Parque Nacional do Jaú

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Parque Nacional do Jaú
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Localização Amazonas e Roraima, Brasil
Dados
Área 2 367 333 ha[1]
Criação 24 de setembro de 1980[2]
Gestão ICMBio[3]
Sítio oficial Parque Nacional do Jaú
Coordenadas 2° 15' S 62° 38' O
Parque Nacional do Jaú está localizado em: Brasil
Parque Nacional do Jaú
Nome oficial: Complexo de Conservação da Amazônia Central
Tipo: Natural
Critérios: ix, x
Designação: 2000 (24ª sessão)
Referência: 998
País: Brasil
Região: Américas
Extensão: 2003 (27ª sessão)
Rio a passar pelo parque

O Parque Nacional do Jaú é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza localizada nos estados do Amazonas e de Roraima, com território distribuído pelos municípios de Barcelos, Codajás, Novo Airão e Rorainópolis, em plena floresta Amazônica.[1]

Com um área de 2 367 333 ha e um perímetro de 1 213 km, Jaú é a quarta maior reserva florestal do Brasil e o terceiro maior parque do mundo em floresta tropical úmida intacta. Criado através do Decreto Nº 85.200, emitido pela Presidência da República em 24 de setembro de 1980, o parque tem por finalidade

Cquote1.svg ... a preservação dos ecosistemas naturais englobados contra quaisquer alterações que os desvirtuem, destinando-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos. Cquote2.svg

Atualmente sua administração está a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Atrativos[editar | editar código-fonte]

Conta com a exuberância da Floresta Amazônica e toda sua biodiversidade de flora e fauna. O parque é ótimo para a prática de caminhada e canoagem e, claro, para contemplação das suas belezas naturais. Há fluxo de visitas ao rio Carabinani.

A riqueza da Floresta Tropical e o maior lago amazônico, o Amaná, são os chamativos do parque. O local é representado por um maciço de vegetação, sendo composto por Floresta Densa Tropical ou Florestas Abertas. Uma curiosidade: no parque existe aproximadamente um jacaré por quilômetro, em todos os habitats.

O período ideal para visitas é entre julho e novembro. O clima é constantemente úmido devido às florestas tropicais, mas a época mais chuvosa compreende os meses de dezembro e abril.

A partir de Manaus, pode-se viajar por de lancha ou barco pelo Rio Negro até Novo Airão, o que leva de 6 a 18 horas. Em Novo Airão, deve-se alugar outro barco e seguir pelo Rio Jaú até a área do Parque. Por via terrestre, deve-se ir através da estrada Manacapuru/Novo Airão. O parque fica aberto das 7h às 18h. O valor do ingresso é de R$ 3,00.

Pode-se procurar hospedagem em Novo Airão, ao sul do parque, e em Barcelos, ao norte. Dentro do parque existe centro de visitantes e alojamento para pesquisadores, com atracadouro de barcos e dois alojamentos flutuantes.

Antecedentes legais[editar | editar código-fonte]

A criação do Parque foi proposta pelo IBDF, com apoio dos estudos realizados pelo INPA (Instituto de Pesquisa da Amazônia), considerando a área valiosa para preservação de recursos genéticos.

O Parque foi criado em 24 de setembro de 1980, pelo Decreto 85.200. Em 2000, o parque foi inscrito pela UNESCO na lista do Patrimônio Mundial.

Aspectos culturais e históricos[editar | editar código-fonte]

No Rio Negro, próximo ao rio Jaú estão localizadas as ruínas de Airão Velho, que foi o povoado mais antigo da colonização portuguesa no rio Negro e foi um importante centro de comércio durante o Ciclo da Borracha. Por toda a região do Parque, nos rios Negro, Jaú e Unini, existem vestígios de antigos povos indígenas, na forma de cerâmica e petroglifos.

A bacia do rio Jaú, que banha o parque, recebeu o nome graças a um dos maiores peixes brasileiros. A palavra Jaú, que vem do Tupi, também acabou nomeando o segundo maior parque nacional do Brasil.

Uma das peculiaridades mais extraordinárias do Parque Nacional do Jaú é o fato de ser esta a única Unidade de Conservação do Brasil que protege totalmente a bacia de um rio extenso e volumoso: a do rio Jaú, de aproximadamente 450 km. Dessa forma, preserva-se o ecossistema de águas pretas.

Quilombo do Tambor - Há que se destacar que o Parque fui criado sem levar em consideração a existência de centenas de famílias que vivem ali há décadas, com destaque para a comunidade Quilombola do Tambor. Hoje vivem ali dezenas de famílias que resistem há mais de vinte anos as ações do IBDF/IBAMA que insistem em não admitir a presença daquele quilombolas na área. Por conta das pressões dos órgãos gestores do Parque, dezenas de famílias foram expulsas da área, migrando para cidade de Novo Airão (AM. Há ao menos 300 quilombolas que vivem fora do Quilombo por pressões dos órgão ambientais, mesmo o governo federal tendo reconhecido o Quilombo há sete anos. Em 2006, a comunidade remanescente de quilombo do Tambor, localizada no Rio Jaú, foi reconhecida oficialmente pela Fundação Cultural Palmares, sob o Registro nº 563, Fl. 73, de 19 de maio de 2006, através da Portaria nº 11, de julho de 2006. Diário Oficial da União, nº 108, 07/07/2006.

Aspectos físicos e biológicos[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Clima constantemente úmido (florestas tropicais). A temperatura média anual varia em torno de 26 C° e 26,7 C°, com máximas de 31,4 e 31,7C° e as mínimas entre 22 C° e 23 C° (DMPM, 1992). O período chuvoso compreende os meses de dezembro e abril e menos chuvoso entre julho e setembro. Fenômeno climático é o Blowdown (queda de vento) 100 km/ hora.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Situado no planalto rebaixado da Amazônia Ocidental, tem relevo aplainado e altitudes em torno de 100 metros. Assenta-se sobre interflúvios tabulares, geralmente separados por vales periódica ou permanentemente alagados. Acompanhando os leitos dos rios ocorrem aluviões do quaternário, formados por areias, siltes e argilas.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Na vegetação há a predominância de floresta ombrófila densa, onde são freqüentes os grupos de castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa), angelim-rajado (Pithecelobium racemosum), quaruba (Vochysia maxima), sucupiras (Diplotropis spp), ucuubas (Virola spp), breus (Protim spp) e maçaranduba (Manilkara huberi). É também freqüente na área um cipó que fornece água de excelente qualidade: o Daliocarpus rolandri.

Em plano mais elevado, a nordeste do Parque, encontra-se uma porção de floresta densa submontana, onde os arbustos mais representativos são o amapá-doce (Parahancornia amapa), mangarana (Microphalis guianensis), sorva (Couma guianensis) e jarana (planta) (Holopyxidium jarana).

Ao longo das planícies aluviais dos rios Carabinani e Jaú, periodicamente inundadas, ocorrem os agrupamentos de palmeiras, como as paxiúbas (Iriartea spp), açaí (Euterpe oleraceae) e jauaris (Astrocaryon spp). E em áreas aluviais mais antigas, raramente atingidas por inundações, ocorre a floresta aberta aluvial, também com forte predominância de palmeiras, como o buriti e caranãs (Mauritia spp).

Fauna[editar | editar código-fonte]

Típicos da fauna equatorial, são encontrados no Parque mamíferos de hábitos crepusculares e noturnos, como as já raras ou ameaçadas onça-pintada (Panthera onca), suçuarana ou onça-parda (Puma concolor), além de felinos menores, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), jaguarundi (Herpailurus yagouaroudi) e gato-do-mato (Leopardus sp).

Há também o peixe-boi (Trichechus inunguis), a ariranha ou lontra gigante (Pteronura brasiliensis), botos (Inia sp, Sotalia sp), guariba-vermelho (Alouata seniculus), macaco-da-noite (Aotus trivirgatus), macaco-de-cheiro (Saimiri sciureus) e anta (Tapirus terrestris).

Entre os peixes, encontra-se o pirarucu (Arapaima gigas), tucunaré (Cichla sp) e tambaquis (Colossoma spp).

Há uma grande variedade de répteis: jabutis (Geochelone spp), jacaré-açu (Melanosuchus niger), sucuri (Eunectes murinus) e tartarugas. Entre as aves, há garças, araras, papagaios e bacuraus, entre outras.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b PARQUE NACIONAL DO JAÚ. Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (22 de abril de 2012). Página visitada em 22 de abril de 2012.
  2. a b DECRETO N° 85.200 DE 24 DE SETEMBRO DE 1980 (pdf). Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (24 de setembro de 1980). Página visitada em 22 de abril de 2012.
  3. Parna do Jaú. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Página visitada em 22 de abril de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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