Deficiência auditiva

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Deficiência auditiva
Símbolo Internacional da Surdez
Classificação e recursos externos
CID-10 H90-H91
CID-9 389
DiseasesDB 19942
MeSH D034381
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Deficiência auditiva (também conhecida como hipoacusia ou surdez) é a perda parcial ou total de audição. Essa perda pode ser causada por inúmeros fatores como: genética e/ou hereditariedade, envelhecimento (presbiacusia), exposição a ruído (perda auditiva induzida pelo ruído – PAIR), infecções (as do complexo TORCH[1]), complicações perinatais, traumas físicos, medicamentos e agentes ototóxicos.

Crianças com deficiência auditiva, congênita ou adquirida, podem apresentar dificuldades com a aquisição e desenvolvimento da linguagem oral caso não ocorra o processo de intervenção e reabilitação auditiva. Através da intervenção precoce e da reabilitação, têm-se como objetivo minimizar as dificuldades de aquisição promovendo o desenvolvimento da linguagem oral por meio da audição.[2]

Segundo uma estimativa da "Organização Mundial da Saúde", cerca de 466 milhões de pessoas no mundo convivem com problemas auditivos no ano de 2018, representando 6,1% da população mundial.[3]

Entendendo a deficiência auditiva[editar | editar código-fonte]

A audição é possível pela integridade do sistema auditivo, que capta os sons do ambiente, conduzindo-os por todas as estruturas da orelha até que o estímulo sonoro seja percebido e interpretado no córtex cerebral.

Qualquer distúrbio que aconteça entre as etapas do processo normal de audição, provocará uma alteração auditiva, que é definida como deficiência auditiva. Independente de suas causas, tipo ou severidade, as alterações auditivas devem ser evitadas em qualquer fase da vida do ser humano.[4]

A deficiência auditiva também pode ser entendida como uma diminuição na capacidade de ouvir, interferindo na audibilidade dos sons em intensidades sonoras adequadas, que são percebidos por pessoas com audição funcional.[5]

Em razão da deficiência existente, ocorrerão interferências no desenvolvimento das pessoas que a possuem. É preciso que haja uma estimulação das vias auditivas para que a aquisição e desenvolvimento da linguagem aconteçam. Quanto mais tardia for essa estimulação, menos eficiente será a habilidade de linguagem.[6][7]

Dependendo do momento em que a deficiência surge, ela pode ser considerada como congênita, pois a pessoa nasceu com a deficiência, ou adquirida, em que a deficiência se instalou no decorrer da vida. Na literatura acadêmica pode ser encontrada com os seguintes termos deficiência auditiva pré-lingual e pós-lingual.[4]

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas de deficiência auditiva são as mais variadas. Para determinar o momento em que ocorreram, costumam ser divididas em: pré-natais, se ocorrem antes do nascimento; perinatais, no momento do nascimento; e pós-natais, quando a deficiência se dá durante o desenvolvimento da criança ou adulto.[4]

Causas pré-natais[editar | editar código-fonte]

Genética - Os fatores genéticos são muito importantes, pois casos de deficiência auditiva na família podem ser transmitidos de geração para geração. Além disso, uniões consanguíneas são um fator de risco para a deficiência auditiva. Algumas síndromes genéticas cursam com a deficiência auditiva como a síndrome de Waardenburg, síndrome de Pendred, síndrome de Usher, entre outras.[8]

Doenças - Algumas doenças contraídas durante a gestação como a rubéola, sífilis, toxoplasmose, citomegalovírus e herpes, se não tratadas adequadamente afetarão o desenvolvimento do feto, provocando a deficiência auditiva.[4]

Medicamentos e drogas – O uso pela mãe de alguns medicamentos que afetam o sistema auditivo, como a talidomida, e drogas que atingem o sistema nervoso central, são prejudiciais e de grande risco para o surgimento da deficiência auditiva.[4]

Causas perinatais[editar | editar código-fonte]

Durante o nascimento, assim como outros traumas que aconteçam no parto, o uso do fórceps pode lesionar o cérebro da criança provocando (além de outras alterações) a deficiência auditiva. Também pode faltar oxigênio para a criança, ou haver uma diminuição dele, causando um quadro de anóxia ou hipóxia, respectivamente.[4]

Causas pós-natais[editar | editar código-fonte]

Doenças - Infecções que surgem após o nascimento na orelha externa ou média, causam distúrbios na audição, como as otites muito comuns nos bebês. Doenças como meningite e caxumba ocasionam diversos problemas na criança ou adulto, deixando sequelas variadas que dependem do quadro clínico individual.[4]

Ruído - O ruído em excesso e em intensidades muito fortes são fatores que acompanham a sociedade na atualidade. Seja no ambiente de trabalho, em festas ou nos fones de ouvido, o som alto lesa as células ciliadas do Órgão de Corti e reduzem a capacidade de ouvir. O uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) no trabalho e de protetores auriculares em ambientes ruidosos podem diminuir as chances de adquirir deficiência auditiva.

Idade - O envelhecimento é parte natural do desenvolvimento. Os idosos são a parcela populacional com a maior incidência de deficiência auditiva, ocorrendo em um terço da população segundo a "OMS".³ A deficiência auditiva provocada pelo avanço da idade é chamada de presbiacusia.[4]

Classificações[editar | editar código-fonte]

As deficiências auditivas pode ser classificadas quanto ao tipo, grau e lateralidade.

Orelha
Orelha humana (região verde - orelha externa, região vermelha - orelha média e região roxa orelha interna).

Tipo[editar | editar código-fonte]

Dependendo do local da lesão no sistema auditivo, as deficiências auditivas serão classificadas em tipos específicos.[4]

Condutiva – nestes casos, a alteração se encontra na orelha externa e/ou média, como por exemplo, rolhas de cera no canal auditivo ou otite na cavidade timpânica. Dessa forma, existe um problema durante a condução do som, não permitindo que ele chegue normalmente até a cóclea. As deficiências auditivas condutivas podem ser reversíveis se forem realizados tratamentos medicamentosos ou cirúrgicos precoces e apropriados.

Sensorioneural – também chamada de neurossensorial, o acometimento está no nível sensorial e/ou neural do sistema auditivo, ou seja, acontecem desde lesões nas células ciliadas do Órgão de Corti da orelha interna, responsáveis por converter as vibrações sonoras em estímulos nervosos, ou em fibras no nervo auditivo, que conduzirão os estímulos nervosos até o córtex cerebral. Geralmente, estas deficiências são irreversíveis.

Mista – como o próprio nome já diz, as alterações se encontram tanto na orelha externa e/ou média quanto na orelha interna. Reúnem tudo o que foi dito anteriormente, assim como podem ocorrer devido a malformações cranianas devido a fatores genéticos, que acometem os ossículos da orelha média (martelo, bigorna e estribo) e a cóclea.

Central – quando as alterações se encontram a partir do tronco encefálico até as regiões subcorticais e córtex cerebral, as deficiências auditivas são classificadas como centrais. São totalmente irreversíveis.

Grau[editar | editar código-fonte]

Outra forma de classificação é quanto ao grau de comprometimento. Diversos autores classificam os graus de deficiência auditiva de diferentes maneiras, além de considerarem variações para crianças e adultos.

O grau da deficiência auditiva leva em consideração os limiares tonais, que são definidos como a menor intensidade de som que o indivíduo conseguiu detectar 50% dos estímulos apresentados. Os limiares são obtidos através da audiometria tonal liminar, um exame em que são feitas várias mensurações de intensidade sonora em relação a diferentes frequências.[4]

Classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014) para crianças:[9][10]

  • Sem deficiência auditiva: limiar tonal até 15 dB;
  • Deficiência auditiva leve: limiar tonal entre 16 e 30 dB;
  • Deficiência auditiva moderada: limiar tonal entre 31 e 60 dB;
  • Deficiência auditiva severa: limiar tonal entre 61 e 90 dB;
  • Deficiência auditiva profunda: limiar tonal acima de 91 dB

Classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2014) para adultos:[9][10]

  • Sem deficiência auditiva: limiar tonal até 25 dB;
  • Deficiência auditiva leve: limiar tonal entre 26 e 40 dB;
  • Deficiência auditiva moderada: limiar tonal entre 41 e 60 dB;
  • Deficiência auditiva severa: limiar tonal entre 61 e 90 dB;
  • Deficiência auditiva profunda: limiar tonal acima de 91 dB

Lateralidade[editar | editar código-fonte]

Ainda pode-se classificar a deficiência auditiva se acometer somente uma orelha ou ambas, sendo denominada de unilateral ou bilateral respectivamente.[4]

Consequências[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento das funções biológicas dos seres humanos possuem períodos cruciais para ocorrerem e a linguagem é uma delas. A privação provocada pela deficiência auditiva em uma criança causará repercussões no desenvolvimento da linguagem e da fala, nunca atingindo por completo o seu melhor potencial. Isso fica mais claro no momento em que se pensa que o bebê com deficiência auditiva não está recebendo as informações sonoras do ambiente, como a fala de seus pais ou cuidadores, de maneira adequada.[4][7]

É preciso levar em consideração a individualidade de cada um, pois apesar da deficiência auditiva, as características também pesarão no desenvolvimento da criança. Ideia semelhante é com relação ao desenvolvimento escolar, com algumas crianças possuindo mais facilidade em matemática e outras em português. Ou seja, duas crianças podem ter o mesmo tipo e grau de deficiência auditiva, mas demonstrarão comportamentos diferentes, devido à suas individualidades e particularidades.[4]

Desse modo, é preciso realizar o tratamento o mais precoce possível, pois a audição promoverá a linguagem e a fala. Primeiro ouve-se e entende-se o que é dito, para depois começar a falar. As alterações esperadas de acordo com o grau da deficiência auditiva, de modo didático, são:[4][7]

- Deficiência leve: não ocorrem efeitos significativos nesses casos, com o desenvolvimento dando-se quase que igual a uma criança sem deficiência auditiva, mas é necessário o acompanhamento especializado de profissionais da saúde, para que seja certificado que a deficiência não progrida.

- Deficiência moderada: pode afetar e atrasar o desenvolvimento da fala e da linguagem, mas não impedirá que a criança fale. Caso haja intervenção precoce com o uso do aparelho de amplificação sonora individual e o processo terapêutico em conjunto, o desenvolvimento ocorrerá quase que normalmente.

- Deficiência severa: nesses casos, pode haver um impedimento para o desenvolvimento da fala e da linguagem, mas caso seja feita uma intervenção com o uso do aparelho, uma boa terapia fonoaudiológica e esforço contínuo dos pais/cuidadores e da criança, as informações sonoras serão utilizadas para o desenvolvimento da fala, linguagem e aprendizado.

- Deficiência profunda: caso não ocorra intervenção, dificilmente a fala e a linguagem se desenvolverão. Por ser um caso mais complexo, o uso do aparelho e a realização de terapias fonoaudiológicas intensas podem ajudar no desenvolvimento da fala e da linguagem, porém ocorrerá de forma mais lenta e com mais dificuldade. Mesmo assim, deve-se considerar as características individuais, pois os resultados variarão muito.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Ainda na maternidade, o bebê é submetido à triagem auditiva neonatal universal (TANU), conhecida como Teste da Orelhinha, que fará a detecção de alguma alteração auditiva por meio de emissões otoacústicas evocadas.[11] Desde 2010, a Lei Nº 12.303 determina que em todos os hospitais e maternidades é obrigatória a realização gratuita do exame, assim como nas crianças que nasceram em suas residências.[12]

Outros exames realizados, além das emissões otoacústicas evocadas, são a audiometria tonal liminar, imitânciometria e a pesquisa dos potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATE ou BERA na sigla em inglês). A audiometria é uma avaliação audiológica que depende da resposta da pessoa, portanto é um teste subjetivo, e aonde serão definidos os seus limiares tonais. A imitânciometria é utilizada para verificar a integridade do sistema timpanossicular, formado pelo tímpano e os ossículos da orelha média. No PEATE a avaliação ocorre pela medição das respostas elétricas que ocorrem no tronco encefálico, quando um som é apresentado na orelha e percorre o sistema auditivo.[4]

Todos os exames são pedidos por um médico, que os escolherá de acordo com o que se deseja saber. O fonoaudiólogo é o profissional que os realizará e dará o laudo audiológico. Com os resultados em mãos, o médico fornecerá o diagnóstico, baseado também em outros exames que julgar necessários, como exames de sangue ou de imagens. A entrevista com os pais da criança ou com o próprio indivíduo adulto é indispensável tanto para o médico quanto para o fonoaudiólogo.[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências[editar | editar código-fonte]

  1. NICÁCIO, Dayla Brito et al (2015). Toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e hepatite: a enfermagem na atenção durante o pré-natal. Maceió: Cadernos de graduação.
  2. SOBREIRA, Ana Carolina de Oliveira et al (2015). Desenvolvimento de fala e linguagem na deficiência auditiva: relato de dois casos. São Paulo: Rev. CEFAC.
  3. World Health Organization, WHO (2018) Global estimates on prevalence of hearing loss.
  4. a b c d e f g h i j k l m n o BEVILACQUA, Maria Cecília (1998). Conceitos básicos sobre a audição e deficiência auditiva. Bauru: HPRLLP-USP.
  5. Elzouki, Abdelaziz Y (2012). Textbook of clinical pediatrics (2 ed.). Berlin: Springer.
  6. Redondo, Maria Cristina da Fonseca, Carvalho, Josefina Martins (2000). Deficiência auditiva. Brasília: MEC. Secretaria de Educação a Distância.
  7. a b c NOTHERN, Jerry L., DOWNS, Marion P. (1989). Audição em Crianças. São Paulo: Manole.
  8. Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais.
  9. a b World Health Organization, WHO (2014) Grades of hearing impairment
  10. a b Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia (2017). Guia de Orientações na Avaliação Audiológica Básica.
  11. Site da Câmara do Deputados (2010). Sancionada lei que torna ‘teste do ouvidinho’ obrigatório e gratuito.
  12. Publicação do Diário Oficial de 02 de Agosto de 2010.
  13. FERRARI, Deborah (1998). Procedimentos diagnósticos na avaliação audiológica infantil. Bauru: HPRLLP-USP.

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