Camboriú

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Município de Camboriú
Bandeira de Camboriú
Brasão de Camboriú
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 5 de abril de 1884 (130 anos)
Gentílico camboriuense
Lema Uma cidade bonita por natureza
Prefeito(a) Luzia Coppi Mathias (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Camboriú
Localização de Camboriú em Santa Catarina
Camboriú está localizado em: Brasil
Camboriú
Localização de Camboriú no Brasil
27° 01' 30" S 48° 39' 14" O27° 01' 30" S 48° 39' 14" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Vale do Itajaí IBGE/2008 [1]
Microrregião Itajaí IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Balneário Camboriú, Brusque, Canelinha, Itajaí, Itapema, Porto Belo, Tijucas
Distância até a capital 90 km
Características geográficas
Área 214,500 km² [2]
População 62 289 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 290,39 hab./km²
Altitude 8 m
Clima temperado úmido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,726 alto PNUD/2010 [4]
PIB R$ 392 890,631 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 6 976,66 IBGE/2008[5]
Página oficial

Camboriú é um município do estado de Santa Catarina, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 27º01'31" sul e a uma longitude 48º39'16" oeste, estando a uma altitude de oito metros. Sua população estimada em 2008 era de 56 315 habitantes. Possui uma área de 214,5 km².

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Camboriú" é uma referência ao Rio Camboriú. É um nome com origem na língua tupi. Significa "rio dos robalos", através da junção de kamuri (robalo) e 'y (rio)[6] . Outra hipótese é a de que a origem indígena inspira-se no relevo da Pedra Branca, morro que lembra um seio de mulher e que é visível de diversos pontos município. De acordo com Patrianova, em seu Pequeno livro, Cambu, significa mamar e Ryry, que é igual a Ruru e que é igual a Riú, significam recipiente de mamar, ou seja, seio.[7]

Economia[editar | editar código-fonte]

Suas principais atividades econômicas são: comércio, indústria, agropecuária, mineração de granito e mármore, turismo ecológico e rural.

A atividade agrícola predominante é o cultivo de arroz irrigado. Conta também com a produção de milho, frutas, hortaliças, feijão e aipim e outras com menor representatividade.

Na pecuária, há criação de gados bovino, suínos, caprinos, ovinos e aves, tanto de corte tanto para produção de ovos. As propriedades rurais são constituídas de minifúndios (pequenas propriedades), a grande maioria, familiar. Completam-se as plantações de pinus e eucaliptos para o setor madeireiro.

Na mineração, além das pedreiras, Camboriú dispõe ainda de reservas de argila para cerâmica. Possui também fontes de água mineral.

A indústria constitui-se das cerâmicas para produção de telhas e tijolos, madeireira, metalúrgica, concreteiras, móveis e têxteis (confecção).

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Fundada por colonos portugueses e açorianos, tem, na sua cultura, a herança desses povoadores e colonos. Um exemplo disso é a Festa do Divino Espírito Santo, realizada em maio/junho e um dos principais eventos da cidade, com cortejo do casal imperador e imperatriz. Em suas vésperas, tem o cortejo da bandeira do Divino, onde vários moradores recebem-no com a bandeira e são deixadas a eles fitinhas vermelhas. Outros exemplares dessa herança cultural que ainda vivem são: o boi de mamão, o terno de reis, o pau-de-fitas e a farra do boi; além da arquitetura de poucas casas históricas remanescentes e no sotaque dos moradores tradicionais.

Tem, como principais eventos, o Encontro Internacional dos Gideões Missionários da Última Hora realizado nos meses de abril de cada ano, com duração de cerca de dez dias, reunindo cerca de 100 000 pessoas por dia e mobilizando evangélicos de todo o Brasil, que por sinal é o maior encontro de missões do mundo; o Louvor de Verão, encontro católico realizado em janeiro; rodeios em seus CTGs; corridas de motocross de âmbito local, estadual e nacional no Motódromo Lua Cheia; festas juninas em seus colégios e igrejas; além de vários promovidos pela população e pela Prefeitura. Possui, ainda, o Rancho Maria's, onde são realizados shows de bandas e de cantores de sucesso nacional e festas rave, localizados no Rio Pequeno e o Salão do Gustavo, utilizado durante o carnaval, este na localidade do Braço, na zona rural.

Camboriú possui, ainda, um clube de futebol profissional: Camboriú Futebol Clube. Fundada em 12 de abril de 2003, o Camboriú (chamada pelos torcedores de "Cambura"), atualmente, disputa a Divisão Especial do Futebol Catarinense, após a conquista do título da Divisão de Acesso em 2006 (o primeiro conquistado pela equipe profissional do clube) e manda seus jogos em casa no Estádio Municipal Roberto Santos Garcia (o Robertão), inaugurado em 2001. Tem como seu presidente José Henrique Coppi e fundador Altamir Montibeller.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Camboriú situa-se a oito metros do nível do mar. Sua rede hidrográfica constitui-se da bacia do Rio Camboriú, que corta o município e o abastece com água potável. Suas nascentes estão no extremo sul do município. De lá, corre por quarenta quilômetros até desembocar no mar, em Balneário Camboriú. Seus principais afluentes são os rios: Peroba, Camboriú Pequeno, do Braço, dos Macacos e Canoas. Conta ainda com o Rio do Meio, este fazendo parte da bacia do rio Itajaí-Açu.

Seu relevo é de planície fluvial no centro, cercado por montanhas e trechos de relevo ondulado. Seu ponto culminante é a Pedra da Gurita ou o Pico da Pedra, situado no Morro da Congonha e cuja altitude é de 720m. Deste ponto, muito procurado por montanhistas e adoradores da natureza, se tem vista para todo o município e região. Foi um ponto estratégico durante a Segunda Guerra Mundial, visto ser ponto de observação da Força Expedicionária Brasileira.

Sua vegetação constitui-se da Mata Atlântica na maior parte, além de mangues no Rio Camboriú, pântanos e vegetações arbustivas.

O clima é considerado ameno e na classificação de Köppen é do Tipo Cfa (mesotérmico úmido com verões quentes). No verão, embora quente, suas temperaturas dicifilmente alcançam os quarenta graus centígrados e sua média é de 25°C. No inverno, a temperatura média é de, aproximadamente, quinze graus centígrados, mas as mínimas nas madrugadas mais frias podem atingir valores entre zero e quatro graus centígrados. A média anual é vinte graus centígrados. O clima é geralmente úmido, com média de chuvas anual de 1 500 mm, sem estação seca definida (o seu regime pluviométrico é característico do clima do tipo subtropical úmido). Eventuais enchentes e estiagens atingem a cidade, prejudicando sua economia e a população.

O solo álico possui baixa fertilidade, com altos teores de alumínio e baixos teores de bases trocáveis, de textura argilosa e média/argilosa, em muitos casos com cascalho. Normalmente, a argila é de atividade baixa e o solo apresenta viabilidade no manejo da terra, com restrições em determinadas extensões.

História[editar | editar código-fonte]

Até o século XVI, a região era ocupada pelos índios carijós, os quais foram escravizados em massa pelos moradores de São Vicente[8] . Os primeiros colonos de origem europeia, vindos das ilhas dos Açores e Madeira, chegaram no século XVIII à foz do Rio Camboriú, onde hoje é o bairro da Barra, atualmente pertencente a Balneário Camboriú, e lá fundaram o Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Construíram também a capela Santo Amaro, existente até hoje. Outros colonos ocuparam o Canto da Praia, atual Bairro dos Pioneiros, também no município vizinho. Em busca de terras férteis, o vale do Rio Camboriú foi aos poucos sendo ocupado, formando povoados como o São Francisco (também chamado de Barranco), e a Vila Garcia.

Camboriú foi emancipada de Itajaí em 5 de abril de 1884, elevando-se à categoria de vila. A sede do município, localizada na Barra, logo foi transferida à Vila do Garcia, devido ao seu vertiginoso desenvolvimento, onde hoje está o centro da cidade e principal núcleo populacional do município.

A economia da cidade, na primeira metade do século XX, desenvolvia-se com relativo vigor, em virtude da exploração de mármore e granito, onde suas jazidas eram abundantes; e da cultura do café, levando Camboriú a líder estadual de produção dessas duas atividades. A agricultura era principal fonte de renda, contando ainda com culturas do arroz, milho, aipim, trigo, feijão, banana, cana-de-açúcar e hortaliças, além da pesca e a pecuária.

A partir da década de 1950, com a decadência da cultura cafeeira devido a adversidades climáticas, onde a cada inverno safras se perdiam com as geadas, Camboriú descobriu uma grande "mina de ouro": o mar. A pesca já era importante fonte de renda da cidade desde seus primórdios, mas o turismo começava a ser descoberto. Alemães e descendentes vindos da região do Vale do Itajaí já utilizavam a Praia de Camboriú para o lazer e lá construíram imponentes casas de veraneio em estilo enxaimel e germânico (algumas ainda remanescentes, quase todas deram lugar a espigões de concreto armado), e passaram o hábito do banho de mar ao povo local, que antes apenas se banhavam para fins medicinais. Com o primeiro panfleto turístico com fins de divulgação deste balneário, o bairro da praia logo receberia visitantes de todo o Estado e posteriormente de outros, desenvolvendo-se rapidamente, até se tornar Distrito.

Mas, na década de 1960, o grande crescimento, o boom do turismo e o do setor imobiliário levaram um vereador a apresentar um projeto de lei visando à emancipação do Distrito da Praia de Camboriú. Tão desenvolvido estava o distrito que dali era a maior representação da Câmara Municipal. Após várias discussões e manifestações, em 20 de julho de 1964 o projeto foi aprovado e naquele momento se emancipava e se fundava o município de Balneário Camboriú. Para a cidade de Camboriú, a perda da parte mais desenvolvida foi muito pesada.

A partir daí, a cidade parou no tempo. Para agravar o quadro, a Comarca de Camboriú se tranfere para o novo município, construindo lá seu fórum. Em 1970, outro fator negativo: foi inaugurada a BR-101, asfaltada e por um caminho mais rápido e seguro, passando longe da cidade, já que a antiga estrada cortava a cidade e escoava a produção agrícola e, principalmente, da mineração. Falando na mineração, as jazidas de granito e mármore, outrora abundantes, que lhe concederam o título de "Capital do Mármore", entrava em plena decadência, até o esgotamento das grandes jazidas.

A partir daí, a cidade sobreviveu do que restava das pedreiras, da cerâmica de telhas e da agricultura.

No final dos anos 1980, a cidade, que estava com aparência de "cidade-fantasma", despertou. O elevado custo de vida do município vizinho fazia com que os novos moradores viessem a se instalar na cidade. Surgiram novos bairros como o Monte Alegre, Tabuleiro e Areias, antes bairros rurais. A industrialização surge também, com a criação dos distritos industriais do Cedro e do Tabuleiro. A cidade volta a respirar.

Em 1993, o prefeito Ainor Lotério lança o Turismo Ecológico-Rural em Camboriú. Favorecido por florestas de mata Atlântica, cachoeiras, trilhas e montanhas, o município passa a dar valor à essas riquezas. Donos de fazendas do interior da cidade transformam suas propriedades em hotéis-fazenda e pesque-pague, criando grandes opções de lazer. Em 1995, foi inaugurado o Hospital Eduvirges Bernardes, atual Fundação Hospitalar de Camboriu São Francisco, ainda único hospital da cidade. Em 1996,, Camboriú ganhou o selo de cidade de grande potencial turístico pela Embratur. E, em 2000, a cidade voltou a ter sua comarca judicial e seu fórum instalado.

Nos últimos dez anos, ocorreu uma explosão demográfica na cidade. Novos loteamentos surgiram, alguns sem infraestrutura básica como água e saneamento, causando grande impacto ambiental. O rio Camboriú e seus afluentes passaram a sofrer com a poluição e degradação de seus mananciais e surgiram favelas. A população em 1996 era de aproximadamente 35 000 e, em 2006, passava dos 50 000, exigindo do poder público investimentos mais pesados para manter a qualidade de vida da cidade, abalada também pelo aumento da criminalidade. A pacata cidadezinha ganhou outros ares por conta do progresso. O progresso que o povo não queria, infelizmente.

Recentemente, foram apresentados projetos de saneamento da cidade, os serviços de água e esgoto foram municipalizados. Foi criada uma comissão para controle de degradação ambiental e ocupação irregular (CUIDA), as ruas centrais ganharam asfalto e reurbanizadas e está previsto para breve o novo Plano Diretor Municipal. E, na área turística, está sendo implantado, nas proximidades do bairro do Barranco, um condomínio de alto padrão com campo de golfe de padrão internacional.

Nes eleições de 2008, um fato histórico: Luzia Coppi Mathias (PSDB), que entrara como candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada pelo prefeito Edson Olegário (Edinho), que tentara reeleição, passou a encabeçar a chapa devido à impugnação de Edinho por ele não ter votado no plebiscito sobre o desarmamento em 2005 e não ter justificado dentro do prazo. Mesmo assim, Luzia se elegeu com sessenta por cento dos votos e se tornou a primeira mulher a governar Camboriú em seus 124 anos de existência, ao tomar posse em 1º de janeiro de 2009. Nas eleições de 2012, Luzia é reeleita com pouco mais de 54% dos votos, concorrendo contra seu antigo companheiro de chapa Edinho(PDT), Aldinho (PMDB) e Claudinei Loos (PSD)

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 30 de junho de 2014.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ªedição. São Paulo. Global. 2005. p. 42.
  7. Rebelo, José Angelo Rebelo. Sem História Não Dá - E Assim se Fez em Camboriú. 1ª edição ed. [S.l.]: José Angelo Rebelo, 1997. p. 1ª página. ISBN 981642r241s
  8. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18-19.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Camboriú