Biologia sintética
A expressão biologia sintética tem sido utilizada para descrever uma abordagem da biologia que tenta integrar diferentes áreas similares de pesquisa. Mais recentemente, o termo tem sido utilizado de uma forma diferente, assinalando uma nova área de pesquisa que combina biologia e engenharia para projetar e construir novas funções e sistemas biológicos. Aquele primeiro objetivo está cada vez mais sendo associado com a área de biologia sistêmica.
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Histórico[editar]
Em 1978 o Nobel de Medicina foi concedido a Werner Arber, Daniel Nathans e Hamilton O. Smith1 pela descoberta da enzima de restrição e sua aplicação aos problemas de genética molecular. Em um comentário editorial no jornal Gene, Wacław Szybalski escreveu: "O trabalho em nucleases de restrição não somente permite-nos construir facilmente moléculas de ADN recombinante e analisar genes individuais, mas também nos leva para a nova era da biologia sintética, onde não somente genes existentes são descritos e analisados, mas também novos arranjos de genes podem ser construídos e avaliados" 2 .
Criação da célula artificial[editar]
Em 2010, o J. Craig Venter Institute anunciou a criação de uma célula bacteriana controlada por um genoma completamente artificial, num artigo científico da revista Science de 20 de Maio de 2010.3
Após 15 anos de investigação, Craig Venter e a sua equipa anunciaram ter conseguido produzir em laboratório as unidades básicas do ADN de uma bactéria (Mycoplasma mycoides) e introduzir esse material sintético numa outra célula receptora de espécie diferente (Mycoplasma capricolum), que conseguiu reproduzir-se da forma mais natural.4 5 O genoma sintetizado continha várias marcas d'água incluídas no código para certificar que o genoma obtido não era natural. As marcas de água incluíam os nomes dos autores principais do projecto, um endereço de website que permite contactar o Instituto, e três citações.6
Criação do vírus artificial[editar]
Em 2010, os cientistas das universidades federais Pernambuco e Rio de Janeiro7 criaram em laboratório um vírus artificial de HIV, o que pode possibilitar o desenvolvimento de uma nova vacina terapêutica para pacientes portadores de AIDS.8
O resultado foi gerado por um estudo que começou a ser feito em 2002 para a criação de uma vacina terapêutica contra o vírus HIV e que substitui os métodos tradicionais que utilizam o vírus retirado do próprio paciente soropositivo, o que envolve até dez coletas e é um processo mais demorado e oneroso.9 10
Método e resultados[editar]
O desenvolvimento do protótipo piloto começou a acontecer duas semanas antes do início da criação do vírus artificial. O procedimento teve apoio financeiro do Centers for Disease Control and Prevention de Atlanta, equivalente, nos EUA, à Fiocruz. Foram empregados US$ 500 mil na compra de reagentes e pagamento de bolsas nos últimos 12 meses.7
Os cientistas usaram uma técnica de clonagem que permite cortar e colar os pedaços de DNA, colocando-os dentro de um vetor DNA chamado plasmídeo, até construir um genoma completo do HIV inativado.9 10
A partir do experimento, foi produzida uma vacina, cujo efeito em metade de 18 pacientes foi a redução da carga viral a quase zero.9 10
Outros testes devem ser feitos com um grupo de mil pacientes. Os pesquisadores garantem que a medicação deve chegar à população em cerca de cinco anos.9
A segunda fase, em desenvolvimento, tem duração prevista de três anos e pretende alcançar 100% de eficácia. Os testes com a vacina são feitos no Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami (Lika) da UFPE em parceria com a o Laboratório LIM-56 USP.7
O primeiro protótipo de vírus recombinante tem sido testado em células dendríticas para avaliar o perfil de expressão das células e, posteriormente, a estimulação com o vírus.7
Referências
- ↑ Prêmio Nobel 1978
- ↑ Gene 1978, 4, p 181
- ↑ Gibson, Daniel G.; John I. Glass, Carole Lartigue, Vladimir N. Noskov, Ray-Yuan Chuang, Mikkel A. Algire, Gwynedd A. Benders, Michael G. Montague, Li Ma, Monzia M. Moodie, Chuck Merryman, Sanjay Vashee, Radha Krishnakumar, Nacyra Assad-Garcia, Cynthia Andrews-Pfannkoch, Evgeniya A. Denisova, Lei Young, Zhi-Qing Qi, Thomas H. Segall-Shapiro, Christopher H. Calvey, Prashanth P. Parmar, Clyde A. Hutchison, Hamilton O. Smith, J. Craig Venter. (2010-05-20). "Creation of a Bacterial Cell Controlled by a Chemically Synthesized Genome". Science: science.1190719. DOI:10.1126/science.1190719.
- ↑ Nasceu a primeira forma de vida artificial - Ciências - PUBLICO.PT. publico.pt. Página visitada em 20-Maio-2010.
- ↑ JCVI: First Self-Replicating, Synthetic Bacterial Cell Constructed by J. Craig Venter Institute Researchers. www.jcvi.org. Página visitada em 20-Maio-2010.
- ↑ Craig Venter unveils "synthetic life". Vídeo de conferência de imprensa de Craig Venter. [[TED (conferência)|]]. Página acedida em 21 de Maio de 2010.
- ↑ a b c d Agência de notícias da Aids/Sociedade Brasileira de Infectologia. (27 de maio de 2010). Pesquisadores de universidades do Brasil anunciam criação de vírus HIV artificial, acesso em 31 de maio de 2010
- ↑ UFPE cria vírus artificial de HIV. Jornal do Commercio on-line. Página visitada em 27-Maio-2010.
- ↑ a b c d Jornal Nacional. (27 de maio de 2010). Pesquisadores anunciam criação do vírus HIV artificial, acesso em 27 de maio de 2010
- ↑ a b c PE 360 graus. (27 de maio de 2010). Pesquisadores da UFPE dão importante passo para criação da vacina contra a Aids, acesso em 27 de maio de 2010
Ver também[editar]
Ligações externas[editar]
Em inglês[editar]
- (em inglês)-Sítio da comunidade Synthetic Biology
- (em inglês)-Sítio da competição internacional do Genetically Engineered Machines (iGEM)
Em português[editar]
- (em português)-Nasce a engenharia de microorganismos, por Mônica Teixeira, em Revista Desafios do Desenvolvimento do IPEA. Recuperado em 14 de maio de 2007.
- (em português)-Vida sintética, por W. Wayt Gibbs, em Scientific American Brasil. Recuperado em 14 de maio de 2007.