Ópera chinesa

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Cena de "A lenda da cobra branca", uma obra de ópera chinesa.

A ópera chinesa (em Chinês: 戲曲/戏曲; Pinyin: xìqǔ) é uma forma popular de drama e teatro musical na China. Em Macau, há um dialecto macaense, considerado o português de Macau, que, chama a Ópera com o nome de Auto-China ou Chapôm-chipôm. É um teatro misturado de elementos como a literatura, a música, o cantar, a dança, as belas-artes, as artes marciais, o malabarismo e a arte espectacular. Esse amálgama cultural se formou ao longo de mais de mil anos, e atingiu sua forma madura no século XIII, durante a dinastia Song.[1]

Existem inúmeros ramificações regionais da ópera, como a ópera de Pequim, a ópera de Xiaoxing, a ópera cantonesa, a ópera de Kunqu e o Lüju. Hoje, o círculo da Ópera Chinesa é normalmente chamado de "Círculo de Crisântemo" (em Chinês: 菊壇/菊坛) e os circos teatrais designam-se como a "Perada" (em Chinês: 梨園/梨园) e os actores como os "Filhos e Irmãos da Perada" (em Chinês: 梨園子弟/梨园子弟).

História[editar | editar código-fonte]

Das Seis Dinastias a Tang[editar | editar código-fonte]

Uma forma inicial de drama chinês é a ópera Canjun (參軍戲, ou Peça de Ajudante), que se originou na dinastia Zhao Posterior (319–351).[2][3] Na sua forma inicial, era um simples drama cômico envolvendo dois atores: um oficial corrupto (Canjun) e um bobo da corte chamado Falcão Cinzento (蒼鶻), que o ridiculariza.[4] Os personagens da ópera Canjun são considerados os precursores dos personagens tradicionais da ópera chinesa posterior, especialmente os personagens chou (丑).

Vários dramas com canções e dança se desenvolveram durante o período das Seis Dinastias. Durante a dinastia Qi do Norte, uma dança com máscaras chamada "Grande Rosto" (大面, que também pode significar "máscara", ou alternativamente daimian, 代面, podendo também ser chamada como Rei de Lanling, 蘭陵王) foi criada em honra de Gao Changgong, que combatia usando uma máscara.[5][6] Outra modalidade artística criada foi o Botou (撥頭, 缽頭), um drama com dança e máscaras das Regiões Ocidentais que conta a história de um filho que mata o tigre que havia matado seu pai.[7] Na peça "A mulher que dança e canta" (踏謡娘), é relatada a história de uma mulher agredida por seu marido bêbado, sendo que, originalmente, o papel principal era interpretado por um homem vestido de mulher.[8][9] As histórias contadas nesses dramas de canto e dança são simples, mas são consideradas as mais antigas obras de teatro musical na China, e as precursoras das obras mais sofisticadas de ópera chinesa que surgiriam posteriormente.[10]

Estas formas iniciais de drama foram populares na dinastia Tang, quando elas se aperfeiçoaram. Por exemplo, no final da dinastia Tang, a ópera Canjun se havia transformado numa obra com enredo complexo e reviravoltas dramáticas, com pelo menos quatro atores.[11] O teatro chinês se desenvolveu com o imperador Xuanzong de Tang (712–755), que fundou o "Jardim de Peras" (梨园/梨園; líyuán), a primeira escola para músicos, atores e dançarinos.[12] Os seus alunos formaram o que pode ser considerado a primeira companhia de ópera da China. Eles se apresentavam na maioria das vezes para o deleite exclusivo do imperador. Até hoje, os profissionais de ópera na China são chamados de "discípulos do jardim de peras" (梨园弟子/梨園弟子, líyuán dìzi).[13]

De Song a Qing[editar | editar código-fonte]

Na época da dinastia Song (960–1279), a ópera Canjun já havia incorporado canto e dança, e já havia levado ao desenvolvimento do Zaju (雜劇) e do Nanxi (南戏). Na dinastia Yuan (1279–1368), atos baseados em rimas e inovações como papéis especializados, como Dan (旦, dàn, mulher), Sheng (生, shēng, homem), Hua (花, huā, rosto pintado) e Chou (丑, chŏu, palhaço), foram introduzidos na ópera. Embora os atores falassem apenas chinês clássico nas peças durante a dinastia Song, na dinastia Yuan muitos atores passaram a usar a língua vernácula nas peças.[14]

No drama poético yuan, apenas uma pessoa cantava durante os quatro atos, mas, nos dramas que se desenvolveram a partir do Nanxi durante a dinastia Ming (1368–1644), todos os atores cantavam. O dramaturgo Gao Ming, na dinastia Ming tardia, escreveu a ópera "Conto da Pipa", que se tornou bastante popular e um modelo para as demais óperas do período, visto que era a ópera favorita do primeiro imperador ming, Zhū Yuánzhāng.[15][16] A ópera já tinha, nessa época, uma aparência semelhante à ópera chinesa atual, embora os libretos fossem bem mais longos.[17] Os atores deviam ser proficientes em várias artes: de acordo com o livro "Memórias de Tao An" (陶庵夢憶), de Zhang Dai, eles tinham que saber tocar vários instrumentos musicais, cantar e dançar antes de aprender a representar.

A forma dominante na dinastia Ming e no início da dinastia Qing era o kunqu, que se originou na área cultural wu. Uma famosa peça de kunqu é o "Pavilhão das Peônias", de Tang Xianzu. O kunqu, posteriormente, se transformou numa peça mais longa chamada chuanqi, que se transformou numa das cinco melodias que criaram a ópera de Sichuan. Atualmente, a ópera chinesa existe em 368 formas diferentes, sendo que a mais conhecida é a ópera de Pequim, que assumiu seu formato atual em meados do século XIX e se tornou extremamente popular no final da dinastia Qing (1644–1911).

Na ópera de Pequim, instrumentos de cordas e percussão tradicionais chineses fornecem um poderoso e rítmico acompanhamento para os atores. A representação se baseia em alusões: gestos, passadas e outros movimentos expressam ações como montar a cavalo, remar num barco ou abrir uma porta. O diálogo se divide entre recitações (usadas pelos personagens sérios) e a fala coloquial de Pequim (usada por mulheres jovens e palhaços). Os papéis dos personagens são bem definidos, e cada personagem tem uma elaborada maquiagem própria. O repertório tradicional da ópera de Pequim contém mais de mil obras, sendo que a maioria delas é retirada de novelas históricas com fundo político ou militar.

1912-1949[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wang Kefen (1985). The History of Chinese Dance. China Books & Periodicals. p. 78. ISBN 978-0835111867.
  2. Tan Ye (2008). Historical Dictionary of Chinese Theater. Scarecrow Press. p. 3. ISBN 978-0810855144.
  3. Cheng Du online. Disponível em https://web.archive.org/web/20070224045340/http://www.chengdu.cn:81/5chuanju.asp. Acesso em 14 de outubro de 2018.
  4. Tan Ye (2008). Historical Dictionary of Chinese Theater. Scarecrow Press. p. 3. ISBN 978-0810855144.
  5. Laurence Picken, ed. (1985). Music from the Tang Court: Volume 5. Cambridge University Press. pp. 1–12. ISBN 978-0521347761.
  6. Faye Chunfang Fei, ed. (2002). Chinese Theories of Theater and Performance from Confucius to the Present. University of Michigan Press. pp. 28–29. ISBN 978-0472089239.
  7. Tan Ye (2008). Historical Dictionary of Chinese Theater. Scarecrow Press. p. 336.
  8. Faye Chunfang Fei, ed. (2002). Chinese Theories of Theater and Performance from Confucius to the Present. University of Michigan Press. pp. 28–29. ISBN 978-0472089239.
  9. China. Disponível em https://web.archive.org/web/20131225130854/http://english.ccnt.com.cn/?catog=theater&file=030205. Acesso em 17 de outubro de 2018.
  10. Faye Chunfang Fei, ed. (2002). Chinese Theories of Theater and Performance from Confucius to the Present. University of Michigan Press. pp. 28–29. ISBN 978-0472089239.
  11. Jin Fu (2012). Chinese Theatre (3rd ed.). Cambridge University Press. p. 10. ISBN 978-0521186667.
  12. Tan Ye (2008). Historical Dictionary of Chinese Theater. Scarecrow Press. p. 223. ISBN 978-0810855144.
  13. Chinese opera. Disponível em http://www.onlinechinatours.com/china-guide/folk-art/chinese-opera.html. Acesso em 17 de outubro de 2018.
  14. Rossabi, Morris (1988). Khubilai Khan: His Life and Times. Berkeley: University of California Press. ISBN 0-520-05913-1. p. 162.
  15. Faye Chunfang Fei, ed. (2002). Chinese Theories of Theater and Performance from Confucius to the Present. University of Michigan Press. p. 41. ISBN 978-0472089239.
  16. Jin Fu (2012). Chinese Theatre (3rd ed.). Cambridge University Press. p. 447. ISBN 978-0521186667.
  17. Wang Kefen (1985). The History of Chinese Dance. China Books & Periodicals. p. 78. ISBN 978-0835111867.

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