Ulrich Beck

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Ulrich Beck
Nome completo Ulrich Beck
Nascimento 15 de maio de 1944
Nacionalidade Flag of Germany.svg alemã
Ocupação sociólogo

Ulrich Beck (15 de maio de 1944) é um sociólogo alemão que leciona na Universidade de Munique e na London School of Economics.

Vida[editar | editar código-fonte]

Beck iniciou vida acadêmica em Hanôver. Logo após terminar o Liceu iniciou seus estudos em direito na Universidade de Freiburg. Em seguida estudou psicologia, sociologia, filosofia e ciências políticas na Universidade de Munique. Lá ele obteve seu doutorado em 1972, e se especializou em sociologia.

De 1979 a 1981 ocupou a cátedra de sociologia na Universidade de Munster e de 1981 a 1992 na Universidade de Bamberg. Então, passou a integrar a direção da Sociedade Alemã para a Sociologia. De 1995 a 1997 foi membro da Kommission für Zukunftsfragen der Freistaaten Bayern und Sachsen (Comissão Para as Questões do Futuro).

Ele é casado com a socióloga Elisabeth Beck-Gernsheim. Ela se ocupa principalmente com questões em torno das mudanças do papel da família na sociedade.

Trabalho[editar | editar código-fonte]

O trabalho de Ulrich Beck se concentra nas seguintes temáticas: globalização, individualização, modernização, problemas ambientais, sociedade do risco, transformações no mundo do trabalho e desigualdades sociais. Recentemente ele se engajou no estudo das mudanças das condições de trabalho no contexto da difusão e aprofundamento do capitalismo global.

Seus escritos comummente tomam a forma de um grande ensaio. Neles Beck consegue desenvolver de forma concisa temas abrangentes como o questionamento sobre os princípios do desenvolvimento.

Beck possui uma posição crítica, se contrapondo às correntes do pós-modernismo. Em concordância com outros autores, tais como Anthony Giddens, defende uma sociologia reflexiva que não abandone uma análise crítica mediante os problemas da sociedade contemporânea. Afirma que os problemas da sociedade atual não são os mesmos que os descritos pela sociologia de momentos históricos anteriores.

Pensamento[editar | editar código-fonte]

O pensamento de Beck se centra na caracterização de um novo tipo de sociedade submetida à fortes riscos e processos de individualização. São elementos centrais de identificação desta sociedade as catástrofes ecológicas, as crises financeiras, o terrorismo e as guerras preventivas.

Beck distingue dois processos de modernização na história recente das sociedades. A primeira modernização é identificada como aliada ao processo de industrialização e construção da sociedade de massas. Nesta era industrial o centro da estrutura cultural e social era a família. Já a segunda modernização ou modernização reflexiva, própria da sociedade atual, tende à globalização e está em constante desenvolvimento tecnológico, rompendo com a centralidade do núcleo familiar e dando lugar à individualização. No bojo deste processo aumenta a incerteza do indivíduo e instaura-se a sociedade do risco. Estas mudanças afetam não só o plano pessoal como o plano das instituições, a partir de novas políticas de governo muitas vezes aliadas à concepção econômica neoliberal.

Quanto a seu pensamento no campo político, Beck explicita que não é necessário construir novas normas, mas sim readaptar as antigas à nova realidade social, política e econômica. Defende a necessidade de diminuir a força e o peso do mercado na vida das pessoas e ampliar o círculo social e cultural do indivíduo, com o objetivo de alcançar um maior equilíbrio e diminuir a incerteza. Beck defende uma economia política popular que seja capaz de estabelecer novas prioridades.

Para Beck, o pleno emprego não seria mais alcançável devido à crescente da automatização das atividades produtivas, as soluções nacionalistas são irrealistas, e a medicina neoliberal é um remédio sem eficácia diante da grandeza dos problemas gerados pelo programa desenvolvimentista. Diante disso o estado deveria garantir uma renda básica e mais empregos na sociedade civil. Diversos problemas da sociedade atual poderiam ser solucionados se a União Europeia, ou no melhor dos casos as diversas uniões transnacionais, conseguissem fazer valer os projetos de universalização dos padrões econômicos e sociais.

Beck considera fundamental que os Estados nacionais façam um esforço de mudança no sentido de maiores cooperação e coesão entre os Estados, sem deixar de lado o reconhecimento da diversidade e das individualidades. Só a partir da construção de um estado transnacional seria possível controlar as empresas transnacionais. A construção e o acabamento de novas leis e instâncias jurídicas internacionais possibilita também de mediação amigável de conflitos transnacionais (que Beck chamou de pacifismo jurídico).

Atividades Recentes[editar | editar código-fonte]

Suas atividades de pesquisa mais recentes incluem estudos empíricos de longa duração das implicações sociológicas e políticas da modernização reflexiva, que exploram as complexidades e incertezas do processo de transformação da primeira para a segunda modernidade. Mais especificamente seu trabalho está voltado para uma nova teoria social embasada no conceito de “cosmopolitanismo”.

Posicionamento Político[editar | editar código-fonte]

Beck exprimiu numerosas vezes posições em favor da construção de um estado supranacional e de um parlamento mundial. Seguindo a lógica destas posições, Beck se colocou através da imprensa a favor da aprovação da constituição europeia submetida ao voto popular na França em 2005. Ele considerou deplorável a leviandade do “não” de numerosos europeus e exigiu que houvesse uma segunda votação que admitisse uma reformulação no texto mas que provocasse uma união maior entre as nações no que diz respeito ao voto: desta vez seria necessário que a votação ocorresse em todos os estados membros ao mesmo tempo.

Conceitos[editar | editar código-fonte]

  • Sociedade do risco
  • Reflexividade
  • Modernização reflexiva
  • Segunda modernidade ou modernidade reflexiva
  • Individualização
  • Individualismo institucionalizado
  • Destradicionalização
  • Globalismo
  • Globalidade
  • Estado cooperativo
  • Soberania inclusiva
  • Subpolítica
  • Cosmopolitismo metodológico
  • Cosmopolitização reflexiva

Obras[editar | editar código-fonte]

Beck é editor do jornal de sociologia Soziale Welt (desde 1980), autor de cerca de 150 artigos e editor de vários livros, entre eles:

  • Risikogesellschaft - Auf dem Weg in eine andere Moderne (1986)
  • Gegengifte : die organisierte Unverantwortlichkeit. Frankfurt am Main: Suhrkamp. (1988)
  • Risk Society: Towards a New Modernity . Londres: Sage. (1992) (Sociedade do Risco)
  • Riskante Freiheiten - Gesellschaftliche Individualisierungsprozesse in der Moderne (1994, editor em conjunto com Elisabeth Beck-Gernsheim)
  • Beck, Ulrich & Giddens, Anthony & Lash Scott. Reflexive Modernization.Politics, Tradition and Aesthetics in the Modern Social Order. Cambridge: Polity Press. (1994)
  • Eigenes Leben - Ausflüge in die unbekannte Gesellschaft, in der wir leben (1995, em conjunto com W. Vossenkuhl e U. E. Ziegler, fotos de T. Rautert)
  • Beck-Gernsheim, Elisabeth & Beck, Ulrich. The Normal Chaos of Love. Cambridge: Polity Press. (1995)
  • Ecological Politics in an Age of Risk. Cambridge: Polity Press. (1995)
  • The Reinvention of Politics.Rethinking Modernity in the Global Social Order. Cambridge: Polity Press. (1996)
  • Was ist Globalisierung? (1997)
  • Democracy without Enemies. Cambridge: Polity Press. (1998)
  • World Risk Society. Cambridge: Polity Press. (1998)
  • What Is Globalization?. Cambridge: Polity Press. (1999)
  • The Brave New World of Work. Cambridge: Cambridge University Press. (2000)
  • Adam, Barbara & Beck, Ulrich & Van Loon, Joost. The Risk Society and Beyond: Critical Issues for Social Theory. Londres: Sage. (2000)
  • Beck, Ulrich & Beck-Gernsheim, Elisabeth. Individualization: Institutionalized Individualism and its Social and Political Consequences. Londres: Sage. (2002)
  • Beck, Ulrich & Willms, Johannes. Conversations with Ulrich Beck. Cambridge: Polity Press. (2003)
  • Power in the Global Age. Cambridge: Polity Press. (2005)
  • Cosmopolitan Vision. Cambridge: Polity Press. (2006)

Em português, estão editados, entre outros, seus seguintes livros:

  • Beck, Ulrich & Willms, Johannes. Liberdade ou capitalismo. São Paulo: Editora da Unesp, 2003.
  • Beck, Ulrich. O que é globalização?, trad. André Carone, S. Paulo: Paz e Terra, 1999.
  • Beck, Ulrich & Gidens, Anthony & Lash, Scott. Modernização reflexiva. Sao Paulo: Editora da Unesp, 1997.
  • Beck, Ulrich. Sociedade de Risco - Rumo a uma outra modernidade. São Paulo: Editora 34, 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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