Aleksandr Dugin

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Aleksandr Dugin
Nome completo Aleksandr Dugin
Nascimento 7 de janeiro de 1962 (54 anos)
Moscou, Rússia
Nacionalidade Russos russo
Cônjuge Nataliya Melentyeva
Ocupação Cientista político e professor da Universidade Estatal de Moscou

Aleksandr Gelyevich Dugin, em russo Алекса́ндр Ге́льевич Ду́гин (Moscou, 7 de janeiro de 1962), é um cientista político russo cujo viés político vem sendo classificado como fascista.[1][2][3] Dugin é um teórico da escola contemporânea de geopolítica russa Neo-Eurasiana, ideólogo do movimento eurasiano e autor das chamadas Quarta Teoria Política e Teoria do Mundo Multipolar. Seus posicionamentos unem nacionalismo identitário, tradicionalismo e patriotismo. Ao lado de Eduard Limonov, foi um dos criadores da ideologia nacional-bolchevique.[carece de fontes?]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ativista e ideólogo, Alexander Dugin é um dos mais destacado geopolíticos russos da atualidade, teórico do Eurasianismo, professor da Universidade Estatal de Moscou, fundador do Movimento Eurásia; é autor de uma dezena de livros, dos quais se destacam: "A Grande Guerra dos Continentes", "A Quarta Teoria Política", "Fundamentos da Geopolítica", "A Geopolítica do Mundo Multipolar".[4] Sociólogo, filósofo e cientista político, além de geopolítico, presidente do Centro de Estudos Conservadores da Universidade Estatal de Moscou, pertence ao departamento de Sociologia das Relações Internacionais daquela universidade.[5]

Dugin foi criado no seio de uma família militar. Seu pai era alto oficial dos serviços secretos militares soviéticos; sua mãe, médica. Em 1979 ingressou no Instituto de Aviação de Moscou, não chegando a formar-se. Seu pai auxiliou-o na obtenção de um emprego nos arquivos do KGB, nos quais eventualmente se deparou com obras cuja leitura estava proibida ao restante da população soviética; focavam o fascismo, o eurasianismo, o misticismo e diversas religiões do mundo.

Percurso político até o PNB[editar | editar código-fonte]

Dugin trabalhou como jornalista antes de se envolver em política, pouco antes da queda da União Soviética. Em 1988, juntamente com o seu amigo Geidar Dzhemal, filiou-se à organização nacionalista Pamyat. Auxiliou a redação do programa político do refundado Partido Comunista da Federação Russa (ex-Partido Comunista da União Soviética) sob a jurisdição de Gennady Zyuganov, sendo o produto final um documento mais inclinado para o nacionalismo que para o marxismo.

Pouco depois, começou a publicar seu próprio jornal, Elementy, que começou por louvar o franco-belga Jean-François Thiriart, defensor duma Europa “de Dublin a Vladivostok”. Também procurou uma aliança com Alain de Benoist, embora o francês se tenha sentido desencorajado pelo seu exacerbado nacionalismo russo. O seu jornal glorificava consistentemente tanto o czarismo quanto o estalinismo, o Elementy também revelou a admiração de Dugin por Heinrich Himmler e por Julius Evola, para nomear apenas algumas das figuras polemicas que promovia. Colaborou também com o semanário Dyen (O Dia, curiosamente), bastião anti-semita russo dirigido por Alexander Prokhanov. Convencido de que o Nacional-bolchevismo necessitava de uma encarnação política própria Dugin convenceu o seu aliado Eduard Limonov do mesmo e criaram a Frente Nacional-Bolchevique, em 1994, posteriormente Partido Nacional-Bolchevique. Dugin eventualmente afastou-se do PNB e aproximou-se de Vladimir Putin, do qual foi, até ao fim do seu mandato presidencial, conselheiro geopolítico. Esta relação com Putin, julga-se, mantêm-se com Dmitri Medvedev.

O pós PNB[editar | editar código-fonte]

Em 2002 Dugin fundou o Partido da Eurásia, alterado posteriormente para Movimento da Eurásia, tido por alguns observadores como sendo alvo de financiamento e de apoio organizacional do gabinete presidencial de Vladimir Putin. O ME detém o apoio de alguns círculos militares e ainda de alguns líderes das comunidades muçulmana, cristã ortodoxa, budista e judia da Rússia, o movimento anseia em desempenhar um papel determinante na resolução do conflito com a Chechénia, sendo o seu principal objectivo lançar as fundações para uma aliança estratégica entre a Rússia e os Estados europeus e do Médio Oriente, com destaque para a República Islâmica do Irão. Os ideais de Dugin, nomeadamente o de uma aliança turco-eslava, têm vindo a tornar-se populares em certos círculos nacionalistas turcos.

Uma das ideias basilares do seu pensamento teórico é de que Moscovo, Berlim e Paris constituem um eixo político “natural”, as teorias de Dugin assentam no conflito eterno entre a terra e o mar, entre o atlantismo e o eurasianismo, ou seja, entre os EUA e a Rússia. “Por principio, a Eurásia e o nosso espaço, o coração da Rússia, permanecem como a área na qual se encenará uma nova revolução anti-burguesa e anti-americana”, de acordo com o seu livro “Fundamentos da Geopolítica”, publicado em 1997, “O novo império euroasiático será construído sob o princípio fundamental do inimigo comum: a rejeição do atlanticismo, do controlo estratégico dos EUA, e na recusa de permitir que princípios liberais nos dominem. Este impulso civilizacional comum será a base da uma união política e estratégica.”

Pedras basilares nas suas teorias são as influências de Halford John Mackinder e Carl Schmitt, com os seus ideais acerca da História mundial ser um combate perpétuo entre a terra (sinónimo de tradição, religião e colectivismo) e o mar (progressismo, ateísmo e individualismo). Os académicos crêem que Dugin tomou de empréstimo algumas ideias da Escola Tradicionalista.

Dugin manifesta respeito pelo judaísmo, contudo é fervoroso anti-sionista, considerando o sionismo como uma afronta aos interesses geopolíticos russos. Considera Israel como base estratégica do atlantismo militante promovido pelos EUA e pela Grã-Bretanha. Mantém boas relações com algumas figuras do nacionalismo israelo-russo, nomeadamente Avigdor Eskin e Avraham Shmulevich.

Tem criticado o envolvimento euroatlântico nas eleições presidenciais ucranianas, acusando-o do intuito de criar um “cordão sanitário” à volta da Rússia, ao estilo do que os britânicos tentaram levar a cabo durante a Primeira Guerra Mundial.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Pop-kultura i znaki vremeni, Amphora (2005).
  • Absoliutnaia rodina, Arktogeia-tsentr (1999).
  • Tampliery proletariata: natsional-bol'shevizm i initsiatsiia, Arktogeia (1997).
  • Osnovy geopolitiki: geopoliticheskoe budushchee Rossii, Arktogeia (1997).
  • Metafizika blagoi vesti: Pravoslavnyi ezoterizm, Arktogeia (1996).
  • Misterii Evrazii, Arktogeia (1996).
  • Konservativnaia revoliutsiia, Arktogeia (1994).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Notas e Referências

  1. "A classificação de Dugin como um fascista é justificada, independentemente do fato de que atualmente o professor da UEM muitas vezes não fale como um etnocentrista primitivo ou racista em âmbito biológico. (...) Por «fascista» compreendemos o significado «genérico» do conceito, usado na pesquisa comparativa da contemporânea extrema-direita de acordo com renomados historiadores-comparatistas como Alexandr Galkin (Moscou), Walter Laqueur (Washington) , Stanley Payne (Madison), Wolfgang Wippermann (Berlim) ou Roger Griffin (Oxford)", Andreas Umland (22 June 2012). «"Евразийские" проекты Путина и Дугина – сходства и различия» [Projetos "Eurasianos" de Putin e Dugin - similaridades e diferenças]. Geopolitika (Lithuania). Consultado em 19 July 2016. 
  2. Will United Russia become a fascist party? por Andreas Umland, (University of Kyiv), Terça-feira, 15 de Abril de 2008
  3. In an 1999 interview for a Polish "Fronda" Dugin explains: "In Russian Orthodox christianity a person is a part of the Church, part of the collective organism, just like a leg. So how can a person be responsible for himself? Can a leg be responsible for itself? Here is where the idea of state, total state originates from. Also because of this, Russians, since they are Orthodox, can be the true fascists, unlike artificial Italian fascists: of Gentile type or their Hegelians. The true Hegelianism is Ivan Peresvetov – the man who in 16th century invented the oprichnina for Ivan the Terrible. He was the true creator of Russian fascism. He created the idea that state is everything and an individual is nothing". Source: «Czekam na Iwana Groźnego» [I'm waiting for Ivan the Terrible]. 11/12. Fronda. 1999. p. 133. Consultado em 27 julho de 2015. 
  4. «Conferência Internacional: "A Geopolítica do Eurasianismo"». Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Consultado em 5 de janeiro de 2015. 
  5. Encontro Nacional Evoliano