado de São Paulo, por causa da calamidade das chuvas na capital paulista. A edição foi apresentada por Carlos Nascimento, e foi única na história do telejornal[9].
  • Durante eventos especiais, o SP Já e o Jornal Hoje faziam um pool para integrar suas coberturas, como foi nos casos do impeachment do presidente Fernando Collor, no assassinato da atriz Daniella Perez, na posse do presidente Itamar Franco e em outras ocasiões de repercussão nacional[10]. O pool era identificado pela aparição de apresentadores do Hoje, como William Bonner e Cláudia Cruz, pela omissão do nome do jornal - inclusive da aparição do logo no gerador de caracteres - pela mudança do tom do degradê do cenário, de lilás para azul-turquesa[11], e por às vezes "escapar" a trilha sonora do Jornal Hoje[12], bem como menções esporádicas do nome do jornal carioca.
  • Em 24 de dezembro de 1991, véspera de natal, o Jornal Hoje foi exibido em São Paulo no lugar do SP Já. Ignora-se o motivo desse "furo" na apresentação, que no dia contava com Valéria Monteiro e Cláudia Cruz na bancada. Foi a única vez em que São Paulo viu o tom lilás e vítreo da abertura do Hoje, exibida em rede até 1994.
  • Na sua última exibição para todo o estado de São Paulo, dia 9 de abril de 1994, o SP Já 1ª Edição exibiu, como era de costume, a entrevista do sábado. O problema esteve no fato de que a vinheta da entrevista do Jornal Hoje acabou escapando, e foi exibida no último bloco. Nesse dia, apresentavam o jornal Augusto Xavier e Mariana Godoy.

Declínio e retorno do SPTV[editar | editar código-fonte]

  • Em 1996, próximo da extinção, o SP Já começou a ser "despersonalizado". A trilha de abertura e escalada ganharam os acordes dos Praça TV[13]; o logo do cenário foi apagado, restando o fundo azul e as três faixas transversais, também usadas nos outros telejornais de âmbito regional da Globo. Na mudança definitiva, a abertura do SP Já foi substituída pela velha vinheta do SPTV, aposentada em 1990, por um curto período. O antigo cenário do SP Já, com as faixas transversais representando as cores do logotipo, foi reaproveitado ainda nessa fase[14].
  • A última edição do SP Já foi exibida em 30 de março de 1996, um sábado. Em 1º de abril, o SPTV retornava após seis anos fora da programação da TV Globo São Paulo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/telejornais/sao-paulo-ja.htm
  2. Telejornais ganham novo formato a partir de amanhã - O Globo, 10/07/1994.
  3. SP Já quer experimentar novo padrão - Folha de S.Paulo, 08/07/1990.
  4. "São Paulo Já" hesita e cria o falso âncora - Folha de S.Paulo, 10/07/1990.
  5. Com São Paulo Já, Globo parte para regionalização de seu jornalismo - Meio & Mensagem, 02/07/1990.
  6. Jornal paulista da Globo terá Carlos Nascimento - Folha de S.Paulo, 25/02/1990.
  7. Sandra Annenberg vai comandar 'SP Já' - Folha de S.Paulo, 17/03/1996.
  8. Fonte: Youtube - /watch?v=Tdem0Fp2L8A
  9. "Tom analítico salva noticiário da chuva" - Folha de S.Paulo, 13/02/1995.
  10. Fonte: Youtube - /watch?v=U15M5sge5d0
  11. Fonte: Youtube - /watch?v=VfEdOZaI5JQ
  12. Fonte: Youtube - /watch?v=DOl4eSUmT5g
  13. Fonte: Youtube - /watch?v=RMw7SPps1Mo
  14. Fonte: Youtube - /watch?v=Uh7VMY_Ayis

Ligações externas[editar | editar código-fonte]