A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana
Capa do disco
Álbum de estúdio de Titãs
Lançamento Outubro de 2001[1]
Gravação 11 de junho a 11 de agosto de 2001 nos Ar Studios, Rio de Janeiro[2]
Gênero(s) Rock
Duração 49:52
Idioma(s) Português
Formato(s) CD
Gravadora(s) Abril Music
Produção Jack Endino[1]
Cronologia de Titãs
Último
Último
As Dez Mais
(1999)
Como Estão Vocês?
(2003)
Próximo
Próximo

A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda brasileira de rock Titãs, lançado em 2001. É o primeiro disco totalmente composto de canções inéditas desde Domingo (1995); o primeiro (e único) pela Abril Music (encerrando a parceria com a Warner que perdurava desde o primeiro lançamento do grupo); o primeiro sem o guitarrista e fundador Marcelo Fromer, que morreu a poucos dias do início das gravações e a quem o trabalho é dedicado;[2] o último com o baixista, vocalista e violonista Nando Reis e o último a ser produzido por Jack Endino.

A morte de Marcelo fez a banda considerar adiar a gravação do disco e até mesmo encerrar suas atividades, mas o então sexteto decidiu seguir em frente, deduzindo que esse seria o desejo do guitarrista morto. Enquanto que o título do álbum é uma crítica a listas "superficiais" montadas pela imprensa musical, as letras das faixas tratam de temas diversos - incluindo a morte, embora estas tenham sido concebidas antes do falecimento do músico.

O álbum foi escrito em meio a uma pressão por parte de fãs e da crítica, que viram a banda lançar três discos (a saber, Acústico MTV, Volume Dois e As Dez Mais) com poucas faixas inéditas e muitas regravações da própria banda e de outros artistas. A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana recebeu críticas positivas, mas não vendeu tão bem quanto seus três antecessores.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O álbum é o primeiro desde Domingo (1995) a conter apenas composições inéditas.[3] [4] [5] [6] Anteriormente, a banda havia lançado Acústico MTV, com versões acústicas de faixas anteriores e algumas inéditas; Volume Dois, álbum de estúdio que continuava com o formato acústico e trazia mais faixas inéditas; e As Dez Mais,[4] um disco inteiramente de covers. Enquanto que Nando afirmou que a banda não notou esse intervalo apontado por muitos, o vocalista Branco Mello e o também vocalista e tecladista Sérgio Britto consideraram o período como sendo de grande experiência.[6] [7] A banda passava a enfrentar pressão da crítica por conta do período sem novidades, especialmente porque três membros (Sérgio, Nando e o vocalista Paulo Miklos) haviam lançado trabalhos solo no período[8] (respectivamente: A Minha Cara, Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro e Vou Ser Feliz e Já Volto). Por isso, alguns membros consideraram o disco como a única escolha que tinham e também como uma reestreia.[7] [8]

Segundo Alexandre Negado, do site Omelete, a banda chegou a anunciar a participação de um DJ no álbum, inaugurando assim um direcionamento eletrônico, mas a ideia foi descartada.[4]

A poucos dias de começarem as gravações, no dia 11 de junho de 2001, o guitarrista Marcelo Fromer foi atropelado por um motociclista em São Paulo e internado em estado grave, vindo a morrer dois dias depois.[9] Em vez de interromper as atividades, os músicos decidiram prosseguir com o trabalho e gravar o disco no tempo previsto. O baterista Charles Gavin disse na época que "parar seria muito pior para a gente, ficaríamos deprimidos, isolados".[6] Em 2013, na época da morte do cantor Chorão, do Charlie Brown Jr., Branco disse que o grupo decidiu continuar para levar adiante o sonho de Marcelo (e deles mesmos) de ter uma banda de rock.[10]

Comentando o impacto que a morte dele causou durante as gravações, o produtor estadunidense Jack Endino afirmou:[11]

Foi somente após as gravações que a banda absorveu, de fato, a morte do colega. Segundo Paulo, "estávamos tão empenhados em gravar e dar seguimento ao projeto que não pensamos antes. Agora, que nos reencontramos para ensaiar, estamos caindo na real", disse ele em outubro de 2001.[5] Em 2013, ele relembraria aquela época em entrevista, comentando:[12]

Produção e gravação[editar | editar código-fonte]

O álbum foi pré-produzido no Estúdio Vinil Junkie, em São Paulo, nos meses de abril e maio de 2001.[2]

Jack participou do álbum inclusive como instrumentista, tocando as partes de guitarra de Marcelo[8] (O músico Emerson Villani, que foi membro de apoio dos Titãs, também gravou algumas partes[4] [6] [8] ), e assumindo também o baixo em algumas músicas, a pedido de Nando, para que este pudesse focar no violão.[11] A banda até pensou em usar gravações do próprio Marcelo para o álbum, mas elas não tinham qualidade o suficiente.[8]

O produtor também teve de enfrentar outra morte durante os trabalhos: a de seu pai, aos 84 anos. O falecimento o forçou a voltar para Seattle por uma semana. Em seu lugar, ficou Paul Ralphes, que produziu o primeiro álbum solo de Sérgio.[11]

A mixagem ocorreu no Estúdio X em Seattle, Estados Unidos, entre 16 de agosto e 2 de setembro de 2001, por Jack e pelos Titãs.[2] Já a masterização ocorreu em 4 de setembro de 2001 no Sterling Sound, em Nova Iorque, Estados Unidos.[2] Para esta etapa, Charles viajou à cidade estadunidense - enquanto ele esteve lá, ocorreram os ataques de 11 de setembro de 2001.[11] O álbum foi então finalizado em Seattle, Estados Unidos, por Jack e alguns integrantes da banda.[1]

Conceito, composição e temática das letras[editar | editar código-fonte]

O nome do álbum, bem como sua faixa-título, são uma brincadeira com as listas de "melhores" que a imprensa e a mídia em geral "empurram pela goela do público abaixo", embora a banda reconheça que seja parte disso.[7] [8] É também uma crítica à superficialidade que a música estava demonstrando na época, feita para ser "consumida", mas uma crítica proferida de modo "irônico" e "sarcástico".[5]

A banda compôs 40 canções para o álbum. Selecionaram então 16 para a lista de faixas final do disco. Fromer participou da concepção de cinco.[13] Há tanto faixas escritas a várias mãos quanto faixas concebidas por apenas um membro.[6]

Embora algumas letras tratem da morte ("Epitáfio" e "Um Morto de Férias", por exemplo[6] ), elas foram todas compostas antes do acidente.[4] Tony Bellotto diz que as faixas eram reflexo do momento que vivia Marcelo na época, "passando por uma crise pessoal, individual. Estava chegando aos 40 anos, eram naturais essas questões".[6] Com efeito, "Um Morto de Férias" foi entendida por Pedro Alexandre Sanches, da Folha de S.Paulo, como uma referência à "crise dos 40".[14] Perguntado sobre uma suposta temática adolescente nas letras, Sérgio respondeu que "sentir-se deslocado, com dificuldades de adaptação ao dia-a-dia, não é um privilégio dos adolescentes. Isso é algo que podemos ter a vida inteira. Você pode ser um pai de família e não se encaixar".[7] A faixa "Daqui Pra Lá" é inspirada na canção "O Homem Que Deve Morrer", composta por Nonato Buzar e escrita por Torquato Neto.[15]

Em termos de sonoridade, alguns críticos viram um resgate dos sons mais pesados do passado da banda.[13] [16] Alexandre, do Omelete, definiu o som do álbum como "pop-rock básico".[4] Enquanto considerou-se que "Um Morto De Férias" e "É Bom Desconfiar" continham toques de pop radiofônico, "Vamos Ao Trabalho" flerta com o punk e "Eu Não Presto" pega elementos de ska; "Mesmo Sozinho" é uma balada melancólica[16] e faz par com a outra balada do disco, "Isso".[4] "O Mundo É Bão, Sebastião!" abre com acordes reminiscentes de "Day Tripper", dos The Beatles. "Bananas" foi definida como um "funk-samba-rock" e "mangue beat"[13] [14] e "Vamos ao Trabalho" foi comparada a trabalhos da era Cabeça Dinossauro.[4]

O produtor Jack Endino descreveu A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana da seguinte forma:[11]

Lançamento e recepção[editar | editar código-fonte]

A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana marca o primeiro[5] [8] (e único) lançamento da banda pela Abril Music, que encerraria suas atividades menos de dois anos depois.[17] As primeiras 250 mil cópias do álbum foram vendidas em bancas de jornais[6] em um pacote que incluía uma revista-pôster[13] com histórias,[8] fotonovela, curiosidades e jogos da banda.[1] A ideia partiu do então presidente da gravadora, Marcos Mainardi, com o objetivo de aumentar a disponibilidade do CD e diminuir seu preço.[5] O formato de revista foi adotado para driblar uma lei que proibia a venda de CDs avulsos em bancas de jornais, mas não como brindes de publicações. O preço sugerido para as bancas, na época, era de R$19,90.[7]

Recepção comercial[editar | editar código-fonte]

O álbum recebeu certificação ouro pela ABPD em 2001,[18] o que indica a vendagem de 100 mil cópias de acordo com a certificação válida para a época.[19] Foi um desempenho menor que a maioria dos lançamentos anteriores.[18]

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic 3.5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar half.svgStar empty.svg[16]
ISTOÉ Favorável[13]
Omelete Favorável[4]
Folha de S.Paulo 3 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svg[14]

A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana foi bem recebido pelos críticos profissionais.

Escrevendo para o site Allmusic, Philip Jandovský afirmou que a banda conseguiu "manter um padrão surpreendentemente alto de rock", classificando o álbum como sólido, mesmo que não o considerando tão inspirado e criativo quanto a fase inicial do grupo, que ele chamou de "uma das mais talentosas e interessantes bandas de rock do Brasil".[16]

Apoenan Rodrigues, da revista ISTOÉ, considerou o disco "divertido" e "irônico a partir do próprio título, (...) Faz o cruzamento entre o pop palatável de trabalhos mais recentes como os projetos acústicos e as toneladas sonoras de Titanomaquia". Ele concluiu dizendo que "a sensatez mesclada ao humor resultou num CD para pais e filhos roqueiros."[13]

Alexandre Negado, do site Omelete, considerou que as 16 faixas do álbum "mostram um grupo que já se levou a sério demais e que agora tenta retomar o caminho da simplicidade" e concluiu sua análise dizendo que "as letras e melodias passeiam do rock ao brega com uma tranquilidade que vai enfurecer os críticos radicais que vivem dizendo que os Titãs não são mais os mesmos ou que aquilo que fazem é pop descartável e comercial e não rock puro."[4]

Pedro Alexandre Sanches, da Folha de S.Paulo entendeu que as letras fazem desde autocríticas até referências à chamada "crise dos 40", e concluiu dizendo que "para os que havíamos nos esquecido [sic] disso, os Titãs ainda são cheios de fazer música aberta, inédita e criativa."[14] Num comentário geral da discografia dos Titãs, Cleber Facchi, do site Miojo Indie, disse que "boa parte do disco funde o lado comercial do grupo com o sarcasmo assumido desde a década de 1980."[3]

Faixas[editar | editar código-fonte]

N.º Título Compositor(es) Vocal principal Duração
1. "Vamos ao Trabalho"   Paulo Miklos Miklos 1:52
2. "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana"   Sérgio Britto, Branco Mello Mello 3:05
3. "O Mundo É Bão, Sebastião!"   Nando Reis Reis 4:15
4. "Bom Gosto"   Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Britto Britto 2:37
5. "Um Morto de Férias"   Fromer, Bellotto, Britto Mello 3:21
6. "Epitáfio"   Britto Britto 2:56
7. "É Bom Desconfiar"   Reis Reis 3:26
8. "Não Fuja da Dor"   Fromer, Charles Gavin, Mello, Bellotto Mello 3:34
9. "Daqui pra Lá"   Britto, Torquato Neto Britto 3:23
10. "Isso"   Bellotto Miklos 2:40
11. "Eu Não Presto"   Mello, Ciro Pessoa Mello 2:28
12. "Mundo Cão"   Britto Britto 2:59
13. "Mesmo Sozinho"   Reis Reis 4:29
14. "Bananas" (Contém a citação de um trecho de uma fala do personagem D. Porfírio Diaz, do filme Terra em Transe (1967)[2] ) Britto, Miklos, Gavin Miklos 4:22
15. "Alma Lavada"   Fromer, Gavin, Mello, Bellotto, Britto Mello 2:32
16. "Cuidado com Você"   Fromer, Miklos, Bellotto, Arnaldo Antunes Miklos 2:32

Créditos[editar | editar código-fonte]

Os créditos estão de acordo com o encarte[2] e podem também ser conferidos aqui, sendo necessário clicar em cada canção para ver a respectiva formação. A relação de vocalista principal por faixa já se encontra na seção acima.

Referências

  1. a b c d Novo disco dos Titãs sai em outubro O Estado de S. Paulo Grupo Estado (28 de setembro de 2001). Visitado em 1 de agosto de 2015.
  2. a b c d e f g (2001). "Anotações de A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana". Em A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana [encarte do CD]. Abril Music.
  3. a b Facchi, Cleber (26 de maio de 2014). Cozinhando Discografias: Titãs Miojo Indie. Visitado em 4 de agosto de 2015.
  4. a b c d e f g h i j Nagado, Alexandre (19 de outubro de 2001). A melhor banda de todos os tempos... Omelete. Visitado em 4 de agosto de 2015.
  5. a b c d e Titãs ironizam showbiz em novo álbum O Estado de S. Paulo Grupo Estado (4 de outubro de 2001). Visitado em 4 de agosto de 2015.
  6. a b c d e f g h Sanches, Pedro Alexandre (4 de outubro de 2001). Titãs vêm enfrentar o presente e o futuro Folha de S.Paulo Grupo Folha. Visitado em 1 de agosto de 2015.
  7. a b c d e Ivanov, Ricardo (3 de outubro de 2015). Quarentões, Titãs não querem carregar rótulo adolescente Terra Telefónica. Visitado em 1 de agosto de 2015.
  8. a b c d e f g h Titãs: mais velhos, sábios e irônicos CliqueMusic UOL (4 de outubro de 2001). Visitado em 1 de agosto de 2015.
  9. Arquivo G1: Morre Marcelo Fromer, dos Titãs G1 Grupo Globo (13 de junho de 2007). Visitado em 5 de agosto de 2015.
  10. Branco Mello relembra a perda de Marcelo Fromer Encontro com Fátima Bernardes Grupo Globo (15 de março de 2013). Visitado em 1 de agosto de 2015.
  11. a b c d e Sarkis, Thiago Pinto Corrêa (4 de janeiro de 2004). Jack Endino - Entrevista exclusiva com o produtor do Nirvana Whiplash.net. Visitado em 1 de agosto de 2015.
  12. Preto, Marcus (21 de novembro de 2013). Paulo Miklos Trip Trip Editora. Visitado em 1 de agosto de 2015.
  13. a b c d e f Rodrigues, Apoenan. (10 de outubro de 2001). "Mão dupla". ISTOÉ (1671). Editora Três. Visitado em 1 de agosto de 2015.
  14. a b c d Sanches, Pedro Alexandre (4 de outubro de 2001). CD é para quem já havia esquecido que eles são criativos Folha de S.Paulo Grupo Folha. Visitado em 4 de agosto de 2015.
  15. Torquato Neto - Dados Artísticos Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira Instituto Cultural Cravo Albin. Visitado em 4 de agosto de 2015.
  16. a b c d Jandovský, Philip. AllMusic Review by Philip Jandovský Allmusic All Media Guide. Visitado em 4 de agosto de 2015.
  17. Coelho, Luciana (5 de fevereiro de 203). Abril Music encerra atividades em meio à onda de pirataria Folha de S.Paulo Grupo Folha. Visitado em 3 de agosto de 2015.
  18. a b Certificados ABPD. Visitado em 3 de agosto de 2015.
  19. Tabela de Níveis de Certificação ABPD ABPD. Visitado em 3 de agosto de 2015.