Dungeons & Dragons

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Dungeons & Dragons
Partida de D&D
Autor Gary Gygax e Dave Arneson
Editora(s) TSR, Inc., Wizards of the Coast
Idiomas Inglês, Português, entre outros
Lançamento Nos Estados Unidos: 1974 (original); 1977 (D&D Basic Set 1st revision); 19771979 (AD&D); 1981 (D&D Basic Set 2nd revision); 19831986 (D&D Basic Set 3rd revision); 1989 (AD&D 2nd Edition); 1991 (D&D Rules Cyclopedia); 2000 (D&D 3rd Edition); 2003 (D&D v3.5); 2008 (D&D 4th Edition). No Brasil: 1995 (AD&D 2.ed. americana, 1a.ed. brasileira, Editora Abril); 1999 (AD&D 2.ed. americana, 2a.ed. brasileira, Devir Livraria); 2001 (D&D 3a.ed.); 2004 (D&D v3.5); 2009 (D&D 4a.ed.).
Gênero Fantasia Medieval
Sistema Dungeons & Dragons; Sistema d20
Nº de jogadores Múltiplos jogadores
Complexidade Alta
Website Pagina Oficial

Dungeons & Dragons (abreviado como D&D ou DnD) é um RPG de fantasia medieval desenvolvido originalmente por Gary Gygax e Dave Arneson, e publicado pela primeira vez em 1974 nos Estados Unidos pela TSR, Inc., empresa de Gary Gygax. Hoje o jogo é publicado pela Wizards of the Coast. Suas origens são os wargames de miniaturas (principalmente o Chainmail). A publicação do D&D é considerada como a origem dos RPGs modernos e foi lançada no Brasil pela Grow e em Portugal pela Sociedade Tipográfica S.A[1] .

Jogadores de D&D criam personagens que embarcam em aventuras imaginárias em que eles enfrentam monstros, reúnem tesouros, interagem entre si e ganham pontos de experiência para se tornarem incrivelmente poderosos à medida que o jogo avança. O D&D se destaca dos wargames tradicionais por permitir que cada jogador controle um personagem específico, ao invés de um exército. Miniaturas ou marcadores em um tabuleiro quadriculado são usados ocasionalmente para representar esses personagens. O D&D também apresentou o conceito de Mestre de Jogo (Dungeon Master ou DM, no original), que atua como juiz e narrador e é responsável por manter o cenário ficcional do jogo e aplicar as regras a cada situação descrita.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

Dungeons & Dragons é um jogo bem estruturado, no qual, cada jogador controla, tipicamente, um único personagem. Durante o curso do jogo, cada jogador dirige as ações de seu personagem e suas interações com outros personagens. Uma partida geralmente dura varias sessões, que são chamadas de aventuras. Um conjunto de aventuras relacionadas entre si é chamada de campanha.

Os resultados das escolhas do grupo e a história básica do jogo é determinada pelo Mestre de acordo com as regras e com a interpretação do mestre dessas regras. O Mestre escolhe e descreve os vários Personagens do Mestre (PDMs), que os personagens encontram, o cenário em que essas relações ocorrem, e os resultados desses encontros baseados nas escolhas e ações dos jogadores. As extensas regras do jogo, que cobrem áreas diversas como interações sociais, uso de magia, combate e o efeito do ambiente nos personagens, ajudam o mestre em suas decisões. O Mestre do Jogo pode escolher quais regras publicadas ele vai usar e até mesmo criar regras novas, se achar necessário.

Desde o AD&D, Dungeons & Dragons tem suas regras básicas divididas em três livros. Estes são o Livro do Jogador, o Livro do Mestre, e o Livro dos Monstros.

Os únicos materiais necessários para jogar são os livros de regras, uma ficha de personagem para cada jogador e alguns dados poliédricos. A edição mais recente também assume o uso de miniaturas ou marcadores sobre uma superfície quadriculada, itens que eram opcionais nas edições passadas. Muitos outros itens estão disponíveis para melhorar o jogo, alguns dos mais populares, embora opcionais sejam livros de expansão de regras, aventuras prontas e cenários de campanha.

Jogabilidade[editar | editar código-fonte]

Dados "Moonstone" do Sistema d20 utilizados no Dungeons & Dragons

Antes de o jogo começar, cada jogador cria o seu próprio personagem e marca seus detalhes em uma ficha de personagem.

Primeiro, o jogador lança os dados para determinar as habilidades de seu personagem, que consistem de força, destreza, constituição, inteligência, sabedoria e carisma. Existem outros modos para determinar os atributos citados os quais encontram-se descritos nas regras do jogo. Entretanto, esta maneira é vista como a mais tradicional entre os entusiastas deste RPG. O jogador, então, escolhe uma raça (espécie), uma classe de personagem, uma tendência (um código de ética e moral), e um número de perícias e talentos para melhorar e personalizar o personagem.

Durante o jogo, os jogadores descrevem as ações de seu personagem, como conversar com outros personagens, lutar contra oponentes ou abrir uma fechadura, e o Mestre do Jogo descreve o resultado de suas ações. Ações triviais, como escrever uma carta ou abrir uma porta destrancada, geralmente são bem sucedidas automaticamente. Os resultados de ações mais complexas ou perigosas são determinadas pela rolagem de dados. As habilidades e perícias do personagem contribuem ao resultado dos dados.

Conforme o andamento do jogo, cada personagem muda e melhora conforme ganham experiência. Os personagens ganham (ou algumas vezes perdem) experiência, perícias, dinheiro, e podem até mesmo mudar de tendência ou adicionar outras classes de personagem. A principal maneira de progredir é ganhando Pontos de experiência (Exp) quando derrotam um inimigo ou superam um obstáculo. Adquirindo XP suficiente, o personagem pode avançar um nível, o que garante mais habilidades e perícias.

Os Pontos de Vida (HP) são uma medida da vitalidade e resistência a castigos físicos de um personagem e são determinados pela sua classe, raça, nível e constituição. Eles podem ser perdidos quando um personagem se fere em combate ou em alguma outra situação perigosa. A perda de PV é a forma mais comum de um personagem morrer em um jogo.

Aventuras e campanhas[editar | editar código-fonte]

Um jogo típico de Dungeons & Dragons consiste de uma aventura, que é o equivalente a uma história. Aventuras geralmente são descritas por um Mestre ou são usadas aventuras prontas, que são publicadas em forma de livros. Aventuras publicadas geralmente incluem uma história de fundo, mapas e objetivos para os personagens alcançarem.

Uma série de aventuras, é chamada de "campanha". Os lugares onde essas aventuras ocorrem, como uma cidade, país, planeta, ou até mesmo um universo inteiro também são mais comumente referidos como "mundo" ou "cenário de campanha". Esses cenários são baseados em vários gêneros de fantasia; os mais populares são os de fantasia medieval. Atualmente a Wizards of the Coast publica três desses cenários: Greyhawk, Forgotten Realms e Eberron. Os mais populares são Greyhawk, Dragonlance, Forgotten Realms, Mystara, Spelljammer, Ravenloft, Dark Sun, Planescape e Eberron. Os mestres e jogadores também podem desenvolver seus próprios mundos para usarem como cenários de campanha.

Elementos[editar | editar código-fonte]

Planos de existência[editar | editar código-fonte]

No jogo há diversos planos de existência, elencados abaixo.

  • Baator.
  • Biotopia - é um conceito leal e neutro.[2]
  • Monte Celestia - bom e leal.[3] [4]
  • Outlands - neutro à alma das pessoas, com um plano de existência alinhado. [5]
  • Resíduos das Cinzas plano de existência forte e mal alinhado.[6]
  • Terra das Bestas neutro e bem alinhado.[7]
  • Ysgard - alinhado caoticamente, bondoso e neutro. [8] [9]

História do jogo[editar | editar código-fonte]

Gary Gygax, um dos criadores de Dungeons & Dragons
Fontes e Influencias

Criado por Gary Gygax e Dave ArnesonO jogo tem origens em jogos de tabuleiro dos gêneros WarGame e miniaturas, o jogo surgiu como um spin-off de um jogo de um WarGame chamado Chainmail (1971)[10] , criado por Gary Gygax e Jeff Perren.[11]


O mundo de D&D foi influenciado pela mitologia mundial, história, ficção pulp, e romances de fantasia contemporânea. A importância do trabalho de J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis e O Hobbit como uma influência sobre D&D é controversa. A presença no jogo de halflings, elfos, meio-elfos, anões, orcs, rangers e afins, estabelecer comparações com essas obras. A semelhança era ainda mais antes que a ameaça de processo pela Tolkien Enterprises, que fez com que nomes fossem alterado, hobbit para "halfling", ent para 'ente', e Balrog para 'balor ". Por muitos anos Gygax minimizou a influência de Tolkien sobre o desenvolvimento do jogo. No entanto, em uma entrevista em 2000, ele reconheceu que a obra de Tolkien teve um "impacto forte".


Outras influências incluem as obras de Jack Vance,[12] Poul Anderson, Robert E. Howard, Edgar Rice Burroughs, A. Merritt, H. P. Lovecraft, Fritz Leiber, L. Sprague de Camp, Fletcher Pratt, Roger Zelazny, Michael Moorcock,[13] A. E. van Vogt e Lewis Carroll.[14]

Edições

Desde seu lançamento, D&D dominou a indústria americana de RPG. Em 1977, o jogo foi dividido em duas versões: A mais simples, chamada Dungeons & Dragons, e a mais complexa, Advanced Dungeons & Dragons (Abreviada como AD&D). Em 1997, a TSR, Inc foi adquirida pela Wizards of the Coast[15] e 1999, a Wizards se tornou uma subsidiária da Hasbro.[16]

Em 2000 a versão mais simples foi descontinuada, e a versão complexa foi renomeada como Dungeons & Dragons com o lançamento da 3ª Edição. Em Julho de 2003, é lançado o Dungeons & Dragons v3.5 (também conhecida como D&D 3.5). A Wizards of the Coast lançou a 4ª edição, em Junho de 2008 nos Estados Unidos. Desde 2012 iniciou um grande playtest com jogadores do mundo todo, nesse sistema, batizado de D&D Next,[17] que contou com mais de 175.000 pessoas em todo mundo e 18 meses de estudo,[18] foi a base para o novo sistema que oficialmente retornou com seu nome para D&D, chamado pelos jogadores como Quinta Edição. Tendo o livro do Jogador lançado primeiro em Julho, livro dos monstros em setembro e o livro do mestre em dezembro finalizando o lançamento do set básico ainda em 2014.[19]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, embora o primeiro RPG lançado no país tenha sido GURPS em 1991 pela Devir Livraria[20] , a primeira versão de Dungeons & Dragons era conhecida pelos jogadores da chamada Geração Xerox, nome dado a primeira geração de jogadores que utilizam livros originais em inglês.[21] Além disso, a série animada homônima era exibida pela Rede Globo desde 1986 com o título de Caverna do Dragão.[22] Em 1989, chegava ao país uma versão portuguesa, publicada pela Sociedade Tipográfica S.A.[1] [23]

Em 1992, a fabricante de brinquedos Grow, lança Classic Dungeon e DragonQuest, dois jogos de tabuleiro com elementos de RPG da própria TSR, Inc.,[24] no ano seguinte, lança a versão original de Dungeons & Dragons.[25] A empresa também publicou um jogo de tabuleiro baseado em Caverna do Dragão, À Procura do Dungeonmaster (Quest for the Dungeonmaster) publicando originalmente pela TSR Inc em 1984, curiosamente, foi usado o nome original do Mestre dos Magos (Dungeon Master).[26]

O Advanced Dungeons & Dragons (AD&D) foi lançado pela primeira vez em 1995 pela Abril Jovem, publicando o Livro do Mestre e o Livro dos Monstros", [27] a editora também publicou First Quest, o jogo de cartas colecionáveis Spellfire, a série de Livros-jogos "Você é o Herói" (Endless Quest no original).,[28] e uma versão brasileira da revista Dragon.[29] Quando a Devir Livraria adquiriu os direitos da Editora Abril, publicou uma segunda edição brasileira do Livro do Jogador em 1999.[30] A Devir Livraria retomou os lançamentos em 2001 com a publicação da 3ª Edição do jogo, agora renomeado para Dungeons & Dragons (D&D).[31]

Em 2003, é lançado o site Dark Sun Brasil, o site é uma versão do fansite Athas.org, dedicado a Dark Sun, um cenário de campanha criado para a AD&D e que foi autorizado pela Wizards of the Coast[32] .


Em 2004 a Devir publicou a edição 3.5.[33] A 4ª edição chegou traduzida ao mercado brasileiro em 2009.[34] [35]

Produtos relacionados[editar | editar código-fonte]

O sucesso comercial do D&D trouxe muitos produtos relacionados, incluindo a Dragon, Dungeon , a série animada Caverna do Dragão, dois filmes e jogos de computador e games, como o MMORPG Dungeons & Dragons Online: Stormreach, Baldur's Gate, Planescape: Torment, Demon Stone, Icewind Dale e Neverwinter Nights, diversos dados, miniaturas, aventuras e outros.

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. a b Marcelo Cassaro (22/05/2014). #ArsenalDay - Não espere que os poderosos façam o seu trabalho Jambô Editora.
  2. Baker, Richard; James Wyatt (2004). Player's Guide To Faerûn. Wizards of the Coast. ISBN 0-7869-3134-5.
  3. Grubb, Jeff, Cordell, BR; Noonan D. (2001). Manual dos Planos. Wizards of the Coast. pp 132-136. ISBN 0-7869-1850-0.
  4. Baker, Richard; Wyatt J. (2004). Player's Guide To Faerûn. Wizards of the Coast. ISBN 0-7869-3134-5.
  5. Grubb, Jeff. Manual of the Planes (TSR, 1987).
  6. Grubb, Jeff. Manual of the Planes (TSR, 1987)
  7. McComb, Colin (1997). Faces of Evil: The Fiends. TSR Inc.. pp. 12 – 14.
  8. Baur, Wolfgang, and Gwendolyn F.M. Kestrel. Expedition to the Demonweb Pits. Renton, WA: Wizards of the Coast, 2007.
  9. Grubb, Jeff. Manual of the Planes (TSR, 1987).
  10. Shannon Appelcline, Traduzido e adaptado por Rafael Silva (17/01/2014). D&D 40 anos – A Origem (não tão) Secreta de D&D RedeRPG.
  11. Gabriel Swahili (06/05/2003). …Desvendamentos & Legados… RedeRPG.
  12. Gygax; "The Dungeons and Dragons Magic System" in The Strategic Review, Vol. 2, No. 2
  13. Gary Gygax; Dungeon Masters Guide, 224 p. TSR, 1979 ISBN 0-935696-02-4
  14. DeVarque, Aardy R.. Literary Sources of D&D Rec.games.frp.dnd FAQs.
  15. Bill Slavicsek, tradução: Eduardo Carvalho (24/06/2011). Bill Slavicsek sai da Wizards! RedeRPG.
  16. History Hasbro.
  17. Fabrizio Reis Guzzon (30/05/2012). D&D Next – Primeiras impressões do Playtest RedeRPG.
  18. David M. Ewalt (03/03/2014). Did The Dungeons & Dragons Release Date Leak Forbes.
  19. Mike Mearls, Tradução: Rafael Gueiros (28/07/2014). D&D Next: Um pouco mais do D&D Basic Rules RedeRPG.
  20. Marcelo Telles (22/06/2010). EXTRA: A verdade revelada: GURPS 4ª Edição em português! RedeRPG.
  21. Ana Alayde Saldanha e José Roniere Morais Batista. A Concepção do Role-Playing Game (RPG) em Jogos Sistemáticos Universidade Federal da Paraíba/Scielo.
  22. "Caverna do Dragão - A aventura favorita dos RPGistas completa 20 anos de exibição no Brasil". Dragon Slayer (9). Editora Escala.
  23. Talude (08/08/2005). Primeira Aventura (resenha) RedeRPG.
  24. Roberto de Moraes. (1994). "Dungeons & Dragons" (em português). Dragão Brasil (19). São Paulo, Brasil: Trama Editorial.
  25. Visão , Edições 20-23. [S.l.: s.n.], 1993.
  26. À Procura do Dungeon Master BoardGameGeek.
  27. Grahal. (1995). "Especial - Advanced Dungeons and Dragons" (em português). Dragão Brasil (8). São Paulo, Brasil: Trama Editorial.
  28. (1995) "Coleção Você é o herói" (em português). Dragão Brasil (10). São Paulo, Brasil: Trama Editorial.
  29. Entrevista com Rogério Saladino RedeRPG (05/05/2003).
  30. (Outubro de 1999). "Nova Safra". Dragão Brasil (55). Editora Trama
  31. Wagner Luiz Schmit (25/07/2008). RPG e Educação: alguns apontamentos teóricos Universidade Estadual de Londrina.
  32. F.A.Q. - Projeto Dark Sun Brasil Dark Sun Brasil.
  33. Addison Araújo (14 a 16/06/2012). Game: uma aventura, um aprendizado Título não preenchido, favor adicionar Intercom.
  34. Rede RPG faz concurso de aventuras de D&D Bigorna.net.
  35. (2009) "Notícias do Bardo - OGL, GSL, SRD... PQP!". Dragon Slayer (24). Editora Escala.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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