Viana (Angola)

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Viana
Viana-Estacao-Transporte-rodoviario IMG1018.JPG

Cena de rua fora da estação em Viana
Província Luanda
Características geográficas
Área 1 344 km²
População 106.383[1] hab.
Densidade 51 hab./km²
AO-Luanda.png
Projecto Angola  • Portal de Angola

Viana é uma cidade e um município angolano da Província de Luanda, situado a 18 km da capital do país.

Tem 1 344 km² e cerca de 432 mil habitantes. É limitado a Norte pelo município do Cacuaco, a Este pelo município de Ícolo e Bengo, a Sul pelo município da Kissama e a Oeste pelo Oceano Atlântico e pelos municípios de Samba, Kilamba Kiaxi e Rangel.

O município foi fundado em 13 de Dezembro de 1963 e é constituído pelos bairros de Viana 2,luanda sul e vila.

Devido à sua proximidade com a cidade de Luanda, Viana tem verificado nos últimos anos um crescimento muito acentuado da sua população residente e das indústrias instaladas. É também em Viana que se encontra o Estádio do Santos, recinto utilizado pela equipa de futebol Santos Futebol Clube.

Origem[editar | editar código-fonte]

O nome do município de Viana nasceu de um simples lugar ermo, onde foram assentes carris do caminho-de-ferro, na confluência do rumo para Calumbo, Bom Jesus, e Catete, sentido de drenagem dos produtos que demandavam do Kwanza em direcção ao porto de embarque de Luanda.

Durante largos anos, apenas conhecido por "Quilómetro 21", apeadeiro do caminho-de-ferro Luanda-Catete que, mais tarde, viria a adoptar o nome de um velho agulheiro chamado Viana que naquele mesmo lugar, acabou seus dias em modesta casa de madeira que, como estação, lhe serviu também de residência, entre cajueiros e matebeiros.

Assim o lugar passou a chamar-se Viana, implicitamente, sem formalidades de qualquer ordem, mas apenas por desígnio dos caminhantes que, cruzando a região, de comboio ou de carro, acabaram por implantar legando à posteridade.

Mais tarde, o Diploma Legislativo n.º 2.049 de 1948, classificou este lugar de povoação comercial, integrando-a no Posto Administrativo de Alcântara, do concelho de Luanda.

Por Portaria n.º 9.585 de 19 de Dezembro de 1956, assinada pelo então governador-geral Horácio José de Sá Viana Rebelo, o antigo apeadeiro de Viana - já então com uma população flutuante oriunda de Calumbo, do Bom Jesus e de Catete e de Botomona, das margens do Kwanza e do Bengo, do Cacuaco e de Luanda – passou a sede do novo Posto Administrativo de Viana, integrado na área do antigo concelho de Luanda em dois departamentos: o do concelho de Luanda que passara a abranger a área essencialmente urbana da cidade de Luanda e o outro, o da Circunscrição Administrativa de São Paulo, compreendendo as áreas dos Postos da Sede, Barra do Kwanza, Belas, Boavista, Cacuaco e Viana.

Pelo Diploma Legislativo n.º 3.042, de 11 de Maio de 1960, foi criada a Circunscrição Administrativa de Viana, adjacente ao foral de Luanda, que só começou, efectivamente, a funcionar em 28 de Outubro. Com a criação do Posto Administrativo de Belas, por Portaria n.º 12.388 de 15 de Setembro de 1962, a circunscrição passou a ter uma área de cerca de 1.820 Km2, com os Postos Administrativos de Sede, Barra do Kwanza, Belas e Cacuaco. Por Portaria n.º 13.735, de 27 de Março de 1965, a antiga circunscrição de Viana ascendeu a concelho e nele foi instituída uma Comissão Municipal com a composição estabelecida pelo artigo 511.º da então Reforma Administrativa Ultramarina.

Por Portaria n.º 14.061, de 13 de Dezembro de 1965, que altera a decisão administrativa da província, o posto administrativo de Cacuaco foi desanexado do concelho de Viana, passando a constituir um novo concelho, com sede na povoação do Cacuaco.

Finalmente, por Portaria n.º 14.062 de 13 de Dezembro de 1965, a Comissão Municipal de Viana e outras congéneres foi elevada à categoria de Câmara Municipal, cuja área, nos termos do artigo 1.º do Diploma Legislativo n.º 3590, de 11 de Dezembro de 1965, passou a coincidir com a área do concelho.

Aspecto económico e financeiro[editar | editar código-fonte]

A posição geográfica de Viana em relação à capital da província e das extensas planuras dos seus terrenos, está a transformar-se numa possante zona industrial. Várias indústrias já têm aqui as suas instalações fabris e muitos outros se preparam para lhes seguir o exemplo.

População[editar | editar código-fonte]

A população é jovem, cerca de 47% tem menos de 15 anos.Somente 1,5% da população tem 65 anos ou mais. Há mais mulheres do que homens. A proporção de crianças vulneráveis é de 31,2% dos quais 12,5% são órfãs ou separadas de pai e mãe. A principal razão da migração das populações foi a guerra que representa 53,8%, mas apenas 15,4% manifesta a pretensão de regressar às áreas de origem.

Sistema familiar[editar | editar código-fonte]

É interessante notar-se que entre o homem e mulher de tribos ou grupo étnicos diferentes, contraem casamentos, percebem-se nos variados dialectos e de qualquer jeito utilizam as expressões de língua portuguesa. Uma família, possui geralmente mais de quatro filhos, o homem pode possuir mais de uma mulher e ter outros filhos fora do casamento.

Migração[editar | editar código-fonte]

Já no século XVII Luanda se definiu como centro comercial de valor.

Partiam e chegavam ao seu movimentado porto embarcações de todos os tipos, do reino e do Brasil, das mais parcelas do mundo português e até do estrangeiro.

Entroncava no sistema das célebres viagens triangulares – Lisboa, Baía, Luanda, e vice-versa. Sede dos «armadores» ou «aviantes», que distribuíam, as mercadorias pelos «aviados» estabelecidos no burgo ou itinerantes, isto é, que se dedicavam ao comércio pelo interior. Segundo a via terrestre ou fluvial, Cuanza acima, rumo ao Dondo, na margem direita daquele rio, os «aviados» exerceram função de relevância extraordinária, indo muito além da zona do económico, difundindo usos e costumes, a língua, pelo sertão. O Dondo era ponto de encontro dos mercadores nativos dos vastos planaltos de Malanje, Bié e Benguela.

As relações entre os grupos étnicos eram bastantes estreitos e a aculturação progredia a passos largos, denunciada na dança e na música que vieram até nós, nascidos do casamento salão-terreiro.

O processo migratório na área de Viana remonta antes de 1836 ano da abolição do tráfico de escravos, com maior incidência em Calumbo, que foi um centro muito desenvolvido, com porto fluvial e caminho de ferro.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

O prato básico da população é o Funge e o Pirão.

A fuba de bombó e a farinha de milho, é o resultado da trituração da mandioca e do milho, que se agrega o peixe seco, o óleo de palma, o feijão e hortícolas, são os principais produtos que servem de base para a concepção da sua alimentação, que se juntam à carne e o peixe cacusso e bagre.

Nas áreas urbanas, agrega-se ainda o pão, o café, o chá, o leite, o arroz, as massas, as batatas, etc. A principal bebida é a kissangua, o maruvo, o caporroto, o macau, o quimbombo, de acordo aos aglomerados étnicos e o vinho que não é dispensado tal como a cerveja.

Tradição[editar | editar código-fonte]

Festas da Quianda, no rio Kwanza entre Calumbo a Barra do Kwanza, como divindade para aumentar a fartura do pescado. No passado, o sobado de Calumbo fazia as suas orações religiosas, em qualquer lugar, e no decorrer do tempo, pensou-se na feitura de uma Estátua que anualmente era vestida para simbolizar, que lhe atribuiram o nome de “Mbangala”, cujo objectivo das rezas é pedir as chuvas, que serviapara limpeza das lagoas, para terem comida com abundância, pesca, saúde, etc., etc.

Para que a população tome conhecimento dos trabalhos, anualmente nas datas 1, 2, 3 do mês de Novembro, faz-se um peditório para aquisição de produtos alimentares e bebidas espirituosas, para o tratamento das lagoas, que denominam a “Festa da Kianda”.

Nótula histórica[editar | editar código-fonte]

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Monumentos históricos[editar | editar código-fonte]

Existe uma Igreja Católica, no Calumbo, cujo padroeiro S. José, que nos dias de hoje é denominado monumento de interesse público, que foi construído pelos Holandeses e posteriormente reabilitada pelo então governador da província Exmo. Senhor Conselheiro Adrião Acácio Silva Pinto e foi em 1830, por donativo do Tenente de Voluntários de Loanda e Chefe deste Distrito de nome José Inácio Pereira de Morais e alguns moradores, sendo o governador-geral de Angola – Coronel Horácio de Sá Viana Rebelo.

Existiu um Português mais conhecido por, Zé Inácio, que tinha um Trampolim de onde guardava os Escravos e depois eram transportados para América.

Existiu nos arredores da Comuna Sede, uma oficina de barcos, sendo o dono Senhor Santos Tavares e o motorista do mesmo Gaspar Domingos, chamava-se Tejo, que fazia o trajecto de Calumbo ao Dondo, com finalidade de transportar vários produtos, dentre eles Barris de Vinho, panelas de barro, Moringues, Sangas e outras que se destinavam para comercialização.

Caseta Cambemba - A Caseta Cambemba foi uma estação de caminho de ferro, cujo maquinista chamava-se Adão Cassule, que se faziam mudanças de tanques, que levavam água de Calumbo para Luanda e vice-versa, a manutenção do comboio era feita no local nos anos de 1958.

O comboio saía do Bungo para Calumbo, que transportava mercadorias diversas, nomeadamente, óleo de palma, dendém, luandos, batata doce, peixe comum e bagre, etc. Depois do comboio ter paralisado surgiu o autocarro que foi pertença do português Fernandes & Filhos, que transportava mercadorias e passageiros.

Kimbundo[editar | editar código-fonte]

Segundo a história, é o lugar onde os portugueses controlavam todos os contratados, que prestavam serviço na fazenda “Portugal” o nome do proprietário José de Melo, que compreendia as áreas de Carinda de baixo e de cima respectivamente.

Neste mesmo local, existe um MUIGI (vala) que chamavam o MUIGI do Melo, uma das valas históricas, em virtude de não permitir aterros para a passagem de carros, segundo o conto, que existe sereias no mesmo local, caso se faça o aterro é de pouco tempo, o rio inunda, para possibilitar o transporte de água na Lagoa denominada CAUIGIA, lagoa esta bastante falada no povo de Calumbo.

Um outro monumento histórico é o morro de José Inácio, onde existiu uma cadeia que ainda hoje, encontramos a letra “A”, cuja investigação está sendo feita para melhores informações.

A cadeia era utilizada para prenderem os nativos para serem desterrados. Marcas Históricas que nos retrata os massacres perpetrados pelos portugueses em 1961, que ficam situados na sede da Comuna e Kakila, respectivamente, cuja história, tomamos o conhecimento após a nossa independência em 1975, que esses locais eram utilizados como valas comuns, muitos cidadãos nossos foram mortos e atirados nas valas. O último homem que tivera aberto a vala na comuna sede, esse foi enterrado vivo, pelos portugueses, Chamando-lhe terrorista.

Cenário Actual, comunidade e perspectivas[editar | editar código-fonte]

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Fundada no inicio do século passado pelo agulheiro dos caminhos-de-ferro – António Viana, a parcela de terra a pouco mais de 20 quilómetros da cidade de Luanda, vive uma expansão e efervescência dos acontecimentos de hoje.

Da vila de Viana – símbolo da prosperidade ao afunilado e adormecido município de Viana, que assiste nos últimos anos transformações radicais e desordenadas que mudaram a sua nomenclatura económica e social, do outrora importante pólo industrial de Angola, que se impôs pela eficiência com que produzia os seus bens e serviços a um sucateado e quase paralisado parque industrial, e isto com consequências directas na maioria das famílias, - porque de cidade geradora de empregos, Viana é hoje uma cidade com uma das maiores taxas de desemprego do país, a esta situação adicionamos o facto de Viana se ter tornado uma cidade dormitório e dominada pela economia informal.

De cidade projectada para quinhentos mil habitantes, Viana conta actualmente com mais de um milhão de pessoas, em sua maioria fruto do deslocamento de populações vindas do interior do país derivadas do conflito interno que Angola viveu. Outro factor que influenciou também no aumento do número da população em Viana foi a construção de novos conjuntos habitacionais na região chamada de Luanda Sul (área de expansão urbana de Luanda).

Mais que olhar estes dados, como meramente informativo, é interpreta-los de forma a se buscar novas alternativas para desenvolver o município. Viana, como a maioria das cidades angolanas vive uma crise social, como a carência de infraestruturas básicas, falta de uma rede de saneamento básico, talvez um dos mais importantes projectos para os próximos anos, a situação de saúde pública é delicada. Outro aspecto que tem aumentado a crise é a degradação do estado geral das estruturas de abastecimento de água e energia em todos os níveis da população.

Para resolvermos estas questões, precisamos de projectos concretos que ajudem a alavancar o desenvolvimento do município, que possui potencialidades em quase todas as esferas económicas, tem um potencial adormecido ao redor da sua sede, poderá ser nos próximos anos um importante entreposto de produtos agropecuários produzidos localmente na comuna do Calumbo e poderá incrementar a sua indústria turística nas comunas do Calumbo e da Barra do Kwanza, onde investimentos em algumas infraestruturas poderiam atrair muitos visitantes que com certeza se encantariam com a beleza dos manguezais e a formosa floresta flutuante sobre o Rio Kwanza.

O país vive um grande dilema por um lado sofre com uma alta e exigente demanda por investimentos em infraestruturas e serviços de utilidade publica e por outro lado sofre com restrições financeiras e escassez de recursos, mas e fundamentalmente aqui que esta o ponto-chave, a aplicação de recursos tem que ser compartilhada por todos, é importante a participação do sector privado, em áreas outrora dominadas pela intervenção estatal, com investimento que possibilitem o aumento na oferta de serviços básicos e que venham, sobretudo criar novos postos de trabalho e por consequência renda, consumo e poupança interna, - variáveis imprescindíveis para o desenvolvimento económico de Angola.

A modernização do sector público é um caminho irreversível. Logo teremos que definir um novo modelo de gestão pública, naturalmente aquele que coloca os governos mais próximos dos cidadãos e uma administração direccionada para actividades que beneficiem directamente a sociedade e que possa de facto tornar as nossas cidades mais desenvolvidas e com o maior número de infraestruturas económicas e sociais.

As parcerias são ferramentas modernas que permitem a redução de custos dos governos ou mesmo a geração dos escassos recursos que vem contribuir em favor da qualidade, produtividade e redução de custos da gestão pública. A implementação de parcerias entre governo, sector privado e a comunidade vai também em direcção da criação de um espaço público mais transparente, é um sinal de uma aproximação saudável que deve promover o desenvolvimento das comunidades, onde as responsabilidades devem ser repartidas ente os intervenientes, com o objectivo comum de melhorar a condição de vida de todos.

A actual situação que Angola vive é uma excelente oportunidade para se atentar para os problemas sociais que se agravaram com o evoluir da guerra e das crises económicas que o país viveu. Acomodar os interesses locais em torno do interesse nacional a fim de construir por um lado um município mais próspero e por outro lado uma Angola melhor, deverá ser um exercício contínuo, de modo a promover o desenvolvimento descentralizado e a distribuição justa da riqueza, importante instrumento de equilíbrio social para a consolidação da vida dos cidadãos. Mas na prática, isto só é possível quando cada um de nós se identifica com os problemas da comunidade, identificando-os, expondo-os e propondo soluções. Esta estratégia só faz sentido quando existem projectos de desenvolvimento comprometido com o bem-estar comum. {[Luanda-sul]} É um dos bairros mais famosos e urbanos de viana e abrange uma área de 32km ao quadrado nele há vários condóminios como o Girassol,Ginga Renata,Ginga Isabel entre outros e também esta prevista que a província de luanda em si sera uma autarquia aumentando as probalidades de crescimento,não só do luanda-sul mas para as restantes localidades.Mas viana anteriormente ja fora um lugar pacífico mas com a libertação de várias organizacões criminais a criminalidade tem vindo a aumentar muito mesmo.E o turismo é praticamente inexistente no luanda-sul e em viana. {[raças]} De todos os municípios do país viana é um dos com mais população não angolana: 86%-pretos ou negros 8%-asiatíca(chinesa,vietnamita 4%-branca 2%-latina(cubana,hondurenha).

Cidades irmãs[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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