União Europeia como superpotência emergente

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União Europeia
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  União Europeia
  Países candidatos à UE
.

A União Europeia compõe-se de 28 estados soberanos,[1] que - de um núcleo de seis membros de fundação na década de 1950 - construíram a maior união aduaneira multinacional do mundo, às vezes considerada ser os Estados Unidos nascentes da Europa. Os membros da União Europeia transferiram-lhe (ou juntaram) a soberania considerável, mais do que aquela de qualquer outra organização regional não-soberana. Em certas áreas, a UE empreendeu o caráter de uma federação ou confederação.

A União Européia (UE) foi chamada uma superpotência emergente por acadêmicos.[2][3] Muitos estudiosos e acadêmicos como T. R. Reid,[4] Andrew Reding,[5] Andrew Moravcsik,[6] Mark Leonard,[7] Jeremy Rifkin,[8] John McCormick,[9] e alguns políticos como Romano Prodi,[10] Tony Blair,[11] e Federica Mogherini[12] acreditam que a UE é, ou se tornará, uma superpotência no século XXI.

Há especulação quanto e se a UE já tenha alcançado a posição de superpotência apesar do seu nível de integração fragmentado. Enquanto o pensamento convencional considera que a UE não pode ser uma superpotência porque ele não é um estado unido e necessita de grandes forças armadas unificadas, também foi argumentado que nem a integração política nem o poder militar é necessário para a União Europeia manejar a influência internacional no modo que uma superpotência tradicional faria.

O surpreendente "soft power" da União Europeia[editar | editar código-fonte]

O "soft power" (poder de convencimento ou poder suave) mede a capacidade de alcançar os objetivos da política externa, disseminando e manipulando idéias, informações e instituições que ajudam a persuadir outros países a agir de maneiras particulares. O poder suave é empregado por vários meios, e a União Europeia é um dos mais eficazes entre os utilizadores do mundo. Um tipo importante de soft power é a construção de instituições multilaterais que são atraentes para aderir. Hoje, os europeus são os principais apoiantes mundiais de instituições globais e regionais.[3]

A União Europeia tem também uma influência decisiva na gestão da interdependência económica, dos direitos humanos, do meio ambiente, do desenvolvimento e da saúde a nível global. Um exemplo típico são as Nações Unidas. Embora os Estados Unidos geralmente tem crédito por ser o maior contribuinte para o organismo internacional, uma vez que agregamos a contribuição da Europa, veremos que é muito mais influente. Sem a pressão europeia, instituições como o Tribunal Penal Internacional, a Organização Mundial do Comércio e outras instituições globais não existiriam na sua forma atual, isso tudo confirma ser a União Europeia uma superpotência emergente.[3]

A Europa também emprega modos sutis de exercer o poder. Um é através da educação. A Europa é uma das duas superpotências educativas. Vinte e sete das 100 melhores universidades do mundo estão na Europa, contra 55 nos Estados Unidos, uma na Rússia e nenhuma na China. A Europa ultrapassa os Estados Unidos na educação de estudantes estrangeiros, acolhendo mais de dez vezes estudantes de fora da UE do que não chineses estudando na China.[3]

Visão Geral[editar | editar código-fonte]

Mark Leonard cita vários fatores: a grande população da UE, a grande economia (a UE tem a maior economia do mundo), as baixas taxas de inflação, a impopularidade e a percepção de fracasso da política externa dos EUA nos últimos anos e a elevada qualidade de vida dos países membros da UE (especialmente quando medido em termos como horas trabalhadas por semana, cuidados de saúde e serviços sociais).[13]

John McCormick acredita que a UE já alcançou o status de superpotência, com base no tamanho e alcance global de sua economia e em sua influência política global. Ele argumenta que a natureza do poder mudou desde que a definição da superpotência foi introduzida pela Guerra Fria e que o poder militar não é mais essencial para ser considerada como uma superpotência. Ele argumenta que o controle dos meios de produção é mais importante do que o controle dos meios de destruição e contrasta o ameaçador poder dos Estados Unidos com as oportunidades oferecidas pelo poder da União Europeia.[14]

Parag Khanna acredita que "a Europa está ultrapassando seus rivais para se tornar o império mais bem-sucedido do mundo."[15][16] Khanna escreve que a América do Sul, Ásia Oriental e outras regiões preferem emular o "Sonho Europeu" ao invés da variante americana.[17] Isso pode ser visto na União Africana e na União de Nações Sul-Americanas. Nomeadamente, a UE como um todo tem algumas das línguas mais importantes e influentes do mundo sendo estas oficiais dentro das suas fronteiras.[18]

Andrew Reding também leva em consideração o futuro alargamento da UE. Uma futura adesão do resto da Europa não só impulsionaria a economia da UE, mas também aumentaria a população da UE para cerca de 800 milhões, o que ele considera quase igual ao da Índia Ou China. A UE é qualitativamente diferente da Índia e da China, uma vez que é extremamente mais próspera e tecnologicamente avançada.[5] O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdoğan, disse em 2005: "Em 15 anos, a UE será um lugar onde civilizações se reunirão e será uma superpotência com a inclusão da Turquia."[19]

Robert J. Guttman cita que a própria definição do termo superpotência mudou no século XXI, e que agora não se refere apenas a estados com poder militar, mas também a grupos como a União Européia, com forte economia de mercado, jovens trabalhadores altamente instruídos, experientes em alta tecnologia e uma visão global.[20] Friis Arne Petersen, o embaixador dinamarquês nos EUA, expressou opiniões semelhantes. Ele admitiu que a UE é um "tipo especial de superpotência", que ainda não estabeleceu uma força militar unificada.[21]

Além disso, é argumentado por comentaristas que a integração política plena não é necessária para que a União Europeia exerça influência internacional: as suas aparentes debilidades constituem os seus verdadeiros pontos fortes (devido à sua diplomacia discreta e à ênfase no Estado de direito)[14] e que a UE representa um tipo de participante internacional novo e potencialmente mais bem-sucedido do que os tradicionais,[22] no entanto, é incerto se a eficácia de tal influência seria igual à de uma união de Estados mais integrada politicamente, como a Estados Unidos.[23]

Alexander Stubb, Ministro das Finanças finlandês, disse que pensa que a UE é uma superpotência e não-superpotência. Enquanto a UE é uma superpotência no sentido de ser a maior união política, o maior mercado único e o maior doador de ajuda no mundo, não é uma superpotência nas esferas da defesa e da política externa.[24]

Andrew Moravcsik, diretor do Programa da União Européia na Universidade de Princeton cita que apesar da sua fragmentação, a Europa projeta eficazmente o poder nas áreas que mais contam para influência global. Certamente, os governos europeus muitas vezes discordam entre si, às vezes vociferante e em público. No entanto, a coordenação política, tanto formal como informal, permite que os governos europeus atuem como uma unidade para influenciar o mundo exterior. Três modos de coordenação europeia são fundamentais: políticas comuns da UE, coordenação e convergência política tácita.[3]

Referências

  1. «European». Oxford English Dictionary. Consultado em 3 de outubro de 2011 
  2. «The EU Future: Global Power or European Governance». Wilson Center. Consultado em 28 de julho de 2014 
  3. a b c d e Andrew Moravcsik (13 de abril de 2017). Foreingpolicy, ed. «Europe Is Still a Superpower». Consultado em 5 de maio de 2017 
  4. Reid, T. R. (2004) The United States of Europe 305p, Penguin Books ISBN 1-59420-033-5
  5. a b Reding, Andrew (6 de janeiro de 2002). Chicago Tribune, ed. «EU in position to be world's next superpower». Consultado em 7 de julho de 2014 
  6. Moravcsik, Andrew. «The Quiet Superpower» (PDF). Princeton University Press. Consultado em 26 de julho de 2014 
  7. Leonard, Mark. Why Europe Will Run the 21st Century. [S.l.]: Perseus Books Group. ISBN 1-58648-424-9 
  8. Rifkin, Jeremy (2004). The European Dream. [S.l.: s.n.] ISBN 1-58542-345-9 
  9. Clarke, Richard A. (2006). «The European Superpower». Palgrave Macmillan 
  10. D.C. Dispatch (1 de fevereiro de 2005). The Atlantic, ed. «Europe Is the Next Rival Superpower. But Then, So Was Japan.». Consultado em 26 de julho de 2014 
  11. Brogan, Benedict (7 de outubro de 2000). «Blair wants EU to become superpower». The Daily Telegraph. London. Consultado em 27 de março de 2014 
  12. «EU a peace 'superpower', Mogherini says after Trump win». AFP. 10 de novembro de 2016. Consultado em 5 de maio de 2017 
  13. CER, ed. (18 de fevereiro de 2005). «Europe: the new superpower». Consultado em 28 de maio de 2014 
  14. a b McCormick, John (14 de novembro de 2006). The European Superpower. [S.l.: s.n.] ISBN 978-1-4039-9846-0 
  15. Parag Khanna. «The Empire Strikes Back». ParagKhanna.com. Consultado em 14 de março de 2014 
  16. Parag Khanna. The Guardian, ed. «US scholar Parag Khanna on the rise of the new Rome - Europe | World news». Consultado em 14 de março de 2014 
  17. Khanna, Parag. «The Empire Strikes Back». Parag Khanna. Consultado em 2 de agosto de 2014 
  18. «Languages of the world». Nocturne. Consultado em 26 de julho de 2014. Cópia arquivada em 2 de março de 2010 
  19. Turkish Weekly, ed. (4 de junho de 2005). «'EU will be Super Power with Turkey'». Consultado em 10 de fevereiro de 2012 
  20. «Europe in the New Century: Visions of an Emerging Superpower». Lynne Rienner Publishers. 2001. Consultado em 5 de maio de 2017 
  21. «Danish Envoy: Economic Strength Makes EU a 'Rising Superpower». Globalatlanta. Consultado em 19 de julho de 2014 
  22. Adrian Hyde-Price (3 de outubro de 2004). «The EU, Power and Coercion: From 'Civilian' to 'Civilising' Power» (PDF). ARENA Centre for European Studies. Cópia arquivada (PDF) em 26 de março de 2009 
  23. «Europe vs. America by Tony Judt | The New York Review of Books». Nybooks.com. 10 de fevereiro de 2005. Consultado em 5 de maio de 2017 
  24. Carnegie Endowment, ed. (17 de julho de 2008). «Will the EU Ever Become a Superpower?» (PDF). Consultado em 10 de fevereiro de 2012 

Ver também[editar | editar código-fonte]