Caso família Pesseghini

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"Caso família Pesseghini"
Local do crime Brasilândia, São Paulo
Vítimas Andreia Regina Bovo Pesseghini
Benedita Oliveira Bovo
Bernardete Oliveira da Silva
Luis Marcelo Pesseghini
Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini

O Caso família Pesseghini refere-se à chacina ocorrida no dia 5 de agosto de 2013 em que cinco membros da família Bovo Pesseghini foram mortos.

Vítimas[editar | editar código-fonte]

  • Andreia Regina Bovo Pesseghini (35 anos): cabo da 1.ª Companhia do 18.º Batalhão da Polícia Militar, com base na Freguesia do Ó. Mãe do menino Marcelo.[1] [2]
  • Benedita Oliveira Bovo (65 anos): mãe da cabo Andréia e avó do menino Marcelo.[1] [2]
  • Bernardete Oliveira da Silva (55 anos): irmã de Benedita e tia-avó de Marcelo.[1] [2]
  • Luis Marcelo Pesseghini (40 anos): sargento da ROTA. Pai do menino Marcelo.[1] [2]
  • Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini (13 anos): filho do casal de policiais e suspeito de ter executado o crime.[1] [2]

Os corpos das vítimas foram velados na tarde de terça-feira dia 6 no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, localizado na rodovia Anhanguera.[3]

O caso[editar | editar código-fonte]

Crime[editar | editar código-fonte]

Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas na noite de segunda-feira, dia 5 de agosto, dentro da casa onde moravam, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Entre os mortos, estavam dois policiais militares — o sargento Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e a mulher dele, a cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos. O filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, também foi encontrado morto, assim como a mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos.[4]

Investigação[editar | editar código-fonte]

Os investigadores descartaram a possibilidade do crime ter sido um ataque de criminosos aos dois PMs e passou a considerar a hipótese de uma tragédia familiar: o filho do casal, Marcelo, teria atirado nos pais, na avó e na tia-avó e cometido suicídio.[4]

O delegado Itagiba Franco, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, que coordena as investigações do caso das mortes do estudante Marcelo, de seus pais, avó e tia, convocaria o coronel Wagner Dimas, comandante do 18.º Batalhão da Polícia Militar para depor. Dimas disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que a cabo Andreia, que trabalhava no 18.º BPM, contribuiu para as investigações que apontavam a ligação de policiais do batalhão com roubo de caixas eletrônicos. Dimas ainda disse que não acreditava na versão de que o menino tenha sido o autor da chacina, mas ponderou que a mãe de Marcelo não vinha sendo ameaçada de morte. Ele afirmou que o depoimento dela não chegou a provocar a punição de policiais. [5] No dia seguinte, ele voltou atrás e disse que "se perdeu" na entrevista. O recuo foi feito em depoimentos à Corregedoria da PM e ao DHPP (departamento de homicídios da Polícia Civil). A Folha de S. Paulo apurou que as declarações de Dimas irritaram o comando da corporação, já que batiam de frente com a investigação da Polícia Civil. [6]

A chefe do DHPP, delegada Elizabete Sato, afirmou que não estão descartadas outras hipóteses, como crime passional ou vingança. De acordo com a delegada, o local do crime não estava idôneo, ou seja, preservado para perícia, quando policiais civis foram atender a ocorrência, no dia do crime, segunda-feira (05/08), pouco depois das 18h. Naquele dia, cerca de 200 policiais foram até a casa onde a família foi morta. [7]

O inquérito ainda não está com o Ministério Público. Um novo pedido de prorrogação das investigações por mais 30 dias foi feito sob o argumento de que a conclusão dos trabalhos depende de um complemento aos dados referente à quebra do sigilo telefônico dos celulares encontrados na casa. O promotor Luiz Fernando Bugiga Rebellato deu parecer favorável à solicitação. [8]

O laudo psiquiátrico sobre o perfil de Marcelo Pesseghini (exame de insanidade mental póstumo retrospectivo), feito somente a partir de análises baseadas em depoimentos e entrevistas, e assinado pelo psiquiatra forense Guido Palomba, indica que o estudante sofria de uma “encefalopatia hipóxica” (falta de oxigenação no cérebro) que o fez desenvolver um "delírio encapsulado”. O psiquiatra, de maneira totalmente descabida, compara essa perda da noção de realidade vivida por Pesseghini com a do personagem do jogo Assassin´s Creed. Isso obviamente não explica como o menino teria desenvolvido habilidade, coragem, força física e inteligência para cometer uma chacina com características de assassinos profissionais. [9]

Um parecer médico-legal enviado em fevereiro de 2014 ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) aponta "erros inaceitáveis" nos laudos do Instituto de Criminalística e contesta a tese de que o adolescente matou a família e cometeu suicídio em seguida, como aponta a Polícia Civil. O documento, assinado pelo médico-legista George Sanguinetti, cita que marcas na mão e no braço do menino seriam "lesões de defesa, indicativas que a criança, antes de ser executada, tentou defender-se". O parecer afirma também que, pela posição que o corpo de Marcelo foi encontrado, é improvável que ele tenha se matado.[10]

A polícia confirmou que uma testemunha-chave mentiu sobre um churrasco que teria acontecido na casa da família horas antes do crime. Ingressos de cinema provam que a família passou a tarde em um shopping center. [11]

A Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido de reabertura do inquérito do caso Marcelo Pesseghini, segundo informações do Ministério Público (MP). Roselle Soglio, advogada da família, havia solicitado, em 14 de julho de 2014, uma nova apuração por parte da Promotoria para tentar comprovar a inocência do garoto e confrontar a versão apresentada pela Polícia Civil. A advogada disse ainda que vai recorrer da decisão e também encaminhará pedido à Procuradoria-Geral da República para a federalização da apuração. Ela defende que houve violação dos direitos humanos do menor acusado pelo crime e da família como um todo. [12]

Dúvidas[editar | editar código-fonte]

Uma vizinha disse ter visto duas pessoas — entre elas, um policial militar fardado — pularem o muro da casa do casal de PMs Andreia Bovo Pesseghini e Luís Marcelo Pesseghini, por volta das 12h de segunda-feira (05/08), e comentarem que a família estava morta. "Eles saíram e só às sete horas da noite que veio aparecer alguém". Segundo a polícia, a corporação só foi notificada após as 18h de segunda-feira. A mulher diz não acreditar que o menino tenha sido o assassino da família e que o alvo era a mãe, "que estava investigando alguma coisa errada na Freguesia do Ó". Ainda segundo o relato, ela foi encontrada “de joelhos” porque teria implorado para não atirarem. Além disso, a vizinha diz que um Meriva de cor prata estava rondando a casa com frequência, há meses, e passando informações sobre a cor da casa, do carro e quem entrava e saía. Todas as vítimas levaram um único tiro na cabeça. A família dos PMs não acredita na versão apresentada pela polícia. O irmão de Bernardete e Benedita, e tio de Andreia, que não quer ser identificado, disse ter recebido dois telefonemas que seriam da escola de Marcelo, logo que entrou na casa, quando os corpos foram achados. "A voz de uma mulher falou, 'é a casa do Marcelinho?'. Eu falei, 'quem quer falar com ele?'. Ela disse, 'é da escola, é porque o Marcelinho não veio para a escola hoje'". [13]

O deputado estadual Major Olímpio Gomes (PDT) disse que a cabo da PM, morta com a família, foi convidada por outros policiais militares do 18° Batalhão para participar de furtos a caixas eletrônicos. “Eu recebi de policiais da própria Zona Norte, que eu conheço, a informação de que a cabo Andreia foi convidada por colegas para participar do furto de caixas eletrônicos”, afirmou major Olímpio. De acordo com o deputado estadual, ele recebeu a denúncia de militares de várias unidades e diversas patentes no fim de semana, e na segunda-feira (12/08) relatou o fato ao coronel Rui Conegundes, comandante da Corregedoria da PM. Segundo relato de Major Olímpio, os policiais que fizeram denúncias dizem que Andreia teria recusado a proposta de formação de quadrilha e denunciou alguns colegas ao seu superior na época, o capitão Fábio Paganotto, no início de 2012. O capitão investigou o caso, mas não chegou a nenhuma conclusão e foi transferido do 18° Batalhão para o 9° Batalhão. Para o parlamentar, o coronel Dimas voltou atrás na sua declaração na Corregedoria após ter sido pressionado pelos seus superiores. “Obviamente, ele foi pressionado porque não havia registro oficial da denúncia”, afirmou. “Ele acabou sendo destroçado administrativamente pela Secretaria de Segurança Pública [ao recuar na sua declaração]”, disse o Major Olímpio. Segundo ele, coronel Wagner Dimas foi afastado do comando do batalhão. Oficialmente, a PM informou que o próprio Dimas foi quem solicitou afastamento por motivos médicos, mas que ele continua no comando da unidade. Na época em que a cabo Andreia denunciou os colegas, o comandante do 18º Batalhão era o coronel Osni Rodrigues de Souza, que hoje está na reserva. "Não podemos desprezar nenhuma possibilidade para a elucidação da chacina de uma família de policiais, nenhuma linha de investigação”, disse o deputado. [14]

A cabo Andreia Bovo Pesseghini, morta com a família, teria denunciado o esquema de PMs corruptos, mas para surpresa dos advogados, essa investigação até agora não foi localizada - ela simplesmente desapareceu. A Justiça Militar informou que a sindicância interna nunca virou inquérito policial militar -  ou seja, apesar da gravidade das denúncias, não foi levada a sério. [15]

Roselle Soglio, advogada da família, levanta 14 exemplos de considerações que justificariam a reabertura do caso. Nas próximas semanas, a defesa irá entrar com recurso de apelação no TJ e pedir a federalização do caso. [16]

  1. Testemunha mente em depoimento: A principal testemunha do caso, que afirma que Marcelo Pesseghini sabia dirigir e atirar, disse que a família realizou um churrasco no dia dos assassinatos, mas ingressos de cinema comprovaram que eles passaram a tarde em um shopping center.
  2. Testemunha se contradiz: Segundo a advogada, essa mesma testemunha dá depoimentos contraditórios: ora diz que viu a mochila de Marcelo, ora diz que não. Ele também afirma e depois nega que a porta da casa da família estivesse fechada.
  3. Avós paternos não foram ouvidos: Os pais do sargento da Rota Luís Marcelo Pesseghini, Maria José e Luiz Carlos, não foram chamados para depor. Eles dizem ter certeza de que o garoto é inocente e que não sabia dirigir ou atirar.
  4. Registro de ligações telefônicas foi adulterado: A principal testemunha diz ter encontrado os corpos por volta das 18h. O laudo do IC (Instituto de Criminalística) indica que os registros de ligações do telefone de Luís Marcelo foram apagados, e o aparelho só voltou a registrar telefonemas e mensagens por volta das 18h20, o que indica que alguém apagou a agenda. Segundo a advogada, várias pessoas ligaram para Luís Marcelo ao longo do dia, mas isso não foi investigado.
  5. Parecer psiquiátrico encomendado a profissional externo: A advogada questiona a decisão do DHPP de solicitar que o psiquiatra Guido Palomba emitisse parecer sobre a condição mental de Marcelo, uma vez que o IML e o IMESC possuem psiquiatras forenses. Ela diz que houve uma usurpação de função pública, crime previsto no artigo 328 do Código Penal, já que era necessária a negativa dos órgãos oficiais do Estado para se pensar em "convidar" um profissional para realizar um parecer técnico.
  6. Laudo psiquiátrico construído sem informações dadas por familiares: A advogada diz que o psiquiatra não ouviu os familiares da vítima, não teve acesso ao prontuário médico do examinado (por via judicial ou por familiares) e utilizou apenas as peças do inquérito fornecidas pelo delegado.
  7. Depoimentos da médica do garoto foram desconsiderados: A advogada afirma que não foram levadas em consideração as declarações da médica de Marcelo, que o acompanhou desde quando se descobriu sua doença (com meses de vida). A profissional da saúde afirma taxativamente que ele não era portador de nenhuma doença mental ou desvio de comportamento.
  8. Imagens não foram periciadas: As imagens registradas por câmeras de segurança (17 DVDs, ao total) foram anexadas ao processo somente após o relatório final do delegado e não passaram por perícia. Dentre elas, há um vídeo que mostra um vulto saindo do carro que supostamente era dirigido por Marcelo Pesseghini.
  9. Página no Facebook: Uma página no Facebook em homenagem ao pai de Marcelo, criada antes do horário em que os corpos foram descobertos, foi atribuída a um garoto de 15 anos que diz ter feito a publicação com outro nome. A polícia acatou justificativa. A advogada questiona por que a investigação não tentou comprovar o fato com a rede social.
  10. Mistério sobre celulares de pai e filho: A defesa afirma que a polícia não pediu às operadoras de celular o rastreamento dos telefones de Marcelo e da testemunha do churrasco no dia 4 de agosto com bases nas torres das ERBs (Estações Rádio Base). Na investigação do assassinato da advogada Mércia Nakashima, o ex-policial Mizael Bispo, agora condenado pela Justiça, essa informação do telefone o colocou na cena do crime.
  11. Afastamento de comandante da PM: A advogada questiona o afastamento, por problemas de saúde, do Comandante do 18º Batalhão da PM Wagner Dimas logo após dar declarações à imprensa de que o cabo da PM Andreia Pesseghini, mãe de Marcelo, teria denunciado policiais envolvidos em roubo de caixas eletrônicos.
  12. Local do crime foi invadido: A advogada questiona as declarações do DHPP de que o local do crime fora preservado, mas os laudos necroscópicos apontam que a casa dos Pesseghini foi invadida por dezenas de pessoas, inclusive policiais.
  13. Lesões na mão de Marcelo: Marcelo apresentava lesões de defesa na mão que não foram analisadas. Além disso, o perito assinala manchas de sangue com características de espargimento (gotas projetadas com alta velocidade) na face interna da mão do garoto. Não há possibilidade de isso acontecer quando se está empunhando a arma, argumenta a advogada.
  14. Laudo põe em dúvida quem apertou o gatilho: Em laudo complementar, o perito relator do laudo de local afirma que, diferentemente do que consta do laudo inicial, o dedo de Marcelinho não se encontrava no gatilho da arma.

Opinião de especialistas[editar | editar código-fonte]

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil da Seccional São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior, disse que a execução da família Pesseghini demorou cerca de 10 minutos, segundo testes feitos na residência na Brasilândia, onde os cinco corpos foram encontrados. O chefe direto da cabo Andreia, o capitão Laerte Araquém Fidelis Dias, da 1ª Companhia do 18º Batalhão, na Freguesia do Ó, disse que desconhecia que o filho da PM era portador de uma doença degenerativa. Ele a descreveu como uma pessoa alegre e sorridente, que nunca transpareceu problemas. Outro ex-chefe da cabo ouvido no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) foi o capitão Fábio Paganotto, ex-comandante da 1ª Companhia do 18º batalhão. A Corregedoria da PM investiga uma denúncia de que Paganotto foi alertado pela cabo sobre um esquema de furtos a caixas eletrônicos praticados por policiais que trabalhavam com ela. Paganotto saiu do DHPP sem falar com a imprensa. [17]

O médico legista e professor da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) George Sanguinetti, que ficou conhecido por refazer o laudo das mortes do casal Paulo Cesar Farias e Suzana Marcolino e apontar que eles foram assassinados em 1996, afirmou em entrevista ao UOL que o filho do casal de policiais militares também foi assassinado junto com os pais. Ao analisar as fotos do local em que os corpos de Marcelo e dos pais foram encontrados, Sanguinetti afirma que a posição do adolescente não é compatível com a de um suicídio, e sim, com a de um assassinato. "A posição em que o corpo do menino caiu, com a mão direita em cima do lado esquerdo da cabeça, e o braço esquerdo dobrado para trás, com a palma da mão esquerda aberta para cima, não é compatível com a posição de um suicida, e sim, de uma pessoa que foi assassinada", diz. "A configuração dos braços e o jeito como o corpo caiu não são encontrados em casos de suicídio. Ele não foi o autor do tiro, com certeza. Outros detalhes chamam a atenção. O menino toca só levemente na arma, enquanto nos suicídios a arma fica fixa na mão. Além disso, a mão esquerda — e o menino é canhoto — apresenta uma ferida recente no pulso, que não foi explicada. Na palma da mão, há evidência de que ele antepôs alguma defesa, de que tentou uma reação. Não tenho dúvida de que a cena foi montada. Ela não é natural. Houve manuseio do corpo. Tenho mais de 40 anos de medicina legal e posso dizer, com firmeza, que não foi o menino quem atirou. Se não tivesse certeza, não afirmaria isso. Fiz simulações do fato e, em nenhuma hipótese, o corpo fica daquele jeito. A posição da mãe é a de uma pessoa que estava em submissão para execução. Se estivesse em outra posição, não teria caído como caiu, com 85% do peso fora do colchão, ajoelhada. Em todas as mortes, os tiros foram de profissionais. O menino não seria capaz daquilo, mesmo que soubesse atirar". [18]

Além dessas evidências, o próprio padrão do crime seria muito atípico segundo escreveu o psiquiatra forense da USP Daniel Martins de Barros em sua coluna no Estadão, já que no parricídio (crime de matar os pais) o autor raramente comete suicídio, enquanto no familicídio (matar a família toda) o criminoso geralmente é o pai. [19]

Segundo Kathleen Heide, professora da Universidade do Sul da Flórida, são "extremamente raros nas estatísticas científicas, ao redor do mundo e ao longo do tempo, agressores tão jovens". "Outra característica pouco usual é a morte de vários membros da família de uma só vez. A maioria desses crimes ocorre quando um único filho mata um único parente", explica ela. Estudos de Heide apontaram três tipos de agressores: aqueles abusados pelos pais, os que apresentam transtornos mentais graves e os antissociais. Para Paula Inez Cunha Gomide, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia e pesquisadora de parricídio no Brasil, Marcelo não parece sofrer de um transtorno mental claro nem de personalidade antissocial, dois dos três tipos de agressores identificados por Heide. "O psicopata não se arrepende e o psicótico tem histórico de surtos e alucinações, que teriam vindo à tona". Como Marcelo, na hipótese investigativa atual, teria cometido suicídio após matar os familiares, o caso não se encaixaria no tipo psicopata nem no antissocial. Ainda assim, a especialista questiona a conclusão de parricídio: "Como uma criança subjuga dois adultos policiais? Por que ele usaria luvas se se mataria depois? Essas perguntas ainda precisam ser respondidas". [20]

Os laudos do inquérito não indicam a autoria dos crimes. A opinião é de Fernanda de Almeida Carneiro, advogada criminalista e professora da Escola de Direito do Brasil. De acordo com os documentos, houve "alteração na cena do crime". Munição deflagrada foi achada sobre estante da sala da casa da avó do menino. [21]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Jornais e sites de várias partes do mundo noticiaram o crime envolvendo uma família de policiais militares em São Paulo.

O jornal britânico Daily Mail aponta a dúvida lançada na versão da polícia depois que foi revelado que a mãe de Marcelo, Andreia Regina Pesseghini Bovo, 36 anos, havia denunciado policiais criminosos, que estariam atuando em roubo a caixas eletrônicos, nos meses que antecederam a sua morte violenta. Além disso, o jornal afirma que a polícia de São Paulo é conhecida como sendo uma das mais corruptas do mundo, envolvida em numerosos escândalos, esquadrões da morte e execuções extrajudiciais. [22]

Também publicaram sobre o assunto a versão espanhola do site Terra Networks,[23] o Daily Mirror[24] (Reino Unido), Telecinco[25] (Espanha), entre vários outros.

A desenvolvedora de games Ubisoft, criadora da franquia Assassin's Creed, publicou um comunicado de pêsames à família Pesseghini, refutando a ideia de que o jogo de assassinos tenha influenciado o Marcelo a matar a família. Sites e portais de notícias alardearam que o perfil do jovem em redes sociais tinha foto do protagonista do jogo.[4]

O deputado estadual Major Olímpio concedeu entrevista ao programa Brasil Urgente, do apresentador Luiz Datena (Rede Bandeirantes), onde reafirma sua crença na inocência de Marcelo Pesseghini, e ressalta a importância de considerar outras linhas de investigação.

Reportagem da Band, de julho de 2014, informa que centenas de horas de gravação, que nunca chegaram às mãos da perícia, podem provocar a reabertura do caso, dado como encerrado pela polícia. Uma sequência, gravada à 1h15 do dia 5 de agosto, mostra o carro prata que, segundo a polícia, era dirigido por Marcelinho logo depois da chacina. O motorista está com as mãos em cima do volante e no banco de trás se vê o que parece ser um vulto. O veículo com os faróis apagados estaciona e depois pisca quatro vezes a lanterna traseira, como se estivesse enviando um sinal. Para aumentar o mistério, cerca de 40 segundos depois dois carros escuros, com películas protetoras nos vidros, passam em baixa velocidade. [26]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e SP: policiais vão a escola de menino após chacina de família de PMs (html) (em português) Terra (6 de agosto de 2013). Visitado em 8 de agosto de 2013.
  2. a b c d e Felipe Frazão (5 de agosto e 2013). Casal de policiais é morto em chacina em São Paulo (em português) Veja. Visitado em 8 de agosto de 2013.
  3. Família morta na zona norte será velada nesta tarde em São Paulo (em português) R7 (6 de agosto de 2013). Visitado em 8 de agosto de 2013.
  4. a b c Ubisoft repudia associação de morte de policiais com 'Assassin's Creed' (em português) Terra (8 de Agosto de 2013). Visitado em 8 de Agosto de 2013.
  5. Mãe de menino denunciou PMs, diz comandante (07 de agosto de 2013).
  6. Governo cobra esclarecimentos de coronel sobre denúncias de PM (10 de agosto de 2013).
  7. Delegada diz não descartar motivação passional ou vingança em chacina da Brasilândia (13 de agosto de 2013).
  8. Caso Pesseghini: no Dia de Finados, flores são deixadas na porta de casa onde aconteceu chacina (21 de novembro de 2013).
  9. Laudo aponta doença mental e compara filho de PMs a Dom Quixote (23 de setembro de 2013).
  10. Laudo aponta "lesões de defesa" em Marcelo Pesseghini e contesta suicídio (19 de fevereiro de 2014).
  11. Pesseghini: testemunha mentiu sobre churrasco (29 de março de 2014).
  12. Justiça nega pedido de reabertura do inquérito do caso Pesseghini, diz MP (24 de julho de 2014).
  13. Chacina em família: vizinha diz ter visto PM pular muro de casa antes de crime ser notificado (08 de agosto de 2013).
  14. Major diz ter denúncias de que cabo morta foi chamada para furto por PMs (14 de agosto de 2013).
  15. Detalhes ignorados podem reabrir caso Pesseghini (17 de julho de 2014).
  16. Um ano depois, advogada levanta 14 mistérios sobre caso Pesseghini (05 de agosto de 2014).
  17. Morte de família de PMs levou 10 minutos (26 de agosto de 2013).
  18. Legista do caso PC Farias contesta PM de SP e diz que filho de sargento da Rota foi assassinado (11 de agosto de 2013).
  19. Familicídio? (06 de agosto de 2013).
  20. Morte de policiais militares seria caso raro de parricídio (11 de agosto de 2013).
  21. Laudos não indicam autoria de chacina de família em SP, diz criminalista (07 de setembro de 2013).
  22. [1] Brazilian police investigate theory that criminal officers were behind massacre
  23. Brasil: Niño es sospechoso de matar a su familia y suicidarse (html) (em espanhol) Terra (6 de agosto de 2013). Visitado em 8 de agosto de 2013.
  24. Richard Smith (7 de agosto de 2013). Teenager Marcelo Pesseghini shot dead four family members in 'Amityville massacre re-enactment' (em inglês) The Mirror. Visitado em 8 e agosto de 2013.
  25. Un niño de 12 años mata a toda su familia y después se suicida (em espanhol) Telecinco (7 de agosto de 2013). Visitado em 8 de agosto de 2013.
  26. Vídeos inéditos podem reabrir caso Pesseghini (15 de julho de 2014).