Missa de Paulo VI

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O Papa Bento XVI celebrando a Missa de Paulo VI, na cerimônia de canonização do frade brasileiro Frei Galvão.

A Missa de Paulo VI é a liturgia da Missa do Rito Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1969, após o Concílio Vaticano II (1962-1965). É atualmente a forma ordinária ou comum[1] do Rito Romano da Missa, enquanto a Missa de São Pio V, é a sua forma extraordinária.[2]

Texto[editar | editar código-fonte]

O texto oficial atual da missa de Paulo VI é a terceira Edição típica do Missal Romano revisto, publicado em 2002 (depois de ter sido promulgado em 2000) e reeditado com correções e atualizações em 2008. Traduções para as línguas vernáculas foram posteriormente feitas. Duas anteriores edições típicas do Missal revisadas foram emitidas em 1970 (promulgada em 1969) e 1975. A liturgia contida nas edições 1570-1962 do Missal Romano é frequentemente referido como Missa Tridentina: todas estas edições colocaram no início do texto a bula Quo primum tempore em que o Papa São Pio V ligava a emissão de sua edição do Missal Romano ao pedido do Concílio de Trento. Somente na edição de 1962, este texto é precedido por um decreto curto, Novo rubricarum corpore, declarando que tratava-se da edição típica, e a partir de então, as outras impressões do Missal deviam se conformar a ela.

Concílio Vaticano II e suas consequências imediatas[editar | editar código-fonte]

A liturgia foi um dos assuntos considerados pela Concílio Vaticano II de 1962-1965. Em 4 de dezembro de 1963, o Concílio emitiu uma Constituição sobre a Sagrada Liturgia chamada de Sacrosanctum Concilium, a seção 50 redação afirmava:

O Ordinário da missa deve ser revisto, de modo que se manifeste mais claramente a estrutura de cada uma das suas partes bem como a sua mútua conexão, para facilitar uma participação piedosa e activa dos fiéis. Que os ritos se simplifiquem, bem respeitados na sua estrutura essencial; sejam omitidos todos os que, com o andar do tempo, se duplicaram ou menos ùtilmente se acrescentaram; restaurem-se, porém, se parecer oportuno ou necessário e segundo a antiga tradição dos Santos Padres, alguns que desapareceram com o tempo.[3]

A Sacrosanctum Concilium também sugeriu (entre outras coisas) um maior uso das Escrituras na missa, e que as línguas vernáculas deviam ser também empregadas. Em 1964, o Papa Paulo VI, que sucedeu a João XXIII no ano anterior, estabeleceu o Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia, a “Comissão para a Implementação da Constituição sobre a Liturgia”. A instrução Inter Oecumenici de 26 de setembro de 1964, emitida pela Sagrada Congregação dos Ritos, enquanto o Concílio ainda estava em sessão, entrando em vigor em 7 de março de 1965[4] fez mudanças significativas na liturgia existente, embora a forma do rito foi substancialmente preservado. Algumas fontes falam de um "Missal de 1965", mas isso geralmente se refere ao Ordinário da Missa que foi publicado com a aprovação das Conferências Episcopais, por exemplo, nos Estados Unidos e Canadá, ao invés de uma edição typica do Missal Romano em si. As mudanças incluíam: o uso da língua vernácula em algumas partes, o sacerdote foi autorizado a virar para a congregação, se quisesse, toda a missa, houve algumas mudanças textuais, como a omissão do Salmo Judica, no início, o Último Evangelho, e as Orações leoninas no fim. O documento de 1967 Tres abhinc annos, a segunda instrução sobre a implementação da Constituição da Comissão sobre a Liturgia,[5] fez apenas alterações mínimas no texto, mas retirou algumas rubricas e paramentos. A Concelebração e a Comunhão sob as duas espécies foram permitidas,[6] e, em 1968, outras três Orações Eucarísticas foram autorizadas, ao lado do Canon tradicional.

Em outubro de 1967, o Consilium tinha produzido um projeto de revisão completo da liturgia, e essa revisão foi apresentada ao Sínodo dos Bispos que se reuniu em Roma naquele mês. Os bispos participaram da primeira celebração pública do rito revisto na Capela Sistina. Quando solicitado o voto sobre a nova liturgia, 71 bispos votaram placet (aprovado), 43 votaram non placet (não aprovado) e 62 votaram placet iuxta modum (aprovado com reservas). Apesar das preocupações e desaprovações dos bispos, não foram feitas alterações no texto.

Em 25 de setembro de 1969, dois cardeais aposentados, Alfredo Ottaviani e Antonio Bacci, escreveram uma carta pessoal ao Papa Paulo VI denominada "Estudo Breve e Crítica sobre o Novo Ordinário da Missa", que havia sido preparado em junho do ano anterior por um grupo de 12 teólogos, sob a direção do arcebispo Marcel Lefebvre.[7] Os cardeais advertiram que o Nova Ordinário da Missa "representa, tanto no todo como nos seus detalhes, uma afastamento marcante da teologia católica da Missa tal como foi formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento".[8] [9] O estudo disse que em muitos pontos da Missa Nova aproximavam-se do protestantismo modernista.[10] [11] Paulo VI pediu à Congregação para a Doutrina da Fé, o próprio departamento da Cúria Romana que já havia sido dirigido por Ottaviani, para analisar o Estudo Breve e Crítico. A resposta foi emanada em 12 de Novembro de 1969, muitas afirmações do documento foram taxadas de "superficial, exagerada, inexata, emocional e falsa".[12]

Missal de 1970[editar | editar código-fonte]

O Papa Paulo VI promulgou o rito revisto da Missa com a sua Constituição Apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969, definindo o primeiro domingo do Advento, no final do mesmo ano, como a data em que deveria entrar em vigor. No entanto, o Missal revisto em si não foi publicado até o ano seguinte. Missale Romanum faz menção especial das seguintes alterações significativas a partir da edição anterior do Missal Romano:

  • Além do Canon da edição anterior (que, com pequenas alterações, foi preservada como a "Primeira Oração Eucarística ou Cânone Romano") foram adicionados três alternativas Orações Eucarísticas, e o número de Prefácios foi aumentada.
  • Os ritos do Ordinário da Missa (em latim, Ordo Missae) - que é, em grande parte invariável na liturgia - foram "cuidadosamente simplificados, para preservar os seus bens". "Elementos que, com o passar do tempo, vieram a ser duplicados ou foram adicionados com pouca vantagem" foram eliminados, especialmente nos ritos para a apresentação do pão e do vinho, a fração do pão e a comunhão.
  • “Outros elementos que sofreram ferimentos causados pelo acidente da história são restaurados, por exemplo, a homilia (SC n. 52), a oração universal ou oração do fiéis (SC n. 53), e o rito penitencial ou ato de reconciliação com Deus e com a comunidade no início da Missa".[13] Um dos mais antigos desses ritos de reconciliação, o beijo da paz como um sinal de reconciliação entre comungantes como uma parte intrínseca de preparação desses comungantes para a Comunhão foi restaurada a todos os fiéis e não se limita mais aos clérigos na Missa Alta.
  • A proporção da Bíblia lida na missa foi grandemente aumentada. Antes das reformas de Pio XII (que reduziu ainda mais as proporções), 1% do Antigo Testamento e 16,5% do Novo Testamento haviam sido lidos na Missa. Desde 1970, as proporções equivalentes para os domingos e dias de semana (deixando de lado as grandes festas) foram 13,5% do Antigo Testamento e 71,5% do Novo Testamento.[14] Isto foi possível através de um aumento no número de leituras na Missa e da introdução de um ciclo de três anos de leituras aos domingos dois ciclos ao ano, durante a semana.

Além dessas mudanças, Missale Romanum observou que a revisão consideravelmente alterou outras seções do Missal, como o Próprio do Tempo, o Próprio dos Santos, o Comum dos Santos, e as missas e os rituais votivos, acrescentando que "[o ] número [das orações] foi aumentada”.

Outras mudanças[editar | editar código-fonte]

Língua vernácula[editar | editar código-fonte]

Em sua constituição apostólica de 1962 Veterum sapientia, publicado pouco antes da abertura do Vaticano II, sobre o ensino de latim, o Papa João XXIII destacou a importância do latim na linguagem que a Igreja usa: "[A] Igreja Católica tem uma dignidade que ultrapassou de longe toda a sociedade meramente humana, porque é fundada por Cristo, o Senhor. É totalmente apropriado, portanto, que a linguagem usada deve ser nobre, majestoso, e não vulgar".[15]

O Concílio Vaticano II afirmou na Sacrosanctum Concilium, 36:[3]

36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
§ 2. Dado, porém, que não raramente o uso da língua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes.
§ 3. Observando estas normas, pertence à competente autoridade eclesiástica territorial, a que se refere o artigo 22 § 2, consultados, se for o caso, os Bispos das regiões limítrofes da mesma língua, decidir acerca do uso e extensão da língua vernácula. Tais decisões deverão ser aprovadas ou confirmadas pela Sé Apostólica.
§ 4. A tradução do texto latino em língua vulgar para uso na Liturgia, deve ser aprovada pela autoridade eclesiástica territorial competente, acima mencionada.

O texto originalmente sugeri claramente o uso limitado da língua vernácula, e confia sua aplicação a "a autoridade eclesiástica territorial competente" (a conferência episcopal).

As Conferências Episcopais de todo o mundo em breve votaram porém, para expandir o uso do vernáculo, e solicitaram a confirmação desta escolha de Roma. Em resposta, a partir de 1964, uma série de documentos a partir de Roma concederam autorização geral para proporções cada vez maiores da Missa a ser dito em vernáculo. Quando o Missal revisto foi publicado em 1970, os sacerdotes já não eram obrigados a usar latim em qualquer parte da Missa. Atualmente o latim ainda é usado apenas ocasionalmente ou, em alguns lugares, numa base regular. A regra sobre a linguagem a ser utilizada é a seguinte: "A Missa é celebrada, quer em latim ou em outra língua, desde que se usem textos litúrgicos que tenham sido aprovados de acordo com a norma da lei, exceto no caso de celebrações da Missa que estão programadas pelas autoridades eclesiásticas a ter lugar na língua do povo, os sacerdotes tem sempre e em todo lugar permissão para celebrar a Missa em latim."[16]

Mudanças no Ordinário da Missa[editar | editar código-fonte]

O Ordinário da Missa foi anteriormente considerado como consistindo de duas partes: a Missa dos catecúmenos e a Missa dos Fiéis. Na liturgia revista, ela foi dividida em quatro seções: os Ritos iniciais, a Liturgia da Palavra, a Liturgia da Eucaristia, e os Ritos de conclusão. Houve algumas mudanças notáveis textuais nas duas primeiras seções, e a fórmula de demissão nos Ritos de conclusão (Ite, missa est) foi deslocada para o final da missa, anteriormente, era seguida por uma oração inaudível pessoal do sacerdote, e a bênção das pessoas (que foi mantida), e a leitura do "Último Evangelho" (João 1:1-14).

As mudanças mais amplas, no entanto, foram feitas na primeira parte da Liturgia da Eucaristia: todas as orações do ofertório foram retiradas e substituídas por outras. Enquanto anteriormente o sacerdote havia dito quase todo o Canon inaudível, foi agora ordenado que as palavras do Canon, ou Oração Eucarística deviam agora serem ditas em voz alta. Os 25 sinais da cruz que o padre fazia edurante a Canon (15 deles depois da consagração) foram reduzidos a um único sinal, pouco antes da consagração. Além da introdução de uma troca opcional de um sinal de paz, as mudanças no restante da Liturgia da Eucaristia são menos notáveis.

Três novas Orações Eucarísticas[editar | editar código-fonte]

Três novas Orações Eucarísticas alternativas foram introduzidas além do Cânone Romano, que anteriormente era a único utilizada. Em 1968 foi autorizado o uso das novas orações.[17]

A Oração Eucarística II é uma abreviação do Cânone Romano com elementos incluídos a partir do Anáfora da Tradição Apostólica, mais semelhante a última em seu prefácio e na epiclese.[18] A Oração Eucarística III é uma nova composição, e contém elementos das Orações Eucarísticas Alexandrina, Bizantina, e elementos maronitas, porém sua estrutura foi baseada no Cânone Romano. Ela também é baseada na Anáfora de São Basílio do século IV.[19] Oração Eucarística IV é mais ou menos baseado na Anáfora de São Basílio , com, entre outras coisas, a epiclese movido antes a narrativa Instituição.

Orientação litúrgica[editar | editar código-fonte]

Embora o Concílio Vaticano II não tenha pedido para mudar a orientação do celebrante na missa versus Deum, bem como as três edições típicas do Missal de Paulo VI, adotarem como base também a posição versus Deum,[20] Uma as rubricas da Missa de Paulo VI autorizam a orientação do celebrante virado para o povo, dizendo que "O altar deve ser construído afastado da parede, de tal forma que é possível caminhar em torno dele com facilidade e que a missa possa ser celebrada voltado para o povo, o que é desejável sempre que possível".[21] Assim, em seguida ao Concílio, liturgistas inverteram a direção de oração do celebrante na missa[20] . Desde então a maioria dos altares tem sido afastados da parede, ou, um altar autônomo novo foi construído mais perto das pessoas. Isso, no entanto, não é universal, e em algumas igrejas e capelas que é fisicamente impossível que o sacerdote encare as pessoas na missa.

As rubricas do Missal Romano exigim que o sacerdote deve ficar de frente para o povo em seis pontos da Missa[22] O padre celebrando a Missa Tridentina é obrigado a encarar o povo, e voltar em seguida a ficar de frente para o altar, oito vezes.[23] O padre ainda está expressamente direcionado para encarar o altar exatamente os mesmos pontos que na Missa Tridentina.

Outras mudanças[editar | editar código-fonte]

Foi permitida no Ofertório uma procissão em que pão, vinho e água são trazidos para o altar, por isso passou a ser chamado também de "apresentação dos dons". A “oração dos fiéis”, que foi usada na missa possivelmente entre o século II e IV, foi reintegrada. A troca de um sinal de paz antes da Comunhão, anteriormente limitada ao clero na Missa Solene, alegando-se questões de decência e concentração na missa, foi permitido (embora não obrigatório) em cada Missa, mesmo para os leigos. "Quanto ao sinal real de paz a ser dado, a maneira deve ser estabelecido pelas Conferências dos Bispos, de acordo com a cultura e os costumes dos povos. Entretanto, é necessário que cada pessoa, de forma sóbria, ofereça o sinal de paz apenas para aqueles que estão mais próximos." (IGMR 82). "Enquanto o sinal da paz está sendo dado, é permitido dizer, A paz do Senhor esteja sempre com você, a que a resposta é Amém. (IGMR 154). Nos países de tradição europeia, um aperto simples de mãos é mais comum, embora, por vezes, os membros da família vão trocar um beijo na bochecha, especialmente nos países latinos. Em países como a Índia, o sinal é dado, curvando-se com as mãos unidas.

Críticas da revisão[editar | editar código-fonte]

Existem duas formas distintas de críticas da reforma litúrgica: críticas do texto do Missal revisto, e críticas de maneiras em que o rito foi celebrado na prática.

Críticas ao texto do Missal[editar | editar código-fonte]

Os críticos da liturgia revista afirmam que o seu conteúdo é marcadamente deficiente comparado com a da liturgia, tal como existia antes da revisão. Os críticos mais moderados acreditam que os defeitos podem ser corrigidos por uma "Reforma da Reforma", e não por um retorno total à Missa Tridentina. Outros consideram o rito revisto tão grandemente defeituoso que desagrada a Deus, ou até mesmo é um sacrilégio objetivamente.[24]

Nos últimos anos, com a promulgação do motu proprio Summorum Pontificum pelo Papa Bento XVI, que liberalizou grandemente a celebração da Missa de São Pio V, e, por outro lado, com o início do pontificado do Papa Francisco, visto como tendo uma atitude divergente daquela da “Reforma da Reforma”, muitos expoentes dessa vertente passaram a tomar posições mais próximas a daqueles que defendem a impossibilidade de se reformar o missal novo.[25] [26] [27] [28] [29] [30]

Os críticos normalmente fazem as seguintes reivindicações:

  • Orações e frases que claramente apresentam a Missa como um sacrifício, que constituí dogma da Igreja Católica pelo Concílio de Trento, foram removidas ou substancialmente reduzidas em número.
  • Palavras e ações que sugerem que o pão e o vinho se tornam verdadeiramente o corpo e sangue de Jesus Cristo foram removidas ou substituídas. Eles dizem, por exemplo, que as rubricas reduziram o número de genuflexões e outros gestos associados com reverência aos elementos sagrados; que frases como "bebida espiritual", são deliberadamente ambíguas, e que a IGMR dirige a remoção do tabernáculo de sua posição anterior sobre o altar principal para outra parte da igreja.
  • O Próprio da Missa omiti ou suaviza importantes ensinamentos católicos tradicionais, enquanto aqueles da Missa pré-revisão afirma-os em sua plenitude.

O então Cardeal Joseph Ratzinger, atualmente o Papa Bento XVI, disse que: "No lugar da liturgia como fruto do desenvolvimento surgiu uma liturgia fabricada. Nós abandonamos o processo orgânico e vivo de crescimento e desenvolvimento ao longo dos séculos e substituímo-nos por um processo de fabricação. Com uma fabricação de um produto banal do momento." [31] [32] Mas, ele escreveu sobre a revisão do Missal Romano: ".. Não há contradição entre as duas edições do Missal Romano. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura". [33] Da mesma forma, o Papa João Paulo II disse que a revisão de Paulo VI, da liturgia: "Este trabalho foi realizado de acordo com os princípios conciliares de fidelidade à tradição e abertura ao desenvolvimento legítimo, e por isso é possível dizer que a reforma da Liturgia é estritamente tradicional e 'de acordo com o antigo uso dos santos Padres. " [34]

Alguns críticos acreditam que as mudanças litúrgicas (juntamente com as outras mudanças na Igreja que se seguiram ao Concílio Vaticano II) causaram a perda de fé que ocorreu nos países ocidentais. Alguns outros argumentam que a promulgação da liturgia revista é legalmente inválida devido a alegadas deficiências técnicas na redação do Missale Romanum.[35]

Alguns deles afirmam que as mudanças no rito romano da missa foram feitas, a fim de torná-lo aceitável para os não católicos.[36] O filósofo francês Jean Guitton disse que a intenção do Papa Paulo VI foi assimilar a liturgia católica com a protestante: [37] "A intenção de Paulo VI em relação ao que é comumente chamada de Missa, era reformar a liturgia católica de tal forma que ela devia quase coincidir com a liturgia protestante - mas o que é curioso é que o Papa Paulo VI, para assimilá-la o mais próximo possível com a ceia do Senhor protestante ... tinha uma intenção ecumênica de remover, ou pelo menos de corrigir, ou relaxar, o que era muito católico, no sentido tradicional, na Missa e, para fazer da missa católica o mais próximo possível da Missa calvinista".[38] [39]

As críticas da maneira de celebrar[editar | editar código-fonte]

As críticas também foram dirigidas contra as práticas seguidas na celebração do rito revisto, e não contra o rito em si mesmo. Algumas dessas críticas são dirigidas por documentos oficiais da Igreja (como a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), o Código de Direito Canônico e diversos documentos e declarações papais), por sua vez, outras práticas oficialmente aprovadas também têm sido criticadas. Dentre elas inclui-se o seguinte:

  • Leigos podendo proclamar leituras bíblicas na Missa, exceto a leitura do Evangelho, que é reservada aos clérigos.[40] [41]
  • Os leigos podendo atuar como Ministro extraordinário da comunhão, distribuindo a Comunhão com o sacerdote.[42]
  • a hóstia consagrada pode ser recebida na mão, e não diretamente na boca.[43]
  • As mulheres podem atuar como coroinhas,[44]
  • Outras práticas criticadas incluem o uso de vestimentas e projetos de arquitetura para igrejas e santuários em estilo modernista. A crítica é dirigida também a eliminação dos genuflexórios e mesas de comunhão de algumas igrejas, e o uso de recursos não-tradicionais de música, por vezes acompanhados por instrumentos de percussão.

Muitos críticos lamentam o abandono geral do uso da língua latina e do canto gregoriano, e alegam que este desenvolvimento não foi autorizado pelo Concílio Vaticano II, que na Sacrosanctum Concilium, afirma que "uma vez que o uso da língua materna ... com frequência pode ser de grande utilidade para o povo, os limites de seu emprego podem ser prorrogados", e que a lei "o uso da língua latina, deve ser preservado nos ritos latinos ".[45] Redemptionis Sacramentum [46]

No canto gregoriano, cuja adaptação para outras línguas que não o latim é normalmente esteticamente defeituoso, a Sacrosanctum Concilium [3] disse que: "A Igreja reconhece o canto gregoriano como especialmente adequado para a liturgia romana, portanto, deve ser dado a ele um lugar de honra nos serviços litúrgicos. Mas outros tipos de música sacra, especialmente a polifonia, de modo algum são excluídos das celebrações litúrgicas, desde que estejam de acordo com o espírito da ação litúrgica".

Alguns críticos veem essas mudanças como levando a uma perda de reverência.

Nomes usados para a Missa de Paulo VI[editar | editar código-fonte]

Em seus documentos oficiais, a Igreja identifica as formas do Rito Romano da Missa pelas edições do Missal Romano usado para celebrá-las. Assim, em seu motu proprio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, o Papa Bento XVI se referiu a esta forma da Missa de Rito Romano, ligando-a com "o Missal Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1970".[47] O nome "Missa de Paulo VI" e "Missa Paulina" são consideradas equivalentes a isso.

Antes da promulgação da missa de 1969, um anteprojeto de duas seções do Missal Romano foi publicado. A seção que contém a parte invariável da Missa teve o título latino de Ordo Missae (Ordinário da Missa),[48] o mesmo título que a seção equivalente tinha em edições anteriores do Missal. Assim a nova publicação foi referida como o "Novus Ordo Missae" - "Novo Ordinário da Missa".[49] Os termos "Novus Ordo Missae", ou simplesmente "Novus Ordo", mais tarde tornaram-se um termo específico usado para se referir ao rito revisto da Missa na sua totalidade. Católicos tradicionalistas muitas vezes o usam de uma maneira pejorativa, e às vezes empregam-lo como um termo condenatória para a tentativa de criar um nova igreja ("a Igreja do Novus Ordo").

Em sua carta aos bispos[50] , que acompanhou o seu motu proprio Summorum Pontificum de 2007, o Papa Bento XVI escreveu que "o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a Forma normal - a Forma ordinária - da Liturgia Eucarística". Desde então, o termo "forma ordinária" é muitas vezes usado para distinguir esta forma do Rito Romano, da Missa Tridentina, a edição de 1962, que o Papa Bento XVI declarou ser uma "autorizada forma extraordinária" da missa.[51]

Referências

  1. "The Missal published by Paul VI and then republished in two subsequent editions by John Paul II, obviously is and continues to be the normal Form – the Forma ordinaria – of the Eucharistic Liturgy" (Letter of Pope Benedict XVI to the Bishops on the occasion of the publication of Summorum Pontificum, paragraph 5).
  2. Motu proprio Summorum Pontificum, article 1
  3. a b c Constitution on the Sacred Liturgy Sacrosanctum Concilium Vatican.va (1963-12-04). Visitado em 2012-10-15.
  4. ''Inter oecumenici'' Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  5. ''Tres abhinc annos'' Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  6. ''Ecclesiae semper'' Catholicliturgy.com (1965-03-07). Visitado em 2012-10-15.
  7. "Archbishop Lefebvre gathered together a group of 12 theologians who wrote under his direction, A Short Critical Study of the Novus Ordo Missae often called the Ottaviani Intervention." A Short History of the SSPX
  8. Hardon, John. Christianity in the twentieth century. [S.l.]: Doubleday, 1971.
  9. Coomaraswamy, Rama. The destruction of the Christian tradition. [S.l.]: Perennial Books, 1981.
  10. Ottaviani, Alfredo. The Ottaviani Intervention: Short Critical Study of the New Order of Mass. [S.l.]: TAN Books & Publishers, 1971.
  11. text of the Short Critical Study
  12. Christophe Geffroy and Philippe Maxence, Enquête sur la messe traditionnelle (with preface by Cardinal Alfons Maria Stickler), p. 21).
  13. Missale Romanum. The internal references (SC) are from Sacrosanctum Concilium.
  14. Felix Just, S.J. (2009-01-02). Lectionary Statistics Catholic-resources.org. Visitado em 2012-10-15.
  15. Apostolic Constitution ''Veterum sapientia'' Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  16. Redemptionis Sacramentum, 112.
  17. Barry Hudock, ''The Eucharistic Prayer: A User's Guide'' (Liturgical Press 2010 ISBN 978-0-8146-3287-1), p. 34. [S.l.]: Books.google.com, 2010-10-15. Visitado em 2012-10-15.
  18. Daniel J. Castellano, The Composition of the Second Eucharistic Prayer Arcaneknowledge.org. Visitado em 2012-10-15.
  19. Thomas A. McMahon, ''The Mass Explained'' (Carillon Books 1978 ISBN 978-0-89310-042-1), p. 63. [S.l.]: Books.google.com. Visitado em 2012-10-15.
  20. a b L'Esprit de la liturgie, Cardinal Joseph Ratzinger, Ad Solem, 2006, p. 65, 67. Chapitre « L'autel et l'orientation de la prière », p. 63-71.
  21. Instruição Geral do Missal Romano, 299
  22. Os seis pontos são:
    • Quando dá a saudação inicial (IGMR 124);
    • Quando convida os fiéis para rezar no "Orate, fratres" (IGMR146);
    • Quando dá a saudação da paz, "Pax Domini sit semper vobiscum" (IGMR154);
    • Quando pega a hóstia consagrada antes da Comunhão e diz: "Ecce Agnus Dei" (IGMR 157);
    • Quando convida para rezar ("Oremus") antes da oração da pós-comunhão (IGMR 165);
    • Quando dá a benção final (Ordo Missae 141).
  23. Os oito pontos são:
    • Quando ele sauda as pessoas ("Dominus vobiscum") antes da Coleta (Ritus servandus in celebratione Missae, V, 1);
    • Quando ele sauda as pessoas ("Dominus vobiscum") antes do rito do ofertório (Ritus servandus, VII, 1);
    • Quando convida os fiéis para rezar no "Orate, fratres" (Ritus servandus, VII, 7);
    • Duas vezes quando ele dá a comunhão aos fiéis, primeiro quando ele diz as orações do Confiteor, e de novo quando pega a hóstia consagrada antes da Comunhão e diz "Ecce Agnus Dei" (Ritus servandus, X, 6);
    • Quando ele sauda as pessoas ("Dominus vobiscum") antes da oração da pós-comunhão (Ritus servandus, XI, 1);
    • Quando ele diz "Ite, missa est" (Ritus servandus, XI, 1);
    • Quando dá a benção final (Ritus servandus, XII, 1).
  24. [1] (PDF), a publication of the Society of St. Pius X, a canonically irregular association of priests.
  25. http://www.praytellblog.com/index.php/2014/02/12/the-power-of-papal-example-redux-will-the-reform-of-the-reform-wither/
  26. http://rorate-caeli.blogspot.com/2014/02/the-end-of-reform-of-reform-kociks.html
  27. http://www.newliturgicalmovement.org/2014/02/reforming-irreformable.html#.UwzbKLT2Nj5
  28. http://vultus.stblogs.org/index.php/2014/02/let-nothing-be-preferred-to-the-work-of-god/
  29. http://vultus.stblogs.org/index.php/2014/02/home-from-the-liturgical-thirty-years-war/
  30. http://www.newliturgicalmovement.org/2014/02/the-growing-realization-of-irreparable.html#.UwzfPbT2Nj4
  31. Rowland, Tracey. Ratzinger's faith: the theology of Pope Benedict XVI. [S.l.]: Oxford University Press, 2008.
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  33. Letter to the Bishops on the occasion of the publication of Summorum Pontificum
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  35. Dossier on the Novus Ordo Missae: August 1997 Newsletter SSPXAsia.com. Visitado em 2012-10-15.
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  41. General Instruction of the Roman Missal, 101
  42. Redemptionis Sacramentum 154–160
  43. Female Altar Servers Ewtn.com (2004-02-03). Visitado em 2012-10-15.
  44. Letter from the Congregation for Divine Worship Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  45. Section 36. "Particular law" refers to decisions by national or regional Episcopal Conferences, ratified by the Holy See.
  46. [3]
  47. Motu proprio ''Summorum Pontificum'', article 2 Sanctamissa.org. Visitado em 2012-10-15.
  48. The usual English term for this section of the Missal is "Ordinary of the Mass". In Latin, it has for some centuries, at least since Pope Urban VIII's revision in 1634 and possibly even Pope Clement VIII's in 1604, been called "Ordo Missae" (literally, Order of the Mass). The English name corresponds closely instead to the title used in Pope Pius V's Missal of 1570, which was, in less classical Latin, "Ordinarium Missae" (page 233 of the first printing of that Missal – facsimile reproduction in Missale Romanum. Editio Princeps (1570), Libreria Editrice Vaticana 1998, ISBN 88-209-2547-8)
  49. Concistoro segreto per la nomina di venti Cardinali, 24 maggio 1976 Vatican.va. Visitado em 2012-10-15.
  50. Letter to the Bishops that accompanies the Motu Proprio Summorum Pontificum Vatican.va. Visitado em 2012-10-15.
  51. Motu proprio ''Summorum Pontificum'', article 1 Sanctamissa.org. Visitado em 2012-10-15.


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