Lúcia de Jesus dos Santos

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Lúcia de Jesus dos Santos
Lúcia (aos dez anos de idade, no meio) e seus dois primos: Francisco (nove anos) e Jacinta Marto (sete anos) segurando seus rosários.
Nascimento 23 de março de 1907
Aljustrel, Fátima, Portugal
Morte 13 de fevereiro de 2005 (97 anos)
Convento Carmelita de Santa Teresa, Coimbra, Portugal
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Progenitores Mãe: Maria Rosa
Pai: António dos Santos
Parentesco Francisco Marto e Jacinta Marto (primos).
Ocupação Freira da Igreja Católica da Ordem dos Carmelitas Descalços

Lúcia de Jesus dos Santos (Aljustrel, Fátima, Ourém, 28 de Março de 1907[1]Coimbra, 13 de Fevereiro de 2005), freira da Ordem das Carmelitas Descalças, conhecida no Carmelo como Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado e reverenciada por alguns católicos portugueses simplesmente como a Irmã Lúcia, foi, juntamente com os seus primos Jacinta e Francisco Marto (os chamados «três pastorinhos»), uma das três crianças que viram Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima, durante o ano de 1917.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Lúcia nasceu no lugar de Aljustrel, próximo de Fátima, filha de António dos Santos e de sua mulher (casados em Fátima, Ourém, a 19 de Novembro de 1890) Maria Rosa (6 de Julho de 1869) e irmã mais nova de sete: Maria dos Anjos, Teresa de Jesus Rosa dos Santos, Manuel Rosa dos Santos, Glória de Jesus Rosa dos Santos, Carolina de Jesus Rosa dos Santos e Maria Rosa. Tinha dez anos e era completamente analfabeta quando alegadamente viu, pela primeira vez, Nossa Senhora na Cova da Iria, juntamente com os primos Jacinta e Francisco Marto. Lúcia foi a única dos três primos que falava com a Virgem Nossa Senhora, sua prima Jacinta ouvia mas não falava e Francisco nem sequer ouvia as palavras de Nossa Senhora, e como tal era a portadora do Segredo de Fátima. Nos primeiros tempos, a hierarquia católica revelou-se céptica sobre as afirmações dos Três Pastorinhos e foi só a 13 de Outubro de 1930 que o bispo de Leiria tornou público, oficialmente, que as aparições eram dignas de crédito. A partir daí, o Santuário de Fátima ganhou uma expressão internacional, enquanto a irmã Lúcia viveu cada vez mais isolada.

Em 17 de Junho de 1921, o Bispo de Leiria, Dom José Alves Correia da Silva, proporcionou a sua entrada no colégio das irmãs doroteias em Vilar, Porto, alegadamente para a proteger dos peregrinos e curiosos que acorriam cada vez mais à Cova da Iria e pretendiam falar com ela. Professou como doroteia em 1928, em Tui, Espanha, onde viveu alguns anos.

Em 1946 regressou a Portugal e, dois anos depois, entrou para a clausura do Carmelo de Santa Teresa em Coimbra, onde professou como carmelita a 31 de Maio de 1949. Foi neste convento que escreveu dois volumes com as suas Memórias e os Apelos da Mensagem de Fátima. Em 1991, quando o Papa João Paulo II visitou Fátima, convidou a irmã Lúcia a deslocar-se ali e esteve reunido com ela doze minutos. Antes, já se tinha encontrado também em Fátima com o Papa Paulo VI.

Lúcia morreu no dia 13 de Fevereiro de 2005, aos 97 anos, no Convento Carmelita de Santa Teresa em Coimbra. O Papa João Paulo II, nesta ocasião, rezou por Irmã Lúcia e enviou o Cardeal Tarcisio Bertone para o representar no funeral. Em 19 de Fevereiro de 2006 o seu corpo foi trasladado de Coimbra para o Santuário de Fátima onde foi sepultada junto dos seus primos.[2]

Memórias[editar | editar código-fonte]

Estátua do Imaculado Coração de Maria conforme a descrição da Sua aparição à Irmã Lúcia.

A 12 de Setembro de 1935, os restos mortais de Jacinta Marto são trasladados para o cemitério de Fátima. Ao abrir-se a urna, verifica-se que o rosto da vidente se encontrava incorrupto. Tiram-se então algumas fotografias e o então Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, remete algumas para Lúcia que se encontrava na altura em Pontevedra. Na carta de agradecimento, Lúcia evoca a prima com saudade referindo alguns factos sobre o carácter de Jacinta. Estas palavras levam D. José a ordenar-lhe que escrevesse tudo o que se recordava da prima. Assim nasce a Primeira Memória da Irmã Lúcia que fica concluída em Dezembro de 1935.[3]

Volvidos dois anos sobre a revelação dos factos relatados na Primeira Memória, o Bispo de Leiria, convencido da necessidade de se estudar mais a fundo os acontecimentos de Fátima, dá ordens a Lúcia para escrever a história da sua vida e das aparições. A vidente obedece e redige, entre os dias 7 e 21 de Novembro de 1937, o que fica conhecido como Segunda Memória da Irmã Lúcia. Neste texto, a vidente revela pela primeira vez os factos ocorridos com as três visões do Anjo.[3]

Em 26 de Julho de 1941, o Bispo de Leiria escreve a Lúcia anunciando-lhe o livro "Jacinta" que estava a ser preparado pelo Dr. J. Galamba de Oliveira. Pede-lhe então para recordar tudo o mais o que pudesse lembrar sobre a prima, de modo a ser incluído nesta edição. Esta ordem cai no fundo da alma da vidente como um raio de luz, dizendo-lhe que era chegado o momento de revelar as duas primeiras partes do Segredo. Manifesta então a vontade de acrescentar à edição dois capítulos: um sobre o Inferno e outro sobre o Imaculado Coração de Maria. Estas revelações são escritas e concluídas em 31 de Agosto de 1941. São posteriormente publicadas e conhecidas como a "Terceira Memória da Irmã Lúcia".[3]

Surpreendidos com os relatos da "Terceira Memória", Dom José Alves Correia da Silva e Galamba de Oliveira concluíram que Lúcia não tinha dito tudo nas narrações anteriores e que ocultaria ainda algumas coisas. A 7 de Outubro de 1941, a vidente recebe ordem para escrever tudo o que soubesse sobre Francisco e completar o que faltasse sobre Jacinta e descrever, com mais pormenor, as Aparições do Anjo e de Nossa Senhora. Lúcia entrega o manuscrito a 8 de Dezembro de 1941 deixando claro que nada mais tem a ocultar excepto a Terceira parte do Segredo. O texto é depois publicado como "Quarta Memória da Irmã Lúcia" e nele a vidente escreve o texto definitivo das Orações do Anjo, acrescentando também ao segredo a frase «Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé etc.».[3]

Memorial Irmã Lúcia[editar | editar código-fonte]

Em 31 de Maio de 2007 foi inaugurado em Coimbra um museu sobre a vidente de Fátima.

Foi projectado pelo arquitecto Florindo Belo Marques para uma área onde as freiras do Carmelo de Coimbra tinham galinheiros, o museu apresenta um espólio que remete até ao tempo das "aparições de Fátima".

Beatificação[editar | editar código-fonte]

Em 14 de Fevereiro de 2008, na Catedral de Coimbra em Portugal, o Cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, por ocasião do aniversário da morte da "vidente de Fátima", tornou público que o papa Bento XVI, atendendo ao pedido do bispo Albino Mamede Cleto, de Coimbra, compartilhado com numerosos bispos e fiéis do mundo todo autorizou, excepcionando as normas do Direito Canônico (art. 9 das "Normae servandae"), o início da fase diocesana da causa da sua beatificação, transcorridos apenas três anos da sua morte.[4]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Memórias da Irmã Lúcia I. Editor: P. Luis Kondor SVD.

Neste primeiro volume a Lúcia recorda o retrato da Jacinta e do Francisco e o que aconteceu de mais significativo antes, durante e depois das Aparições.[5]

  • Memórias da Irmã Lúcia II. Editor: P. Luis Kondor SVD.

Neste 2º volume, a Irmã Lúcia recorda a sua infância em mais duas memórias: a 5ª dedicada especialmente a seu pai e a 6ª a sua mãe.[5]

  • Apelos da Mensagem de Fátima. Editor: Carmelo de Coimbra e Santuário de Fátima.

Neste livro, a Irmã Lúcia responde a muitas perguntas que lhe foram colocadas sobre a Mensagem de Fátima. Está aprovado pela Congregação da Doutrina da Fé.[5]

  • IRMÃ LÚCIA Como vejo a Mensagem através dos tempos e dos acontecimentos. Editor: Carmelo de Coimbra e Secretariado dos Pastorinhos.

Um dos escritos deixados pela Ir. Lúcia, publicado por ocasião da trasladação dos seus restos mortais, que revela a visão que tinha da mensagem que recebeu de Nossa Senhora.[5]

Eventos históricos[editar | editar código-fonte]

Apresenta-se a seguir uma cronologia de alguns eventos históricos relacionados com a vida de Lúcia:

Notas e referências

  1. De acordo com as suas memórias, a data de 22 de Março, que aparece no seu registo de nascimento, não estaria correcta
  2. Biografia da Irmã Lúcia
  3. a b c d e f P. António Maria Martins, S. J.. Novos Documentos de Fátima. Oficinas gráficas da Editorial Franciscana: Livraria A. I. - Porto. ISBN 9780000008091
  4. Vatican Information Service - 14.02.2008 - Ano XVIII - Num. 31.
  5. a b c d Livros escritos pela Ir. Lúcia e já publicados Carmelo de Santa Teresa - Coimbra. Página visitada em 21 de outubro de 2011.
  6. a b c d Fernando Guedes. Fátima - mundo de esperança. GRIS Impressores: VERBO.
  7. Lúcia considerou que a aurora boreal vista na Europa na noite de 25 para 26 de janeiro de 1938 era o sinal de Deus para o começo da guerra. Memórias da Irmã Lúcia, p. 122, nota 1.
  8. a b c d e A Mensagem de Fátima Vaticano, Congregação para a Doutrina da Fé.
  9. The Third Secret World Apostolate of Fatima, Rhode Island Division (2009). Página visitada em 22 de outubro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]