Vegetação do Paraná

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A Vegetação do Paraná é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características fitogeográficas do território paranaense. Ambos os tipos de vegetação aparecem no Paraná: florestas e campos. As florestas são subdivididas em florestas tropicais e florestas subtropicais. Os campos, em campos limpos e campos cerrados. A floresta tropical é uma porção da Mata Atlântica, cobertura do total da fachada leste do Brasil com suas formações latifoliadas. No Paraná abrangia primitivamente uma área que equivale a 46% do estado, aí incluindo as partes de menor altitude (baixada litorânea, encostas da serra do Mar, vales do Paraná, Iguaçu, Piquiri e Ivaí) ou de mais baixa latitude (toda a porção norte do território estadual).[1]

A floresta subtropical é uma floresta mista formada por latifoliadas e coníferas. O pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), não visível em agrupamentos puros, representa essas últimas. A floresta mista ou mata dos pinheiros revestia as partes de maior elevação do estado, ou seja, a porção mais extensa do planalto cristalino, o extremo leste do planalto basáltico e uma pequena porção do planalto paleozoico. Essa formação abrangia 44% do território do Paraná e ainda a porção dos estados paulista, catarinense e gaúcho. Hoje em dia, é a floresta mais economicamente explorada do Brasil, por ser a única que possui muitos indivíduos da mesma espécie (pinheiros) em conjuntos com densidade suficiente (apesar de sua impureza) para possibilitar que sejam facilmente extraídos.[1]

Além do pinheiro, a floresta ombrófila mista apresenta também espécies latifoliadas economicamente valiosas, como a imbuia, o cedro e a erva-mate. Nos últimos anos do século XX, somente uma diminuta porção das florestas continuou existindo no estado.[1] A desflorestação para explorar madeira e formar campos para lavoura ou pastoreio quase eliminou completamente a floresta ombrófila mista. Os últimos remanescentes das florestas do Paraná são encontrados na planície litorânea, na encosta da serra do Mar e nos vales dos rios Iguaçu, Piquiri e Ivaí.[1]

Os campos limpos aparecem sob o formato de manchas que se espalham por meio dos planaltos paranaenses. A maior extensão dessas manchas é a dos denominados campos gerais, cobertura da parte leste inteira do planalto paleozoico e forma de uma gigantesca meia-lua no mapa estadual de biomas. Demais manchas de campo limpo são as de Curitiba e Castro, no planalto cristalino, as de Guarapuava, Palmas e demais, pequenas, no planalto basáltico. Os campos limpos abrangem mais de nove por cento do território do Paraná. Os campos cerrados são pouco expressivos no Paraná, onde abrangem maior redução de área — inferior a um por cento da superfície do estado. Constituem pequenas manchas no planalto paleozoico e no planalto basáltico.[1]

Visão geral[editar | editar código-fonte]

O Paraná continuou historicamente famoso no Brasil porque suas florestas eram ricas e exuberantes, especialmente, devido ao pinheiro, que é o símbolo do estado por tradição. Mas a desflorestação desordenada, ou porque a madeira é extraída, ou porque os agricultores e pecuaristas cortam a lenha de árvores da maior parte das florestas para formar campos de pastoreio e de cultivo, prejudicou irrecuperavelmente a floresta típica estadual, como é exposto na tabela abaixo que Reinhard Maack mostrou em 1965:[2]

Tipo de mata Área primitiva Área devastada Área em 1965
Mata pluvial tropical e subtropical 94 044 61 840 32 204
Mata de araucária 73 780 57 848 15 932
Total 167 824 119 688 48 136

Com embasamento na vegetação original, as florestas do Paraná possivelmente agrupam-se em Mata de Araucária, Mata Atlântica, Mata Tropical do Norte e Noroeste e Mata Pluvial Subtropical.[2]

Mata de Araucária e Mata Atlântica[editar | editar código-fonte]

As florestas de araucárias são típicas da Região Sul do Brasil, principalmente do Paraná.

A Mata de Araucária abrange a mata subtropical de coníferas. É também denominada mata dos pinhais. Aí o pinheiro-do-paraná ocorre como vegetal mais importante. Tem ligação frequente com a imbuia e a erva-mate.[3]

O domínio geográfico da Mata de Araucária tem combinação com duas coisas: regiões de altitudes que ultrapassam os 500 metros e médias térmicas que variam de 15ºC a 18ºC por ano.[3]

De acordo com o geógrafo Orlando Valverde, há dois tipos distintos de mata de araucária. Em primeiro lugar, destaca-se com nitidez o pinheiro, constituindo um andar entre 25 e 30 metros de altura, em um andar inferior de árvores e arbustos latifoliados medindo entre 12 e 15 metros de altura. No segundo tipo, é desenvolvida uma floresta misturando pinheiros com árvores latifoliadas, em apenas um único nível, em torno de 25 a 30 metros de altura. Os últimos remanescentes de importância da Mata de Araucária são encontrados no sudoeste do Paraná.[3]

Mata Atlântica na Serra do Mar.

A Mata Atlântica é também denominada mata tropical de encosta. Isso porque está localizada juntamente com a Serra do Mar e no Litoral. Faz parte do tipo de mata higrófila latifoliada. Sua extensão fica ao longo da borda oriental das Serras e planaltos do Leste e do Sudeste. Nessa parte do Brasil, a grande quantidade de chuvas umidifica a Mata Atlântica.[4]

A Mata Atlântica tem uma grande quantidade de espécies de madeiras tais como: cedro, ipê, figueira, peroba, não somente isso como possui também demais vegetais como palmito, embaúva, aleluia, epífitas, lianas e musgos. Entrando no primeiro planalto paranaense, a mata é confundida com a vegetação subtropical. Isso cria uma zona de transição de verdade.[4]

Em 24 de setembro de 1990, foi criado o Parque Estadual Pico do Marumbi, na região da Serra do Mar. Isso objetiva a preservação da vegetação do lugar e dos mananciais de importância que aí se encontram.[4]

Mata Tropical do Norte/Noroeste e Mata Pluvial Subtropical[editar | editar código-fonte]

Entrada da Mata dos Godoy, Londrina-PR.

A Mata Tropical do Norte e Noroeste, em sua boa parte, foi sucedida pela cafeicultura e a pecuária. Uma pequena quantidade de remanescentes ainda existentes possivelmente aparece em unidades de conservação. Grandes exemplos disso são o Parque do Ingá e o Horto Florestal em Maringá e a reserva denominada Mata do Godoy. Esta última está localizada a 20 km de Londrina.[5]

Essa mata possuía ambas as características distintas:[5]

  1. A primeira, mais enriquecida de espécies vegetais como a peroba, o pau-d'alho, figueira-branca e o palmito, compreendia a região de terra roxa, que localizava-se nas margens do rios Itararé, Paranapanema, Pirapó e Ivaí.
  2. A segunda, mais empobrecida de espécies vegetais, abrangia a região formada pelo arenito Caiuá, localizada nas margens dos rios Pirapó, Paranapanema, baixo Ivaí e foz do rio Piquiri.
Fotografia aérea do Parque Nacional do Iguaçu, o lado brasileiro fica à esquerda.

A Mata Pluvial Subtropical é diferente da Mata de Araucária, devido a duas coisas: a ocupação de suas terras com altitudes abaixo de 500 metros e porque não possui pinheiro. Era encontrada no decorrer do Rio Paraná entre a foz do Rio Piquiri e a foz do Rio Iguaçu, entrando através dos vales. O Parque Nacional do Iguaçu é a mais importante unidade de conservação deste tipo de floresta. Aí é encontrada a preservação de vegetais e animais da fauna do lugar.[5]

Campos, Vegetação Litorânea e Vegetação Pantanosa[editar | editar código-fonte]

Das formações de ervas e de arbustos encontradas no Paraná merecem destaque: os campos limpos e campos cerrados.[5]

Nos campos limpos são predominantes as gramíneas. As gramíneas, com frequência, se misturam com matas ciliares e capões de matos afastados. Solos mais empobrecidos são representados pelos campos limpos e, por isso, nessa formação vegetal, o terreno não é propício para o crescimento de plantas de média e alta estatura. Eles ocorrem em uma grande diversidade de lugares por todo o Paraná: Campos Gerais, Campos de Guarapuava, Campos de Palmas, Campos de Curitiba, Campos de Castro, Campos de Campo Mourão, entre outros.[5]

Os campos cerrados são os mesmos campos limpos, mas misturados com uma maior densidade de arbustos. Eles compreendem lugares em que havia matas primitivas como no Alto Rio das Cinzas, Jaguariaíva, Sengés e São Jerônimo da Serra.[5]

A vegetação litorânea abrange uma área com mais de 729 quilômetros quadrados do Litoral do Paraná.[6] É retratada pelos mangues, pela vegetação das praias e pela vegetação das restingas.[6]

A vegetação dos mangues é influenciada pelas marés. Possivelmente se encontra nas baías de Paranaguá e Guaratuba.[6]

A vegetação das praias é bem empobrecida. É típica das areias dos balneários naturais.[6]

A vegetação das restingas completa os solos que consolidaram-se de velhos balneários.[6] Possui agrupamentos espessos de vegetais, em uma grande quantidade de vezes com árvores que medem entre seis e oito metros de altura.[6]

A vegetação pantanosa é desenvolvida juntamente com as regiões de pântanos existentes nas restingas, nos campos de inundação banhados pelo rio Paraná e nas várzeas banhadas pelos rios planálticos.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. a b c d e Garschagen 1998, p. 134.
  2. a b Wons 1994, p. 77.
  3. a b c Wons 1994, p. 78.
  4. a b c Wons 1994, pp. 78-79.
  5. a b c d e f Wons 1994, p. 79.
  6. a b c d e f Wons 1994, p. 80.
  7. Wons 1994, p. 81.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Garschagen, Donaldson M. (1998). «Paraná». Nova Enciclopédia Barsa. 11. São Paulo: Encyclopædia Britannica do Brasil Publicações Ltda 
  • Wons, Iaroslaw (1994). Geografia do Paraná 6ª ed. Curitiba: Ensino Renovado 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]