Jards Macalé

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Jards Macalé
Jards Macalé em 1973
Informação geral
Nascimento 3 de março de 1943 (77 anos)
Local de nascimento Rio de Janeiro, Brasil
Ocupação(ões) músico
Instrumento(s) voz, violão
Período em atividade 1965-Presente
Outras ocupações ator
Afiliação(ões) Grupo Opinião, Torquato Neto, Caetano Veloso, Gal Costa, Luiz Melodia, Rogério Skylab, Metá Metá, Passo Torto, Tim Bernardes

Jards Anet da Silva (Rio de Janeiro, 3 de março de 1943), conhecido como Macalé, é um ator, cantor e compositor brasileiro, presente no cenário da música brasileira desde a década de 1960.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu no bairro da Tijuca, ao pé do Morro da Formiga, rodeado de música: no morro, os batuques; no vizinho, Vicente Celestino e Gilda de Abreu. E em casa, os foxes, as valsas e as modinhas tocadas ao piano pela mãe, dona Lígia, (que também cantava) e no acordeom, pelo o pai. O coro familiar tinha Roberto (o irmão caçula) e Jards. No rádio, Orlando Silva, Marlene, Emilinha Borba.

Ainda menino, mudou-se para Ipanema, onde ganhou o apelido de "Macalé" - nome do pior jogador do time do Botafogo, à época. Adolescente, formou seu primeiro grupo musical - o duo "Dois no Balanço"; veio depois o Conjunto Fantasia de Garoto, de jazz, seresta e samba-canção.

Estudou piano e orquestração com Guerra Peixe, violoncelo com Peter Dauelsberg, violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno, análise musical com Esther Scliar.[1]

Começou carreira profissional em 1965, como violonista no Grupo Opinião. Fez direção musical dos primeiros espetáculos de Maria Bethânia. Teve composições gravadas por Elisete Cardoso, Nara Leão. Com Gal Costa, Paulinho da Viola e o parceiro José Carlos Capinam, criou a agência Tropicarte, para administrar os próprios espetáculos.

Em 1969, participou do 4.º Festival Internacional da Canção apresentando a canção Gotham City, e lançou o primeiro disco, "Só Morto". Trabalhou com Gal Costa no disco Le-Gal e no show Meu nome é Gal. Em 1971, foi para Londres, a convite de Caetano Veloso, com quem tocou e gravou. No mesmo ano, volta ao Brasil, e lança seu primeiro LP, Jards Macalé. Em 1974, lançou o LP Aprender a Nadar.

Participou como ator e compositor da trilha sonora dos filmes O Amuleto de Ogum e Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira dos Santos. Também compôs para as trilhas sonoras de Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha, A Rainha Diaba, de Antônio Carlos Fontoura, Se segura, malandro!, de Hugo Carvana, Getúlio Vargas, documentário de Ana Carolina. Compôs também trilhas sonoras para teatro.

Em 1976, se tornou parceiro de Moreira da Silva no samba de breque "Tira os óculos e recolhe o homem".

Macalé é autor de canções como "Vapor Barato", "Anjo Exterminado", "Mal Secreto", "Movimento dos Barcos", "Rua Real Grandeza", "Hotel das Estrelas", "Poema da Rosa". Teve como parceiros Capinam, Waly Salomão, Torquato Neto, Naná Vasconcelos, Xico Chaves, Jorge Mautner, Glauber Rocha e ainda Abel Silva, Vinícius de Morais, Fausto Nilo. Também compôs e interpretou canções ao lado de Itamar Assumpção.

Entre os intérpretes de suas canções, estão Gal Costa ("Hotel das Estrelas" e "Vapor barato"), Maria Bethânia ("Anjo exterminado" e "Movimento dos barcos"), Clara Nunes ("O mais-que-perfeito"), Camisa de Vênus ("Gotham City") e O Rappa ("Vapor Barato"), entre outros.

Embora tenha também parcerias com Gilberto Gil e Caetano Veloso, rompeu com eles por considerar que o tropicalismo havia sido cooptado pela indústria cultural, perdendo a independência.[2]

Em 1985, participou do musical Areias Escaldantes.[3]

Em 2012, participou em colaboração com a banda Dorgas da série Meet The Legends, da empresa de óculos-escuro Ray-Ban, na qual cantou a faixa "Faisão Dourado (Tendência e Cor)" de autoria original da banda [4]

Em 2013, participou do evento Canções do Exílio, onde declarou ser anarquista.[5]

Em 2014, participou do disco Melancolia e Carnaval, de Rogério Skylab. A participação se dá na música Cogito, versão musicada de um poema de mesmo nome escrito pelo antigo parceiro lírico de Macalé, Torquato Neto. Na música, Macalé divide os vocais com Skylab.

Em 2019 lançou Besta Fera, seu primeiro álbum de inéditas em 20 anos[6]. Colaboração de mais de 15 músicos, o álbum contou com participações especiais de Juçara Marçal, Tim Bernardes e Rômulo Fróes, além de músicos, arranjadores e compositores como Thomas Harres, Kiko Dinucci, Ava Rocha, Rodrigo Campos e Thiago França[7]. O título do álbum vem do poema "Aos vícios", do poeta Gregório de Matos, que foi adaptado e musicado por Macalé na faixa-título "Besta Fera". Outro poema adaptado para o álbum foi "Canto I" (de Os Cantos), de Ezra Pound, cuja tradução de Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos se transformou na canção "Trevas"[8].

Em 2020, se reuniu no palco com Rômulo Fróes, Juçara Marçal e outros companheiros presentes na produção de seu disco Besta Fera ao ser convidado para participar de um show da Encruza, turnê conjunta das bandas Metá Metá e Passo Torto. Foram apresentadas canções das duas bandas e de Macalé, tanto do disco Besta Fera quanto sucessos clássicos de seu repertório. O encontro se deu na cidade de Niterói, na Sala Nelson Pereira dos Santos - espaço para shows batizado em homenagem ao cineasta falecido em 2018, de quem Macalé fora amigo e colaborador.

Em 2019, seu álbum Besta Fera foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.[9]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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