Missa de Paulo VI

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O Papa Bento XVI celebrando a Missa de Paulo VI, na cerimônia de canonização do frade brasileiro Frei Galvão.

A Missa de Paulo VI é a liturgia da Missa do Rito Romano contida no Missal Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1969, após o Concílio Vaticano II (1962-1965). É atualmente a forma ordinária ou comum da liturgia da Igreja latina[1] [2] – descrição não apropriada, por exemplo, à Missa do rito bracarense ou do rito ambrosiano – enquanto a liturgia do Missal Romano promulgado pelo Papa Pio V em 1570 e reeditado pelo Papa João XXIII em 1962 (comumente denominada a Missa tridentina), é "forma extraordinária".[3]

Texto[editar | editar código-fonte]

O texto oficial atual da missa de Paulo VI é a terceira edição típica (aquela à qual, a partir de então, as outras impressões do Missal devem se conformar) do Missal Romano revisto, publicada em 2002 (depois de ter sido promulgado em 2000) e reeditado com correções e atualizações em 2008. Traduções para as línguas vernáculas foram posteriormente feitas. Duas anteriores edições típicas do Missal revisadas foram emitidas em 1970 (promulgada em 1969) e 1975. A liturgia contida nas edições 1570-1962 do Missal Romano é frequentemente referido como Missa Tridentina: todas estas edições colocaram no início do texto a bula Quo primum tempore em que o Papa São Pio V ligava a emissão de sua edição do Missal Romano ao pedido do Concílio de Trento. Somente na edição de 1962, este texto é precedido por um decreto curto, Novo rubricarum corpore, declarando que tratava-se da edição típica.

Concílio Vaticano II e suas consequências imediatas[editar | editar código-fonte]

A liturgia foi um dos assuntos considerados pela Concílio Vaticano II de 1962-1965. Em 4 de dezembro de 1963, o Concílio emitiu uma Constituição sobre a Sagrada Liturgia chamada de Sacrosanctum Concilium, a seção 50 redação afirmava:

O Ordinário da missa deve ser revisto, de modo que se manifeste mais claramente a estrutura de cada uma das suas partes bem como a sua mútua conexão, para facilitar uma participação piedosa e activa dos fiéis. Que os ritos se simplifiquem, bem respeitados na sua estrutura essencial; sejam omitidos todos os que, com o andar do tempo, se duplicaram ou menos ùtilmente se acrescentaram; restaurem-se, porém, se parecer oportuno ou necessário e segundo a antiga tradição dos Santos Padres, alguns que desapareceram com o tempo.[4]

A Sacrosanctum Concilium também sugeriu (entre outras coisas) um maior uso das Escrituras na missa, e que as línguas vernáculas deviam ser também empregadas. Em 1964, o Papa Paulo VI, que sucedeu a João XXIII no ano anterior, estabeleceu o Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia, a "Comissão para a Implementação da Constituição sobre a Liturgia". A instrução Inter Oecumenici de 26 de setembro de 1964, emitida pela Sagrada Congregação dos Ritos, enquanto o Concílio ainda estava em sessão, entrando em vigor em 7 de março de 1965[5] fez mudanças significativas na liturgia existente, embora a forma do rito foi substancialmente preservado. Algumas fontes falam de um "Missal de 1965", mas isso geralmente se refere ao Ordinário da Missa que foi publicado com a aprovação das Conferências Episcopais, por exemplo, nos Estados Unidos e Canadá, ao invés de uma edição typica do Missal Romano em si. As mudanças incluíam: o uso da língua vernácula em algumas partes, o sacerdote foi autorizado a virar para a congregação, se quisesse, toda a missa, houve algumas mudanças textuais, como a omissão do Salmo Judica, no início, o Último Evangelho, e as Orações leoninas no fim. O documento de 1967 Tres abhinc annos, a segunda instrução sobre a implementação da Constituição da Comissão sobre a Liturgia,[6] fez apenas alterações mínimas no texto, mas retirou algumas rubricas e paramentos. A concelebração e a Comunhão sob as duas espécies foram permitidas,[7] e, em 1968, outras três Orações Eucarísticas foram autorizadas, ao lado do Canon tradicional.

Em outubro de 1967, o Consilium tinha produzido um projeto de revisão completo da liturgia, e essa revisão foi apresentada ao Sínodo dos Bispos que se reuniu em Roma naquele mês. Os bispos participaram da primeira celebração pública do rito revisto na Capela Sistina. Quando solicitado o voto sobre a nova liturgia, 71 bispos votaram placet (aprovado), 43 votaram non placet (não aprovado) e 62 votaram placet iuxta modum (aprovado com reservas).

Em 25 de setembro de 1969, dois cardeais aposentados, Alfredo Ottaviani e Antonio Bacci, escreveram uma carta pessoal ao Papa Paulo VI denominada "Estudo Breve e Crítica sobre o Novo Ordinário da Missa", que havia sido preparado em junho do ano anterior por um grupo de 12 teólogos, sob a direção do arcebispo Marcel Lefebvre.[8] Os cardeais advertiram que o Nova Ordinário da Missa "representa, tanto no todo como nos seus detalhes, uma afastamento marcante da teologia católica da Missa tal como foi formulada na Sessão XXII do Concílio de Trento".[9] [10] O estudo disse que em muitos pontos da Missa Nova aproximavam-se do protestantismo modernista.[11] [12] Paulo VI pediu à Congregação para a Doutrina da Fé, o próprio departamento da Cúria Romana que já havia sido dirigido por Ottaviani, para analisar o Estudo Breve e Crítico. A resposta foi emanada em 12 de Novembro de 1969, muitas afirmações do documento foram taxadas de "superficial, exagerada, inexata, emocional e falsa".[13]

Missal de 1970[editar | editar código-fonte]

O Papa Paulo VI promulgou o rito revisto da Missa com a sua Constituição Apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969, definindo o primeiro domingo do Advento, no final do mesmo ano, como a data em que deveria entrar em vigor. No entanto, o Missal revisto em si não foi publicado até o ano seguinte. Missale Romanum faz menção especial das seguintes alterações significativas a partir da edição anterior do Missal Romano:

  • Além do Canon da edição anterior (que, com pequenas alterações, foi preservada como a "Primeira Oração Eucarística ou Cânone Romano") foram adicionados três alternativas Orações Eucarísticas, e o número de Prefácios foi aumentada.
  • Os ritos do Ordinário da Missa (em latim, Ordo Missae) - que é, em grande parte invariável na liturgia - foram "cuidadosamente simplificados, para preservar os seus bens". "Elementos que, com o passar do tempo, vieram a ser duplicados ou foram adicionados com pouca vantagem" foram eliminados, especialmente nos ritos para a apresentação do pão e do vinho, a fração do pão e a comunhão.
  • “Outros elementos que sofreram ferimentos causados pelo acidente da história são restaurados, por exemplo, a homilia (SC n. 52), a oração universal ou oração do fiéis (SC n. 53), e o rito penitencial ou ato de reconciliação com Deus e com a comunidade no início da Missa".[14] Um dos mais antigos desses ritos de reconciliação, o beijo da paz como um sinal de reconciliação entre comungantes como uma parte intrínseca de preparação desses comungantes para a Comunhão foi restaurada a todos os fiéis e não se limita mais aos clérigos na Missa Alta.
  • A proporção da Bíblia lida na missa foi grandemente aumentada. Antes das reformas de Pio XII (que reduziu ainda mais as proporções), 1% do Antigo Testamento e 16,5% do Novo Testamento haviam sido lidos na Missa. Desde 1970, as proporções equivalentes para os domingos e dias de semana (deixando de lado as grandes festas) foram 13,5% do Antigo Testamento e 71,5% do Novo Testamento.[15] Isto foi possível através de um aumento no número de leituras na Missa e da introdução de um ciclo de três anos de leituras aos domingos e um ciclo de dois anos aos dias de semana.

Além dessas mudanças, Missale Romanum observou que a revisão consideravelmente alterou outras seções do Missal, como o Próprio do Tempo, o Próprio dos Santos, o Comum dos Santos, e as missas e os rituais votivos, acrescentando que "[o ] número [das orações] foi aumentada”.

Outras mudanças[editar | editar código-fonte]

Língua vernácula[editar | editar código-fonte]

Em sua constituição apostólica de 1962 Veterum sapientia, publicado pouco antes da abertura do Vaticano II, sobre o ensino de latim, o Papa João XXIII destacou a importância do latim na linguagem que a Igreja usa: "[A] Igreja Católica tem uma dignidade que ultrapassou de longe toda a sociedade meramente humana, porque é fundada por Cristo, o Senhor. É totalmente apropriado, portanto, que a linguagem usada deve ser nobre, majestoso, e não vulgar".[16]

O Concílio Vaticano II afirmou na Sacrosanctum Concilium, 36:[4]

36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.
§ 2. Dado, porém, que não raramente o uso da língua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes.
§ 3. Observando estas normas, pertence à competente autoridade eclesiástica territorial, a que se refere o artigo 22 § 2, consultados, se for o caso, os Bispos das regiões limítrofes da mesma língua, decidir acerca do uso e extensão da língua vernácula. Tais decisões deverão ser aprovadas ou confirmadas pela Sé Apostólica.
§ 4. A tradução do texto latino em língua vulgar para uso na Liturgia, deve ser aprovada pela autoridade eclesiástica territorial competente, acima mencionada.

O texto originalmente sugeri claramente o uso limitado da língua vernácula, e confia sua aplicação a "a autoridade eclesiástica territorial competente" (a conferência episcopal).

As Conferências Episcopais de todo o mundo em breve votaram porém, para expandir o uso do vernáculo, e solicitaram a confirmação desta escolha de Roma. Em resposta, a partir de 1964, uma série de documentos a partir de Roma concederam autorização geral para proporções cada vez maiores da Missa a ser dito em vernáculo. Quando o Missal revisto foi publicado em 1970, os sacerdotes já não eram obrigados a usar latim em qualquer parte da Missa. Atualmente o latim ainda é usado apenas ocasionalmente ou, em alguns lugares, numa base regular. A regra sobre a linguagem a ser utilizada é a seguinte: "A Missa é celebrada, quer em latim ou em outra língua, desde que se usem textos litúrgicos que tenham sido aprovados de acordo com a norma da lei, exceto no caso de celebrações da Missa que estão programadas pelas autoridades eclesiásticas a ter lugar na língua do povo, os sacerdotes tem sempre e em todo lugar permissão para celebrar a Missa em latim."[17]

Mudanças no Ordinário da Missa[editar | editar código-fonte]

O Ordinário da Missa foi anteriormente considerado como consistindo de duas partes: a Missa dos catecúmenos e a Missa dos Fiéis. Na liturgia revista, ela foi dividida em quatro seções: os Ritos iniciais, a Liturgia da Palavra, a Liturgia da Eucaristia, e os Ritos de conclusão. Houve algumas mudanças notáveis textuais nas duas primeiras seções, e a fórmula de demissão nos Ritos de conclusão (Ite, missa est) foi deslocada para o final da missa, anteriormente, era seguida por uma oração inaudível pessoal do sacerdote, e a bênção das pessoas (que foi mantida), e a leitura do "Último Evangelho" (João 1:1-14).

As mudanças mais amplas, no entanto, foram feitas na primeira parte da Liturgia da Eucaristia: todas as orações do ofertório foram retiradas e substituídas por outras. Enquanto anteriormente o sacerdote havia dito quase todo o Canon inaudível, foi agora ordenado que as palavras do Canon, ou Oração Eucarística deviam agora serem ditas em voz alta. Os 25 sinais da cruz que o padre fazia edurante a Canon (15 deles depois da consagração) foram reduzidos a um único sinal, pouco antes da consagração. Além da introdução de uma troca opcional de um sinal de paz, as mudanças no restante da Liturgia da Eucaristia são menos notáveis.

Três novas Orações Eucarísticas[editar | editar código-fonte]

Três novas Orações Eucarísticas alternativas foram introduzidas além do Cânone Romano, que anteriormente era a único utilizada. Em 1968 foi autorizado o uso das novas orações.[18]

A Oração Eucarística II é uma abreviação do Cânone Romano com elementos incluídos a partir do Anáfora da Tradição Apostólica, mais semelhante a última em seu prefácio e na epiclese.[19] A Oração Eucarística III é uma nova composição, e contém elementos das Orações Eucarísticas Alexandrina, Bizantina, e elementos maronitas, porém sua estrutura foi baseada no Cânone Romano. Ela também é baseada na Anáfora de São Basílio do século IV.[20] Oração Eucarística IV é mais ou menos baseado na Anáfora de São Basílio , com, entre outras coisas, a epiclese movido antes a narrativa Instituição.

Orientação litúrgica[editar | editar código-fonte]

A constituição apostólica do Concílio Vaticano II sobre liturgia Sacrosanctum Concilium não fala da orientação do celebrante.[21] Porém os Padres do Concílio aprovaram a relação preparatória que declarava que o altar deve estar idealmente no meio entre os presbíteros e o povo, e que é lícito celebrar a Missa de frente para o povo (versus ad populum) mesmo num altar onde esteja un sacrário de pequenas dimensões mas conveniente.[22]

O Missal Romano revisto nào impõe a celebração da Missa "de frente para o povo" (versus populum), mas só recomenda possibilitá-la, dizendo: "Onde for possível, o altar principal deve ser construído afastado da parede, de modo a permitir andar em volta dele e celebrar a Missa de frente para o povo."[23] O texto original em latim diz: "Altare exstruatur a pariete seiunctum, ut facile circumiri et in eo celebratio versus populum peragi possit, quod expedit ubicumque possibile sit."[24] A versão em português omite a cláusula final, "quod expedit ubicumque possibile sit" ("o que convém fazer em toda parte onde for possível"), que segundo alguns recomenda a celebração de frente para o povo, enquanto outros referem esta cláusula nem à frase bem junta, "celebrar a Missa de frente para o povo", nem à frase intermédia, "andar em volta do altar", senão à frase mais afastada, "o altar principal deve ser construído afastado da parede".[25] A Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos explicou em 25 de setembro de 2000 que a cláusula é uma sugerência que concerne tanto a construção do altar afastado da pared como a celebração versus populum e que nos casos concretos é preciso levar em conta elementos quais o espacio disponível, a existência dum altar de valor artistico e a sensibilidade dos fiéis.[26]

A Congregação declarou que a posição versus populum parece mais conveniente por facilitar a comunicação, mas o enunciado no número 299 da Instrução Geral do Missal Romano não exclue a celebração versus absidem. O que conta é a orientação espiritual, não a física, e uma atitude de rigidez podria implicar a recusa de alguns aspectos da verdade do mistério.[26]

Ainda que as rubricas do Missal Romano não obrigam o sacerdote a celebrar toda a Missa de frente para o povo, exigim que ele deve ficar de frente para o povo em sete pontos da Missa[27] O padre celebrando a Missa Tridentina é obrigado a encarar o povo e, se está a celebrar ad orientem, voltar em seguida a ficar de frente para o altar, sete vezes.[28] Assim nas duas formas do rito romano o sacerdote celebrante está expressamente direcionado para encarar o povo pelo menos exatamente a estos mesmos sete pontos da Missa.

Em todas as edições do Missal Romano antes do 1970, desde a do 1570[29] até a do 1962,[30] cujo uso ainda está permitido como forma extraordinario do rito romano, prevêem a celebração versus populum, e então não lhe é preciso ao sacerdote virar os ombros ao altar ao saudar o povo com Dominus vobiscum etc.[31]

Outras mudanças[editar | editar código-fonte]

Foi permitida no Ofertório uma procissão em que pão, vinho e água são trazidos para o altar, por isso passou a ser chamado também de "apresentação dos dons". A “oração dos fiéis”, que foi usada na missa possivelmente entre o século II e IV, foi reintegrada. A troca de um sinal de paz antes da Comunhão, anteriormente limitada ao clero na Missa Solene, alegando-se questões de decência e concentração na missa, foi permitido (embora não obrigatório) em cada Missa, mesmo para os leigos. "Quanto ao sinal real de paz a ser dado, a maneira deve ser estabelecido pelas Conferências dos Bispos, de acordo com a cultura e os costumes dos povos. Entretanto, é necessário que cada pessoa, de forma sóbria, ofereça o sinal de paz apenas para aqueles que estão mais próximos." (IGMR 82). "Enquanto o sinal da paz está sendo dado, é permitido dizer, A paz do Senhor esteja sempre com você, a que a resposta é Amém. (IGMR 154). Nos países de tradição europeia, um aperto simples de mãos é mais comum, embora, por vezes, os membros da família vão trocar um beijo na bochecha, especialmente nos países latinos. Em países como a Índia, o sinal é dado, curvando-se com as mãos unidas.

Críticas da revisão[editar | editar código-fonte]

Existem duas formas distintas de críticas da reforma litúrgica: críticas do texto do Missal revisto, e críticas de maneiras em que o rito foi celebrado na prática.

Críticas ao texto do Missal[editar | editar código-fonte]

Os críticos da liturgia revista afirmam que o seu conteúdo é marcadamente deficiente comparado com a da liturgia, tal como existia antes da revisão. Os críticos mais moderados acreditam que os defeitos podem ser corrigidos por uma "Reforma da Reforma", e não por um retorno total à Missa Tridentina. Outros consideram o rito revisto tão grandemente defeituoso que desagrada a Deus, ou até mesmo é um sacrilégio objetivamente.[32]

Nos últimos anos, com a promulgação do motu proprio Summorum Pontificum pelo Papa Bento XVI, que liberalizou grandemente a celebração da Missa de São Pio V, e, por outro lado, com o início do pontificado do Papa Francisco, visto como tendo uma atitude divergente daquela da “Reforma da Reforma”, muitos expoentes dessa vertente passaram a tomar posições mais próximas a daqueles que defendem a impossibilidade de se reformar o missal novo.[33] [34] [35] [36] [37] [38]

Os críticos normalmente fazem as seguintes reivindicações:

  • Orações e frases que claramente apresentam a Missa como um sacrifício, que constituí dogma da Igreja Católica pelo Concílio de Trento, foram removidas ou substancialmente reduzidas em número.
  • Palavras e ações que sugerem que o pão e o vinho se tornam verdadeiramente o corpo e sangue de Jesus Cristo foram removidas ou substituídas. Eles dizem, por exemplo, que as rubricas reduziram o número de genuflexões e outros gestos associados com reverência aos elementos sagrados; que frases como "bebida espiritual", são deliberadamente ambíguas, e que a IGMR dirige a remoção do tabernáculo de sua posição anterior sobre o altar principal para outra parte da igreja.
  • O Próprio da Missa omiti ou suaviza importantes ensinamentos católicos tradicionais, enquanto aqueles da Missa pré-revisão afirma-os em sua plenitude.

Em relação aos abusos que surgiram em alguns lugares, e não no que diz respeito à revisão real do rito da Missa, o Cardeal Joseph Ratzinger (depois Papa Bento XVI) disse: "No lugar da liturgia fruto dum desenvolvimento contínuo foi colocada uma liturgia fabricada. Abandonou-se o processo vivo de crescimento e transformação dando-se à fabricação. Recusou-se deixar continuar a transformação e maturação orgânica do que vive ao longo dos séculos, para substitui-la – segundo o estilo da produção técnica – por uma fabricação, produto banal do momento."[39] [40] Sobre a revisão real do Missal Romano ele escreveu: "Não há contradição entre as duas edições do Missal Romano. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura". [41] Da mesma forma, o Papa João Paulo II disse que a revisão de Paulo VI, da liturgia: "Este trabalho foi realizado de acordo com os princípios conciliares de fidelidade à tradição e abertura ao desenvolvimento legítimo, e por isso é possível dizer que a reforma da Liturgia é estritamente tradicional e 'de acordo com o antigo uso dos santos Padres. " [42]

Alguns críticos acreditam que as mudanças litúrgicas (juntamente com as outras mudanças na Igreja que se seguiram ao Concílio Vaticano II) causaram a perda de fé que ocorreu nos países ocidentais. Alguns outros argumentam que a promulgação da liturgia revista é legalmente inválida devido a alegadas deficiências técnicas na redação do Missale Romanum.[43]

Alguns deles afirmam que as mudanças no rito romano da missa foram feitas, a fim de torná-lo aceitável para os não católicos.[44] O filósofo francês Jean Guitton disse que a intenção do Papa Paulo VI foi assimilar a liturgia católica com a protestante: [45] "A intenção de Paulo VI em relação ao que é comumente chamada de Missa, era reformar a liturgia católica de tal forma que ela devia quase coincidir com a liturgia protestante - mas o que é curioso é que o Papa Paulo VI, para assimilá-la o mais próximo possível com a ceia do Senhor protestante ... tinha uma intenção ecumênica de remover, ou pelo menos de corrigir, ou relaxar, o que era muito católico, no sentido tradicional, na Missa e, para fazer da missa católica o mais próximo possível da Missa calvinista".[46] [47]

Inovações da maneira de celebrar[editar | editar código-fonte]

Salientem-se algumas práticas introduzidas na celebração da Missa por alguns sacerdotes sem autorização oficial e em muitos casos reprovadas pela Igreja em documentos como a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), o Código de Direito Canônico, a Instrução Liturgiam authenticam[48] e diversos documentos e declarações papais.

Outras práticas oficialmente aprovadas e adoptadas na esmagadora maoioria das dioceses e paróquias também têm sido criticadas. Dentre elas inclui-se o seguinte:

  • Leigos podendo proclamar leituras bíblicas na Missa, exceto a leitura do Evangelho, que é reservada aos clérigos, isto é, bispos, sacerdotes e diáconos.[49]
  • Os leigos podendo atuar como Ministro extraordinário da comunhão, distribuindo a Comunhão com o sacerdote.[50]
  • a hóstia consagrada pode ser recebida na mão, como certamente aconteceu na última ceia, e não diretamente na boca.[51]
  • As mulheres podem atuar como coroinhas,[52]
  • Outras práticas inovadoras incluem o uso de vestimentas e projetos de arquitetura para igrejas e santuários em estilo modernista. A crítica é dirigida também a eliminação dos genuflexórios e mesas de comunhão de algumas igrejas, e o uso de recursos não-tradicionais de música, por vezes acompanhados por instrumentos de percussão.

Poucos críticos lamentam o abandono geral do uso da língua latina e do canto gregoriano, como foi autorizado pelo Concílio Vaticano II, que na Sacrosanctum Concilium, afirma que "uma vez que o uso da língua materna ... com frequência pode ser de grande utilidade para o povo, os limites de seu emprego podem ser prorrogados", e que a lei "o uso da língua latina, deve ser preservado nos ritos latinos ".[53] Redemptionis Sacramentum [54]

No canto gregoriano, cuja adaptação para outras línguas que não o latim é normalmente esteticamente defeituoso, a Sacrosanctum Concilium [4] disse que: "A Igreja reconhece o canto gregoriano como especialmente adequado para a liturgia romana, portanto, deve ser dado a ele um lugar de honra nos serviços litúrgicos. Mas outros tipos de música sacra, especialmente a polifonia, de modo algum são excluídos das celebrações litúrgicas, desde que estejam de acordo com o espírito da ação litúrgica".

Alguns críticos veem essas mudanças como levando a uma perda de reverência e o ganho de uma maior sentido de comunhão na celebração

Nomes usados para a Missa de Paulo VI[editar | editar código-fonte]

Em seus documentos oficiais, a Igreja identifica as formas do Rito Romano da Missa pelas edições do Missal Romano usado para celebrá-las. Assim, em seu motu proprio Summorum Pontificum, de 7 de julho de 2007, o Papa Bento XVI se referiu a esta forma da Missa de Rito Romano, ligando-a com "o Missal Romano promulgado pelo Papa Paulo VI em 1970".[55] O nome "Missa de Paulo VI" e "Missa Paulina" são consideradas equivalentes a isso.

Antes da promulgação da missa de 1969, um anteprojeto de duas seções do Missal Romano foi publicado. A seção que contém a parte invariável da Missa teve o título latino de Ordo Missae (Ordinário da Missa),[56] o mesmo título que a seção equivalente tinha em edições anteriores do Missal. Assim a nova publicação foi referida como o "Novus Ordo Missae" - "Novo Ordinário da Missa".[57] Os termos "Novus Ordo Missae", ou simplesmente "Novus Ordo", mais tarde tornaram-se um termo específico usado para se referir ao rito revisto da Missa na sua totalidade. Católicos tradicionalistas muitas vezes o usam de uma maneira pejorativa, e às vezes empregam-lo como um termo condenatória para a tentativa de criar um nova igreja ("a Igreja do Novus Ordo").

Em sua carta aos bispos[58] , que acompanhou o seu motu proprio Summorum Pontificum de 2007, o Papa Bento XVI escreveu que "o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a Forma normal - a Forma ordinária - da Liturgia Eucarística". Desde então, o termo "forma ordinária" é muitas vezes usado para distinguir esta forma do Rito Romano, da Missa Tridentina, a edição de 1962, que o Papa Bento XVI declarou ser uma "autorizada forma extraordinária" da missa.[59]

Referências

  1. "O Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da «lex orandi» («norma de oração») da Igreja Católica de rito latino" (Motu proprio Summorum Pontificum, Art. 1).
  2. "É preciso antes de mais afirmar que o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a Forma normal – a Forma ordinária – da Liturgia Eucarística" (Carta do Santo Padre Bento XVI aos Bispos que acompanha o "motu proprio" Summorum Pontificum, parágrafo 5).
  3. Motu proprio Summorum Pontificum, Art. 1
  4. a b c Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada liturgia Vatican.va (1963-12-04). Visitado em 2014-04-09.
  5. ''Inter oecumenici'' Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  6. ''Tres abhinc annos'' Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  7. ''Ecclesiae semper'' Catholicliturgy.com (1965-03-07). Visitado em 2012-10-15.
  8. "Archbishop Lefebvre gathered together a group of 12 theologians who wrote under his direction, A Short Critical Study of the Novus Ordo Missae often called the Ottaviani Intervention." A Short History of the SSPX
  9. Hardon, John. Christianity in the twentieth century. [S.l.]: Doubleday, 1971.
  10. Coomaraswamy, Rama. The destruction of the Christian tradition. [S.l.]: Perennial Books, 1981.
  11. Ottaviani, Alfredo. The Ottaviani Intervention: Short Critical Study of the New Order of Mass. [S.l.]: TAN Books & Publishers, 1971.
  12. text of the Short Critical Study
  13. Christophe Geffroy and Philippe Maxence, Enquête sur la messe traditionnelle (with preface by Cardinal Alfons Maria Stickler), p. 21).
  14. Missale Romanum. The internal references (SC) are from Sacrosanctum Concilium.
  15. Felix Just, S.J. (2009-01-02). Lectionary Statistics Catholic-resources.org. Visitado em 2012-10-15.
  16. Apostolic Constitution ''Veterum sapientia'' Adoremus.org. Visitado em 2012-10-15.
  17. Redemptionis Sacramentum, 112.
  18. Barry Hudock, ''The Eucharistic Prayer: A User's Guide'' (Liturgical Press 2010 ISBN 978-0-8146-3287-1), p. 34. [S.l.]: Books.google.com, 2010-10-15. Página visitada em 2012-10-15.
  19. Daniel J. Castellano, The Composition of the Second Eucharistic Prayer Arcaneknowledge.org. Visitado em 2012-10-15.
  20. Thomas A. McMahon, ''The Mass Explained'' (Carillon Books 1978 ISBN 978-0-89310-042-1), p. 63. [S.l.]: Books.google.com. Página visitada em 2012-10-15.
  21. L'Esprit de la liturgie, Cardinal Joseph Ratzinger, Ad Solem, 2006, p. 65, 67. Chapitre « L'autel et l'orientation de la prière », p. 63-71.
  22. Rinaldo Falsini, "Celebrare rivolti al popolo e pregare rivolti al Signore: Sull'orientamento della preghiera" em Rivista Liturgica
  23. Instrução Geral do Missal Romano, 299
  24. Institutio Generalis Missalis Romani
  25. John Zuhlsdorf, "What does GIRM 299 really say?"
  26. a b Congregatio de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum, Risposta pubblicata in Notitiae, organo ufficiale della Congregazione, Prot. N° 2036/00/L, sull'orientamento dell'Altare, del celebrante e dei fedeli
  27. Os sete pontos são:
    • Quando dá a saudação inicial (Instrução Geral do Missal Romano = IGMR 124);
    • Quando começa e conclue a Oração dos Fiéis (IGMR 138, implicitamente);
    • Quando convida os fiéis para rezar no "Orate, fratres" (IGMR 146);
    • Quando dá a saudação da paz, "Pax Domini sit semper vobiscum" (IGMR 154);
    • Quando pega a hóstia consagrada antes da Comunhão e diz: "Ecce Agnus Dei" (IGMR 157);
    • Quando convida para rezar ("Oremus") antes da oração da pós-comunhão (IGMR 165);
    • Quando dá a benção final (Ordo Missae 141).
  28. Os sete pontos são:
    • Quando ele sauda os fiéis ("Dominus vobiscum") antes da Coleta (>Ritus servandus in celebratione Missae, V, 1);
    • Quando ele sauda os fiéis ("Dominus vobiscum") antes do rito do ofertório (Ritus servandus, VII, 1);
    • Quando convida os fiéis para rezar no "Orate, fratres" (Ritus servandus, VII, 7);
    • Quando pega a hóstia consagrada antes da Comunhão e diz "Ecce Agnus Dei" (Ritus servandus, X, 6) – nas edições anteriores à do 1962 o padre devia ficar de frente para o povo também para dizer as orações do Confiteor;
    • Quando ele sauda os fiéis ("Dominus vobiscum") antes da oração da pós-comunhão (Ritus servandus, XI, 1);
    • Quando ele diz "Ite, missa est" (Ritus servandus, XI, 1);
    • Quando dá a bênção final (Ritus servandus, XII, 1).
  29. Missale Romanum ex Decreto Sacrosancti Concilii Tridentini restitutum Pii V. Pont. Max. editum Apud haeredes Bartholomaei Faletti, Ioannem Varisei et socios, Roma 1570. Facsimile: Manlio Sodi, Antonio Maria Triacca, Missale Romanum. Editio princeps (1570), Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano 1998, ISBN 88-209-2547-8); cf. impressão do 1577
  30. Missale Romanum ex decreto SS. Concilii Tridentini restitutum Summorum Pontificum cura recognitum 1962
  31. Si altare sit ad orientem, versus populum, celebrans versa facie ad populum, non vertit humeros ad altare, cum dicturus est Dóminus vobiscum, Oráte, fratres, Ite, missa est, vel daturus benedictionem (Ritus servandus in celebratione Missae, V, 3).
  32. [1] (PDF), a publication of the Society of St. Pius X, a canonically irregular association of priests.
  33. http://www.praytellblog.com/index.php/2014/02/12/the-power-of-papal-example-redux-will-the-reform-of-the-reform-wither/
  34. http://rorate-caeli.blogspot.com/2014/02/the-end-of-reform-of-reform-kociks.html
  35. http://www.newliturgicalmovement.org/2014/02/reforming-irreformable.html#.UwzbKLT2Nj5
  36. http://vultus.stblogs.org/index.php/2014/02/let-nothing-be-preferred-to-the-work-of-god/
  37. http://vultus.stblogs.org/index.php/2014/02/home-from-the-liturgical-thirty-years-war/
  38. http://www.newliturgicalmovement.org/2014/02/the-growing-realization-of-irreparable.html#.UwzfPbT2Nj4
  39. Rowland, Tracey. Ratzinger's faith: the theology of Pope Benedict XVI. [S.l.]: Oxford University Press, 2008.
  40. Kocik, Thomas. The reform of the reform?: a liturgical debate : reform or return. [S.l.]: Ignatius Press, 2003.
  41. Letter to the Bishops on the occasion of the publication of Summorum Pontificum
  42. Apostolic Letter ''Vicesimus quintus annus'' Vatican.va. Visitado em 2012-10-15.
  43. Dossier on the Novus Ordo Missae: August 1997 Newsletter SSPXAsia.com. Visitado em 2012-10-15.
  44. Studies in comparative religion, Volumes 13–14. [S.l.]: Perennial Books, 1979.
  45. [2][ligação inativa]
  46. Laurent Cleenewerck, ''His Broken Body: Understanding and Healing the Schism Between the Roman Catholic and Eastern Orthodox Churches'' (Euclid University Press 2008|), p. 421. [S.l.]: Books.google.com. Página visitada em 2012-10-15.
  47. Francisco Radecki, Dominic Radecki, CMRI, Times: The Twenty General Councils of the Catholic Church and Vatican II and Its Aftermath (St. Joseph's Media 2004), page not specified
  48. Congregação para o culto divino e a diciplina dos sacramentos, Comunicado de imprensa sobre Liturgiam authenticam
  49. Istrução Geral do Missal Romano, 101
  50. Redemptionis Sacramentum 154–160
  51. É realmente legítimo receber a comunhão na mão? Zenit.org. Visitado em 2015-04-20.
  52. Acólito e acólita da Santa Missa? Presbíteros.com.br. Visitado em 2015-04-20.
  53. Section 36. "Particular law" refers to decisions by national or regional Episcopal Conferences, ratified by the Holy See.
  54. [3]
  55. Motu proprio ''Summorum Pontificum'', article 2 Sanctamissa.org. Visitado em 2012-10-15.
  56. The usual English term for this section of the Missal is "Ordinary of the Mass". In Latin, it has for some centuries, at least since Pope Urban VIII's revision in 1634 and possibly even Pope Clement VIII's in 1604, been called "Ordo Missae" (literally, Order of the Mass). The English name corresponds closely instead to the title used in Pope Pius V's Missal of 1570, which was, in less classical Latin, "Ordinarium Missae" (page 233 of the first printing of that Missal – facsimile reproduction in Missale Romanum. Editio Princeps (1570), Libreria Editrice Vaticana 1998, ISBN 88-209-2547-8)
  57. Concistoro segreto per la nomina di venti Cardinali, 24 maggio 1976 Vatican.va. Visitado em 2012-10-15.
  58. Letter to the Bishops that accompanies the Motu Proprio Summorum Pontificum Vatican.va. Visitado em 2012-10-15.
  59. Motu proprio ''Summorum Pontificum'', article 1 Sanctamissa.org. Visitado em 2012-10-15.


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