Ferrovia Tereza Cristina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Redirecionado de Ferrovia Teresa Cristina)
Ferrovia Tereza Cristina S.A.
Abreviações FTC
Área de operação Santa Catarina
Tempo de operação 1997–-
Antecessora RFFSA
Sucessora -
Bitola 1,000m - 164km
Frota 10 Ativas locomotivas
Sede Tubarão, Santa Catarina, Brasil

A Ferrovia Tereza Cristina (segundo a ortografia vigente Ferrovia Teresa Cristina) é uma ferrovia brasileira situada no estado de Santa Catarina.

Inicialmente projetada para o transporte de carvão mineral entre a então localidade de Minas (hoje Lauro Müller) e o porto de Imbituba, é o menor corredor ferroviário brasileiro. Sua linha é isolada, não sendo interligada ao restante da malha nacional, com apenas 164 quilômetros de extensão.

Índice

[editar] História

A história da ferrovia remonta à descoberta do carvão mineral em solo catarinense. Em meados da década de 1830, tropeiros que faziam o transporte de mantimentos entre Laguna e o planalto serrano, margeando o Rio Tubarão, descobriram acidentalmente algumas pedras que se incendiavam. Não tardou para que a notícia se espalhasse pela região. Em 1832 iniciou-se o primeiro processo de lavra nas cabeceiras do Rio Tubarão. A mineração seguiu fracamente nas primeiras décadas, até que em 1861 o segundo visconde de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant Pontes, adquire terras devolutas no lugar denominado Passa Dois, próximo às nascentes do Rio Tubarão, fundando, em conjunto de investidores ingleses, uma companhia de mineração, a The Tubarão Coal Mining Company Limited e uma companhia de transporte férreo, a Donna Thereza Christina Railway Co. Ltd.

O visconde de Barbacena, fazendo valer seu trânsito pela Corte Imperial, consegue em 1874 a concessão para a construção da ferrovia, com seus estudos concluídos em 1878. Pela intervenção do imperador, a ferrovia recebeu o nome de sua esposa, a imperatriz dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias.

A construção se inicia em 1880, pela empresa James Perry Co. A mão de obra empregada era em sua maioria de imigrantes italianos, que aportaram na região alguns anos antes.

A estrada de ferro foi inaugurada em 1 de setembro de 1884, ao som da banda musical de Imaruí.

No ano de 1887, a ferrovia teve grande parte de sua malha destruída por forte enchente do Rio Tubarão. As águas arrancaram a ponte da Passagem, paralisando a ferrovia por três meses.

O prejuízo decorrente iniciou o desinteresse dos investidores ingleses na região, aliado à baixa qualidade do carvão catarinense. Estes fatos culminaram com a desistência dos ingleses e conseqüente encampação da ferrovia pelo governo brasileiro, em 1902.

A sede da ferrovia, estabelecida em Imbituba, foi transferida para Tubarão, no ano de 1906, onde se mantém até os dias de hoje.

Após novas descobertas de carvão na região de Criciúma, a ferrovia foi arrendada pela Companhia Brasileira Carbonífera Araranguá (CBCA). Um novo ramal foi construído, interligando as novas minas, em Criciúma, ao trecho já existente em 1919. Seis anos mais tarde outro trecho foi construído, desta vez ligando até Urussanga, passando pela estação de Esplanada. A cidade de Araranguá recebeu os trilhos da ferrovia em 1927.

O arrendamento da CBCA terminou em 1940. Nestes anos, com a Segunda Guerra Mundial em andamento, o governo brasileiro de Getúlio Vargas celebra com o governo americano os Acordos de Washington, criando o parque siderúrgico nacional e impulsionando novamente a extração de carvão no sul de Santa Catarina. A ferrovia Dona Teresa Cristina tem papel fundamental neste quadro, realizando o transporte do carvão das minas aos portos de Imbituba e ao Porto de Laguna.

Em 1957, é incorporada ao patrimônio da estatal RFFSA – Rede Ferroviária Federal SA. O estabelecimento da Indústria Carboquímica Catarinense (ICC) em Imbituba, no ano de 1978, com o objetivo de aproveitar os rejeitos piritosos do carvão como fonte de enxofre, aumenta significantemente a demanda de transporte ferroviário.

A segunda crise do Petróleo aumentou o interesse pelo uso do carvão nacional, levando a um novo período áureo da ferrovia, entre os anos de 1983 e 1986, quando o transporte alcançou o nível de sete milhões de toneladas/ano.

Com a superação da crise do petróleo e o fim da obrigação, em 1990, das siderúrgicas de utilizarem o mínimo de 20% do carvão nacional, e também, com a paralisação da ICC, em 1992, a demanda de transporte reduziu-se às necessidades de suprimento do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, situada no município de Capivari de Baixo, cuja primeira unidade iniciou a operação em 1965.

Em 1997 a ferrovia foi privatizada, sendo gerida pelo novo concessionário – Ferrovia Tereza Cristina SA (FTC), que a arrendou em leilão no ano anterior por R$ 18.510.000,00 por um período de 30 anos.

[editar] Dados gerais

  • Bitola: Métrica
  • Extensão: 164 km
  • Linha tronco: 116 km (de Imbituba à Forquilhinha)
  • Ramal de Urussanga: 25 km
  • Ramal de Siderópolis: 18 km
  • Ramal de Oficinas: 5 km

[editar] Operações

O produto principal transportado pela ferrovia é o carvão para o abastecimento do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda. Nos últimos anos iniciou o transporte de produtos cerâmicos exportados pelo porto de Imbituba. Para o transporte férreo atualmente são empregados:

[editar] Locomotivas

  • GM G12 / 1.425HP / 73t - 8 unidades
  • GM GL8 / 950HP / 59t - 1 unidade
  • GM G22U / 1.650HP / 73t - 1 unidade

[editar] Vagões

Possui um total de 449 vagões, sendo:

  • 24 de Plataformas Convencional
  • 312 de Góndolas com Fundo Lombo de Camelo
  • 56 Fechados com Escotilhas e Tremonhas
  • 57 Hopper Fechado Convencional

[editar] Cidades servidas

Após as cheias de 1974, quando a linha férrea foi bastante danificada, a RFFSA resolveu abandonar o primeiro trecho da linha férrea, entre Tubarão e Lauro Müller, passando por Pedras Grandes e Orleans. Vários ramais foram desativados nos anos 1970, como o que ligava ao porto de Laguna. Atualmente os comboios da FTC são vistos nas cidades:

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas


Ferramentas pessoais
Criar um livro