Usina Hidrelétrica de Itaipu

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Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional
Itaipu Aerea.jpg

Usina de Itaipu
Nome: Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional
Capacidade: 14 000 MW
Barragem
- Altura 196 m
- Extensão 7,919 m
Área alagada: 1350 km2
Localização: Foz do Iguaçu  Brasil
Hernandarias Paraguai
Rio: Paraná
Período de construção: 1975-1982
Inauguração: 5 de maio de 1984 (31 anos)
Proprietário: República Federativa do Brasil e República do Paraguai

A Usina Hidrelétrica de Itaipu (em espanhol: Itaipú, em guarani: Itaipu) é uma usina hidrelétrica binacional localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A barragem foi construída pelos dois países entre 1975 a 1982, período em que ambos eram governados por ditaduras militares. O nome Itaipu foi tirado de uma ilha que existia perto do local de construção. No idioma tupi-guarani, o termo significa "pedra na qual a água faz barulho", através da junção dos termos itá (pedra), 'y (água) e pu (barulho).[1]

A Itaipu Binacional, operadora da usina, é a líder mundial em produção de energia limpa e renovável, tendo produzido mais de 2,2 bilhões de MWh desde o início de sua operação.[2] A Hidrelétrica das Três Gargantas, na China, que produziu cerca de 800 milhões de MWh desde o início de sua operação, com uma potência instalada 60% maior do que a de Itaipu (22.500 MWh contra 14.000 MWh). Em termos de recorde anual de produção de energia, a usina de Itaipu ocupa o segundo lugar, atrás somente de Três Gargantas, que produziu, em 2014, 98,8 milhões de MWh, o que equivale a 0,2% a mais do que o recorde anterior de Itaipu (98,6 milhões de MWh no ano de 2013)[3] .

O seu lago possui uma área de 1 350 quilômetros quadrados, indo de Foz do Iguaçu, no Brasil e Ciudad del Este, no Paraguai, até Guaíra e Salto del Guairá, 150 quilômetros ao norte, além de suas vinte unidades geradoras de setecentos megawatts cada, Itaipu tem uma potência de geração de 14 000 megawatts. É um empreendimento binacional administrada por Brasil e Paraguai no rio Paraná na seção de fronteira entre os dois países, a 15 km ao norte da Ponte da Amizade. A capacidade instalada de geração da usina é de 14 GW, com 20 unidades geradoras fornecendo 700 MW cada e projeto hidráulico de 118 m. No ano de 2013, a usina quebrou o seu próprio recorde de produção de 2012, com 98.630.035 megawatts-hora (MWh)[2] .

A Usina de Itaipu fazia parte da lista oficial de candidatas para as Sete maravilhas do Mundo Moderno, elaborada em 1995 pela revista Popular Mechanics, dos Estados Unidos, mas não ganhou o título.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Itaipu é uma palavra de origem tupi-guarani que significa "pedra que canta", através da junção de itá = pedra [5] e ipo'ú = cantora [6] , ou então "pedra na qual a água faz barulho", através da junção de itá (pedra), 'y (água, rio), e pu (barulho)[7] . Era o nome da pequena ilha que havia no atual local da usina, antes da obra [8] .

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A Usina de Itaipu foi resultado de intensas negociações entre os dois países durante a década de 1960. Em 22 de julho de 1966[9] , os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Juracy Magalhães e do Paraguai, Sapena Pastor, assinaram a "Ata do Iguaçu", uma declaração conjunta de interesse mútuo para estudar o aproveitamento dos recursos hídricos dos dois países, no trecho do Rio Paraná "desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do Rio Iguaçu".[10] O Tratado que deu origem à usina foi assinado em 1973.

Os termos do tratado, que expira em 2023, têm sido objeto de descontentamento generalizado por parte do Paraguai. O governo do presidente Fernando Lugo prometeu renegociar os termos do tratado com o Brasil, que permaneceu por muito tempo hostil a qualquer tipo de renegociação.[11]

Em julho de 2009, houve uma renegociação do Tratado de Itaipu, pela qual o Brasil aceitou passar a pagar o triplo do que pagava ao Paraguai pelo direito de uso da eletricidade produzida por Itaipu. O direito de uso é um excedente ao preço da energia que é pago diretamente ao governo paraguaio, ou seja não pode ser deduzido da dívida assumida pelo Paraguai.[12] No total, entretanto o preço total da energia subiu de US$ 45,31 por MWh para US$ 50,93 por MWh. Por esse acordo também, o Brasil passou a permitir que o excedente da energia paraguaia seja vendido diretamente às empresas brasileiras, se assim preferirem os paraguaios.[13] [14]

O acordo de Lula com Fernando Lugo do Paraguay permite que a energia de outras fontes (não de Itaipu) possa ser vendida a terceiros. Esta alteração no TRATADO DE ITAIPU não ocorreu. Não está inclusa nas notas reversais. Vale ressaltar também que durante décadas, pelos termos do acordo, o Brasil pagou pelo Mwh um valor bastante inferior ao preço de mercado, como contrapartida pelos gastos na construção da barragem e instalação da usina.

(Conforme publicado pelo Diário ABC do Paraguay en 26 de julho de 2013 sob o título Itaipú a favor de Brasil, encontra de Paraguay). "A lei federal brasileira 5899 de 5 de julho de 1973 obrigou a que as empresas brasileiras de distribuição da região sul e sudeste comprassem partes da potência de ITAIPU destinada ao Brasil, proporcionais a seus mercados próprios, ainda a preços superiores. A compra era portanto compulsória, independente da necessidade ou do preço. No ano de 1995, por exemplo, 10 anos depois do inicio da comercialização da energia de Itaipu o presidente da Companhia Paranaense de eletricidade - Copel - reclamava que o custo da energia de ITAIPU era cinquenta por cento superior ao custo de geração própria da empresa."

Esta situação perdurou por muitos anos. Em curtos espaços de tempo, quando a valorização da moeda brasileira foi excessiva, Itaipu apresentava tarifas competitivas em relação à produção interna brasileira.

Início da obra[editar | editar código-fonte]

Selo da Usina de Itaipu de 1973. Scott C363.

Em 1970, o consórcio formado pelas empresas PNC e ELC Electroconsult (da Itália) venceu a concorrência internacional para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. O início do trabalho se deu em fevereiro de 1971. Em 26 de abril de 1973, Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, instrumento legal para o aproveitamento hidrelétrico do Rio Paraná pelos dois países. Em 17 de maio de 1974, foi criada a entidade binacional Itaipu, para gerenciar a construção da usina. O início efetivo das obras ocorreu em janeiro do ano seguinte. Um consórcio de construtoras, liderado pela Mendes Júnior, executou o projeto[carece de fontes?].

Para a construção, foram usados 40 000 trabalhadores diretos. Para o material, foram usados 12 570 000 metros cúbico de concreto (o equivalente a 210 estádios Jornalista Mário Filho e uma quantidade de ferro equivalente a 380 Torres Eiffel.

Comparando a construção da hidrelétrica de Itaipu com o Eurotúnel (que liga França e Reino Unido sob o Canal da Mancha) foram utilizados 15 vezes mais concreto e o volume de escavações foi 8,5 vezes maior.

Em uma operação denominada Mymba Kuera (que em guarani quer dizer "pega-bicho"), durante a formação do reservatório, equipes do setor ambiental de Itaipu esforçaram-se em percorrer a maior parte da área que seria alagada para salvar centenas de exemplares de espécies de animais da região.

Acordo Tripartite[editar | editar código-fonte]

Itaipu à noite.

No dia 14 de outubro de 1978, foi aberto o canal de desvio do Rio Paraná, que permitiu secar um trecho do leito original do rio para ali ser construída a barragem principal, em concreto. Outro marco importante, na área diplomática, foi a assinatura do Acordo Tripartite entre Brasil, Paraguai e Argentina, em 19 de outubro de 1979, para aproveitamento dos recursos hidráulicos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três países. À época, quando os três países eram governados por ditaduras militares, havia o temor que o Brasil em um eventual conflito com a Argentina, abrisse completamente as comportas de Itaipu, aumentando os níveis de água do Rio da Prata e inundando a cidade de Buenos Aires.

Entretanto, caso houvesse o rompimento da represa de Itaipu, na verdade boa parte da água seria absorvida pela profunda calha do Rio Paraná poucos quilômetros depois da barragem e a Argentina está protegida pela represa da Usina de Yacyretá, localizada 400km abaixo de Itaipu. [15]

Inauguração e expansão[editar | editar código-fonte]

Construção na usina em setembro de 2003.

O reservatório da usina começou a ser formado em 13 de outubro de 1982[16] , quando foram concluídas as obras da barragem e as comportas do canal de desvio foram fechadas. Nesse período, as águas subiram 100 metros e chegaram às comportas do vertedouro às 10 horas do dia 27 de outubro, devido às chuvas fortes e enchentes que ocorreram na época. Em 5 de maio de 1984, entrou em operação a primeira unidade geradora de Itaipu. As 20 unidades geradoras foram sendo instaladas ao ritmo de duas a três por ano.

As duas últimas das 20 unidades geradoras projetadas entraram em operação entre setembro de 2006 e março de 2007, elevando a capacidade instalada de Itaipu para 14.000 MW, concluindo a execução da obra. Este aumento da capacidade permite que 18 unidades geradoras permaneçam gerando energia o tempo todo, enquanto duas permanecem em manutenção[17] .

A potência nominal de cada unidade geradora (turbina e gerador) é de 700 MW. No entanto, devido ao fato de a queda bruta real ser um pouco maior do que a queda bruta projetada, a potência disponível em cada unidade geradora é de aproximadamente 750 MW na maior parte do tempo, aumentando a capacidade de geração de energia da usina.

Para efeito de comparação, a vazão média das Cataratas do Iguaçu teria capacidade para alimentar pouco mais de duas unidades geradoras. A Itaipu produz uma média de 90 milhões de megawatts-hora (MWh) por ano. Com o aumento da capacidade e em condições favoráveis do rio Paraná (chuvas em níveis normais em toda a bacia) a geração poderá chegar a 100 milhões de MWh em um ano.

Vista panorâmica do topo da barragem.

Blecaute de 2009[editar | editar código-fonte]

Um grande blecaute de energia elétrica afetou 30% do território brasileiro e grande parte do Paraguai na noite de terça-feira, 10 de novembro de 2009[18] . É considerado um dos maiores apagões ocorridos no Brasil, podendo ter a mesma grandeza ou ser até maior que o blecaute de 11 de março de 1999 [19] .

O início do blecaute se deu às 22 horas e 13 minutos em uma subestação de energia elétrica de Furnas, localizada no município de Ivaiporã, no Paraná, devido a problemas em três linhas de transmissão nos estados de São Paulo e Paraná, impedindo que a energia gerada pela usina de Itaipu pudesse ser transmitida para os consumidores brasileiros [20] . O blecaute afetou vários municípios de 18 estados[21] .

Itaipu Binacional[editar | editar código-fonte]

Itaipu Binacional
Tipo Empresa binacional
Indústria Geração de hidroeletricidade
Produtos Energia elétrica
Acionistas Eletrobras (50%), ANDE (50%)
Sítio oficial www.itaipu.gov.py
www.itaipu.gov.br

A Itaipu Binacional é uma entidade binacional pertencente à República Federativa do Brasil e à República do Paraguai. É Foi constituída pelo Tratado de Itaipu para a operação da usina hidrelétrica. Seu aspecto de empresa jurídica de direito privado binacional deve-se às ordens jurídicas de ambos os países às quais está submetida.[22] Ao lado da Alcântara Cyclone Space, são as duas únicas organizações no Brasil que são classificadas como "Empresa Binacional" em relação à natureza jurídica.[23]

Os países possuem a mesma participação na entidade: a Eletrobras possui 50% e a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) os outros 50%, representando o Brasil e o Paraguai respectivamente. Ambos indicam paritariamente os doze membros do Conselho de Administração. Dos seis membros de indicação brasileira, um é da Eletrobras e outro do Ministério das Relações Exteriores. O Conselho elege a Diretoria Executiva também de forma paritária.[24]

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Sala de controle de Itaipu.
Espaço no interior da estrutura da Usina
Tubos da usina
Eixo que acopla a turbina ao gerador

Construção[editar | editar código-fonte]

  • O curso do rio Paraná, sétimo maior do mundo foi deslocado; com 50 milhões de toneladas de terra e rocha.[2]
  • A quantidade de concreto usado para construir a Usina de Itaipu seria suficiente para construir 210 estádios de futebol do tamanho do Estádio do Maracanã.[2]
  • O ferro e o aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel.[2]
  • O volume de escavação de terra e rocha em Itaipu é 8,5 vezes maior que o do Eurotúnel e o volume de concreto é 15 vezes maior.[2]
  • A sua construção envolveu o trabalho direto de 40 mil pessoas.[2]
  • Construída no final dos anos 70 pela Andrade Gutierrez.[25]

Geração e barragem[editar | editar código-fonte]

  • O comprimento total da barragem é 7919 metros. A elevação da crista é de 225 metros. A barragem de Itaipu é constituída basicamente por seis seções: barragem lateral direita, barragem principal, estrutura de desvio, barragem de terra direita, barragem de enrocamento e barragem de terra esquerda[26] .
  • A vazão máxima do vertedouro de Itaipu é de 62,2 mil metros cúbicos de água por segundo, o que corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu. A vazão de duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada) corresponde aproximadamente à vazão média das Cataratas do Iguaçu (cerca de 1500 metros cúbicos de água por segundo).[27]
  • O Brasil teria que queimar 536 mil barris de petróleo por dia para gerar em usinas termelétricas a potência de Itaipu.[2]
  • A barragem principal tem 196 metros de altura, o que é equivalente a um prédio de 65 andares.[2]
Produção anual de energia
Ano Número de
unidades instaladas
GWh
1984 0–2 277
1985 2–3 6 327
1986 3–6 21 853
1987 6–9 35 807
1988 9–12 38 508
1989 12–15 47 230
1990 15–16 53 090
1991 16–18 57 517
1992 18 52 268
1993 18 59 997
1994 18 69 394
1995 18 77 212
1996 18 81 654
1997 18 89 237
1998 18 87 845
1999 18 90 001
2000 18 93 428
2001 18 79 307
2002 18 82 914
2003 18 89 151
2004 18 89 911
2005 18 87 971
2006 19 92 690
2007 20 90 620
2008 20 94 685
2009 20 91 651
2010 20 85 970
2011 20 92 245
2012 20 98 287
2013 20 98 630[2]
2014 20 87 795
  • Barragem
    • A barragem, de 7919 metros, é feita de concreto, enrocamento e terra.
  • Unidades geradoras
    • Existem 20 unidades geradoras, sendo dez na frequência da rede elétrica paraguaia (50 Hz) e dez na frequência da rede elétrica brasileira (60 Hz).
    • As unidades de 50 Hz têm potência nominal de 823,6 MVA, fator de potência de 0,85 e peso de 3.343 toneladas.
    • As unidades de 60 Hz têm potência nominal de 737,0 MVA, fator de potência de 0,95 e peso de 3 242 toneladas.
    • Todas as unidades têm tensão nominal de 18 kV.
  • As turbinas são do tipo francis, com potência nominal de 715 MW e vazão nominal de 690 metros cúbicos por segundo[28] [29] .
  • Subestação
    • A subestação da usina é blindada em gás de hexafluoreto de enxofre (SF6), que permite uma grande compactação do projeto. Para cada grupo gerador existe um banco de transformadores monofásicos, elevando a tensão de 18 kV para 500 kV.
  • Vazão
    • A vazão máxima do vertedouro de Itaipu é de 62,2 mil metros cúbicos de água por segundo, o que corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu[27] .
    • A vazão de duas turbinas de Itaipu (700 metros cúbicos de água por segundo cada), corresponde aproximadamente à vazão média das Cataratas do Iguaçu (cerca de 1500 metros cúbicos por segundo).

Desempenho[editar | editar código-fonte]

Em 31 anos de operação, a Itaipu Binacional é líder mundial em produção de energia limpa e renovável, tendo produzido mais de 2,2 bilhões de MWh. Com 20 unidades geradoras e 14.000 MW de potência instalada, fornece cerca de 17% da energia consumida no Brasil e 75% no Paraguai. Em 2014, Itaipu produziu um total de 87.795.393 de Megawatts/hora (87,8 milhões de MWh). Sua maior produção anual foi estabelecida em 2013, com 98.630.035 de MWh. O recorde anterior ocorreu em 2012, com a geração de 98.287.128 de MWh[2] .

Apesar de gerar menos do que em 2013, Itaipu atingiu em 2014 o melhor índice de eficiência operacional dos 30 anos, com 99,3%. Na prática, isso significa que a operação da usina, que tem o objetivo de maximizar a utilização da água (energia disponível), atendendo as demandas dos sistemas elétricos brasileiro e paraguaio, teve quase zero de perdas. Ou seja, da água que poderia ser turbinada, quase nada foi vertido em 2014. Tudo o que chegou de água turbinável foi usado na produção de energia[30] .


Sistema de Transmissão[editar | editar código-fonte]

O sistema de transmissão de Itaipu conecta a três subestações situadas dentro da Central Hidrelétrica (duas subestações isoladas a gás, uma de 50 Hz e outra de 60 Hz, instadas dentro da Casa de Máquinas, e uma convencional de 50 Hz na Margem Direita) com os Sistemas Interconectados paraguaio e brasileiro[31] .

Subestações na Usina[editar | editar código-fonte]

  • SE-ITAIPU 60Hz (Subestação de Itaipu 60Hz): 4 linhas de transmissão de 500 kV (com cerca de 10 km de extensão) transmitem toda a energia do setor de 60 Hz até a SE-Foz do Iguaçu 60Hz (Subestação de Foz do Iguaçu 60Hz), que eleva a tensão para 765 kV.
  • SE-ITAIPU 50Hz (Subestação de Itaipu 50Hz): 4 linhas de transmissão de 500 kV (com cerca de 2 km de extensão) até a SE-MD 500kV (Subestação da Margem Direita 500kV).
  • SE-MD (Subestação da Margem Direita): 4 linhas de transmissão de 500 kV (com cerca de 9 km de extensão) transmitem a revenda de energia do Paraguai para o Brasil (até a SE-Foz do Iguaçu 50Hz - Subestação de Foz do Iguaçu 50Hz). Para o sistema paraguaio, saem 2 linhas de transmissão de 220kV até ES-ACARAY (Subestação de Acaray), 2 linhas de transmissão de 220kV até ES-CYO (Subestação de Carayao) e mais 1 linha de transmissão de 500kV (com cerca de 300km) até ES-Villa Hayes (Subestação de Villa Hayes, em Assunção, capital do país).

Interligação com Sistema Brasileiro[editar | editar código-fonte]

O escoamento da energia de Itaipu para o sistema interligado brasileiro, a partir da subestação de Foz do Iguaçu no Paraná, é realizado por Furnas e Copel. A energia em 50 Hz utiliza o sistema de corrente contínua de Furnas (Elo CC) e a energia em 60 Hz utiliza o sistema de 765 kV de Furnas e o sistema de 525 kV da Copel. E o ONS (Operador Nacional do Sistema) é o responsável pela coordenação e controle da operação da transmissão[32] .

  • SE-Foz do Iguaçu 50Hz: O pátio de corrente contínua (Corrente contínua em alta tensão), que recebe a energia em 50 Hz. Devido à incompatibilidade entre as frequências e as vantagens da transmissão em grandes distâncias, a energia é convertida através de circuitos retificadores para ±600 kV e transmitida por duas linhas até Ibiúna (São Paulo). Em Ibiúna, a energia é convertida para 60 Hz, interligando-se ao sistema do Sudeste.
  • SE-Foz do Iguaçu 60Hz: O pátio de corrente alternada, que recebe a energia em 60 Hz e eleva para 765 kV, saindo três linhas de transmissão. É o nível de tensão mais elevado existente no Brasil. As linhas seguem para as subestações de Ivaiporã (Paraná) e Itaberá (São Paulo), até chegarem à subestação Tijuco Preto que fica localizada no distrito de Quatinga em Mogi das Cruzes (São Paulo).

Interligação com Sistema Paraguaio[editar | editar código-fonte]

O escoamento da energia de Itaipu para o Paraguai é feito nas tensões de 500 kV e 220 kV a partir da subestação da Margem Direita para as subestações de Acaray, Carayao e Villa Hayes[33] .

Royalties[editar | editar código-fonte]

Nos 170 quilômetros de extensão, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, o Reservatório de Itaipu atinge áreas de 16 municípios, dos quais 15 no estado do Paraná e um no Mato Grosso do Sul. Como compensação, Itaipu paga royalties a esses municípios, proporcionalmente à área de terra alagada. No Paraguai, os recursos dos royalties são repassados ao Ministerio de Hacienda, que já recebeu, desde 1985, mais de US$ 4,5 bilhões. No Brasil, o Tesouro Nacional recebeu mais de US$ 4,8 bilhões em royalties, sendo 45% da compensação repassada aos Estados, 45% aos municípios e 10% para órgãos federais, de acordo com a Lei dos Royalties, em vigor desde 1991[34] .

Vista panorâmica da barragem.

Impacto[editar | editar código-fonte]

Lago formado pela construção de Itaipu.
Pôr do sol no Lago de Itaipu.

Reservatórios[editar | editar código-fonte]

Embora seja apenas o sétimo do Brasil em tamanho, o reservatório de Itaipu tem o maior aproveitamento em relação à área inundada. Para a potência instalada de 14 000 MW, foram alagados 1 350 quilômetros quadrados. Os reservatórios das usinas de Sobradinho, Tucuruí, Porto Primavera, Balbina, Serra da Mesa e Furnas são maiores do que o Itaipu, mas todos perdem na relação área inundada/capacidade instalada.

A usina mais potente no Brasil, depois de Itaipu, Tucuruí, tem capacidade instalada de 8 370 MW, mas houve necessidade de inundar uma área de 2 430 quilômetros quadrados. Itaipu é beneficiada por ser a última usina da Bacia do Rio Paraná classificada como a fio d’água, isto é, utiliza toda a água que chega ao reservatório, mantendo uma reserva mínima para garantir a operacionalidade.

Ambiental[editar | editar código-fonte]

Quando o fechamento das eclusas da barragem de Itaipu, uma área de 1 500 quilômetros quadrados de florestas e terras agriculturáveis foi inundada. A cachoeira de Sete Quedas, uma das mais fascinantes formações naturais do planeta, desapareceu. Semanas antes do preenchimento do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento dos animais selvagens, denominada Mymba kuera (que em guarani quer dizer "pega-bicho"). Equipes de voluntários conseguiram capturar mais de 4.500 bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, roedores, aranhas, tartarugas e diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões vizinhas protegidas da água.[35]

Social[editar | editar código-fonte]

Durante a instalação da Itaipu, foi necessária a desapropriação de 42.444 pessoas onde 38.440 eram trabalhadores e trabalhadoras do campo, o que gerou inúmeros problemas sociais.[36] Parte dessas famílias viviam às margens do Rio Paraná e foram desalojadas, a fim de abrir caminho para a represa. Algumas se refugiaram na cidade de Medianeira, uma cidade não muito longe da confluência dos rios Iguaçu e Paraná. Algumas dessas famílias vieram, eventualmente, a ser membros de um dos maiores movimentos sociais do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.[37]

Brasiguaios[editar | editar código-fonte]

O espelho d'água da usina alagou diversas propriedades de moradores do extremo oeste do Estado do Paraná. As indenizações foram suficientes para que os agricultores comprassem novas terras no Brasil. Sendo as terras no Paraguai mais baratas, milhares emigraram para esse país, criando o fenômeno social dos brasiguaios - brasileiros e seus familiares que residem em terras paraguaias na fronteira com o Brasil.

Vista panorâmica da usina à noite

Turismo[editar | editar código-fonte]

Entrada do complexo de Itaipu

A grandiosidade da usina contribui para que Foz do Iguaçu seja conhecida no mundo inteiro como um dos mais importantes destinos turísticos do Brasil. Desde que foi aberta à visitação, Itaipu já recebeu mais de 16 milhões de visitantes [38] . Para receber os visitantes, o Complexo Turístico Itaipu oferece opções de visitas pelas áreas internas e externas da usina.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. p. 69.
  2. a b c d e f g h i j k Geração de Energia Itaipu Binacional. Visitado em 02 de julho de 2015.
  3. Itaipu perde poste de maior produtora de eletricidade Portal Paraná-Online
  4. Pope, Gregory T. (December 1995), "The seven wonders of the modern world", Popular Mechanics: 48–56, http://books.google.ca/books?id=O2YEAAAAMBAJ&lpg=PA50&dq=itaipu&as_brr=1&pg=PA50#v=onepage&q&f=false 
  5. Vocabulário FFICH - acessado em fevereiro de 2015
  6. Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu. Itaipu Binacional.
  7. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo. Terceira edição. São Paulo. Global. 2005. p. 69.
  8. Escolha da Barragem Site Itaipu - acessado em fevereiro de 2015
  9. Águas furtadas Jornal Gazeta do Povo - edição comemorativa de n° 30.000 - acessado em 8 de dezembro de 2012
  10. Notícias Site Itaipu [ligação inativa]
  11. Nickson, Andrew, (2008) Paraguay: Lugo versus the Colorado Machine, Open Democracy 20 February 2008 Open Democracy - acessado em 2013
  12. Itaipu: entenda como é a negociação entre Brasil e Paraguai O Globo (12 de maio de 2011). Visitado em 2 de fevereiro de 2012.
  13. Why Brazil gave way on Itaipu dam Retrieved 2009-07-26.
  14. Energy Deal With Brazil Gives Boost to Paraguay New York Times, July 27, 2009
  15. É verdade que o Brasil pode inundar a Argentina usando a hidrelétrica de Itaipu? Revista Mundo Estranho
  16. JIE: Lago de Itaipu Completa 29 Anos Jornal de Itaipu Eletrônico (13 de outubro de 2011). Visitado em 01 de julho de 2015.
  17. JIE: Inauguração de duas unidades geradoras marca início de nova fase de Itaipu Jornal de Itaipu Eletrônico (14 de maio de 2007). Visitado em 02 de julho de 2015.
  18. Problema em Itaipu causa apagão em 10 Estados do País, Terra Notícias, 10/11/2009
  19. Sobre apagão Jornal JB - acessado em fevereiro de 2015
  20. Após apagão em parte do país, Itaipu diz que opera normalmente, Globo Com, 11/11/2009
  21. Ministérios de Minas e Energias diz que apagão atingiu estados brasileiros G1. Acessada em 15 de junho de 2012.
  22. Luiz Felipe de Matos. Empresas binacionais Brasil-Argentina – Um tipo de sociedade empresarial desconhecido
  23. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 227-5 - empresa binacional
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